Wilalba
F. Souza
25/Jan/17
Nas últimas eleições presidenciais um
importante candidato, de grande potencial, se deslocando do Rio de Janeiro para
São Paulo, em um jatinho executivo, morreu depois de aproximação desastrada a
uma pista de pouso da aeronáutica, na cidade de Santos. Como a visibilidade era
pequena, numa conversão, a aeronave perdeu sustentação e explodiu contra
prédios residenciais na área urbana. Houve muita consternação, como não poderia
deixar de ser, em noticiários de todas as tendências, por muitos e muitos dias.
Posso estar enganado, mas essa acidental exclusão, do processo eleitoral, de
Eduardo Campos, jovem político pernambucano, pode ter mudado o rumo daquelas
eleições, vencidas por Dilma Roussef, cassada há algum tempo.
Não tenho certeza, mas parece que a
pista de Santos, acima citada, além de curta, carece de instrumentação e
equipamentos mais modernos, auxiliares dos aeronautas que a utilizam. Se o
piloto for meio atirado, ou tiver excesso de confiança, as chances de erro são
aumentadas. Considerando o clima eleitoral, logo surgiram os defensores da
existência de atentado e conspiração, motivados pelas disputas do poder. E
claro que, passado o clima de euforia em cima da notícia, logo surgiram sérias
evidências de erros do comandante. E, anos após anos, o que se vê, em casos
similares, são as falhas humanas, lamentavelmente. A tecnologia aeronáutica de
hoje é bastante evoluída e os sistemas aviônicos muito confiáveis. E, a bem da
verdade, candidatos a cargos de expressão deveriam ter uma proteção maior, até
patrocinada pelo Estado, para evitar essas graves ocorrências. E lanço uma
pergunta: será que dona Dilma seria levada, por sua assessoria e seguranças, a
viajar numa aeronave idêntica e tentar pouso com tempo ruim e em uma pista
limitada? Ela que tinha um séquito da Força Aérea a rodeá-la!
Dia desses, num vôo de São Paulo a Paraty, agradável cidade fluminense que
visito anualmente, a aeronave que conduzia o Juiz Teori Zavaski, do Supremo
Tribunal Federal, em manobra parecida com a do acidente de Campos, caiu no mar.
A míseros dois quilômetros da pista. De plano, após rápida interpretação dos
especialistas, constatou-se queda por erro do piloto. A chuva e pouca visibilidade
o desnortearam, ele que tentara se aproximar por duas vezes, sem sucesso.
Divulgaram, um sem número de vezes, que o comandante era especialista naquele
campo de pouso, desprovido de sistema auxiliar de qualquer espécie. Pra descer,
lá, só com muita visibilidade. Logo, deu no que deu, ceifando a vida de cinco
seres humanos. Problema agravado porque Zavaski era o relator dos processos da
“Lava a jato” em
andamento. E ainda há quem acredite ter havido algum atentado, ou
conspiração, para prejudicar o andamento das operações policiais e judiciais
que envolvem nomes e nomes de poderosos. Restaram prejuízos por todos os lados,
muita conversa de botequim, mas nenhum movimento em direção à segurança de autoridades
importantes à nossa Nação e à defesa do patrimônio público, contra as mazelas desonestas
de quem nos dirige, dirigiu e quer voltar a dirigir! Campos e Zavaski deviam
ter sido melhor tratados, não só como seres humanos, mas principalmente pelo que
representavam para a Nação, à época de seus trágicos desaparecimentos.
Displicência pura!!!