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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Conversa Sobre Polícia

POR WILALBA.F                           
                                     08/01/2.015

Há muitos anos fui transferido para a reserva da Polícia Militar, ainda jovem e em condições de prestar serviços. Os aspectos constantes da legislação me instaram, e a muitos outros companheiros e colegas, a “pendurar as chuteiras”. Sempre achei que “mandar para casa” gente tão jovem, e eu me incluo neste rol dos precocemente encostados, um desperdício.  Herança de uma legislação que não acompanhou o fenômeno do aumento da idade média de vida do brasileiro, hoje por volta de setenta e poucos anos e muito menos do crescimento da demanda por policiamento.

Os estudiosos de “polícia” costumam calcular as necessidades de efetivo pelo índice populacional, conjugando fórmulas que acabam nos deixando meio atordoados. Nessas químicas eu nunca acreditei, devido à mutação constante dos conglomerados, com todas suas nuances, incluídas aí a estratificação social, as mazelas urbanas e periféricas, as comunidades rurais, as rodovias, as minorias, todos os movimentos sociais, as atividades econômicas, etc, etc.

Em suma, os cenários mudam de uma hora para outra e, mesmo os ditos previsíveis, não o são tanto assim. As viradas de ano, os grandes eventos, os períodos de férias, o carnaval e outros acontecimentos do calendário representam verdadeiras armadilhas para a atividade policial e de bombeiros, pra ficar nessas duas vertentes. E os meios sempre estão aquém das necessidades. Desde o findo ano de 2.014, a região sudeste, e os estados de São Paulo, principalmente, além de Minas Gerais, que tem geradoras de energia, sofrem com a devastadora seca. Só que, mesmo assim, as tormentas e chuvas pontuais provocaram embaraços acima do esperado. Gente debaixo d`água, deslizamentos, carros destruídos, árvores arrancadas pela raiz, falta de energia elétrica,  problemas em hospitais e outras sequelas. E isto, neste verão, ainda não acabou!

Assim, vislumbro que as dificuldades tendem a aumentar. Dia desses, nossa PM divulgou uma nota dizendo que 3.500 homens teriam sido empenhados nas estradas mineiras nas festas de final de ano. Não sei de onde tiraram esses números. Por informações que me chegaram, há tempos, todas as Companhias de Meio Ambiente e Transito Rodoviário de nossa PM têm um efetivo total de dois mil e quinhentos homens, se tanto, para as duas atividades. O PM do meio ambiente com o seu “chapelão” conhecido e o pessoal da rodovia com os característicos bonés brancos. Considerando nossa malha rodoviária e a extensão territorial mineira, verifica-se que esse “açúcar” não adoça nosso café! E o resultado é amargo, em vista da liberdade que o motorista tem para infringir as normas, cercado da quase certeza que não encontrará fiscalização pelas estradas, aumentando as possibilidades de acidentes. Sobre o meio ambiente, então, nem sabemos o que dizer!

O mesmo acontece com as outras atividades da PMMG. O cobertor está curto. Os governantes mineiros facilitaram a saída de gente em excelentes condições de trabalho que foi transferida para reserva ainda jovem, com todos os direitos. Um “presentão” para o homem, um castigo para as atividades policiais. Então, se os claros já eram consideráveis, agora são quase irrecuperáveis. Não se formam soldados de um dia para outro! Tenho lido sobre estouro, a dinamite, de caixas eletrônicos pelo interior. Frações com dois ou três policiais militares não têm o que fazer quando quadrilhas numerosas e bem armadas, preparadas para a guerra, arrebentam tudo e fogem, sem reação do Estado. Além de colocar em risco o cidadão transeunte, deixa nossos homens à mercê da própria sorte. Assim, é imperativa a necessidade da Policia Militar aumentar seus efetivos e mobiliar suas unidades, adotando medidas minimamente viáveis, pois o crime dito organizado e violento está “tomando conta” e precisamos dar respostas. Sem estratégias e condições efetivas, oportunas e inteligentes de ação operacional constante, a gente sempre teme pelo pior. Baita desafio para o novo governo e os nossos Comandantes!  Aliás, os governadores de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, se reuniram ontem com o governo federal, para discutir o assunto e juntar esforços. Felicidades pra eles, e que tudo não passe apenas por um jogo de cenas e boas intenções!



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