Wilalba F. Souza
19/02/2018
Mais uma vez esse governo central, que
ajudou a elaborar a Constituição de 1988, sob a batuta de Ulisses Guimarães,
ferrenho parlamentar que povoou o Congresso por muitos anos e morreu num
acidente aéreo, há tempos, sem ter a oportunidade de ver o que eles, sim eles,
plantaram com seus sonhos de incomensurável grandeza, e cujos resultados
estamos sofrendo. E, não que eu seja um defensor de regime de exceção, dirigido
por militares, mas, lembro-me bem, esses políticos, que ainda estão por aí e
outros que os seguiram, assumiram o destino de um país democrático, com amplas
possibilidades. Só que...
Foi desprezado e não reconhecido, pelos
eleitores, o bom trabalho de Itamar Franco e Fernando Henrique que, vitoriosos
no combate à inflação, não conseguiram eleger seus sucessores, derrotados que
foram pelo líder partidário Luís Inácio, senão o único, um dos principais responsáveis
pelas desgraças aí existentes. E, num clima de “oba, oba”, ainda conseguiu
convencer o povo a votar em Dilma Rousseff, cujo destino todos acompanharam,
por ocasião de sua cassação, tendo assumido em seu lugar o vice-presidente,
Michel Temer, do PMDB, aliado histórico dos petistas, sem participar das
decisões palacianas. E não é que ele resolveu “consertar” o Brasil!!!
Recebendo um governo envolto em nuvens
escuras, com raios e trovoadas, déficit orçamentário gigantesco, promoveu
algumas mudanças, na esperança de equilibrar as contas. Mexeu em lei do
trabalho, apoiado pelo Congresso, mas, tendo lá suas fraquezas, e muitas, sofre
ataques constantes da, hoje, oposição esquerdista radical, não conseguindo
avançar na reforma previdenciária, realmente um objetivo importante à
recuperação econômica. Mas, num Brasil coalhado e viciado em populismo isto é
difícil. E fica aí o impasse, reforçado pelas mazelas promovidas pelo excessivo
dispêndio financeiro na gigantesca estrutura da máquina pública ineficiente! Nessas reformas não se aborda a situação dos
orçamentos do legislativo e do judiciário, por essas plagas brasileiras. Estão
livres e soltos, livres, até, de qualquer contribuição que não seja via a
previdência geral, já penalizante aos aposentados pelo fator previdenciário,
cruel instrumento que, ano a ano, corroi o ganho dos velhinhos e velhinhas. Os
mandatários, donos do desperdício, jogarão o fardo nas costas da massa menos
favorecida, a trabalhadora, que produz riquezas.
Agora, tendo em vista a intervenção
parcial do governo do Rio de Janeiro, tudo pára tudo no Congresso, até que seja
examinada a medida provisória exarada pela presidência. Aliás, esse instrumento
de governo foi copiado, pelos fervorosos democratas nacionais, dos “cruéis”
militares que “inventaram” os atos institucionais”, uma forma de governar com
mais autoridade, saltando por cima da Constituição e das leis. Assim, e mais
uma vez, os defenestrados militares do Exército são convocados a resolver o
problema de segurança pública do quebrado Estado do Rio, de belas e horríveis
memórias, onde a população vive, há muito, um clima de guerra e de guerrilha,
patrocinada pelos marginais, que as leis e os presídios não conseguem segurar,
isolar, resultado da liberação geral daquela Constituição, dita cidadã.
Retiraram o poder das polícias, da ostensiva e da judiciária e querem
responsabilizá-las pelas bandalheiras cariocas e... nacionais. De gravata, ou
sem ela, os bandidos surfam pelas facilidades legais. Legal, não?
Há muitos anos esses problemas e muitos
outros, têm sendo “empurrados com a barriga”, acumulados e jogados pra frente.
Estou ouvindo por aí que, “devido a gravidade dos fatos registrados no Rio de
Janeiro, durante o carnaval, e com o Exército presente, desta vez vai”. O povão
aplaude! - É, vai ser solucionado o problema na cidade maravilhosa, dizem.
Interessante! Já vi esse filme antes, e recentemente, pois não é a primeira vez
que a força terrestre de guerra é convocada. Isto já se tornou quase que
rotineiro e vêm com esse discurso a nos “engalobar”, nos enganar! Também,
antigamente o carnaval era uma festa com duração de quatro dias, hoje cobre o
ano inteiro. Mesmo com tiro pra todo lado, a festa momesca não pára. Por isto,
essa galhofa toda, em cima de nós. Merecemos!
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