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domingo, 9 de janeiro de 2022

Dinheiro é o que importa!

 Wilalba F. Souza                           09/01/2022

        Incrível a insensibilidade do ser humano, quando o que importa é faturar. Há muitos e muitos anos Carlos Drumont de Andrade já pedia socorro para as montanhas de Minas, desmontadas perto de sua Itabira. De lá pra cá aumentou, e como, a sede mundial pelo minério de ferro. Aliás, sua exploração deu motivo à construção, por Percival Farquhar, um empreendedor, engenheiro inglês, da Ferrovia Vitória-Minas, há mais de cem anos, hoje, simplesmente, Vale (Antiga Vale do Rio Doce),um monstro insaciável à caça de dólares!

        Infelizmente se confirmam, nesse mais de um século, as histórias sobre o tal "capitalismo selvagem" que, para fazer lucro, salta sobre tudo, mesmo que os trilhos e entulhos tenham que passar por cima da população, aliás aquela que deveria se beneficiar do progresso. Mas não é bem assim.

        Com o correr dos anos descobriram que fazendo parte do processamento do minério na origem rende mais. Daí a razão da existência das barragens de tecnologia antiga - e barata - para coleta de rejeitos. Verdadeiras arapucas, armadilhas de lama suja, envenenadas por produtos químicos. Antes ia tudo para os países importadores. Agora, não. Essa sujeira fica pendurada por aí e, não raras vezes, explodem, como em Mariana e Brumadinho, ceifando vidas e arrebentando com seres humanos. Também com fontes de real riqueza, a exemplo do Rio Doce, dito de integração nacional! Os governos são fracos. A autoridade foi pulverizada e enfraquecida. Todo mundo manda tudo e manda nada, e ninguém resolve. Senão consultemos os volumosos processos judiciais contra essas empresas sem pátria, protegidas por chicanas da lei!

        Mas, não se iludam... essas desgraças vão continuar a poluir nossos cursos d’água, adoecer nosso povo e nossas almas, a interromper estradas, enquanto ricos acionistas curtirão seus luxuosos condomínios, no Brasil e pelo mundo, pouco se importando com as buzinas estridentes dos comboios quilométricos de vagões que cortam nossas vias urbanas, sem piedade, de dia e de noite!

         Do final de 2021 para cá Minas Gerais - não atoa chamada de "caixa d’água do Brasil" - tem recebido muita chuva. Há muito isto não acontecia E, lógico, a natureza dá motivo a aumento das águas nos cursos dos rios e riachos, podendo ocorrer transtornos. Faz parte. Mas construir frágeis barragens de rejeitos em nível topográfico acima da Br 040, uma das principais rodovias de Minas, de maneira a, impunemente, interromper, por falta de um mínimo de responsabilidade, a via, é o cúmulo do absurdo. Isto jamais acontecerá, ou aconteceria, com os trilhos que fazem transportes para essas nefastas empresas que lucram às "bamburras" à custa da fraqueza das autoridades (?) e do povo, este, para mim, muito passivo. Somos apenas espectadores de segunda classe!

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