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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Nossas escolas, nossas vidas



Por mais que a gente delas fuja, ou mesmo as esqueça, há histórias,  nas nossas vidas, que, de vez em quando, resvalam em nós como rajadas de vento, mesmo algumas que pareciam estar definitivamente deletadas, talvez por terem representado importância apenas momentânea, num período específico de nossa caminhada. De Governador Valadares, em tempos de educação mais conservadora, me vem à lembrança de quando minha mãe me matriculou no Colégio Imaculada Conceição, dirigido por freiras, estabelecimento reconhecidamente destinado ao público feminino. Lá fiz minha primeira comunhão, após cursar uma espécie de pré-primário, junto aos inocentes colegas, meninos (muito poucos) e meninas. Acho que aquele “Imaculada” estava à frente de outros educandários similares, numa época em que salas mistas eram raras. O esforço dos “Imaculadas” se direcionavam à formação de professoras, na badalada “Escola Normal”. E quem não se lembra das normalistas que enfeitavam nossas ruas interioranas, com seus uniformes comportados e impecáveis?

De uma escola católica passei para outra, evangélica, denominada Ginásio Presbiteriano, onde terminei o antigo “curso primário”. Os valadarenses da velhíssima guarda se lembram do “Presbé”, da minha primeira série do ginasial, depois de ter enfrentado um “pré-curso” exigido: o de admissão! Quem se recorda disso? Os candidatos tinham que, durante um mês, “repassar”, assistidos  por professor, ou não, tudo do “primário”. Havia um tal “livro de admissão”, muito grosso, e obrigavam-nos debruçar sobre ele. Muitos garotos levavam “bomba” nesse “vestibular”. Embora cheias de simplicidade, posso afirmar que as escolas e mestres da época eram excelentes. O mais interessante é que, mesmo considerando, na década de cinqüenta, ser o Brasil, um país católica e essa sua religião oficial, a direção do “Presbiteriano” nunca “misturou” as coisas, ou “forçou a barra” para privilegiar sua igreja que ficava ao lado. E como esquecer a sonoridade do pedaço de trilho pendurado no galho de uma árvore, por onde o funcionário disciplinar “alertava” para o início e o término das  aulas. Tudo era mais simples, objetivo, quase lúdico! Ainda me lembro da primeira aula de educação física, calçado do meu primeiro e novíssimo “quédis”, de cano alto, no “terrão usado como campo de futebol!

Meu irmão, Milane, chegou a estudar no “Ginásio Ibituruna”, muito caro para o padrão aquisitivo da maioria das famílias, considerado um educandário “top de linha” da cidade, administrado, com “mãos de ferro”, pelos padres. Era um estabelecimento escolar, para aqueles tempos, completo, moderno e conceituado, o que não impedia que, dentre seus alunos, existissem muitos “meninos da pá virada”, inclusive meu irmão que, por causa de seu gênio rebelde e independente, nem chegou a completar seus estudos básicos.  O Colégio Ibituruna valadarense, e muitos outros, similares, pelo Brasil, são a  prova de que o catolicismo, desde a descoberta do Brasil, teve uma atuação fundamental na formação de nossos jovens, de nosso povo. Mas e as outras religiões, como a que fundou o “Presbé”? Todas tiveram sua importância, em nossas vidas, numa gradação maior ou menor, em tempos passados ou mais recentes.

Um comentário:

  1. Meu Comandante. Gosto muito do que escreve. Todos nós temos nossas histórias, mas o difícil é expressar como o senhor faz com essa facilidade e clareza. Nos faz viajar.

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