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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Decadência, valorização e respeito

Wilalba F. Souza                                                       03/mai/16


Não há como negar a importância, para Barbacena e região, da Escola Preparatória de Cadetes do Ar – a EPCar – que acrescentou muito em relação à economia e à cultura de quantos aprenderam a admirar esse segmento da Força Aérea. Para os que gostam da aviação e, consequentemente, de aviões, o aeroporto Major Doorgal certamente poderia ter sido mais aberto às atividades civis, tornando mais motivador o descortínio de importantes horizontes por estes lados. Lamentavelmente isto não aconteceu. Com a extinção do histórico Aeroclube de Barbacena, exatamente em razão de ações judiciais e outras “birras” da Aeronáutica, não há como empresários e outros interessados manterem aeronaves por aqui. Um desperdício, segundo já tive oportunidade de relatar.

Toda vez que se investe numa obra do porte do “nosso” aeroporto, imaginamos nós, o que se espera é maior progresso, pelo surgimento de uma ferramenta importante, também, ao crescimento econômico, eis que, vemos assim, o aeródromo local não foi edificado para receber, em seu redor, uma base aérea militar. Mesmo porque alunos da Escola Preparatória não recebem aulas de pilotagem, e uma parte deles desiste ou é reprovada antes de ir para a Academia. Logo, nos dias de hoje, o que se mantém por aqui é um elefante branco, um desperdício, por omissão das autoridades municipais e por interferência irredutível – penso eu – da nossa Aeronáutica que, por ser encarregada da sua administração, o anexou à sua “carga”, ao seu patrimônio, favorecida pela total imobilidade pública.

O comando da EPCar, e aí nós não temos informação sobre os motivos dessa ocorrência, e nem sei se isto possa ter alguma expressividade, que sempre foi comandada por brigadeiro, hoje passou a ser dirigida por um coronel da Força. Sempre lembro que abrir mão das áreas ocupadas, no centro de Barbacena, através dos anos, e que não têm qualquer utilização para eles, os militares não fazem. São espaços territoriais que seriam de crucial importância à melhoria da mobilidade urbana barbacenense. Então, vão passando os anos e continuamos assim, com um grande espaço central que não nos traz qualquer benefício e, pelo contrário, representa uma ilha inútil, desabitada e impenetrável, em razão da insensibilidade política local e regional, mantendo, na mesma situação, um grande aeroporto, onde nossos militares federais mantêm um único avião – Cessna Caravan - para transporte de pessoal, e uso unicamente administrativo.

É claro que não existe investimento. E nem sabemos dizer se a EPCar precisa de mais aeronaves. Mas, ainda por dedução nossa, os cortes orçamentários, decorrentes da crise econômica pela qual passa o Brasil, atinge a todos. Aliás, e mesmo antes dela se instalar, percebemos que o governo atual promoveu “arrocho” por todas as Forças Armadas. Houve cortes pra todo lado: em pessoal, em soldos, mas, notadamente, no custeio, que são as despesas com alimentação, fardamento, peças de reposição, combustível e manutenção em geral. Um desastre, se nos lembrarmos que nossas Forças têm que estar preparadas para dar respostas em relação às suas responsabilidades constitucionais. Essa caixa preta uma hora vai ter que ser aberta e se aflorarão as penúrias desse nosso patrimônio institucional.


O resultado disto é a decadência. Estão consumindo, no Brasil, com um segmento importantíssimo que nos dá segurança e estabilidade. Que ajuda a promover nossa cultura e faz parte importante de nossa história. É preciso dar a atenção devida e merecida aos nossos militares. Não é tarefa fácil e torcemos para que, o mais breve possível, isto seja superado. É uma questão de Segurança Nacional, um escudo importante de proteção ao nosso futuro. Entretanto, em relação à nossa Aeronáutica, continuam nossas críticas negativas. Está passível, sim, de mudanças e maior colaboração, sua, com nossa comunidade nos tópicos aqui abordados. E, retornando os investimentos e aportes abordados, rogamos aos admirados aeronautas que não usem seus aviões para, na hora do almoço, ficar fazendo manobras, acrobacias e sobrevoos rasantes na área urbana. E nem que, em suas festividades, em suas “alvoradas”, lancem jatos barulhentos, até de madrugada, sobre nossas cabeças. Valorizamos, para sermos valorizados! Respeitamos, para sermos respeitados!!!

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