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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Novo governo


Wilalba F. Souza                                         15/02/2019

          Em plena campanha eleitoral, o presidente Bolsonaro sofreu uma covarde tentativa de homicídio, praticada pelo indivíduo conhecido por Adélio Bispo,   militante político de partido adversário. Até hoje esse crime não foi de todo esclarecido, eis que o autor confesso, preso em flagrante delito, está se considerando o único responsável, embora haja indícios de outras participações, inclusive porque, desempregado, teve altas despesas com tal empreitada. E as investigações continuam. Esta semana, depois de ficar internado por uns quinze dias, o presidente teve alta, não sem antes sofrer as agruras provocadas pela intervenção cirúrgica doída, sofrida, correndo o risco de ser acometido de doenças oportunistas, como a pneumonia que lhe acometeu. Ficou livre da bolsa de colostomia. Percebam só o sofrimento desse homem. E, da maioria dos brasileiros, vem a impressão ter sido, esse obstáculo, apenas uma intercorrência quase banal, eis que se acostumou com o noticiário, estando a imprensa mais preocupada com as reformas governamentais, principalmente a da previdência, por questões econômicas.

        Ao lado disso, quem esperava ter uma nova administração mais limpa, entrosada, menos politiqueira, enganou-se redondamente. Primeiro um dos filhos do chefe da nação, Flávio Bolsonaro, está sujeito a investigação, por comportamento ilícito, juntamente com um seu assessor, amigo de toda a família, devido a movimentações extraordinariamente altas em suas contas correntes pessoais. E claro que a mídia explora isto a fundo e as explicações não convencem, cotejadas às mesmas caracteristicas das desculpas escapistas dos governos e políticos anteriores, quando instados a esclarecer fatos de mesma natureza. Se tudo estivesse dentro da legalidade – e tudo indica não estar – essa curiosidade teria sido assimilada e escorrido pelo ralo. Mas, todos nós sabemos, as saídas pelos fundos, e o tempo, costumam encobrir mal feitos. E, mais recentemente, o “porrete” tem sido dobrado em cima de outro filho de Jair Messias, o tal Carlos, aliás o mais novo, vereador do Rio de Janeiro, que nunca sai do lado do pai, dando palpites e influenciando suas ações, segundo se comenta, dando causa até a crises envolvendo membros do ministério. Há quem ache isto uma ingerência familiar dispensável e depreciativa, mesmo considerando a fragilidade na saúde do recém-empossado presidente do Brasil. O rapaz nem função tem, logo, devia se recolher e deixar pai e auxiliares trabalharem.

        O barco está até agora, sem empenho total de seu timoneiro principal, ainda mais que a tripulação está se acomodando, em busca, lógico, de firmar posição de destaque nessa engrenagem. Maior preocupação, institucional, excluídos os ruídos desagradáveis, é com a reforma da previdência. O tal de projeto foi entregue recentemente por Bolsonaro  e “bateram o martelo” no limite de idade: 65 anos para homens e 62 para mulheres, com 12 anos para transição. Pra mim, pessoalmente, um projeto perneta. O Congresso vai ter que desembolar esse novelo. A opinião pública em sua maioria não consegue entender o que se pretende e detesta mudanças. É o medo do desconhecido. Vão ter que trabalhar, e muito, esse aspecto. Além disso, e até agora, nada se falou sobre o alterações nos legislativo, judiciário, procuradorias, e da difícil questão que envolve o futuro dos militares federais e estaduais. Estes, me parece, em constante e desigual guerra real urbana, com centenas de baixas anuais em combate. Aqueles, nestes tempos de paz e num país já pactuado da não agressão, povoam quartéis do sul/sudeste, algumas vezes dando apoio às polícias e agentes penitenciários insuficientes, enquanto as fronteiras ficam desguarnecidas. Não tenham dúvida, este vai ser um problemão a ser superado. Uns vão ser “beneficiados”, outros, com certeza absoluta, pagarão a conta.



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