Wilalba F. Souza 25/jun/15
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O brasileiro precisa, literalmente, ficar mais ligado às suas coisas, embora eu confesse que isto seja motivo de muito sofrimento. Tem gente que, com base em tendência política de sua livre escolha, torce para líderes e dirigentes como se eles fossem clubes desportivos, independentemente do trabalho que eles, em campanha, se propuseram realizar e não o fazem. Boa parte da população é levada a dar seu voto com base em propaganda deslavadamente enganosa, onde só os adversários têm defeito e, até, parte com o capeta. Quando Lula foi eleito pela primeira vez disseram que ele ia dar calote em credores, nacionalizar tudo e, quem quisesse se defender, antes que isto acontecesse, comprasse dólares. E, a bem da verdade, em suas falas, o candidato dizia “estar convencido de que” nossas riquezas escoavam para países ditos capitalistas, sem retorno para o povo brasileiro. E, com esse discurso, depois de anos a fio tentando, conseguiu votos dos brasileiros, de todas as classes, pois suas atenções seriam totalmente dirigidas à parcela mais humilde da nossa gente. O Partido dos Trabalhadores conseguiria, enfim, moralizar o país. Adeus desvios e roubos no erário público e melhores condições de sobrevivência para todos.
Me lembro que Fernando Henrique, não apenas um representante da elite social e política, mas um neo-liberal de peso, durante e pós governo Itamar Franco, já presidente, circundado por assessores de peso, conseguiu dominar a inflação, uma espécie de monstro com o qual os mais velhos conviveram por anos a fio. Para solidificar sua obra, inventou e, literalmente, comprou (com nossos dinheiro, claro) sua reeleição. Aliás, o mesmo que o PT/Dilma/Lula fez (fizeram) logo depois. Várias medidas econômicas foram adotadas e nossa moeda, a partir de uma tal de URV (Unidade de Real Valor), atrelada, inicialmente, ao dólar americano, manteve, de maneira artificial, o poder de compra de todos, até vir o nosso Real de hoje assumir, de maneira independente, o protagonismo como nossa moeda sonante, aí sim, passando a sofrer os impactos das medidas econômicas internas e os efeitos da economia mundial. Um Real equivalia, na sua implantação, a um dólar. Lembro de ter comprado um quilo de frango por centavos de real. Os petistas e seus aliados não acreditaram que tais medidas estabilizariam nossa moeda e criariam condições do país alcançar mais progresso e crescimento. Mas foi isto que aconteceu, mesmo com alguns percalços que não chegaram a abalar a estabilidade. Comose sabe, Lula e sua turma ganharam as eleições com propaganda maciça de demonização de quem estava no comando do país, fazendo alianças que incluiu o PMDB, o maior partido brasileiro.
Com a economia equilibrada, sem inflação, bom cenário mundial e com uma equipe conservadora, Lula se comportou bem no seu primeiro mandato. A dívida estava sob controle mas o governo começou a abusar da sorte, distribuindo, através dos cofres públicos, mais benesses que podia. Projetos para a Copa do Mundo prometeram muito, fizeram pouco e gastaram acima do previsto; expansão até irresponsável de programas sociais onerosos e insustentáveis, mas com importantes retornos eleitoreiros; bolsa família, minha casa, minha vida, Fies e outros achegos que fizeram a alegria de muitas empresas e faculdades particulares, e ainda financiamentos de obras no exterior, via BNDS e intromissão exagerada nas estatais, como a Petrobras e a Eletrobrás. Enfim, uma festança, onde o presidente Lula “deitou e rolou” por oito anos, inclusive, segundo ele propalava, emprestando dinheiro para o FMI.
Os resultados dessas quermesses começaram a submergir no governo de Dilma, apadrinhada de Lula que, encerrado seu primeiro governo, se viu enterrada pelas notícias de corrupção, excesso de gastos, pedaladas contábeis, mentiras pré-eleitorais, pro-reeleição, acrescido a esforço hercúleo de marqueteiros pagos a peso de ouro, tudo indica, com dinheiro desviado de estatais. Coisa iniciada, no governo Lula, via “Mensalão”, desde a época em que José Dirceu era Chefe da Casa Civil Lulista. Hoje ele está “ruim das pernas”, mas houve tempo em que ele foi muito poderoso e, caso suas artimanhas passassem em branco, seria presidente, mesmo antes de Dilma. Hoje o governo, o PT e seus aliados tentam, com medidas amargas, corrigir seus graves erros, apresentando a conta ao povo. De forma alguma reconhecem o quanto foram incompetentes e lenientes com nossas coisas e, mais ainda, com nosso país, nossa pátria. Não se curvam, “nem que a vaca tussa”, à cruel realidade hoje existente. Pior é que jogam a culpa pra cima, pros lados e para baixo, se declarando, diariamente, construtores da democracia e da maior igualdade entre os brasileiros. Tiveram que tirar o pé do acelerador. Aumentam impostos, tarifas públicas e ainda devem às empresas que prestam serviços aos onerosos programas por eles montados. Só Deus sabe onde isto vai dar, ou desaguar!!!
Esses desvios não são de exclusividade dos petistas, dos peemedebistas e de seus aliados. Esse pessoal da oposição também anda na mesma balada. Em Minas, embora Pimentel esteja no foco das atenções por envolvimento dele e de sua mulher em investigação da Polícia Federal, coisas de gasto de campanha mal explicadas, Aécio Neves também aparece na mira da Procuradoria do Estado, “sobras” ainda de sua administração como governador. Renata Vilhena, toda poderosa de seu governo tem um irmão empresário de transporte de valores atolado até o pescoço em desvios de dinheiro de bancos pela sua empresa, minimizados por inquéritos mal dirigidos pela Polícia Civil, causa de desentendimentos entre grupos de poder “intra corporis” naquela importante corporação policial mineira. Aliás, exatamente por causa de eleições, Anastasia, do PSDB, hoje um apagado senador por Minas Gerais, permitiu um verdadeiro desmanche na capacidade operacional de suas forças policiais militar, civil e bombeiros, “autorizando” enorme efetivo de gente ainda jovem ir para a inatividade. Um absurdo encoberto pelo silêncio de políticos, analistas e por quem mais teria o dever de “colocar tais impropriedades sobre a mesa”.
Hoje assisto, por todos os lados, quem cobre do Partido dos Trabalhadores um “mea culpa”. Sinto que da parte de todos os políticos deveria haver tal, ou tais atos. Mas parece que isto está longe de acontecer. Basta acompanhar o que ocorre no Estado do Paraná e outras unidades da federação, pessimamente administradas por quem se diz focado no bem popular, mas que passa ao largo e trabalha com objetivos somente na próxima eleição. É o que se vê, por todos os cantos, por todas as mídias.
Lula é candidato à presidência em 2.018, juntamente com Aécio Neves ou Alkmin, este contornando a falta d` água e os escândalos das obras do metrô de seu estado. Logo, nós pobres mortais ficamos assistindo tudo isto sem poder fazer muita coisa. É muito difícil encontrar pessoas equilibradas dispostas a se empenhar onde uma presidente, maior autoridade do país, coloca em evidência nacional a mandioca, como uma grande invenção brasileira, uma bola, como a maior prova da evolução do “homo sapien” e, também, da “mulher sapiens”!!!
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