Wilalba F. Souza 16/12/2021
Há
mais de trinta anos, juntando tostões, comprei uma casinha simples, no bairro
Boa Vista. Paguei o que os vendedores pediram, no dinheiro. Com advogada do
lado, fomos ao cartório e lavramos a escritura. Enfim, eu, minha mulher e meus
filhos pequenos, tínhamos um teto.
Eu
era capitão. Numa correria doida, servindo em Belo Horizonte, resolvi deixar os
meus em Barbacena, onde minha mulher tinha irmãos e a mãe, dona Geralda, uma
princesa das nossas vidas.
Enfim,
deitando meninos pelo chão, em meio às obras, Gracinha, minha mulher, sozinha,
organizou a casa. Com nossas economias montou um lugar agradável, com muito
conforto. Sem luxo, mas acima do que a gente tinha experimentado! Coisa de quem
acredita em Deus!
Há
uns dois anos vi que, embora com todos os impostos pagos e com a escritura
pública em mãos, precisava registrá-la: Ahhh quem não tem registro não é dono.
Desculpem... aí começa a roubalheira, escancarada. Coisa antiga de cartórios de
milionários chupadores de sangue, crápulas da lei.
Tá
bom, vamos registrar, decidi. Escritura, impostos pagos, fui à prefeitura ver a
documentação. Certidão negativa, nenhum crime contra o patrimônio, tudo pago de
conformidade com o correto! Gente... "burrocracia" pura!
Vamos
ao cartório, munidos da papelada. Número de CPF, identidade, nada consta
judicial, ficha corrida. Afinal um mero registro vale mais que o título de
transferência e, vou correr atrás.
Ledo
engano... decretou o dono do cartório. Quem te vendeu a casa era judicialmente
impedido. Aí me perguntei: gente, como lavraram a escritura. Há trinta anos?
Estranho, como estranha é a decisão da juíza, em despacho numa ação por nós
recorrida. Disse nada, em lugar nenhum. Uma canetada eunuca, sem rumo, coisa do
judiciário rico e irresponsável...
Douta, doutora, majestade juíza, você
não é trilho ferroviário. A casa é minha, quem sabe você ache que é sua? Em
tempo, não falei seu nome. Não mereces! Fazes parte dos eunucos!
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