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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Só Lula consegue unir a oposição? Ou é apenas sintoma de fibrose mental?

 Wilalba F. Souza                                      30/12/2021 

         Na esquerda brasileira certamente há quem pense sério a respeito do Brasil e da necessidade de mudanças estruturais, em amplo espectro, focadas à retomada de rumos, sem essa de estatização de tudo e populismo radical.  Uma dessas cabeças, pelo que de sua boca ouvi, poderia ser o ex-senador e ex-ministro Cristovam Buarque.

         Pra falar a verdade, embora possa parecer impossível, suas pautas, pelo menos em tese, passam pelas reformas política, educacional, previdenciária, de amplo alcance social e outras bem coerentes! Tudo muito parecido com o que propõe o governo de hoje, mas que não anda nas casas legislativas! Por quê? Tudo que é bom e necessário fica parado, pois o que interessa é congelar as ações que levariam a população a reconhecer o bom trabalho da administração atual.

         Até admiro esse veterano político, embora confesse nunca ter visto comentários sobre seu pensamento político-ideológico. Desconfio muito dessa generalização de que todo esquerdista seja comunista. Da mesma forma, que todo conservador, de direita, seja chegado a uma ditadura. Se forem extremistas, suas pontas se tocam!  Mas, sintetizando, ele disse claramente, numa "live" transmitida pelo Youtube:

 

1. As mudanças nas universidades são muito difíceis, eis que quem as dirige hoje (gente da esquerda) acha que seus problemas são só de verbas, dinheiro;

 

2. É preciso acabar com os privilégios do serviço público, incluindo os do judiciário, pois o peso do estado é muito grande, não sobrando recursos para aplicação em outras áreas (óbvio). Obs. como bom e legítimo político, ele omite as enormes despesas do legislativo com remunerações miliardárias;

 

3. Comentando sobre a debatida questão ecológica, afirmou: - tratam disso - não diz quem, nem o quê - como se fosse um forte empecilho ao desenvolvimento;

 

4. Em outras considerações, omite aspectos influenciadores e resultantes da globalização, já que não somos uma ilha e sim extensão ou parte da grande tribo mundial.

 

         Enfim, sem abordar as desastrosas administrações da esquerda, concluiu que corrupção em governos do país é endêmica, de certa forma tentando minimizar os gravíssimos desmandos e a corrupção desenfreada entre seus correligionários. Mas, acho, podia tê-la pontuado. Não o fez porquê Lula, pra ele - e a bancada não contestou - seria o único qualificado para unir as forças contrárias a Bolsonaro para combatê-lo. - Não existe outro, disse. Pior que não existe, mesmo! Lula destruiu todos os que, estando ao seu lado, e depois de algum tempo, representaram perigo à sua liderança.

         Isto explica Dilma presidente, candidata imposta por ele, sobre a qual achava ter absoluto controle! Mesmo sendo sua súdita, ela não aceitou o mandato tampão, segurando a cadeira - que ela tanto gostou - para o guru petista, como ele queria. Lula só mantém ao seu lado os asseclas broncos ou os súditos. José Dirceu e Palocci, ex-presidiários, como ele, são mantidos a uma distância segura. O primeiro, uma eminência parda, não é ninguém sem seu chefe/guru; o segundo nem sei, porque "abriu o bico", em delação premiada, sobre os "podres" do ex-presidente, mas... suas palavras "borboletaram" ao vento.

         Claro que, neste pequeno espaço, fica até difícil a gente dizer o que pensa disso. Mas vamos lá!

         O que assistimos nesses depoimentos de intelectuais brasileiros, de lá e de cá, assusta. Transformaram - e eles que se expliquem - com suas ideológicas soluções para nossos problemas - que deveriam se ater às milhares de cabeças pensantes tupiniquins - em duas peças de um tabuleiro qualquer: de um lado o presidente em mandato (Bolsonaro), falante, de ficha limpa, e, do outro, um ex-presidente (Lula) mais falante e de péssimos antecedentes (está registrado na história), como imprescindíveis às nossas vidas.

         Para o respeitabilíssimo senador Cristovam Buarque a única saída para combater e suplantar o presidente atual, dito por ele.

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