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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Briga de cachorros, na feira...



Wilalba F. Souza                                        05/07/2017


A Procuradoria Geral da República, em tempos atuais desenvolvendo uma luta insana contra a corrupção no país, encontra em dois cidadãos, irmãos e empresários de grande porte, importantes razões para apurar como seus empreendimentos se tornaram gigantescos, em poucos anos, mesmo sendo eles pessoas de pouca formação intelectual, filhos de um açougueiro interiorano do estado de Goiás. Conclui que, com ajuda de políticos poderosos, teriam conseguido dinheiro fácil junto a banco estatal, fomentador importante, com juros abaixo do mercado e subsidiados, em contrapartida, a polpudas contribuições para campanha eleitoral da maioria dos dirigentes eleitos na União e Estados.

Não bastassem os desvios da Petrobras, pelo governo Lula e Dilma, ao longo de anos a fio, ao se desenrolar, o novelo, verifica-se que, desde lá, ocorrem muito mais problemas de corrupção nas empresas estatais administradas por “paus mandados” e recomendados, BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), uma delas. Por causa dessas mazelas a presidente Dilma foi cassada. Sua incapacidade de governar, somada às confusões criminais contra a economia do país, deram causa à sua saída, num julgamento político. Seus próprios aliados se juntaram contra a péssima e corrompida administração, herdada do governo anterior, que teve muitos líderes condenados e processados, à frente José Dirceu, ex-poderoso ministro do Partido dos Trabalhadores.

O “Procurador-mor”da República, Dr Rodrigo Janot, se mostra mais que um linha dura. Engendrou, mancomunado  (será este é o adjetivo apropriado?) com o indiciado,  uma armadilha para Michel Temer. Às vezes me ocorre relacionar essa gana dele, em processar o presidente,  à sua declaração de que não reconduziria aquela autoridade à chefia da Procuradoria Geral e, nem mesmo, colocaria lá, alguém próximo dela. Ele que, definitivamente, fisgou Temer, autoridade máxima da República, dentro de sua própria casa, usando, como isca, o empresário Joeley Batista, dono da Friboi (JBS), que gravou diálogo reservado entre os dois, dando cópia para a imprensa. Joesley, ligado à maioria dos políticos brasileiros, de todos os “naipes”, e o mundo inteiro sabe disto, “entregou” quem quis, “na bandeja”, e ficou, com seu irmão e assessores, isento de qualquer penalidade pelos crimes cometidos por eles. Baita negócio, eis que, mesmo sendo comprometedoras, suas falas, nem sempre lhe será possível materializa-las.

Não morro de amores por Temer, mas não acho correto o poder judiciário, ou quem quer que seja, intermediar, ajudar, aceitar ou planejar,  gravação clandestina de conversa do Chefe de Estado dentro de sua casa. Vira esculhambação e empobrece o próprio país. Pior ainda achar que a publicidade de tudo isto vai ajudar alguma coisa. No meio dessas difusões saem notícias verídicas, e outras mais, muitas até, nem tanto. É o que aprenderam chamar de ilações. Até o Lula, mestre em convencer multidões, tem tratado todas as acusações contra sua pessoa, feitas pela turma da “lava-jato”, de invencionices, ou conclusões impróprias, ou seja, de ilações. E, das partes em confronto, o que mais vê são desequilíbrio e sangue nos olhos, coisa parecida com briga de cachorros vira-latas, daqueles grandes, em feira pública: fazem estragos pra todos os lados, atingem pessoas, espantam a freguesia e depois, de rabos entre as pernas, se afastam lambendo as feridas, enquanto os feirantes, ou o povão, tenta se organizar e tocar a vida pra frente, certos de que a “cachorrada” vai continuar!

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