Wilalba
F. Souza
20/03/15
Dia desses, pelas redes sociais, vi o
depoimento estressado, de oficial comandante
de Polícia Militar de um de nossos estados, sobre a instrução aos seus
comandados, no caso abordagem e confronto com marginais. É preferível ser julgado por sete que
carregado por seis, disse ele, numa alusão ao atrevimento e coragem de bandidos
que estão cada vez mais armados e equipados para a “guerra”. Esta prática, se não é nova, recrudesce e se
reflete junto à tropa, na mesma proporção em que tem sido alvo da violência de
quadrilhas, cada vez mais preparadas, se é que assim podemos dizer. E a coisa
chegou a tal ponto que essa animosidade extrapola ao controle do estado, mesmo em
relação às forças legais. Exemplo disso são as cidades de São Paulo e Rio de
Janeiro, senão por todos os rincões. A quantidade de marginais e policiais
mortos, em circunstâncias não esclarecidas, está diariamente estampada nos
noticiários sensacionalistas de jornais e TVs.
Há uns dois meses, em uma pacata cidade
próxima a Barbacena, depois de ser perseguido por uma viatura composta por dois
policiais militares, um motociclista infrator teria reagido à abordagem e
acabou sendo morto. De posse de um pedaço de cano, ou algo parecido, o rapaz,
não habilitado, teria partido para cima dos militares. Mesmo sem maiores
informações e detalhes sobre a ocorrência, o que concluímos é que o respeito
pelas autoridades está indo para o limbo e, ainda, que, por causa disto, a
reação desencadeada por muitos de nossos companheiros costuma descambar para
excessos que, ao fim, e certamente, trazem reflexos negativos às famílias dos
envolvidos e à Corporação, aumentando a sensação de insegurança que entra pelas
nossas casas diariamente. Há, nisto tudo, um somatório de causas e efeitos que
nos transformam em um país de desencontros tão grandes que o crime de morte está
banalizado, cometido por quem quer que seja. Uma manchete de hoje, com toda a
certeza, vai dar lugar a outra, de maior gravidade, amanhã e, enquanto não faz parte
dela, a maioria da população apenas lamenta...e olhe lá!!!
É inaceitável a ação desses bandidos. O
que uma guarnição básica, aquela formada por dois patrulheiros em uma viatura
pequena, pode fazer quando depara com um bando super-armado, preparando o
estouro de um caixa eletrônico? Resposta simples: correr e...correr! Muitas vezes
nem adianta pedir apoio, cobertura, pois o tempo é curto, o socorro costuma não
chegar e o que resta é lavrar o famoso BO! Imaginemos nós com que estado de
espírito ficam os componentes de pequenos destacamentos que, sem poder de
reação ”torcem”, literalmente, para que sua cidade não seja alvo desses
assaltos. Se os “celerados”, por todo nosso território, rotineiramente atiram
em suas vítimas civis por qualquer motivo - e que ela, homem ou mulher, nem se
atreva coçar o nariz, nesta nefasta abordagem - o que ocorre a um policial em
serviço quando depara com essas criaturas do mal por aí? Normalmente, e quando
tem tempo, atira primeiro, senão arrisca levar bala! E bem diz o ditado: “se cochilar o cachimbo
cai”! Assim, a gente quer entender a lógica de críticos por aí que destacam, em
letras garrafais, pela imprensa, que a polícia no Brasil é a que mais mata no
mundo. Esquecem de relacionar isto à constatação de que a marginalidade, dita
tupiniquim, é de uma letalidade recorde!
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