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terça-feira, 3 de março de 2015

Os Carabineiros do Chile

                                    

Wilalba F. Souza                                                                         03/03/2.015


Os Carabineiros do Chile são a “polícia militar” ostensiva daquele país, criada em 1.927 e possui, também, um setor de investigações, estando apta a desenvolver o “ciclo completo da atividade policial”, que leva o infrator diretamente aos tribunais, sem a necessidade de percorrer os trâmites burocráticos que emperram a responsabilização de quem comete crimes. A legislação brasileira, neste aspecto, favorece os criminosos, inclusive os mais contumazes e isenta, por inépcia, pequenos delitos que se avolumam e atazanam a vida do cidadão.

Historicamente essa Corporação é relativamente nova, e se originou nos antigos Corpos de Cavalaria, conhecidos por usarem carabinas em seus efetivos. Alexandre Garcia está passando uns dias naquele importante e desenvolvido país sul-americano, colonizado por espanhóis, que é reconhecido nos mapas pela extensão bem estreitas de suas terras nas cordilheiras sul-americanas. Mas o nosso famoso cronista, crítico ferrenho e conhecedor das mazelas político-sociais que nos perseguem, através dos tempos, neste Brasil que poderia ser mais respeitado, derramou,  estes dias, os maiores elogios àquela força que detém enorme prestígio junto aos cidadãos aos quais serve.

Pra quem acha que militar não pode fazer policiamento, sugere-se pesquisar algumas informações sobre a excelência daquela polícia, e de outras similares, na Espanha, na França, com a sua militaríssima Gerdarmerie e ainda  junto à homônima canadense.

Há pouco mais de vinte anos fui designado, com mais três ou quatro colegas mineiros, para frequentar o Curso Superior de Polícia em Recife, na Polícia Militar de Pernambuco. A turma, composta por trinta ou quarenta oficiais superiores originários de todo o Brasil, foi frequentada também o Capitão Carabineiro Miguel Angel Panadés, chileno ainda jovem, de traços físicos europeus, cultura acima da média, centrado em seus objetivos de profissional da segurança pública. Trouxe sua família e, lembro bem, não se acostumou com o clima quente e muito menos com os costumes do nordeste. Ele propalava que Augusto Pinochet, o general que poucos anos antes (1.990) deixara o poder que exercera desde 1.973, depois da “Revolução” que derrubou Allende, tinha a maior consideração com sua Corporação, e mais que isto, depositava nela a maior confiança, pela sua qualidade de trabalho e disciplina, a ponto de entregar-lhe a responsabilidade por sua  segurança  pessoal,  dispensando  o  Exército da tarefa.  – Nosso general foi um grande gestor na recuperação econômica chilena, que ainda experimenta enorme força de desenvolvimento, dizia ele, em cujo país já se podia andar de carros importados europeus com alto índice de tecnologia. Pinochet, à época, ainda gozava de grande prestígio junto ao Exército e parte da população, além de exercer a função vitalícia de senador, ele que iria morrer, em 2006, vítima de um ataque cardíaco, não sem antes ser processado e responder, já velho, pelos seus atos, criminosos, ou não, cometidos, na condição de ditador, regime em que manteve uma autoridade absoluta.

Curiosa, e coincidentemente, quem preside o Chile nos dias de hoje, a exemplo do Brasil, é uma mulher, a senhora Bachetet, de carreira política consagrada e eleita pela segunda vez. O Chile, pelo que nos chega a conhecer, tem lá seus problemas, mas mantém um bom ritmo de crescimento e consegue implantar um sistema democrático e desenvolvimentista bem mais avançado que o nosso: é só, por curiosidade, pesquisar os números pertinentes disponíveis pela mídia. Enquanto os chilenos experimentam progresso, mesmo com uma economia mais ou menos do tamanho da que temos em Minas Gerais, nosso imenso Brasil patina na lama derramada pela sua classe política dirigente, mais preocupada com eleições e mordomias que enfrentar com seriedade os problemas criados e agravados pelas gestões desastrosas dos últimos anos que assistimos por aí, onde a corrupção é a “estrela da companhia”. Infelizmente!!!



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