Wilalba
F. Souza
06/abr/2016
Ontem cedo, cumprindo “determinação” da
minha mulher, fui à padaria perto de nossa casa pra comprar um iogurt. À minha
frente, um senhor comprou um litro da melhor pinga da roça, feita em Abreus,
localidade conhecida pela qualidade de sua cachaça, na região. O dono do
estabelecimento, brincalhão, comentou com um rapaz que escolhia uns produtos
nas gândolas: - Olha aqui, Gilmar, se faltar combustível você pode colocar isto
aqui – mostrando o “produto” – no tanque e ir em frente! Entrei no assunto e
também comentei: - Só não pode é tomar e “motocar”! Todos nós demos um sorriso
e o Gilmar começou a relatar o acontecido com ele em uma abordagem, por um PM
novo, numa operação de trânsito.
Dia desses foi parado parado por uma
equipe do trânsito por, segundo suas palavras, um “soldadinho”. Pediram os
documentos e carteira de motorista. Estava tudo em ordem. Mandaram que ele
abrisse o porta-malas e, em seu interior, constataram que havia um engradado de
cervejas, geladíssimas, e carne. É que o cidadão estava indo para um churrasco
promovido por sua família e aquela seria sua contribuição. Nesse instante,
segundo ele, o “soldadinho” afirmou em voz alta: - Você fez uso de bebida
alcoólica! Ao que ele respondeu negativamente, iniciando daí um bate-boca, num “bebeu,
não bebi, bebeu, não bebi, irritante para os dois”.
A certa altura Gilmar, já incomodado,
solicitou que o submetessem ao “bafômetro”, que não haveria problema. Como não
havia, o aparelho, entre os PM, sugeriu que pedissem à Polícia Rodoviária que
ele esperaria, mesmo estando compromissado com o churrasco. O que, por si só,
deveria bastar para que o bom senso imperasse no meio policial e encerrasse a
celeuma causou transtorno maior. Acabou com o motorista recebendo voz de prisão
por desacato, certamente por ter sido levado, pelo PM, à irritação e enfrentado
a indisposição da autoridade. – Entra na viatura, disse o PM! - E meu carro, vai ficar na rua? Nada disso,
ponderou. E no vai, não vai, acabou indo para a Delegacia no seu veículo.
Apresentado ao delegado de polícia,
preso em flagrante por desacato, o delegado perguntou ao conduzido o que
ocorrera. Constrangido, Gilmar, contou o que ocorrera, “tintim por tintim”. Aí
amigos, com a sala cheia de gente, e com razão, virou-se para os PM e
“disparou”: - Vocês trouxeram este cidadão aqui por isto? É inacreditável,
completou, enquanto o sargento e um cabo que deram apoio operacional ao soldado
se entreolharam envergonhados por suas atuações pífias e descontroladas. Livre e solto, Gilmar esgueirou-se por entre a
¨platéia” e, enfim, meio que chateado e
atrasado, foi festejar com sua família o noivado de um irmão. Não adotou
providências contra o abuso de autoridade, constrangimento ilegal ou danos,
segundo ele, com medo de ser perseguido e multado em represália.
Eu que escutara tudo calado, e terminado
o assunto, catei meu pote de iogurte e fui pra casa pensando com meus botões: é
preciso que nós da Polícia Militar nos tornemos mais profissionais. E, sem
generalizar, busquemos, diuturnamente, aperfeiçoar nossas ações operacionais junto
ao consumidor final, o povo, a fim de não nos transformarmos, todos, em
soldadinhos.
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