Wilalba F. Souza 17/Abril/2020
Há muitos anos descobriram, me parece que em
Goiânia, um depósito de rejeitos de urânio, já utilizado, não me lembro em quê.
Ele acabou contaminando várias pessoas desavisadas que manusearam aquele
produto, de altíssima toxidade, em razão de sua radioatividade. Morreram
algumas delas, sendo que várias outras adoeceram, num evento acompanhado, por
muito tempo, pela imprensa.
Há mais de trinta dias, por força de recomendação
do Ministério da Saúde, estou recolhido, com minha mulher, em casa, evitando
sair, para não ser contaminado pelo Corona vírus chinês, que está provocando
horrores mundo afora. Recebendo notícia do alto índice de mortandade virótica
na Itália e na Espanha, é muito justo que nos cuidemos.
Nosso Ministro da Saúde, médico e deputado Mandetta,
nomeado na função pelo presidente, homem educado, bem falante, atraiu nossa
atenção, ao mesmo tempo que recomendava isolamento geral. Todo mundo pra casa,
evitando contaminação geral, de uma só vez e o "lock out" das
unidades de saúde. Certíssimo, esse argumento.
Entretanto, nesse período, a economia desandou. O
desemprego assumiu proporções insustentáveis, ao mesmo tempo que o governo se
mexeu pra ajudar a população necessitada. Bolsonaro, o presidente, ao falar à
Nação, deixava, e deixa claro, que o país não pode parar. O lock out econômico
mata gente, também.
Mandetta, se dizendo escravo da ciência, não se
sensibilizou. Claro, ele teria que assessorar o presidente de forma a, pelo
menos, estudar um meio, nem tanto radical, que viabilizassem caminho. Isto não aconteceu. Por motivos óbvios, a
imprensa escolheu Mandetta como a maior autoridade do Brasil. Toda a atenção
popular era pra ele. Congresso e Supremo Tribunal Federal também se
posicionaram nesse sentido.
Claro, politizam a crise, ou melhor, o vírus.
Colocaram o ministro no centro do problema e esqueceram o micróbio.
Desautorizaram o chefe da nação, valorizaram seu auxiliar, e nem se ligaram às
farpas decorrentes. E o vírus só assistiu... as empresas, lojas, feiras e o
trabalho laboral se escafederem por todo o Brasil. E um "cai, não
cai" de ministro foi sendo esticado e explorado pelos "Big Brothers"
dos tantos news da TV.
Bolsonaro, que prometera na campanha, nomear um
ministério técnico, errou ao convocar Mandetta, por influência do seu
"amigo"(???), ex-deputado federal, Ronaldo Caiado, governador de
Goiás. O ministro mostrou ser radicalmente técnico, desprezando sua fortíssima
veia política, de deputado, ao rejeitar a preocupação econômica de seu
presidente, tudo publicamente. E recebeu a maior "força” de Rodrigo Maia.
Arriscou dar uma de rabo a abanar o cachorro. Mas, depois de ordens e contra ordens,
foi demitido.
Cheguei a me simpatizar com Mandetta - ele é bem
articulado - mas comecei a desconfiar do andar da carroça quando, mesmo
recebendo diretas e indiretas do presidente sobre sua insatisfação, se julgou e
agiu como autoridade maior e indemissível. Seria mais coerente, pedir o boné.
Não o fez, talvez por influência de Maia e Caiado, ambos de seu partido, o DEM.
Bem, Mandetta acabou sendo substituído. Trata-se
de um homem culto, educado e, acima de tudo, p o l i t i c o. Não me esqueço
quando, em uma de suas aparições à tarde, para dar os números e resultados do
trabalho de seu ministério, aconselhou-nos a não assistir televisão, pois o
noticiário estava muito tóxico, alarmando as pessoas. E, realmente, a mídia nos
levou, e tem levado a todos, a um clima de histeria, de filme de terror. De
arrasa mundo.
Mandetta, logo após ter sido dispensado, reuniu
sua equipe, na sala de audiência diária, e se despediu de todos, num longo
pronunciamento que mais pareceu comício, elogiando um a um. Muito louvável,
isto! Mas, talvez num instinto de autopreservação, esquecendo-se da toxidade
emanada, nesses tempos de pandemia, da imprensa, conforme declarações
anteriores, dele próprio, teceu, a ela, largos e efusivos agradecimentos por
tê-lo ajudado em sua missão de esclarecimento à população. Pois é!!!
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