Wilalba F. Souza
10/Abr/2020
Há dois anos tenho uma SUV
Tracker - Chevrolet. Baita carro. Motor 1.4 turbo, muita tecnologia embarcada,
enfim, excelente veículo pra mim e minha mulher, cujos filhos já bateram suas
asas. Na realidade, um automóvel de alto nível, acima de nossas necessidades.
Mas, porque comprá-lo, porque não comprá-lo? "Comprei-lo"...
Está semana levei essa
"caranga" para a revisão. Enquanto a assistiam, na oficina da
revendedora, fui ver o modelo Tracker, recém lançado, na China, como novidade
mundial. Quer dizer, uma montadora americana, com subsidiária no Brasil,
parceira de indústria - sei lá qual - do "zoinho" puxado, mandando
produtos e projetos para a terrinha, que vai fabricá-la em São Paulo (Olha o
Dória aí gente!). Então, continuando a massaroca, fui ver o tal lançamento,
exposto no hall de entrada. Afinal o evento está "bombando" em lindos
comerciais, por todo lado.
Esse pessoal nos faz de
bobos. E somos bobos. A versão que comprei é idêntica à americana, fabricada,
também, na Argentina. Por algum cambalacho comercial - somos pobres - pode ter
sido depenada em um item ou outro. Mas é igual à norte-americana. Enfim, dei
uma espiada no modelo chinês. Diminuíram-lhe a altura (será porque eles são
pequeninos?), adicionaram algumas filigranas tecnológicas nem tão caras, e
estranha (econômica?) opção de motor 1.0 e 1.2, turbos. Depois, "liftaram
aqui e ali", entregando a resultante aos profissionais
divulgadores, que estão faturando ($$$). Só pode... Dizem maravilhas do
produto, inferior e mais caro, segundo minha observação, lógico.
Não satisfeito, coloquei o
meu (ou minha) Tracker ao lado da nova "maravilha". Tirei minhas
conclusões e não consegui me segurar! Falei com o pessoal da revendedora, que
não tem culpa, pois apenas comercializa e dá manutenção: - mataram a Tracker!!!
O mecânico que me atendeu concordou, sem comentário, balançando a cabeça!
Bem, pra encerrar esse
"papo" automobilístico: eu já tinha lido uma reportagem completa
sobre o assunto. E, acreditem, o mercado dos Estados Unidos vai continuar
consumindo o "velho" modelo, por mais três anos. Porque será? É
sabido serem os "gringos" muito exigentes nessas questões veiculares!
Tem ou não tem, "cuanga" nisto?
Em tempo de pandemia, do
vírus chinês covid19, os negócios da China, aparentemente livre do vírus
maléfico, continuarão em ascensão. E não só com vendas de máscaras paramédicas
e respiradores. Um país, gigante demográfico de dimensão continental, num
regime ditatorial fechadíssimo, onde o povo é controlado com mão de ferro,
conseguiu, por meio de grande avanço tecnológico e produção a baixo custo, se
transformar numa magnifica potência econômica, via comercio com o mundo
inteiro.
Dia desses, quando o
Corona vírus foi detectado no país do pagode, alguém alertou que, por isto,
poderia faltar material e componentes para a indústria brasileira e que ficaria
pior ainda se eles, os chineses, suspendessem a suas compras do Brasil,
basicamente em commodities e proteína animal.
Como admirador e
praticante de aeromodelismo, me ocorre, agora, que os chineses nos abastecem, e
ao mundo todo, com equipagem completa, de fuselagens, motores, baterias e
rádio- transmissores, num nano negócio gigantesco.
Enfim, a China nos
colocou, e a meio mundo, na "algibeira". E olha que não abordamos a
questão de vestuário, calçados e tudo enquanto é "babilaques" que
vemos pelas lojas, pelas bancas de camelôs e pela internet. Aliás, há uns vinte
anos fui, com meu pai, aos Estados Unidos. Me encomendaram tênis. Comprei, numa
loja de departamentos, pra todo mundo. No regresso, entreguei os presentes,
decepcionado, ao verificar as etiquetas: "Made in China"...
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