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sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Racismo!

 Wilalba F. Souza                                                   17/12/2021 

         Em 1963 cheguei, com minha família, a Barbacena.  Cidade esquisita, velha, fora do eixo BH/Valadares. Eu não tinha agasalho.

         Lugarzinho frio, sô! Aí meu pai, tenente da PM, funcionário público, foi até o Colégio Estadual Prof. Diaulas Abreu, e me matriculou. Segundo, ou terceiro ano ginasial, nem sei!

      Sem eira, nem beira, adentrei os portões de um estabelecimento moderníssimo. Obra de JK e Bias Fortes. Grandes homens, em tempos outros.

         Menino, se juntando a meninos - e meninas - minha turma tinha uma garota - me aliei a um dentuço, César, menino sonhador, com quem jogava bola no Pontilhão, onde, sob liderança de adultos, como Zé Drumont e Hérquinho, bricávamos, inocentes, um futebol de alegrias.

         Mas, na sala de aula, tinha um garoto diferenciado, até já famoso. Craque do Andaraí, ganhava até um troco "por fora"! Família numerosa, morava com os seus numas enormes casas, distribuindo os casais por amplos quartos. Eram religiosos. Respeitavam o candomblé e tinham seus altares, com santos diversos, limpos e bem cuidados...

Íamos para a escola de mãos dadas, agasalhadas por uma japona, dele, que eu não tinha igual!

         Zé Mauro, um baita cara, casado com Lourdes, irmã do Orlando - e minha também - por fortíssima afinidade, com muita naturalidade, me pegava pelos braços e me dava seus passes. Me "limpava" de maus olhares. E eu sempre acreditava. Me fazia bem.

        Domingo, solteiro, sem rumo e sem prumo, eu ia pra lá... Macarronada era farta e servida em bacias... preparadas por Lourdes, por Cleuza e suas irmãs. Pinga não faltava, mesmo que fiscalizada por nossa mãe, D. Ana. Depois, com a barriga cheia, muito cheia, me escornava no sofá.

        Pois é. A casa era cheia. E eu, ali deitado, feliz, vi uma moça passar. Arregalei o olho... gostei. Depois da soneca, apertei a campainha de sua casa e a pedi em casamento. Deu certo.

         Meu irmão Orlando, o Bill, o Graveto, fez sua vida comigo, na PMMG. Lamento não ter estado com ele por mais tempo. Ele com aquele nariz de bruxa, dentes escancarados, cujos filhos, hoje bem encaminhados e adultos me chamam de tio.

         Finalmente... pra quê essa besteira, essa politicagem porca, nojenta, de querer por cor naquilo que nunca enxergamos, a não ser alvos corações dos quais sentimos saudades. Alegres saudades!

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