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sábado, 21 de março de 2015

Atirar antes, perguntar depois, matar ou correr!



Wilalba F. Souza                                                                              20/03/15

Dia desses, pelas redes sociais, vi o depoimento estressado, de oficial  comandante de Polícia Militar de um de nossos estados, sobre a instrução aos seus comandados, no caso abordagem e confronto com   marginais.  É preferível ser julgado por sete que carregado por seis, disse ele, numa alusão ao atrevimento e coragem de bandidos que estão cada vez mais armados e equipados para a “guerra”.  Esta prática, se não é nova, recrudesce e se reflete junto à tropa, na mesma proporção em que tem sido alvo da violência de quadrilhas, cada vez mais preparadas, se é que assim podemos dizer. E a coisa chegou a tal ponto que essa animosidade extrapola ao controle do estado, mesmo em relação às forças legais. Exemplo disso são as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, senão por todos os rincões. A quantidade de marginais e policiais mortos, em circunstâncias não esclarecidas, está diariamente estampada nos noticiários sensacionalistas de jornais e TVs.

Há uns dois meses, em uma pacata cidade próxima a Barbacena, depois de ser perseguido por uma viatura composta por dois policiais militares, um motociclista infrator teria reagido à abordagem e acabou sendo morto. De posse de um pedaço de cano, ou algo parecido, o rapaz, não habilitado, teria partido para cima dos militares. Mesmo sem maiores informações e detalhes sobre a ocorrência, o que concluímos é que o respeito pelas autoridades está indo para o limbo e, ainda, que, por causa disto, a reação desencadeada por muitos de nossos companheiros costuma descambar para excessos que, ao fim, e certamente, trazem reflexos negativos às famílias dos envolvidos e à Corporação, aumentando a sensação de insegurança que entra pelas nossas casas diariamente. Há, nisto tudo, um somatório de causas e efeitos que nos transformam em um país de desencontros tão grandes que o crime de morte está banalizado, cometido por quem quer que seja. Uma manchete de hoje, com toda a certeza, vai dar lugar a outra, de maior gravidade, amanhã e, enquanto não faz parte dela, a maioria da população apenas lamenta...e olhe lá!!!


É inaceitável a ação desses bandidos. O que uma guarnição básica, aquela formada por dois patrulheiros em uma viatura pequena, pode fazer quando depara com um bando super-armado, preparando o estouro de um caixa eletrônico? Resposta simples: correr e...correr! Muitas vezes nem adianta pedir apoio, cobertura, pois o tempo é curto, o socorro costuma não chegar e o que resta é lavrar o famoso BO! Imaginemos nós com que estado de espírito ficam os componentes de pequenos destacamentos que, sem poder de reação ”torcem”, literalmente, para que sua cidade não seja alvo desses assaltos. Se os “celerados”, por todo nosso território, rotineiramente atiram em suas vítimas civis por qualquer motivo - e que ela, homem ou mulher, nem se atreva coçar o nariz, nesta nefasta abordagem - o que ocorre a um policial em serviço quando depara com essas criaturas do mal por aí? Normalmente, e quando tem tempo, atira primeiro, senão arrisca levar bala!  E bem diz o ditado: “se cochilar o cachimbo cai”! Assim, a gente quer entender a lógica de críticos por aí que destacam, em letras garrafais, pela imprensa, que a polícia no Brasil é a que mais mata no mundo. Esquecem de relacionar isto à constatação de que a marginalidade, dita tupiniquim, é de uma letalidade recorde!

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