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terça-feira, 7 de julho de 2015

Coloquem o Cinto de Segurança

Coloquem o Cinto de Segurança

Wilalba F. Souza                                                                                 05jul2.015

Neste final de semana fui, com alguns colegas, até o “Espaço Gorine”, uma antiga fazenda, hoje uma casa de eventos de alto nível, localizada perto do antigo trevo de Barbacena, na rodovia 040, gerenciada pelo nosso amigo Pedro, herdeiro da família do mesmo nome, rapaz empreendedor e que labuta para manter aquela obra deixada pelos seus pais. É constituído, o conjunto existente, por antigas e renovadas instalações, apropriadas para receber casamentos, aniversários e outras promoções inerentes, com muito conforto, bom gosto e segurança. Bem, o Pedro Gorine é uma pessoa de índole afável e de fácil acesso, incorporado de toda a matreirice mineira vinda de sua criação interiorana. Dessa forma, permitiu que nós, componentes de um grupo de aeromodelistas barbacenenses, usássemos uma pista improvisada, em terra batina, situada no seu terreno e que ele mesmo manda patrolar, melhorando as condições para a prática do nosso hobby. E isto acontece desde que o comando da EPCar (Escola Preparatória de Cadetes do Ar), por motivo mais que fútil, nos fechou a pista do aeroporto de Barbacena, reconhecidamente sub utilizado, há uns dois anos.

Sábado cedo ventava muito, inviabilizando uma tomada de imagens, através de drones, naquele sítio, por nós programada anteriormente e que seriam presenteadas ao seu proprietário. Assim, adiamos o “trabalho” e fomos “voar” com outros aeromodelos mais apropriados para aquelas condições de tempo, como um aero-planador, uma “asa de combate” e um Cessninha elétrico. Diversão pura, durante pouco mais de uma hora e meia. Aliás, aeromodelismo exige muita consciência e obediência a uma série de critérios de segurança, pois podem ocorrer avarias, razão pela qual a escolha do local deva ser acompanhada de cuidados extremos, como áreas de escape e definição de uma caixa de voo. Enfim, sua prática exige treinamento, desde a montagem do “brinquedo” até sua utilização, nas mais variadas fases. E dessa forma temos procedido, embora ainda sejam comuns pequenos acidentes, como cortes nas mãos por hélices, depois de algum descuido qualquer.

Ao encerrarmos nossas atividades, naquela manhã, vinda não sabemos de onde, caiu uma pipa nas imediações. A primeira constatação foi que o “empinador” tinha as linhas preparadas com cerol, cuja finalidade é cortar as dos “adversários” nos duelos, ou “combates aéreos”. Entretanto aquela navalha tem feito vítimas aos montes pelo Brasil, e as autoridades não conseguem coibir  essa prática que chega a ser criminosa. Dia destes, me parece que em São Paulo, essa armadilha mortal ceifou a vida de um senhor de sessenta e dois anos que regressava, de motocicleta, do trabalho para casa. Foi degolado! Não tinha a antena protetora na sua moto!!! E ainda houve quem o criticasse por isto???!!! Uma inversão de valores quase imoral.
E todos os anos acontecem inúmeros casos idênticos, não havendo como identificar o(s) “assassino(s)”. Há milhares de pipas sendo empinadas todos os dias. Minha constatação é que, por incrível que pareça, soltá-las com cerol não é coisa só de criança. Há adultos, em profusão, “aperfeiçoando” e difundindo essa forma perigosa e irresponsável de diversão. De difícil imputação criminal, resta, nesta nossa cultura do aceitamento e do conformismo, chorar, enterrar as vítimas e torcer para que isto não aconteça conosco, com nossos amigos ou com nossos filhos, enfim!

Nos últimos dias acompanhamos o noticiário sobre a morte, por acidente de carro, do cantor Cristiano Araújo, jovem que começava a despontar no cenário artístico nacional. Seu veículo em alta velocidade, dirigido pelo motorista particular, saiu da pista quando ia do interior do estado de Goiás para a capital, vitimando fatalmente os dois passageiros do banco traseiro: o artista e sua noiva. Estavam sem o equipamento exigido: os cintos de segurança, enquanto o motorista e o passageiro do banco da frente que os colocaram, saíram praticamente ilesos. Assim, reforçamos a idéia de que equipamentos de segurança foram feitos para serem usados. Na semana passada ainda perdemos nosso piloto de aviação civil mais admirado em Barbacena e na região. O veterano Henrique tinha duas aeronaves experimentais e verdadeira paixão pela aeronáutica. Presidente do Aero-clube local, estava lutando para não ser despejado do aeroporto da cidade pela Força Aérea Brasileira que se incomodava, e ainda se incomoda, com os civis e seu clube por aqui. Sobre essa injustiça já escrevemos anteriormente.

Bem, o Henrique decolou, na companhia de um amigo, de Barbacena, há uns dez dias, para ir, me parece, até João Monlevade, ou Governador Valadares. Pilotava um ultra-leve experimental quase novo e com poucas horas de voo. Certo é que perto de Ouro Preto, sabe-se lá porquê, o motor apagou de vez. Henrique, experiente, teria feito uma curva e, planando, tentou levar a aeronave até o aeroporto de Conselheiro Lafaiette. Não o conseguiu por míseros mil metros. Desceu em um pasto em aclive, até em baixa velocidade e pilonou ( a bequilha se prendeu na vegetação e o avião deu um giro sobre sí mesmo, virando de dorso ). Henrique, com a brusca freada, foi arremessado pelo para-brisas e caiu debaixo do motor e da asa, ficando prensado. Deve ter tido uma morte instantânea. O colega de aeronave, passageiro, ficou dependurado pelo cinto de segurança até ser resgatado pelos bombeiros. O Henrique morreu porque, antes de chegar ao solo, teria retirado o cinto, com  medo de fogo, estando preso, vejam só... Uma perda para todos nós que o admirávamos e curtíamos sua alegria. O passageiro acidentado nem ao hospital foi. Pegou uma carona e foi embora pra casa. Por isto, em caso acidente, o uso dos equipamentos afins, como o cinto de segurança,  pode fazer uma enorme diferença!

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