Batalhões de Pardais
Wilalba
F. Souza 18/mai/2016
A fúria arrecadadora do Estado
Brasileiro é um vício. Por conta disso, vira e mexe inovam nesse “metier”. Dias
atrás, e não me detive muito à matéria, divulgaram os valores mensais, ou
anuais, em cifras milionárias, das multas de trânsito aplicadas na cidade do
Rio de Janeiro. Sem poder dizer quanto, posso afirmar que era um valor
altíssimo. O espírito da lei era de que o dinheiro da apenação ao motorista
seria revestido no setor específico, inclusive para pagar campanhas
educacionais afins. Tenho minhas dúvidas. Nunca vi ninguém ser educado por “pardais”,
ou redutores eletrônicos. Normalmente se reduz a velocidade para não ter que
pagar a multa. Ultrapassado o “bicho”, pé no acelerador! E me arrisco dizer que
a maioria esmagadora das multas vem através desses meios eletrônicos,
decorrentes de distração e por pequenas diferenças entre a velocidade permitida
e a desenvolvida pelo motorista. Em uma mesma via é comum, em trevos idênticos,
uma verdadeira salada de números, normalmente mal feita e em desfavor de quem
busca o correto. Já caí umas três vezes, com tais diferenças mínimas, nessas
armadilhas, propositalmente armadas pra arrecadar.
Parece até que queremos defender
condutores irresponsáveis e despreparados; que desconhecem as leis e provocam
acidentes. Pelo contrário, nossa indignação é porque a maioria correta dirige
responsavelmente e se vê, mesmo assim, penalizada, tendo em vista o excesso de
veículos e a péssima qualidade da sinalização na maioria das maltratadas estradas
brasileiras. Ir de Barbacena a Belo Horizonte é uma aventura. Dificilmente se
vê policiamento. Dessa forma a malandragem dos verdadeiros infratores se
sobrepõe à lei e “atropela” o esforço dos corretos. Caminhoneiros soltam seus pesados
veículos morro abaixo e, com outros “profundos conhecedores da estrada”,
ultrapassam muito acima do razoável, todo mundo, em setores desprovidos de
sinais eletrônicos e guardas. Enfim, a tecnologia nada vale sem o concurso do
ser humano. E é o que nos falta. Não só nas estradas, como também nas áreas
urbanas onde, via de regra, a população recente-se de segurança, pela quase
inoperante fiscalização humana.
Com desculpa descabida de que estão
preocupados com quem, ao volante, usa telefone celular, estaciona em vaga de
velhos e pessoas com restrições físicas, os “gestores” deram uma “solavancada”
nos valores das multas. Aumentaram-nas quase o dobro! Pra mim mais um absurdo
que a maioria do povo tem que enfiar goela abaixo, pela incapacidade do poder
público em solucionar os problemas de maneira mais coerente e republicana.
Também, depois que um juiz de direito da Comarca de Lagarto, Estado da Paraíba,
retirou o WatssApp de milhões de brasileiros numa canetada infeliz, e teve
força pra isto; que um deputado presidente interino da Câmara Federal decretou
a anulação da votação de um “impeachment”, feita por seus pares, e mandou para
o Senado cumprir, o que mais podemos esperar?
Sem a presença humana nas fiscalizações
de trânsito tudo se transformou em “jogada” econômica” pró orçamento, propiciando
a instalação da bagunça. Gostaria de ter as estatísticas de multas aplicadas
por agentes a usuários de telefone celular ao volante. E também das
notificações daqueles que se “apossam” das vagas especiais acima citadas. Pra
falar a verdade, e sem querer generalizar, nunca vi isto acontecer. Nem conheço quem
tenha sido responsabilizado pela infração! Logo, aumentar os valores de todos
os outros tipos de infração, tendo por base esse tipo de argumento, é ato de
“lesa povo”, quando todos nós sabemos que tudo não passa de “firula arrecadatória”.
Só!
A melhoria do comportamento dos nossos
motoristas, visando a redução de acidentes que vitimam milhares de pessoas
anualmente, por todo o Brasil, seja pelas vias urbanas, rurais, interurbanas,
estaduais e federais, tem que passar mais pelos bancos escolares; pela melhoria
das estradas, de modo geral, com o incremento de ações por agentes de trânsito rodoviário
e urbano (hoje mínima e insuficientemente existentes) e menos por lombadas
eletrônicas, pardais e outros artifícios adredemente estabelecidos para multar,
multar, arrecadar e explorar o brasileiro, mesmo porque duvido que marginais,
de todas as estirpes, e que assolam o nosso território, de ponta a ponta,
tenham receio das abordagens desses “batalhões de pardais” instalados por aí!
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