Wilalba F.
Souza
Barbacena, julho de 2.008
Dia desses, Alexandre Garcia, conceituado comentarista da
Rede Globo, demonstrou a
incongruência que existe, em nosso país, cujo povo, mesmo não obedecendo as mais simples regras de convivência e cooperação (joga lixo
nas ruas e córregos, despreza o direito ao silêncio dos vizinhos, gosta de
levar vantagem em tudo, de “furar” filas, acha que a lei foi feita p`ros outros, não p`rá ele,
etc, etc...) quando exige, hipocritamente,
que nossos políticos e outras
autoridades que venham a cometer lá seus delitos, sejam apenados
”exemplarmente” com prisão, cassação e outras restrições
complementares, vislumbrando um país
mais justo para viver e criar os filhos
em paz, etc, etc. Ou seja, a maioria de nós não colabora, “não se enxerga”,
mesmo sabendo que a desordem às vezes é mais nefasta que a injustiça.
Tenho um amigo, antigo morador da Boa Vista, bairro de Barbacena,
habitado, em geral, por cidadãos de classe média pra baixo, daqueles que
também não recebem muita atenção da administração
municipal. Esse meu amigo, que diariamente percorre o trajeto de sua casa até
seu trabalho, no bairro Santa Cecília,
fica visivelmente irritado
quando relata suas observações naquele percurso, revelando desvios de
comportamento e transgressões às leis que fariam “arrepiar” cidadãos e administradores mais preparados, conscientes e
educados, de comunidades organizadas, e que os levariam a adotar medidas
saneadoras, mas que são tratados pelas
nossas autoridades como pequenas e desprezíveis transgressões. E, por
não serem combatidas, se avolumam ao
longo do tempo, transformando-se em chagas incuráveis. São desobediências às mais simples regras
irresponsavelmente desconsideradas, embora pernósticas e lesivas à paz social,
objetivo tão alardeado, cantado e decantado por autoridades, sociólogos e
políticos em campanha.
Na rua Ceará, diz meu amigo, que
hoje recebe um considerável movimento de veículos, o
passeio, quando existe, é diminuto. O pedestre não tem por onde andar, a não ser se arriscando, em
concorrência com ônibus, caminhões, motos e automóveis. Para agravar a situação há moradores
que constroem seus muros, escadas e cercas literalmente em cima dos
passeios. Quem não acredita vá lá e
confirme esta informação, afirma,
lançando-me o desafio e perguntado-me,
um tanto inflamado: onde andam os agentes públicos ?
Concordo com ele. O pequeno pontilhão ferroviário é uma verdadeira armadilha.
Tente passar por lá...a pé! A
rua abaixo dele é uma bagunça e o estacionamento complicado.
Frequentemente um e outro “desavisado (?)” para o carro, ou caminhão,
desobedecendo a lei, sem nenhum constrangimento, na maior “cara dura”, em
prejuízo de quem tem que seguir e vê a rua obstruída. Esse infrator nunca é abordado e se
sente à vontade para prejudicar os demais
usuários da via pública. Ali perto há uma borracharia, em permanente acinte,
com seus pneus e desmontes em plena pista de rolamento. Jogam lá sua água suja
a escorrer pela rua, que por sinal não tem canalização fluvial. Certa vez meu amigo reclamou das carcaças no
passeio e um dos empregados, ou dono,
sei lá, sugeriu, irritado, que ele passasse pelo outro lado. Ou seja,
presume-se que também as crianças e idosos têm que se virar. Recentemente até
uma churrasqueira acenderam em
cima da estreita calçada, perto de um açougue na esquina! É muita fumaça p´ra
pouco passeio e muito desrespeito ao cidadão.
E a nossa Avenida Governador Bias Fortes ? - continua meu confidente - Não bastassem os
lotes vagos, hoje muito valorizados, sujos, sem muros e calçadas, ainda
existe a revendedora de
automóveis a tomar o espaço público como se seu fosse. Seu
estacionamento, a 45 graus, em cima da
calçada, ocupa toda a passagem dos pedestres que não têm outra opção a não ser
arriscar-se pelo meio da pista, onde
veículos trafegam em alta velocidade sem fiscalização ou controle. Tal prática,
que não é privilégio apenas daquela empresa, soa como verdadeiro abuso, onde só
o lucro importa! E isto é comum ao longo desta importante via de acesso à
cidade, nossa “porta de entrada”, e de
outras similares, até do centro. É preciso que o poder público restitua as
calçadas aos pedestres, colocando as tais posturas municipais e as leis de trânsito para
funcionar.Outras transgressões são cometidas ali na rua Senna Madureira, imediações do famosa.Pontilhão. Lojas e supermercados insistem, certamente contando com a
conivência e omissão das autoridades,
em carregar, descarregar e manobrar caminhões a qualquer hora, entulhando os passeios, isto o dia inteiro, sem um mínimo de respeito às normas
reguladoras do assunto, em prejuízo de quem anda a pé, não bastassem outros
transtornos promovidos por excesso de
barulho, em nome de atividade econômica que parece autorizar tudo, também
à noite,
senão vejamos a proliferação dos
incômodos “Bebe fácil”, dos “Meu
cantinho” e dos “Torresmão” que alastram
pela cidade, todos barulhentos,
inconvenientes e muitas vezes ilegais. Os
dois últimos ocupam os passeios públicos com cadeiras e o
pedestre que se dane. Têm até cobertura, para maior conforto de seus
fregueses, estes também coniventes pois ajudam e incentivam tais práticas. Há
prejuízo para mora-dores e transeuntes, sem controle. Por quem quer que seja.
Certa vez, em uma reunião sobre segurança pública realizada no 9º BPM, ouvimos
uma reclamação estarrecedora partida de um juiz de direito: para conseguir dormir pegava uns colchões e
as filhas menores, indo se enclausurar no banheiro de sua residência. Lá perto,
jovens se reuniam, até altas horas, em um “point” com seus carros
“tungados”, de sons super potentes. É o
fim da picada !
E as igrejas católicas ?
Suas festas passaram a ser prorrogadas. Nunca antecipadas.
Não há planejamento que aguente. Seus
shows e outras atividades têm som ensurdecedor. A atividade pastoral
ficou deturpada. O movimento
religioso se transformou em tímido movimento social,
frequentado por menores e embalado pelo ganho duvidoso com venda de bebidas,
produtos pirateados e muita
promisquidade. E quem permite tudo isto somos nós. Mais ainda as auto-ridades, ditas
constituídas, que parecem não frequentar
Barbacena. Será que aqui residem ? Esse negócio de
“posturas municipais” inexiste. Nossos bairros estão em total
abandono. Favelas se proliferam. É desrespeito e ninguém fala nada,
principalmente os que, nos feriados e
fim de semana vão para seus sítios e casas de campo. Não enfrentam os buracos,
a desorganização, falta de administração, sinalização e fiscalização do
trânsito. Flanelinhas se apossaram das vagas nas imediações das feiras livres,
as máquinas pesadas de toda a espécie circulam pelas vias em geral. As
caçambas não têm horário certo para serem “estacionadas”
ou recolhidas. Não dá para colher outros resultados senão o aumento crescente
de acidentes, a disputa selvagem por espaço, o desconforto e a péssima
impressão deixada a quem vem nos visitar. E isto numa cidade nacionalmente conhecida e que deveria, inclusive, ser mais organizada,
tendo em vista o excelente clima que Deus lhe deu. Aliás precisamos muito Dele
para iluminar nossas mentes e mais ainda de quem é encarregado de trabalhar em
prol da nossa comunidade. Ah, e as linhas de pipa com cerol ? Respondo rápido:
se não somos capazes de acabar com o tal cerol que todos os anos vitima
centenas de pessoas, concluo que jamais vamos eliminar a balbúrdia que já se
instalou ! E pensar que isto só depende de nós !!!
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