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terça-feira, 26 de maio de 2020

A Desarmonia, a Crise Institucional e o Rato!


Wilalba F. Souza          26/Maio/2020

O equilíbrio deve, em princípio, permear nossa vida. Em todos seus segmentos e setores. Há pouco tempo o STF desautorizou o presidente, nesta crise do Corona vírus, perante governadores e prefeitos. Hoje acordei com a notícia de que a Polícia Federal estava cumprindo uma ordem de busca e apreensão, emanada do Superior Tribunal de Justiça - RJ, na Residência Oficial do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, por requisição do Ministério Público Federal. Motivo: suspeita de envolvimento em corrupção, dele e da esposa, no superfaturamento e outras mazelas, em compra de equipamentos médicos, nesses tempos de grave ocorrência sanitária pelo mundo e no país!
A partir, e através da Constituição de 88, segundo se observa, houve uma híper valorização do Ministério Público, que alcançou  vida própria, inclusive orçamentária. Em poucos anos ele foi alçado à condição de mais um quase poder da República, embora seu chefe, que é o Procurador Geral da República, seja nomeado pelo presidente. Quer dizer, o chefe do executivo nomeia, mas pode ser investigado por ele. Aliás, na PGR tem dois processos abertos contra Bolsonaro! Então, digo eu, cuidado ao criar cães de guarda, pois eles podem te morder!
Mas, voltemos à Polícia Federal, que também cresceu, em todos os sentidos, nos últimos anos, senão vejamos as ações desenvolvidas na Operação Lava-jato. Por isto ainda ecoam as trombetas que levaram o presidente a trocar sua cúpula, o que culminou com a saída do Ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro, que discordou da medida.  E essa fortíssima polícia, braço forte do Estado, vem tentando emparelhar seu poder ao do MP, pleiteando, também, sua independência total, inclusive a orçamentária. Não sei porquê, isto está virando moda, em um país complicado, como o nosso.
Na troca do comando da Polícia Federal, depois da demissão de Moro, um primeiro nome foi vetado (?) pelo Supremo Tribunal Federal, numa visível e inoportuna interferência de Alexandre de Morais, juiz do STF, em arroubo autoritário de um poder sobre outro. Bolsonaro "abaixou o facho" e nomeou outro delegado, promovendo as mudanças que pretendia, no Rio de Janeiro. Aliás, era o que queria, há tempos, segundo ele, sem motivação específica, porque tem competência legal pra isto.
Um processo segue, sob a estranha tutela do Supremo, tal e qual uma poderosíssima Delegacia de Polícia, para apurar se há, ou se houve, interferência injustificada, e com propósitos não específicos, de Bolsonaro, consoante declaração do ex-ministro Moro. E, depois daquela gravação de uma reunião ministerial, liberada, intempestivamente, pelo Juiz Marco Aurélio de Mello, o caldo azedou - mais ainda. E como!!! Pediram até a apreensão do telefone do presidente, via mesmo juiz mandou pro PGR. Pode?
Enfim, a disputa de força, de protagonismo, entre poderes, está, como diriam meus pais, uma vergonha. Mais ainda quando escancarada pela imprensa, via as redes de Fofoca News! E é tudo preocupante, à medida que, hoje, a Polícia Federal cumpriu o mandado de busca na casa de um governador na maior naturalidade, como mera rotina! E, nos vem à mente, que Witzel é adversário político e "inimigo" de Bolsonaro.  Assim...
Imediatamente a imprensa começa a veicular a ocorrência e, claro, lançando desconfiança sobre o dedo do presidente nesses fatos. Certo é que Bolsonaro cumprimentou, publicamente, a Polícia Federal por essas ações. E isto tem relevância, pois Witzel já declarou: "- Essas ações comprovam perseguição política e a interferência dele na Polícia...", embora haja Mandado de Busca e Apreensão, expedido pelo STJ - do Rio de Janeiro, conforme requerimento do Ministério Público Federal. Lógico que o noticiário "salta" essa parte, deixando a Polícia Federal como única "mãe da criança".
Enfim, junte-se a isto as posturas do Senado Federal, do presidente Alcolumbre, e da Câmara, do presidente Rodrigo Maia, enfim, que não poucas vezes, interferem nas atribuições do Poder Executivo, deliberando via projetos da área econômica, para, depois "jogar as contas pro outro lado". Porque? Exatamente para apresentar "serviço pro eleitorado", em total desagrado ao executivo. Assim, juntando esses fatos, interligados entre todos os poderes, em permanente e público embate, concluímos que inexiste harmonia, revelando-se uma grave crise institucional, sim. E mais: não adianta requisitar o telefone celular, que o presidente já avisou: só o entregaria se fosse um rato!

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