Wilalba F. Souza 15/Jan/2019
Nada nos custa buscar fatos, lá de trás, para
tentarmos, pelo menos, explicar muitos dos eventos que assistimos hoje. Nas
décadas de cinquenta, sessenta e setenta éramos um país jovem, cheio de jovens
e de enorme população rural. Pelo que entendo, foi a partir desses anos que
nosso país passou a ingressar na era de utilização de novas tecnologias, dos
automóveis modernos, de melhores comunicações, de maior acesso a dentistas
(caso especialíssimo de democratização nessa área da saúde). Quando assisti, em
1970, alguns jogos da Copa do Mundo de Futebol, fiquei, e a maioria dos
brasileiros também, boquiaberto. Resultados do governo JK e do Milagre
Brasileiro, no período dos militares.
Eu, com pouco mais de vinte anos, já tinha ingressado
no mercado de trabalho. E, a bem da verdade, queria era ter emprego, sem
preocupação com aposentadoria, afinal isto significa dignidade e, pode até
parecer que não, liberdade. E ainda guardo bem clara, na minha mente, a
informação de que, daí a trinta anos, eu iria para a reserva da Polícia
Militar, recebendo uma aposentadoria. Somente mais tarde, bem mais tarde, é que
fui entender o real funcionamento do nosso sistema de previdência, dito
próprio, por ser diferente da aposentadoria do sistema conhecido por geral,
pois congrega os trabalhadores da atividade dita privada.
Então, há cinquenta, sessenta anos passados, a
arrecadação com as contribuições legais feitas pelos empregados e pelas
empresas era enorme. Muita gente contribuindo, ainda nova, poucos aposentados,
o que dava pra juntar uma montanha de dinheiro… Só que os grandes olhos do
poder público cresceram mais ainda. Como? Simplesmente enfiaram, literalmente,
a mão nas reservas previdenciárias, em todos os setores. Trabalhadores rurais,
que nunca tinham contribuído, passaram a receber uma pensão aos sessenta anos,
se não me engano. Foi uma farra, pois o que apareceu de trabalhador rural que
nunca tinha posto a mão numa enxada foi uma grandeza. Depois surgiu o direito
de receber, qualquer pessoa, a partir dos 65 anos. E ninguém é contra isto,
desde que contemplado no orçamento público, e não via institutos. E mais, os
governos e governantes passaram a lançar mão desse dinheiro sagrado para
financiar projetos vários que ajudaram a criar os rombos hoje existentes.
Mesmo em tempos de muita fartura apareceram técnicos
que alertaram para o que viria no futuro, caso essas sangrias não cessassem.
Algumas reformas teriam que ser efetivadas para manter o sistema com saúde
financeira. Umas tímidas foram realizadas, mas insípidas e sem substância!
Falavam em atuária, hoje trabalhada quase que como uma ciência, mas de alcance
pequeno ao entendimento da maioria do povo.
A bem da verdade algo tem que ser feito, sem essa de
estar procurando culpados, porque o estrago foi escancarado. Ou mudam-se as regras,
ou a vida dos futuros “inativos” vai ficar difícil. E olha que a previdência
geral, de hoje, já é uma loucura, carcomida pelo tal “fator previdenciário” de
Fernando Henrique, mas dá motivos para que os administradores públicos a joguem
no orçamento para tapar buracos que tendem a aumentar enormemente,
inviabilizando outros investimentos. E é fácil conferir essa conta: os muitos
desempregados não contribuem; a grande massa que se aposenta, vive muito mais
tempo que o pessoal de sessenta, setenta anos atrás e a crise econômica agravam
essa “doença”. Mas o maior ralo, reafirmo, está no serviço público, de todos os
poderes. E não adianta eleger só o povão e os funcionários do executivo –
federais, estaduais e municipais – como vilões. O legislativo e o judiciário,
que “estão nem aí, para o problema” são gulosos e verdadeiros sangue-sugas da
economia pública, navegando num mar de rosas.
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