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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Linha de pipa com cerol...Nada mudou e já se passaram seis anos

                         

Wilalba F. Souza                                                                                  Barbacena, julho de 2.008                                                                                    

Dia desses, Alexandre Garcia, conceituado comentarista  da  Rede  Globo, demonstrou a incongruência que existe, em nosso país, cujo povo, mesmo não obedecendo  as mais simples  regras de convivência e cooperação (joga lixo nas ruas e córregos, despreza o direito ao silêncio dos vizinhos, gosta de levar vantagem em tudo, de “furar” filas, acha que  a lei foi feita p`ros outros, não p`rá ele, etc, etc...) quando exige, hipocritamente,  que nossos políticos  e outras autoridades que venham a cometer lá seus delitos, sejam  apenados  ”exemplarmente” com prisão, cassação e outras restrições complementares,  vislumbrando um país mais justo para viver e criar os  filhos em paz, etc, etc. Ou seja, a maioria de nós não colabora, “não se enxerga”, mesmo sabendo que a desordem às vezes é mais nefasta que a injustiça.

Tenho um amigo, antigo morador da Boa Vista, bairro de Barbacena, habitado, em geral, por cidadãos de classe média pra baixo, daqueles  que  também  não  recebem muita atenção da administração municipal. Esse meu amigo, que diariamente percorre o trajeto de sua casa até seu trabalho, no bairro Santa Cecília,  fica   visivelmente irritado quando relata suas observações naquele percurso, revelando desvios de comportamento e transgressões às leis que fariam “arrepiar” cidadãos e administradores mais preparados, conscientes  e   educados, de comunidades organizadas, e que os levariam a adotar medidas saneadoras, mas que  são tratados pelas nossas autoridades como pequenas e desprezíveis transgressões.  E,  por não serem combatidas,  se avolumam ao longo do tempo, transformando-se em chagas incuráveis. São  desobediências às mais simples regras irresponsavelmente desconsideradas, embora pernósticas e lesivas à paz social, objetivo tão alardeado, cantado e decantado por autoridades, sociólogos e políticos em campanha.

Na rua Ceará, diz meu amigo, que  hoje  recebe   um considerável movimento de veículos, o passeio, quando existe, é diminuto. O pedestre não tem  por onde andar, a não ser se arriscando, em concorrência com ônibus, caminhões, motos e automóveis. Para agravar a situação  há moradores  que constroem seus muros, escadas e cercas literalmente em cima dos passeios. Quem não acredita  vá lá e confirme esta informação,  afirma, lançando-me o desafio e  perguntado-me, um tanto inflamado: onde andam os agentes públicos ?

Concordo com ele. O pequeno pontilhão ferroviário é uma verdadeira armadilha. Tente passar por lá...a pé! A  rua abaixo dele é uma bagunça e o estacionamento complicado. Frequentemente um e outro “desavisado (?)” para o carro, ou caminhão, desobedecendo a lei, sem nenhum constrangimento, na maior “cara dura”, em prejuízo de quem tem que seguir e vê a rua obstruída.  Esse infrator nunca é abordado   e  se sente à vontade para prejudicar  os demais usuários da via pública. Ali perto há uma borracharia, em permanente acinte, com seus pneus e desmontes em plena pista de rolamento. Jogam lá sua água suja a escorrer pela rua, que por sinal não tem canalização fluvial. Certa  vez meu amigo reclamou das carcaças no passeio  e um dos empregados, ou dono, sei lá, sugeriu, irritado, que ele passasse pelo outro lado. Ou seja, presume-se que também as crianças e idosos têm que se virar. Recentemente  até  uma  churrasqueira acenderam em cima da estreita calçada, perto de um açougue na esquina! É muita fumaça p´ra pouco passeio e muito desrespeito ao cidadão.

E a nossa Avenida Governador Bias Fortes ? -  continua meu confidente - Não bastassem os lotes vagos, hoje muito valorizados, sujos, sem muros e calçadas, ainda existe  a revendedora  de    automóveis a tomar o espaço público como se seu fosse. Seu estacionamento, a 45 graus,    em cima da calçada, ocupa toda a passagem dos pedestres que não têm outra opção a não ser arriscar-se  pelo meio da pista, onde veículos trafegam em alta velocidade sem fiscalização ou controle. Tal prática, que não é privilégio apenas daquela empresa, soa como verdadeiro abuso, onde só o lucro importa! E isto é comum ao longo desta importante via de acesso à cidade, nossa “porta de entrada”,  e de outras similares, até do centro. É preciso que o poder público restitua as calçadas aos pedestres, colocando as tais posturas municipais e as leis de trânsito para funcionar.Outras transgressões são cometidas ali na rua Senna Madureira,  imediações do famosa.Pontilhão. Lojas e supermercados insistem, certamente contando com a conivência    e omissão das autoridades, em carregar, descarregar e manobrar caminhões a qualquer hora,  entulhando os passeios, isto o dia inteiro, sem um mínimo de respeito às normas reguladoras do assunto, em prejuízo de quem anda a pé, não bastassem outros transtornos  promovidos por excesso de barulho, em nome de atividade econômica que parece autorizar tudo, também à  noite,  senão vejamos a proliferação   dos incômodos “Bebe fácil”,  dos “Meu cantinho” e dos “Torresmão” que  alastram pela cidade,  todos barulhentos, inconvenientes e muitas vezes ilegais. Os  dois  últimos   ocupam os passeios públicos com cadeiras e o pedestre que se dane. Têm  até   cobertura, para maior conforto de seus fregueses, estes também coniventes pois ajudam e incentivam tais práticas. Há prejuízo para mora-dores e transeuntes, sem controle. Por quem quer que seja. Certa vez, em uma reunião sobre segurança pública realizada no 9º BPM, ouvimos uma reclamação estarrecedora partida de um juiz de direito:   para conseguir dormir pegava uns colchões e as filhas menores, indo se enclausurar no banheiro de sua residência. Lá perto, jovens se reuniam, até altas horas, em um “point” com seus carros “tungados”,  de sons super potentes. É o fim da picada !

E as igrejas católicas ?  Suas  festas  passaram a ser prorrogadas. Nunca antecipadas. Não há planejamento que aguente. Seus  shows e outras atividades têm som ensurdecedor. A atividade pastoral ficou deturpada. O movimento  religioso  se  transformou em tímido movimento social, frequentado por menores e embalado pelo ganho duvidoso com venda de bebidas, produtos pirateados e  muita promisquidade. E quem permite tudo isto somos nós.  Mais ainda as auto-ridades, ditas constituídas, que parecem não frequentar  Barbacena. Será que aqui residem ? Esse  negócio  de  “posturas  municipais”  inexiste. Nossos bairros estão em total abandono. Favelas se proliferam. É desrespeito e ninguém fala nada, principalmente os  que, nos feriados e fim de semana vão para seus sítios e casas de campo. Não enfrentam os buracos, a desorganização, falta de administração, sinalização e fiscalização do trânsito. Flanelinhas se apossaram das vagas nas imediações das feiras livres, as máquinas pesadas de toda a espécie circulam pelas vias em geral. As caçambas  não  têm horário certo para serem “estacionadas” ou recolhidas. Não dá para colher outros resultados senão o aumento crescente de acidentes, a disputa selvagem por espaço, o desconforto e a péssima impressão deixada a quem vem nos visitar. E isto numa cidade nacionalmente conhecida e que deveria, inclusive, ser mais organizada, tendo em vista o excelente clima que Deus lhe deu. Aliás precisamos muito Dele para iluminar nossas mentes e mais ainda de quem é encarregado de trabalhar em prol da nossa comunidade. Ah, e as linhas de pipa com cerol ? Respondo rápido: se não somos capazes de acabar com o tal cerol que todos os anos vitima centenas de pessoas, concluo que jamais vamos eliminar a balbúrdia que já se instalou ! E pensar que isto só depende de nós !!!

                                                                                               

                                 

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