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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Tudo como d`antes, no quartel do Abranches



Wilalba F. Souza                                 17/Nov/2017

Na década de sessenta, claro que do século passado, Juscelino, presidente, dito, bossa nova, literalmente virou o Brasil de ponta cabeça. O seu carro chefe, de campanha, e todo mundo daquele tempo sabe disso, foi a construção de Brasília. Mas, para viabilizar uma obra daquele porte, haveria de se conseguir dinheiro, e muito. E os recursos vieram, via empréstimos externos, garantidos pela sanha desenvolvimentista que se espalhou pelo mundo depois da guerra. E o mineiro de Diamantina antecipou projetos e necessidades que andariam “pari-passu” ao seu empreendimento: precisaria de veículos, estradas e energia, coisas que o jovem país não tinha.

Então, vamos por partes, tentar esclarecer: foi criado o parque de montadoras de veículos em São Paulo, no tal de ABC, e os brasileiros começaram a desbravar o país em “fusquinhas” e kombis, e ver, aumentada, a frota de caminhões, com a mesma Volkswagen, além da Chevrolet, da Ford e outras menos votadas,
com estradas rasgando o solo brasileiro. E a energia? Pra começo de conversa, JK construiu, nas Minas Gerais, Furnas e a Refinaria Gabriel Passos, em Contagem, que recebia, e recebe, o petróleo importado ou não, via oleoduto, hoje existente. E a matéria prima, aço principalmente, começou a ser produzida pela Usiminas, em Ipatinga, alimentada por... Furnas.

O presidente foi bem longe e, ao invés de contratar firmas do exterior, chamou empresários e empreendedores, convidando-os a criarem tais empresas, quase todas as mesmas que estão por aí, nesse rolo de corrupção escancarada, como as Andrade Gutierrez, Construcap, Camargo Correa, Odebrecht, MRV Engenharia, senão todas daquele tempo, mas herdadas ou desmembradas delas. Eram obras demais, e o Brasil tinha pressa.
Logo, pelo bem, ou pelo mal, essas criações do presidente tocaram as obras, por esse mais de meio século. Tanto assim que Brasília foi inaugurada dentro da gestão de Juscelino. Começava, assim, uma era de enorme desenvolvimento nacional, muito sacrificante, eis que o crescimento da dívida foi gigante, com descontrole econômico, inflação alta e... denúncias de corrupção. Aliás, JK foi muito criticado e acusado de integrar esses esquemas, tendo sido cassado, inclusive, seu mandato de senador, no período do governo militar.

E assim, amigos, iniciou-se essa bola de neve – ou de lodo -, via circulação de dinheiro, muito dinheiro como, certa vez, disse um sub-empreiteiro de obras públicas, lá pelos anos 90, numa roda de amigos: no Brasil, governo que contrata obras leva sua parte, mas quem lucra mais são os contratados, pouco fiscalizados e que repassam suas obrigações para empresas menores, sacrificando recursos e qualidade do empreendimento. É de arrepiar. Estarrecer, mais não! Como diziam os militares da velhíssima guarda: “Nada de novo. Tudo como d`antes, no quartel do Abranches”, pelo menos até hoje!!!

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