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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Je suis Charlie


                                       

Wilalba  F. Souza                                                                        12/jan/2.015

Desde que o homem é homem a questão do controle social, tal qual vislumbramos o problema hoje, é um desafio para manutenção de um certo nível de convivência entre as pessoas, grupos e nações. As desavenças, por tudo quanto é motivo, geram desde pequenos conflitos a funestas guerras que envolvem, há milhares de anos, a nós seres humanos. Com o fenômeno da globalização, diria eu, galopante, chagas têm sido abertas com muita freqüência, e difusão imediata, ao vivo, em tempos de alta tecnologia da informação. Senão vejamos a dimensão tomada pelos atos de terrorismo de radicais islâmicos na França e que, lá em 2.001, assombrou o mundo, pela destruição das torres gêmeas e de centenas de vidas, na cidade de Nova Iorque, um dos símbolos da pujança econômica da maior democracia do mundo. Assim, conflitos de origem econômica, política e religiosa estouram aqui e ali, parece que para manter acesa uma chama de interesses sempre pronta a alimentar um pavio num ponto qualquer. Tudo isto, mesmo com as medidas adotados pelos setores que cuidam das informações e da segurança.

E, assim, vamos levando a vida, rodeados de incertezas, onde quer que estejamos, muitas vezes relembrando citações ouvidas em tempos de adolescência, repetidos por nossos pais e professores, de que “o homem é o lobo do homem”, sempre o responsável absoluto pelas agruras sofridas por ele mesmo. A impressão que tenho, sobre os fatos bastante divulgados, em relação ao parágrafo acima, é que o clamor decorrente das mortes promovidas por terroristas pouco nos atinge. Nós, brasileiros, que não nos integramos ao “je suis Charlie”, parecendo que vivemos em outro planeta, blindados contra esses incidentes. Esse comportamento, mais que caolho, talvez possa ser explicado pela incapacidade de reação popular à nossa cultura do “cada um que cuide de sua vida”! Porque incontáveis cidadãos são mortos diariamente,  sem piedade, por uma corja impune de meliantes que atira por qualquer motivo, e o máximo que uma testemunha e outra fazem é se esquivar, escondendo o rosto! – Não me comprometam, diriam elas! O crime contra a vida está, há muito, banalizado por aqui. Menores de idade, ou não, super-protegidos pela lei, são incitados e, muitas vezes, doutrinados em suas comunidades, por marginais, ajudados por uma onda de Mc(s) – uns tais mestres de cerimônias, que, com seus “pancadões” funk, levam jovens à prática liberada de orgias, regadas a bebidas alcoólicas, sexo e violência. Sem querer generalizar, arriscamos dizer que, se não todos, um bom percentual desses “artistas” atuam financiados por bandidos e acabam explorando pessoas carente, “garimpando” o dinheiro que alimenta sua ostentação. Se julgam astros, e de certa forma o são, de uma prática esquisita, barulhenta, muitas vezes desrespeitosa e ilegal. E isto não é privilégio deles...


Um amigo meu foi a Tiradentes, neste final de semana que se passou. Havia, por lá, um encontro de motoqueiros. Evento em princípio comum, se transformou, com muita cachaça, cerveja e outras “bombas”, num show  de ilegalidades! ¨Tendo como principais atores proprietários de potentes máquinas, misturados em “tribos” barulhentas que, levadas pela psicologia daquela “multidão”, ocuparam mais espaço que deveriam, para depois sair pelas ruas e estradas  acelerando suas motos, sob efeito de muitas doses de estimulantes e outros alucinógenos similares. É comum vermos, nos noticiários, o registro de ruas fechadas por esse tipo de evento que promove “de um tudo”, a noite inteira. E que se danem os moradores, pois a polícia não tem dado conta. Freqüentadas pelas elites, são muito badaladas as festas “heavy”, de taxa ou preços únicos, com tudo liberado,  em sítios e casas alugados temporariamente. A “molecada” consome  drogas e garrafas de vodka, a tal “aguinha” russa, com especial motivação. Às vezes tri-destilada, essa bebida tem um poder de ação muito alto. Uma dose já deixa o indivíduo “ligadão”, como dizem por aí. Os resultados disso, fossem eles somente a ressaca do dia seguinte, ainda seria aceitável. Só que ultrapassam limites do “muito exagerado”. E é comum se seguirem acidentes automobilísticos, estupros, brigas violentas, não raro, lesões, mortes e homicídios. Considerando que as estatísticas criminais indicam ser, nosso país, um dos mais violentos do mundo, com um número de mortes por homicídio estarrecedor, temos que perguntar: há espaço pra gente se integrar ao “je suis Charlie”?

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