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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Controle social



Wilalba F. Souza                                          09/Nov/2017

Um grande amigo me confidenciou que seu filho, estudante pré-universitário, de dezenove anos, está negligenciando seus estudos, tendo em vista umas rusgas entre ele e a mãe de sua namorada, eis que ele teria dialogado, via WhatsApp, com um colega, sendo o assunto a vida íntima entre ele e sua “garota”. É que o seu interlocutor estaria em dúvida se iniciava, ou não, uma vida sexual com a namoradinha, tendo ele respondido que já estava dormindo com a sua, ó, fazia muito tempo.

Bem, a namoradinha do filho de meu amigo, de posse do telefone celular do mesmo, viu o conteúdo da “conversa”, não gostou, contou pra mãe iniciando-se, daí, a “problemada” toda. – Não precisa mais por os pés nesta casa, seu desclassificado! Cê ta achando que minha filha é uma qualquer, uma meretriz, ou coisa parecida? Pode ir embora, agora, disse ela. Decepcionado, também assustado, o garoto pediu à sua ex(?)sogra que abrisse o portão. – Vou abrir nada não! Sai pela garagem, por onde os cachorros o fazem, gritou ela.

Já em casa, aborrecido e triste, o rapaz contou, para o pai e a mãe o ocorrido... e outras “cositas” mais. Assim que ele, lá pelos seus “bravos” dezessete anos, começou a namorar a belíssima moça, sua mãe, uma senhora divorciada, chegou a visitar os pais de seu namoradinho. Eu, sério, não sei se isto faz parte dos costumes hodiernos, mas ela, satisfeita com a receptividade dos sogros (?) de sua filhinha, poucos dias depois, a levou  a um médico especialista, onde fez exames, conferiu sua saúde e, certamente, lhe dando conselhos de mulher, para não se engravidar, entregou uma chave do apartamento para o estudante felizardo, dormir com a donzela..

O namoro, então, durou uns dois anos. O rapaz, fazendo cursinho preparatório em Belo Horizonte, com alta despesa para o pai, estava se saindo muito bem, liderando sua turma nos exames de simulação e, realmente, dando esperanças à família de conseguir a sonhada vaga para o concorridíssimo curso de medicina. Quase todos os fins de semana, saudoso, ele vinha para a casa dos pais, digo, da sua jovem e linda amada. Entretanto, considerando as intercorrências relatadas, as coisas não vão bem, e pra todo mundo. O casalzinho se gosta, mas como superar o problema se a querela já se espalhou pelo âmago das duas famílias, com discussão e desacerto entre as mamães?

Enfim, uma situação difícil, não que ela não existisse, nesses anos, ou, nesses séculos todos. Só que agora, me parece, mais comum, pela liberalidade concedida pelos pais na atualidade. E me lembro que, não faz muito tempo, os genitores criavam seus filhos, e filhas principalmente, para casarem virgens, imaculadas, primeiro no cartório, depois na igreja. Meio carola, mas ajudava! Pois é, esquecemos que a religião já foi um excelente instrumento de controle social, auxiliar importante na formação saudável e cristã das famílias.

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