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quinta-feira, 16 de abril de 2020

O vírus é inocente...


Wilalba F. Souza            16/Abr/2020

Não pode haver outro diagnóstico. O Brasil está sofrendo de grave doença. Parece que em consequência de um vírus intelectualmente maléfico e superior, capaz de causar loucura coletiva e derretimento cerebral dos membros dos três poderes desta nação, considerada ainda jovem. Aliás, desde a nossa independência, em 1822, ocorreram conflagrações virulentas. E vieram, em seguida, outras muitas, de vento em popa, depois da Proclamação da República, em 1889, quando as elites política e intelectual acabaram com o Império, mandando D. Pedro II às favas, até sem apoio popular. Pena que José Bonifácio não esteja por aí, pra contar!  Quem nunca ouviu falar de Deodoro, Hermes da Fonseca, e Getúlio Vargas, poucos anos depois?
Aliás, nosso povo, só em história pretérita recente foi às ruas em grandes massas. Isto em 1964. Pouca gente se lembra disso. Não sei se por ignorância ou oportunismo político, ideológico, se é que podemos nos posicionar dessa maneira. É! O povão foi às ruas pedir a queda do governo de Jango, tendo em vista sua fraca reação a uma possível dominação comunista, em tempos de "guerra fria", onde os protagonistas eram Estados Unidos e a ex-União Soviética.
Entre idas e vindas, erros e acertos, os militares assumiram o governo, numa espécie de ditadura "lite &soft". Mas, anos depois, "afrouxaram a pitanga", devolvendo aos políticos antigos, viciados, o poder, no ano de 1985. José Sarney, vice-presidente, substituiu Tancredo Neves, falecido logo após eleito para a presidência. Depois veio Collor de Melo, o caçador de marajás, que com sua ministra, Zélia Cardoso, confiscou ativos bancários dos cidadãos. Um desastre! Ele foi cassado, por causa de um Fiat Elba de origem mal explicada, entrando, em seu lugar, "seu" vice, Itamar Franco. Este, a meu juízo, o responsável pelo fim da inflação galopante. Criador do Real, com ajuda, claro, de Fernando Henrique Cardoso, seu super-ministro, que iria sucedê-lo, como presidente, por oito anos. FHC convenceu, com sua astúcia (???), o Congresso a alterar a Constituição, permitindo sua reeleição. Em seguida, ajudou o operário (???) Luís Inácio subir a rampa!!!
Lula navegou durante oito anos, após 2002, por águas tranquilas. Alguém ainda se lembra do mensalão, do petrolão, da distribuição generosa, porquanto onerosa, dos cargos públicos, dos "investimentos” milionários em órgãos de comunicação, dos "financiamentos”, via BNDS, no exterior? Não? Pois é!!! A bomba veio estourar uns três ou quatro anos depois, no colo de Dilma Rousseff, sucessora de Lula. Foi reeleita, dizem que a altos custos econômicos, eivados de corrupção e "pedaladas fiscais” que lhe renderam a cassação.
O "seu" vice, virou rotina isto, né? assumiu. Michel Temer, que era mais apagado que toco de vela em fim de procissão, embora tenha tentado uma reação como presidente. Mas terminou por se afundar em escândalos, em dois anos pra lá de nebulosos.
E, nesse rastro de desconstrução geral e governamental, surgiu um improvável candidato a vencedor da eleição à presidência: Jair Bolsonaro. Prometeu combater a corrupção nacional endêmica e aplaudiu a Operação Lava-jato (igualzinho ao Jânio, lembram?), nomeando uma equipe de competentes ministros para tocar a nação, saneando a inchada máquina pública, mobiliada por governos anteriores. Desagradou, e desagrada, muita gente!
Bolsonaro mudou a forma de relacionamento, adotada por seus antecessores, junto ao Congresso. Não distribuiu cargos de primeiro e segundo escalão em troca de votos que aprovassem matérias de interesse do executivo; deixou de irrigar com bilhões de reais, como sempre fizeram as outras administrações, os poderosos órgãos de comunicação nacional, influenciadores da opinião pública, e também escancarou sua aversão à turma da esquerda, ferida doloridamente pela perda do poder, mas ainda alimentada pela boa bancada congressista, controlada por um tal de conluio e real simpatia de juízes das mais altas esferas, nomeados por presidentes do mesmo viés.
Apesar disso, depois de um ano, as coisas melhoravam. Mesmo cheios de contratempos os programas governamentais andaram tendo como seu carro chefe a reforma da previdência, estando encaminhados outros propósitos, dentre eles as necessárias reformas administrativa e fiscal. Os índices de desemprego caíram sensivelmente. Devagar a indústria se recuperava e a agricultura avançava. Mas chegou... o carnaval e.  O corona-vírus!
Mal comparando, foi como se tivesse explodido, no Brasil, uma bomba atômica. O estrago foi tanto que ninguém mais se entende. Todo mundo pra casa, ordenaram! Parou tudo. Do Oiapoque ao Chuí!  A economia está fadada a ir, se já não foi, pro brejo! O legislativo, ressentido, e o judiciário, tentam, e conseguem, neutralizar as ações do presidente que, errado ou certo, como mandatário maior, quer assumir o controle da balbúrdia e não consegue. Porquê? Simples... Jânio Quadros (o da vassoura), lá na década de 60, renunciou à presidência, pressionado, segundo dizia, "pelas forças ocultas"! Bolsonaro tem sido pressionado, encurralado, às claras, pelo Congresso, que perdeu, via deputados e senadores poderosos, postos importantes no executivo; pela grande imprensa que não recebe, mais, os bilhões de reais de antes, contando, os dois segmentos, com o apoio do STF que, conforme temos visto por aí, manda e desmanda, desfazendo os atos do executivo, em atenção aos pedidos de seus padrinhos, num ataque desmedido à autoridade é à hierarquia. Ficaram assumindo suas razões, todos contra!
Pois é, esse pessoal conseguiu parar o Brasil. Essa pandemia, com toda sua virulência, é fichinha perto dos estragos que estão perpetrando, em ação avassaladora contra milhões de famílias, num crime inimputável. É assunto que dá livro com maior número de páginas que a Bíblia Sagrada. Depois dessa confusão toda, apurados os rombos, as mortes e prejuízos, não venham colocar a culpa no Covid19. Já, aqui, decretamos seu HC e declaramos seu total, absoluta e insofismável inocência!!!

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