Há bastante tempo não
compareço neste espaço, que me foi reservado para escrever, anotar e comentar
sobre assuntos diversos. Por ser reformado da Polícia Militar de Minas Gerais
tenho me arriscado mais nessa área, ligada à segurança, mas me faço presente em
outras searas, como a política, especificamente naquilo que nos causa mais
temor, que é o radicalismo, produtor de ameaças ao andamento democrático e
pacífico de uma transição de governo, de uma linha doutrinária para outra, como
é o caso do Brasil. Bolsonaro venceu as eleições e encontra dificuldades
enormes para que prevaleçam suas promessas de campanha. O Congresso, cheio de
boas, excelentes e prestimosas intenções, mantém, em suas “fileiras”, quem
transporte maus, péssimos e terríveis objetivos. A divisão de ideias e
propósitos, nas “casas do povo” se escancarou. Sejam elas da parte dos
governistas ou oposição. O mesmo acontece no seio dos mandatários. Os
organismos de imprensa, que deveriam manter imparcialidade, aboliram esse
conceito básico do jornalismo. Logo, tudo se apresenta, sempre, muito difícil.
Aliás, nem o futebol, em tempos de ”Copa América” entusiasma. Por esta razão
entrei numa fase mais leve de existencialismo. Aliás, já era tempo.
No mês passado, a
convite de um amigo e a esposa, comprei um pacote de viagem para Portugal. E lá
fomos, eu, minha mulher e o casal amigo. É uma jornada bastante pesada: saída
de Barbacena, numa van de turismo às 10 da manhã, chegada em Confins às duas da
tarde. Entre “check-ins” e despachos de
bagagens, para embarque às cinco e meia da tarde, numa aeronave da TAP
(Transportes Aéreos Portugueses), sete horas e meia! Bem, entrando no avião,
adiantamos nosso relógio quatro horas, diferença do fuso horário daqui, pra lá.
Eram, então, 21.30 hs, na Pátria Mãe. Oito horas de voo, a bem da verdade
tranquilo, sem turbulência, com aquelas comidas de bordo, acompanhadas, ainda
bem, com algumas taças de vinho… português, que é bom. Mas dormir, mesmo, que é
bom, nada, a não ser um cochilo, e outro, com o pescoço pendurado… até
pousarmos no bravo aeroporto de Lisboa, às seis horas da manhã. O desembarque
foi mais que tortura: meio mundo correndo pra enfrentar a fila de duas horas,
até passar pela polícia e apresentar os passaportes, e encontrar o “guia” que
nos levou até o hotel, muito bom, D. Pedro. Aí começava nosso “tur” pela terra
de Cabral, aliás não muito festejado por lá. Depois falo sobre essa viagem, num
país tão tranquilo, quanto carente.
Dias depois da cansativa
estadia em Portugal, pois visitamos quase tudo, inclusive as principais cidades
e atrações turísticas em dez, doze dias, fizemos o caminho inverso, constatando
que todos os aeroportos movimentados têm fila, até o de Confins, que a gente
pensava ser tranquilo. Com tudo incluído, em matéria de transportes, de Lisboa
a Barbacena, gastamos módicas 22 horas, nos “entra e sai” de carros e avião e
nos bloqueios propositais da Polícia Rodoviária Federal, em Congonhas, na Br
040. Milhares de motoristas e passageiros prejudicados porque, não se sabe em
nome de que, no posto inerte, pela falta de policiais, todas as sextas- feiras
afunilam a via, permitindo a passagem de um veículo apenas, provocando um
engarrafamento gigantesco. Coisas de Brasil.
Dia 20 de junho, quinta
feita, feriado, dedicado a “Corpus Christi”, precisei ir a Governador
Valadares, pois assinaria uns documentos de interesse da família na sexta. Qual
o melhor itinerário? Me responderam que passando por Leopoldina, seguindo
direto pela BR 116. E lá fomos, eu e a minha mulher. Pelamor de Deus! Ô estrada
sem recursos! Ô irresponsabilidade dos motoristas, pelo menos de boa parte
deles. É muito risco. E ainda tem gente que acha avião perigoso. É, deveras uma
aventura. E eu a encarei, assistindo essas caminhonetes maiores fazendo
absurdos, ultrapassando nas faixas duplas, sem visibilidade e, quando se viam
em dificuldade, jogavam seus veículos em cima de quem trafegava prudente e
corretamente. Mas, fazer o quê? Correr o risco, pois polícia mesmo não havia.
Por alguns quilômetros ficamos atrás de uma viatura da PM, que nada tinha a ver
com o policiamento do trecho, e todo mundo procedeu bem. Foi só desaparecer,
começou a loucura. Em suma, lombada eletrônica nada resolve. A polícia tem que
se fazer presente, ser ostensiva. Aí os machões do volante se aquietam!
Sugestão: recrutem policiais, já!
Sãos e salvos, chegamos
a Governador Valadares, depois de uns oito anos sem visitá-la. Tendo em vista o
início de inverno, a temperatura estava agradável. Nos hospedamos em um hotel
do centro, descansamos um pouco e, lá pelas dezoito horas, resolvemos sentar
numa pracinha, onde vendiam refrigerantes, caldo de cana geladinho e pastéis.
Uma beleza. Uma tranquilidade, permitindo-nos relembrar um ambiente que
habitamos, por muito tempo, há alguns anos, mesmo com alterações promovidas
pelo tempo. Mas a contemplação mudou, e a conversa tomou outro rumo, quando uma
ave, de cor clara, alçou voo a uns trinta metros de nós. - Que ave é aquela,
perguntou minha mulher! Parece ser uma garça, ou algo parecido, pois o rio
corre aqui perto, respondi, voltando atenções para o delicioso pastel, que
degustamos em minutos. Mas, alí perto, num cantinho, existe a praça denominada
do vigésimo, onde há um monumento aos vinte anos de emancipação do município,
inaugurado em 1958. Eu era menino e assisti, há mais de sessenta anos. Vamos lá
tirar uma foto, falei com minha parceira. Levantamos e fomos.
Depois das fotos, e olhando
para cima, vislumbramos o tal pássaro pousado na ponta do poste maior. Um
senhor passou e, dirigindo-se a nós, informou que ele tinha aparecido por ali
havia uns dias, parece que depois de cair da carroceria de um caminhão. Mas que
bicho é este, perguntei! Uma mulher se aproximou e a identificou como sendo uma
galinha de angola. - Mas galinha nenhuma voa, nem mesmo a cocá, retruquei! -
Pois é, mas é galinha de angola sim, insistiu! Encerramos o “bate-boca”, nos
despedimos e, não sem antes bater uma foto, seguimos em frente, pois havia um
compromisso inadiável com minha irmã! Mas fomos,“encucados’.
Onze horas do dia seguinte, sexta feira, passando próximo à Praça do Vigésimo, de carro, e ao lado, assistimos um bando de pombos comendo milho. E com eles, a galinha de angola, dando mostras de que estava perfeitamente ambientada. E os transeuntes passavam ao largo, deixando as aves em paz. Seguimos caminho mas, na parte da tarde, depois de passear bastante pela bela cidade, denominada a “Princesa do Vale do Rio Doce”, urbe de passeios largos e comércio agitado, resolvi visitar aquela pracinha dos pombos. E fiquei mais surpreso: num fio de luz, ou de telefone, ao lado de vários “colegas”, e empoleirada, em perfeito equilíbrio, estava a galinha de angola, da Angola que já foi portuguesa, na maior paz, curtindo sua nova comunidade, em pleno centro urbano.



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