Wilalba F. Souza 24/11/2017
Depois dos incidentes que, em 1997,
vitimaram um cabo da PMMG, participante de um movimento interno na Corporação,
encetado por praças, em razão do alto comando querer aceitar aumento
diferenciado, ou seja, em maior percentual, para oficiais, somente, além do
triste evento ter sido desagradável ao extremo, desnudou um descaso com a PMMG,
que foi se acumulando com o tempo, coisa de gente despreparada e que a dirigiu.
Lamentável, em todos os níveis!
Dois deputados, reconhecidamente
alavancados aos seus mandatos políticos, direta, ou indiretamente, tendo em
vista os incidentes de vinte anos passados, um federal, subtenente Gonzaga, e
outro estadual, “sargento” Rodrigues, há poucos dias tiveram os nomes
veiculados pela imprensa mineira, pois estariam trocando favores, de
maneira evidentemente anti-ética e até ilegal, ao empregarem, em seus
gabinetes, os parentes ou indicados, um do outro, numa manobra para evitar o
tal nepotismo. Os dois são parceiros, e se ajudam, por ocasião das eleições,
mormente na captação de votos dentro da família policial militar e de
bombeiros. Entretanto têm histórias
diferentes.
Gonzaga sempre esteve à disposição do
antigo Clube dos Sargentos e Subtenentes, hoje Associação de Praças da PM e dos
Bombeiros, onde exerce forte influência, cuidando dos interesses dos policiais
militares em geral. E lembro-me dele, nas reuniões do Conselho Deliberativo do
Instituto de Previdência dos Servidores Militares de Minas Gerais, em postura
firme, de quem embasava pareceres nas normas legais, convencendo os demais
participantes na tomada de medidas interessantes e produtivas ao sistema de saúde
e previdenciário. O acompanho com interesse, eis que ele trabalha para a
Corporação, para a classe dos militares, de soldado a coronel.
Rodrigues, segundo se propala – não o
conheço - foi um sargento mediano que,
nas conturbadas e infelizes manifestações de 97, apareceu nos palanques, não
sei se como líder, ou por acidente, e, aproveitando a mula selada que lhe
passou à frente, incorporou-se à política partidária. O sentimento que tenho é
o de que ele colaborou, e ainda colabora, para dividir a Corporação, entre
classe de oficiais e classe de praças, de forma deletéria e prejudicial à
história da Corporação que ele, certamente, desconhece. Na realidade ele se
desfez da farda e incorporou, de vez, o paletó, a gravata e o gosto pelos
tapetes do poder, não se importando a que preço!
Vê-se, perfeitamente, que ele usa a
péssima situação econômica do Estado na tentativa de se projetar. Realmente é um
escárnio deixar policiais militares, senão todos os funcionários de Minas
Gerais, nessa penúria, para receber seus pagamentos. Além de o fazerem
parceladamente, nada lhes é garantido. O governo, o governador e sua equipe,
embora não sejam os diretamente responsáveis por isto – a crise vem lá de trás
- devem ser cobrados, e isto tem sido
feito, embora – e aí não entendo – Pimentel (PT) seja maioria na Assembleia e
não sofra tanta pressão. Só que Rodrigues não se limita a combater o governo.
Há muito gira sua metralhadora odienta e desorientada, em direção a oficiais e,
principalmente contra o comando, que é nomeado pelo chefe do executivo, a quem
é opositor, não importando quem lá esteja, pois tem sido constante – como
sempre foi – a alternância do comando, sendo a carreira de tempo marcado.
Em declarações à imprensa, e seguindo
religiosamente um antigo “script”, pouco
se explicou sobre o tema das reportagens, que indicavam a troca de favores estranhos
entre ele e seu colega, preferindo dizer que a responsabilidade do que estava
sendo divulgado era do comandante geral da Policia Militar, de onde teriam
partido as informações. Enfim, aos políticos mais importa contornar o obstáculo
e menos esclarecer se houve cometimento irregularidades, ou não, optando por
escancarar as dicotomias entre a Corporação e aqueles que, por decência e
princípios éticos, deveriam agir com correção e compromisso junto às comunidades
pelas quais foram eleitos ou nomeados. E as chagas, depois de 1.997, continuam
abertas e alimentadas, em agravamento, desnudando uma autofagia sem
precedentes.