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quinta-feira, 9 de abril de 2020

Um negócio da China


Wilalba F. Souza      10/Abr/2020

Há dois anos tenho uma SUV Tracker - Chevrolet. Baita carro. Motor 1.4 turbo, muita tecnologia embarcada, enfim, excelente veículo pra mim e minha mulher, cujos filhos já bateram suas asas. Na realidade, um automóvel de alto nível, acima de nossas necessidades. Mas, porque comprá-lo, porque não comprá-lo?  "Comprei-lo"...
Está semana levei essa "caranga" para a revisão. Enquanto a assistiam, na oficina da revendedora, fui ver o modelo Tracker, recém lançado, na China, como novidade mundial. Quer dizer, uma montadora americana, com subsidiária no Brasil, parceira de indústria - sei lá qual - do "zoinho" puxado, mandando produtos e projetos para a terrinha, que vai fabricá-la em São Paulo (Olha o Dória aí gente!). Então, continuando a massaroca, fui ver o tal lançamento, exposto no hall de entrada. Afinal o evento está "bombando" em lindos comerciais, por todo lado.
Esse pessoal nos faz de bobos. E somos bobos. A versão que comprei é idêntica à americana, fabricada, também, na Argentina. Por algum cambalacho comercial - somos pobres - pode ter sido depenada em um item ou outro. Mas é igual à norte-americana. Enfim, dei uma espiada no modelo chinês. Diminuíram-lhe a altura (será porque eles são pequeninos?), adicionaram algumas filigranas tecnológicas nem tão caras, e estranha (econômica?) opção de motor 1.0 e 1.2, turbos. Depois, "liftaram aqui e ali", entregando a resultante   aos profissionais divulgadores, que estão faturando ($$$). Só pode...  Dizem maravilhas do produto, inferior e mais caro, segundo minha observação, lógico.
Não satisfeito, coloquei o meu (ou minha) Tracker ao lado da nova "maravilha". Tirei minhas conclusões e não consegui me segurar! Falei com o pessoal da revendedora, que não tem culpa, pois apenas comercializa e dá manutenção: - mataram a Tracker!!! O mecânico que me atendeu concordou, sem comentário, balançando a cabeça!
Bem, pra encerrar esse "papo" automobilístico: eu já tinha lido uma reportagem completa sobre o assunto. E, acreditem, o mercado dos Estados Unidos vai continuar consumindo o "velho" modelo, por mais três anos. Porque será? É sabido serem os "gringos" muito exigentes nessas questões veiculares! Tem ou não tem, "cuanga" nisto?
Em tempo de pandemia, do vírus chinês covid19, os negócios da China, aparentemente livre do vírus maléfico, continuarão em ascensão. E não só com vendas de máscaras paramédicas e respiradores. Um país, gigante demográfico de dimensão continental, num regime ditatorial fechadíssimo, onde o povo é controlado com mão de ferro, conseguiu, por meio de grande avanço tecnológico e produção a baixo custo, se transformar numa magnifica potência econômica, via comercio com o mundo inteiro.
Dia desses, quando o Corona vírus foi detectado no país do pagode, alguém alertou que, por isto, poderia faltar material e componentes para a indústria brasileira e que ficaria pior ainda se eles, os chineses, suspendessem a suas compras do Brasil, basicamente em commodities e proteína animal.
Como admirador e praticante de aeromodelismo, me ocorre, agora, que os chineses nos abastecem, e ao mundo todo, com equipagem completa, de fuselagens, motores, baterias e rádio- transmissores, num nano negócio gigantesco.
Enfim, a China nos colocou, e a meio mundo, na "algibeira". E olha que não abordamos a questão de vestuário, calçados e tudo enquanto é "babilaques" que vemos pelas lojas, pelas bancas de camelôs e pela internet. Aliás, há uns vinte anos fui, com meu pai, aos Estados Unidos. Me encomendaram tênis. Comprei, numa loja de departamentos, pra todo mundo. No regresso, entreguei os presentes, decepcionado, ao verificar as etiquetas: "Made in China"...


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