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sexta-feira, 22 de maio de 2020

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Wilalba F. Souza         22/Maio/2020

Um amigo, colega de longa data, me comunicou estar se desligando, por insatisfeito, do Clube dos Oficiais da PM de Minas (COPM), depois de 54 anos de contribuição. Mandei-lhe uma consideração a respeito:

Meu prezado,
Nós, todos, nunca acompanhamos ou participamos, como deveríamos, das ações perpetradas pela administração do Clube dos Oficiais da PMMG. Isto em tempo algum, nesses 72 anos de sua existência. Sempre um pequeno grupo foi quem deu as cartas, por lá. Para o bem ou para o mal feito. Não basta apenas votar. Aliás, nem isto foi feito. Vimos a votação ridícula na última eleição, no final de 2019: pouco mais de mil sócios apareceram. O vencedor levou o cargo por uns 20 votos de frente. E só!
Vamos pro Brasil de Bolsonaro: 56 milhões de nós votamos nele. Equivocadamente, embora moralmente correto, pois foram essas suas promessas e intenções, ele usou dose exageradamente forte em seu discurso, convincente e vencedor, junto à maioria popular, desapontada com os vinte anos dos mandatários anteriores.  Desafiou todos que hoje lhe opõem. Virou nosso presidente.
Do outro lado, em escancarada rebelião, e brandindo a Constituição "parlamentarista" de 88, se juntaram STF, Senado, Câmara, a grande imprensa, chamada de quarto poder, ela que pode ser uma aliada valiosa, sem ser discreta, ou um adversário odiento e poderosíssimo, falastrão, como se pode ver, no cotidiano. Ao lado deles, a OAB. Então esses poderes, afinados e perfeitamente orquestrados, não imobilizaram só o presidente eleito: paralisaram o Brasil.
Bem, poderíamos dizer que Bolsonaro tem apoio do povo! Será que tem mesmo? Mal deixaram (seus contrários) que ele desse dois passos em frente, em quinze meses de mandato. A maioria de nós, eleitores brasileiros, somos como torcedores de futebol que não vão estádio. E eu, amigo, te digo: quem votou nele não foi pras ruas fazer pressão, a não ser, e proporcionalmente, meia dúzia de abnegados, insistentes e decepcionados com o andar da carruagem. E, com os filhos - é minha percepção - agitando, do lado, Bolsonaro desnuda seu gênio irascível. As coisas pioram. Sem papas na língua, usada em horários/momentos impróprios, ele mesmo joga lenha na fogueira!
Nossa classe média sempre foi acomodada. E ela, esclarecida, é a única que pode fazer acontecer. Tentar promover barulho pela internet, acomodado perto da churrasqueira, com cerveja gelada e tira gosto à mão, é lazer. Ir pra rua é trabalho... e duro!
O presidente, além de tudo, parece, se considera um estrategista do confronto direto. Tem pavio curto e consegue criar adversidades pertinho de sua pessoa. Sem ajuda de quem quer que seja! E os oportunistas não são poucos. Mas isto é cansativo. Ele dá mostras de que está procurando "respiradores" junto ao "empório" mais perto, mais acessível e que tenha garrafas pra vender.
Lembremo-nos do velho ditado: - se não podes com seu inimigo, alie-se a ele! Pois é, temos à vista o Centrão, um conglomerado de partidos - verdadeira sopa de letrinhas - além do DEM, MDB e outros menos votados. Logo, não haverá perigo de processo pro impeachment, mesmo com os trinta pedidos protocolados com Rodrigo Maia, que se auto nomeou Primeiro Ministro. Tem trunfos nas agilíssimas mãos, uma arma a ser neutralidade.
Com todas essas barreiras, Bolsonaro vai ter que engolir sapos. Já prepara alianças antes impensáveis, sejam elas boas ou ruins. Não existe outra saída.
Com nosso clube, claro que numa comparação bem singela, ocorre a mesmíssima coisa. Falta ao sócio se impor e estar presente. Eu, há tempos, mandei uma correspondência - solitária, certamente - pro presidente, reclamando e discordando da ocupação por grupos organizados de motoqueiros, durante alta temporada, da Pousada Boa Esperança, em desfavor de maioria associada! Ele nem respondeu. Andorinha sozinha não faz verão. Quantos de nós fizemos isto? Então, pedir desligamento, não aderir fisicamente às manifestações, penso assim, é o mesmo que desistir, se lixar para a extinção do "Nosso Clube Nossa Casa" e, por similaridade, quem sabe, pelos destinos da Nação. É nem colocamos o Corona Vírus na história!

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