Wilalba
F. Souza
12/jan/2.015
Desde que o homem é homem a questão do
controle social, tal qual vislumbramos o problema hoje, é um desafio para
manutenção de um certo nível de convivência entre as pessoas, grupos e nações.
As desavenças, por tudo quanto é motivo, geram desde pequenos conflitos a
funestas guerras que envolvem, há milhares de anos, a nós seres humanos. Com o
fenômeno da globalização, diria eu, galopante, chagas têm sido abertas com
muita freqüência, e difusão imediata, ao vivo, em tempos de alta tecnologia da
informação. Senão vejamos a dimensão tomada pelos atos de terrorismo de
radicais islâmicos na França e que, lá em 2.001, assombrou o mundo, pela
destruição das torres gêmeas e de centenas de vidas, na cidade de Nova Iorque,
um dos símbolos da pujança econômica da maior democracia do mundo. Assim,
conflitos de origem econômica, política e religiosa estouram aqui e ali, parece
que para manter acesa uma chama de interesses sempre pronta a alimentar um
pavio num ponto qualquer. Tudo isto, mesmo com as medidas adotados pelos
setores que cuidam das informações e da segurança.
E, assim, vamos levando a vida, rodeados
de incertezas, onde quer que estejamos, muitas vezes relembrando citações
ouvidas em tempos de adolescência, repetidos por nossos pais e professores, de
que “o homem é o lobo do homem”, sempre o responsável absoluto pelas agruras
sofridas por ele mesmo. A impressão que tenho, sobre os fatos bastante
divulgados, em relação ao parágrafo acima, é que o clamor decorrente das mortes
promovidas por terroristas pouco nos atinge. Nós, brasileiros, que não nos integramos
ao “je suis Charlie”, parecendo que vivemos em outro planeta, blindados contra
esses incidentes. Esse comportamento, mais que caolho, talvez possa ser
explicado pela incapacidade de reação popular à nossa cultura do “cada um que
cuide de sua vida”! Porque incontáveis cidadãos são mortos diariamente, sem piedade, por uma corja impune de meliantes
que atira por qualquer motivo, e o máximo que uma testemunha e outra fazem é se
esquivar, escondendo o rosto! – Não me comprometam, diriam elas! O crime contra
a vida está, há muito, banalizado por aqui. Menores de idade, ou não,
super-protegidos pela lei, são incitados e, muitas vezes, doutrinados em suas
comunidades, por marginais, ajudados por uma onda de Mc(s) – uns tais mestres
de cerimônias, que, com seus “pancadões” funk, levam jovens à prática liberada
de orgias, regadas a bebidas alcoólicas, sexo e violência. Sem querer
generalizar, arriscamos dizer que, se não todos, um bom percentual desses
“artistas” atuam financiados por bandidos e acabam explorando pessoas carente, “garimpando”
o dinheiro que alimenta sua ostentação. Se julgam astros, e de certa forma o
são, de uma prática esquisita, barulhenta, muitas vezes desrespeitosa e ilegal.
E isto não é privilégio deles...
Um amigo meu foi a Tiradentes, neste
final de semana que se passou. Havia, por lá, um encontro de motoqueiros.
Evento em princípio comum, se transformou, com muita cachaça, cerveja e outras
“bombas”, num show de ilegalidades! ¨Tendo
como principais atores proprietários de potentes máquinas, misturados em
“tribos” barulhentas que, levadas pela psicologia daquela “multidão”, ocuparam
mais espaço que deveriam, para depois sair pelas ruas e estradas acelerando suas motos, sob efeito de muitas
doses de estimulantes e outros alucinógenos similares. É comum vermos, nos
noticiários, o registro de ruas fechadas por esse tipo de evento que promove
“de um tudo”, a noite inteira. E que se danem os moradores, pois a polícia não
tem dado conta. Freqüentadas pelas elites, são muito badaladas as festas
“heavy”, de taxa ou preços únicos, com tudo liberado, em sítios e casas alugados temporariamente. A “molecada”
consome drogas e garrafas de vodka, a
tal “aguinha” russa, com especial motivação. Às vezes tri-destilada, essa
bebida tem um poder de ação muito alto. Uma dose já deixa o indivíduo
“ligadão”, como dizem por aí. Os resultados disso, fossem eles somente a
ressaca do dia seguinte, ainda seria aceitável. Só que ultrapassam limites do
“muito exagerado”. E é comum se seguirem acidentes automobilísticos, estupros,
brigas violentas, não raro, lesões, mortes e homicídios. Considerando que as
estatísticas criminais indicam ser, nosso país, um dos mais violentos do mundo,
com um número de mortes por homicídio estarrecedor, temos que perguntar: há
espaço pra gente se integrar ao “je suis Charlie”?
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