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quarta-feira, 22 de abril de 2020

Cego em Tiroteio


Wilalba F. Souza             22/Abr/2020

Essa inverossímil cena, claro, num imaginário até risível, quando não criticado, em julgamento feroz, pelos adeptos ao politicamente correto tão em moda, pode perfeitamente ser direcionada e comparada à postura da maioria dos agentes públicos brasileiros. Se, em situações mais previsíveis, as autoridades já se perdem, imaginem, ou melhor, observem o que temos vivido em tempos presentes, de praga do corona vírus.
Por exemplo: Barbacena e outras cidades, têm sérios problemas com alagamentos urbanos na temporada das chuvas. Todos sabem onde vai haver incidentes, mas nunca adotam medidas de saneamento. Quando muito, na ausência de projetos, improvisam ações paliativas.
Então, ano após ano, os incidentes vão se acumulando, se agravando. Alguns deles, dos problemas, se concentram, também, na mobilidade urbana, prejudicada, em grande parte, por enormes áreas centrais ocupadas, e sem utilização, no caso de Barbacena, ao longo dos tempos, pela Força Aérea Brasileira, após a década de 40. Logo, como se diz por aí que problema insolúvel não é problema, as novas gerações é que sofrerão essas consequências em agravamento.
Sem tratamento de esgoto, a rede urbana leva tudo para os cursos d'água, a céu aberto, ou canalizados, poluindo riachos e rios, com danos cruéis ao meio ambiente. Aliás, esse tema é proibido na cidade dos Bias e dos Andradas. A MRS-Logística, que transporta minério de Minas Gerais para portos no Rio de Janeiro, em um trânsito ferroviário intenso, nunca é, e nunca foi, incomodada pelos órgãos públicos: o único investimento que ela faz, nos milhares de quilômetros percorridos pelas zonas urbanas, é nas potentíssimas buzinas a ar, acionadas, de dia e de noite, sem o mínimo de critério, por operadores mal formados e deseducados, dos velozes comboios. Realmente política de meio ambiente não é coisa séria, porquanto não destinada aos seres humanos, senão à flora é à fauna!
Imaginem, então, o incômodo praticado pela poderosa, insensível e rica transportadora contra as pessoas - mormente idosos e crianças - nestes tempos de isolamento social - recomendado, insistentemente, pelas autoridades, maioria desorientada? Não há como recorrer. O que importa, pra esse pessoal, é lucro... coisa de capitalismo, cada vez mais selvagem!
Enfim, retornando à questão do vírus, podemos afirmar serem, essas autoridades brasileiras, mal formadas, deseducadas e desinformadas, iguaizinhas aos operadores da MRS-logística. Não possuem desconfiômetro. Em todos os níveis, adotam medidas escapistas, autoritárias, copiadas de outras plagas, em suma, mais simplistas e fáceis. Os serviços públicos simplesmente foram congelados, a não ser os obrigatoriamente essenciais. Se o setor já não era dos mais efetivos, agora piorou. E a nova ordem é: todos pra casa. Não existe opção ou espaço a uma segunda opinião.
Incrível... o judiciário fechou as portas. Se a coisa, lá, já andava (?) a passos de tartaruga, agora parou, de vez. Pros juízes e servidores não há problema. Pelo menos por agora, todos vão receber, intactos, seus salários. Mas, é melhor assim. Mais fácil, não é? Afinal as decisões judiciais só interessam à população. Ela, que depende das soluções importantes dos magistrados, e os advogados, trabalhadores, que se virem para pagar suas contas, sem as garantias do erário público. Assim, nem precisam, ficam liberados, os servidores públicos, das preocupações com medidas de proteção e higiene. Risco zero, remunerado, pra eles.
E o tiroteio, entre cegos, muito bem aquinhoados, continua, nas mais altas esferas do poder: no executivo, no legislativo e no judiciário. O foco, nesses dias de calamidade pública mundial e nacional, desses mandatários, é pela definição de quem manda mais. O "bate-boca", rasteiro, improdutivo, insosso e irresponsável, entre eles, é turbinado e fomentado pela imprensa nacional televisiva, numa improdutiva e grotesca rede de fofocas. Ela está adorando ver as casas cheias, com toda a família de olho na TV. Quanto mais desgraça e notícia ruim, melhor. E, na berlinda, bilhões de dinheiros!

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