Ineficiência Administrativa
Wilalba F. Souza 12/05/15
Há dez anos dirijo o núcleo de Barbacena da União dos Militares de Minas Gerais. Tal circunstância me possibilitou conviver com vários companheiros da ativa, muitos dos quais assisti serem transferidos para a reserva. Dos comandantes regionais, desde o ano de 2.006, me parece, já estão inativos os cinco. Do 9º BPM assisti a cinco passagens de comando, sendo que dois dos ex-comandantes já foram para a reserva. Embora isto não agrade a muita gente, continuo a afirmar que todos eles deixaram o serviço ainda muito jovens, em plenas condições físicas e intelectuais para prestar serviços de excelente qualidade. E, tenho certeza, nenhum ainda completara os cinquenta anos de idade. Além de engrossar o número de reservistas e reformados, o Estado, único responsável pela edição da legislação atual afim, certamente vai ter de encontrar formas de corrigir esses desacertos, cujo reflexo financeiro é enorme, só prejudicam a instituição e a população que podia ser melhor atendida por seu aparato policial militar, encarregado do policiamento.
Quando o senador Antônio Anastasia assumiu o governo de Minas Gerais, compareceu a uma solenidade do Dia do Pessoal da Reserva e Reformados, que tradicionalmente é comemorado, com bonita solenidade, na Academia da Polícia Militar, lá no Prado. Para encerrar a festa desfila uma Guarda de Honra em continência à maior autoridade, acompanhada de grupamento formado pelos “veteranos”. Naquela oportunidade o governador comentou sobre o fato de homens hígidos, ainda em condições de trabalho, estarem inativos. Um dos coronéis diretores, ouvindo o comentário, respondeu que a lei vigente proporcionava isto. Ou seja, servindo por trinta anos, compulsoriamente o militar tinha que ser transferido para a reserva.
Num primeiro momento o que se poderia pensar é que Anastasia, peessedebista “juramentado”, poderia alterar aquele estado de coisas, aumentando o tempo de serviço dos militares estaduais, estabelecido lá pela década de trinta, quando a espectativa de vida era muito menor que a de hoje. Ledo engano! Poucos anos depois, chutando pros lados, penso eu, aquela história de reforma administrativa e o decantado neoliberalismo de Fernando Henrique, o criador do “fator previdenciário, o mesmo e propalado administrador responsável andou pra trás: deu condições plenas para que uma gama enorme de policiais militares muito novos pedisse contagem de tempo e fosse para a reserva com todos ois direitos. Uma debandada geral, permitindo, a quem quisesse, contar o tempo trabalhado em outras atividades da previdência geral. Anteriormente esse tempo podia ser considerado, sem que o militar tivesse promoção e outros benefícios, o que o motivava a completar o tempo de trinta anos de efetivo serviço na Corporação para não “perder nada”!
É claro que anteriormente já comentei sobre esse verdadeiro desvio comportamental administrativo cometido em nome da manutenção do poder (não é coisa só de PT), para se conseguir simpatia eleitoral. Mas é bom que sempre lembremos desses fatos pois, todos os dias, vemos destampados elogios ao ex-governador que, ontem mesmo, declarou para a imprensa que “o problema no brasil é a ineficiência administrativa”. Pois é, como a gente aprendeu em tempos acadêmicos, nos bancos policiais militares, “no discurso, a prática é outra”; ou, “me engana que eu gosto”. Lendo este meu comentário, alguém pode pensar que somos contrários às conquistas
de benefícios para todos nós. Negativo! Nasci dentro do nosso Hospital Militar, estudei no Colégio Tiradentes e servi em ambientes como a Diretoria de Saúde e o Instituto de Previdência dos Militares. Assisti, assim, à maioria de tudo que temos hoje, mediante esforço de nossos antecessores, visionários que foram, tempos atrás. Só que a PM é constituída de uma família de pessoal da ativa, da reserva e pensionistas, formando um corpo só. O “bolo” tem que ser dividido e bem dividido entre todos, sem correr o risco de haver diferenças entre quem quer que seja. E mais, nossa PM e nosso BM têm a grande responsabilidade de atender às demandas de policiamento e segurança em geral e a obrigação moral de continuar sendo a melhor polícia do Brasil. E para isto tem que estar preparada. Esvaziar nossos efetivos constitui desserviço e desnuda nosso poderio operacional pela falta de gente para cumprir as missões. Isso, constitui, como bem disse nosso senador Antônio Anastasia, ineficiência administrativa!!!
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