Wilalba F. Souza 21/07/17
Sem essa de falar em cabalística, só
porque iniciamos nosso papo com um número. Digamos que seja o ano: 1.988. Eu
era capitão e servia na Coordenadoria de Defesa Civil, órgão ligado diretamente
ao Gabinete Militar do Governador, em Belo Horizonte.
Nilton Cardoso ocupava o Palácio da Liberdade e corria boato
de que ele recebia uns “por fora” nas aquisições oficiais. Certamente só
conversa, eis que o homem continua livre e solto por aí e seu filho, deputado
federal, tem aparecido nas colunas e reportagens políticas dos periódicos
nacionais.
Naquele ano foi promulgada a tal
Constituição Cidadã, de Ulisses Guimarães, com assertiva de inaugurar uma nova
vida de progresso, liberdade, muita democracia e um horizonte portentoso para
todos nós. Saíamos de um regime de forte interferência militar. Geisel prometeu
e João Figueiredo passou a faixa presidencial para Sarney, uma sarna que anda
por aí até hoje, exalando fortes influências de poder. Aliás, não me lembro!
Sarney recebeu a faixa presidencial?
Quem nunca comeu melado, quando come, se
lambuza, dizem há tempos. Então os civis assumiram as rédeas (?) da nação – Figueiredo é quem gostava de cavalos – e, com
Sarney, começaram planos econômicos para controlar a economia, em tempos bem
difíceis. Depois Collor, o “caçador de marajás”, vejam só, ainda continua por
aí senador, enfiou os pés pelas mãos e foi cassado por causa de uma “Fiat Elba”
de má orígem e desmandos, como o seqüestros de ativos bancários de todo mundo,
inclusos os meus, representados por pequena e suada poupança de vários anos que
nem sei onde foi parar!
Itamar Franco, mineirinho abaianado,
chegou de mansinho em seu lugar e, com a ajuda de Fernando Henrique, organizou
o que muitos tentaram anos a fio. Era década de 90. A economia foi reativada,
estabilizou-se a moeda e tomou-se conta do que era público. Pra mim, um
milagre, continuado pelo ajudante competente, que se elegeu mandatário maior de
um país aparentemente renovado, mas, mesmo assim, mal assimilado, por cabeças
petistas que combateram duramente o governo de exceção. A maioria de nós provou
e aprovou o gosto agradável da estabilização da moeda. Mas...
O povo é quem manda. O petismo, que não
acreditou e trabalhou contra o governo da situação, inclusive votando contra o
“Plano Real”, levou Lula, o dissimulado pobre analfabeto, à presidência. O
resultado aí está. Uma “cuanga” só. Temer todo enrolado, tentando dar rumos
novos ao país, recebendo, até que merecidamente, pancadas de todos os lados, utiliza
de todas as armas que sua caneta permite, na liberação de recursos para
deputados lhe serem simpáticos. Na realidade, pessoal, o bode está assustado e
solto na sala. E, por enquanto, a culpa é da PM que não dá conta de acabar com
tiroteios, assaltos violentos,, explosão de bancos, arrastões, roubos de
cargas, saidinhas de banco, etc, etc, etc, pois políticos estão esperando as
eleições do ano que vem ou, se possível, suas antecipações.
Que me desculpem companheiros, mas com a
chegada de Lula, nordestino metido a pobre, mas vaidoso demais, depois de oito
anos de moderado equilíbrio financeiro e distribuição de benesses, vimos a
caldeira esfriar. Mesmo assim, inchado como um baiacu destrambelhado, com altos
níveis de popularidade conseguidos com a distribuição, até irresponsável, de
recursos públicos e corrupção, transferiu a faixa presidencial para sua
ex-braço direito, Dilma Roussef. Sem proposta – e é isto mesmo – e sem rumo,
Dilma se manteve, copiando as táticas de Lula, num país atolado em dívida e em
mentiras garantidoras de sua reeleição. Por isto foi cassada, em 2016, num
julgamento político.
Um ano depois, nós brasileiros estamos
pagando a conta pela má administração dos últimos anos. E ninguém assume a
culpa. Quem saiu ou quem assumiu nunca tem qualquer responsabilidade. São
alienados os políticos, é alienado o povo. O Rio de Janeiro está uma desordem
completa, sem dinheiro pra hospitais, assistência social e mesmo pagamento de
salários. A situação de segurança pública, senão a pior, é mais que
constrangedora. Polícia não recebe seus soldos e nem recompleta efetivo. E,
nestas horas, sem policiamento, é um “deus nos acuda”. Convoca-se Guarda Nacional,
que pouco pode fazer, tenta-se envolver Forças Armadas e, com razão, surgem
resistências, deles mesmos! Então, a imprensa tem à sua disposição um cardápio
diversificado. A Justiça, nos tribunais superiores, especializou-se em
“lava-jato”. Imiscuiu-se na política e isto tem deixado o bode mais nervoso
ainda. E a Constituição Cidadã, de 88, ainda não fez trinta anos!!!
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