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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Sem Fronteiras



Wilalba F. Souza                                        13/Ago/2019

         Assisti, domingo, dia 11 de agosto, na Globo News, pela manhã, uma matéria, em formato de documentário, sobre a violência dos embates entre marginais e policiais, nas favelas cariocas. Tudo montado e editado sob o prisma analítico de líderes comunitários e ex-traficantes (?), estes com seus rostos cobertos por panos escuros.

        Realmente a população honesta, carente, trabalhadora e refém da violência, sofre por falta de opção, entre becos, barrancos e barracos, tropeçando, ou saltando, sobre cadáveres ensanguentados, num pesadelo constante.

           E tudo se apresenta obscuro, feio, confuso mesmo, quando nesse insólito enredo surgem os protagonistas de sempre, atores de destaque: ex-governadores e prefeitos do Rio de Janeiro, estado e Rio de Janeiro, município. Marcelos de Tal, Brizolas, Garotinhos, Sérgios Cabrais e Pezões (processados e presos por corrupção e outros desvios), eleitos sabe-se lá de que maneira, com suas políticas sociais e de segurança pública mirabolantes, anunciadas mediante vagos, porém inflamados discursos, tendo, como massa de manobra, além da população, dita honesta, seus aparatos policiais e marginais, com ajuda da imprensa, cujo faturamento representa sobrevida.

       No tal “documentário”, e em momento algum, o “anteparo/veneno/remédio”, ou seja, qualquer integrante dos corpos policiais, em qualquer nível, teve oportunidade de apresentar sua opinião, agrura, ou dificuldade. Pior, uma entrevistada afirmou que eles gostavam de brincar de “Rambo”, herói dos filmes de Stallone. Só que, acrescento eu, num mundo real, de alta e cruel mortandade, lá e cá! Será que isto acontece por serem eles um braço do governo. Sei lá!

       Mas lamento, porque essa guerra está fadada a continuar. Não tenho dúvida. Inda mais que os bandidos dominam as comunidades, expondo e brandindo seu armamento, seu poderio bélico, motivados pelo consumo de drogas.

        Assim sendo, e no “batido dessa lata”, e de quem tem a mídia nas mãos,  depreende-se que, lamentavelmente, os favelados terão que se condicionar, se habituar, nessa ciranda macabra, a saltar sobre cadáveres, ao mesmo tempo que tentando escapar das balas, denominadas perdidas, todas sem respeito por fronteiras.

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