Decadência,
valorização e respeito
Wilalba
F. Souza 03/mai/16
Não
há como negar a importância, para Barbacena e região, da Escola
Preparatória de Cadetes do Ar – a EPCar – que acrescentou muito
em relação à economia e à cultura de quantos aprenderam a admirar
esse segmento da Força Aérea. Para os que gostam da aviação e,
consequentemente, de aviões, o aeroporto Major Doorgal certamente
poderia ter sido mais aberto às atividades civis, tornando mais
motivador o descortínio de importantes horizontes por estes lados.
Lamentavelmente isto não aconteceu. Com a extinção do histórico
Aeroclube de Barbacena, exatamente em razão de ações judiciais e
outras “birras” da Aeronáutica, não há como empresários e
outros interessados manterem aeronaves por aqui. Um desperdício,
segundo já tive oportunidade de relatar.
Toda
vez que se investe numa obra do porte do “nosso” aeroporto,
imaginamos nós, o que se espera é maior progresso, pelo surgimento
de uma ferramenta importante, também, ao crescimento econômico, eis
que, vemos assim, o aeródromo local não foi edificado para receber,
em seu redor, uma base aérea militar. Mesmo porque alunos da Escola
Preparatória não recebem aulas de pilotagem, e uma parte deles
desiste ou é reprovada antes de ir para a Academia. Logo, nos dias
de hoje, o que se mantém por aqui é um elefante branco, um
desperdício, por omissão das autoridades municipais e por
interferência irredutível – penso eu – da nossa Aeronáutica
que, por ser encarregada da sua administração, o anexou à sua
“carga”, ao seu patrimônio, favorecida pela total imobilidade
pública.
O
comando da EPCar, e aí nós não temos informação sobre os motivos
dessa ocorrência, e nem sei se isto possa ter alguma expressividade,
que sempre foi comandada por brigadeiro, hoje passou a ser dirigida
por um coronel da Força. Sempre lembro que abrir mão das áreas
ocupadas, no centro de Barbacena, através dos anos, e que não têm
qualquer utilização para eles, os militares não fazem. São
espaços territoriais que seriam de crucial importância à melhoria
da mobilidade urbana barbacenense. Então, vão passando os anos e
continuamos assim, com um grande espaço central que não nos traz
qualquer benefício e, pelo contrário, representa uma ilha inútil,
desabitada e impenetrável, em razão da insensibilidade política
local e regional, mantendo, na mesma situação, um grande aeroporto,
onde nossos militares federais mantêm um único avião – Cessna
Caravan - para transporte de pessoal, e uso unicamente
administrativo.
É
claro que não existe investimento. E nem sabemos dizer se a EPCar
precisa de mais aeronaves. Mas, ainda por dedução nossa, os cortes
orçamentários, decorrentes da crise econômica pela qual passa o
Brasil, atinge a todos. Aliás, e mesmo antes dela se instalar,
percebemos que o governo atual promoveu “arrocho” por todas as
Forças Armadas. Houve cortes pra todo lado: em pessoal, em soldos,
mas, notadamente, no custeio, que são as despesas com alimentação,
fardamento, peças de reposição, combustível e manutenção em
geral. Um desastre, se nos lembrarmos que nossas Forças têm que
estar preparadas para dar respostas em relação às suas
responsabilidades constitucionais. Essa caixa preta uma hora vai ter
que ser aberta e se aflorarão as penúrias desse nosso patrimônio
institucional.
O
resultado disto é a decadência. Estão consumindo, no Brasil, com
um segmento importantíssimo que nos dá segurança e estabilidade.
Que ajuda a promover nossa cultura e faz parte importante de nossa
história. É preciso dar a atenção devida e merecida aos nossos
militares. Não é tarefa fácil e torcemos para que, o mais breve
possível, isto seja superado. É uma questão de Segurança
Nacional, um escudo importante de proteção ao nosso futuro.
Entretanto, em relação à nossa Aeronáutica, continuam nossas
críticas negativas. Está passível, sim, de mudanças e maior
colaboração, sua, com nossa comunidade nos tópicos aqui abordados.
E, retornando os investimentos e aportes abordados, rogamos aos
admirados aeronautas que não usem seus aviões para, na hora do
almoço, ficar fazendo manobras, acrobacias e sobrevoos rasantes na
área urbana. E nem que, em suas festividades, em suas “alvoradas”,
lancem jatos barulhentos, até de madrugada, sobre nossas cabeças.
Valorizamos, para sermos valorizados! Respeitamos, para sermos
respeitados!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário