Wilalba
F. Souza 06/Maio/2020
Eram quase três horas da madrugada e acordei com
as estridentes buzinas a ar da MRV-Logística, concessionária das estruturas
deixadas pela Rede Ferroviária Federal, de saudosa memória! As composições, vazias, passam pela zona
urbana durante todo o dia, em média de 30 em 30 minutos, em alta velocidade, e
não perdoam. Levam minério de Minas pros portos do Rio. Nós, de quarentena ou
não, além de desprotegidos, somos obrigados a receber esses desaforos, dos
quais não temos como nos defender. Mais tarde,
e ali perto, assisto um carro da prefeitura parado, ao lado de uma barbearia,
com funcionários públicos obrigando o barbeiro a dispensar um cliente! É a lei
do para tudo: MRS fora.
Mas, por falar em buzinas, elas foram totalmente
silenciadas nos automóveis e caminhões urbanos, exatamente pela exigida mudez
desse brutal inimigo invisível, o Covid19, que dá superpoderes a prefeitos. E,
claro, pela obrigação de todo mundo se isolar por todos os lados, desde São
Paulo, Rio, Manaus, BH, Barbacena e Antônio Carlos. Quando as metrópoles forem
liberadas, nem Deus sabe quando, por aqui continuaremos "travados".
Considerando que temos, neste gigante adormecido, quase cinco mil municípios,
dos quais apenas mil tiveram casos da corona vírus, sem regramento coerente, a
certeza é que continuaremos perdidos, com tratamento dos desiguais, de maneira
igual, mesmo...
E nossas autoridades permanecem em constante
embate. As engrenagens dessa máquina Brasil estão espanadas, quebradas. Nada
anda. Travou! Minto, azeitadas e "redondas”, as buzinas, ou cornetas,
assim como as dos comboios da MRS, as da imprensa brasileira, estão a toda. E
elas alimentam, vinte e quatro horas por dia, espetáculos deprimentes, inclusive
bate-boca/cala-boca em público, entre nosso Presidente e ela mesmo. E a
queda-de-braço interminável há de se perpetuar.
Enquanto a dita "direita" se divide, de
um lado simpatizantes do ex-ministro Moro, o mais novo traidor do Brasil -
segundo os radicais eleitores de Bolsonaro - e seguidores do nosso presidente,
os ditos esquerdistas, e outros adversários, assistem vibrantes, bem acomodados
nessa gigante arena, gerada pela própria natureza, lançando gasolina à fogueira
que não pode se arrefecer, torcendo para "o quanto pior, melhor!"
Nossa luta continua. Parece incrível, mas uma
funcionária da MRS me ligou para pedir informações sobre o buzinaço urbano da
empresa. Perguntou se eu tinha percebido alguma melhora das cornetas, no
requisito frequência e altura. Informei que não. Pediu os horários, respondi
que o dia e a noite inteira, e que estava desesperançoso. Ela ficou de repassar
a informação para os seus chefes. Sem corneta, a empresa para! Incrível!
Em igual medida, continuo em total desesperança,
também, com o futuro deste nosso Brasil, tendo em vista as brigas fratricidas,
permeadas pelos buzinaços criminosos da imprensa, certo de que se não voltar, o
governo, a irrigá-la, com muitos dinheiros, ela promoverá e atiçará o confronto,
mesmo que isto puna, inexoravelmente, aqueles que adoram assistir seus algozes
o dia e a noite inteira: o povo!
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