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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Deus é brasileiro!!!

 Wilalba F. Souza        30/Dez/2020

Tive oportunidade de assistir, no YouTube, um vídeo postado por uma brasileira, certamente descendente de chineses, reportando o cotidiano por lá, nos dias de hoje. A moça, em cenário perfeito, numa hipermoderna cidade, com vida aparentemente normal, e pessoas transitando tranquilas, usando máscaras. Primeiro mundão, mesmo! Dificilmente nós, já adaptados a esta maravilha de libertinagem brasileira, iremos acreditar naquela informação, chegada de um país pouco conhecido e de liberdades restritas, com suas um bilhão e meio de almas, mas, certamente de muita sujeira escondida, e como, debaixo de um gigantesco tapete!

Sobre os índices - insignificantes até - da expansão do Corona vírus por lá, a mulher, completamente à vontade para filmar, em 3D ultra moderno, justificou isto como resultante de disciplina e responsabilidade dos seus cidadãos, no uso de máscaras, e adoção das outras medidas profiláticas, como o isolamento, em quarentena, de quem quer que seja, que chegue à China. Sem exceção. Sobre vacinação, recomendou-nos cuidado com as festas de fim de ano e carnaval, quer dizer, algo parecido com "vocês - ou nós? - que são chegados a essas exposições, se cuidem"! Omitiu, lógico, o fato de que, lá, existem eventos similares, afirmando que naquele éden haverá vacinação apenas para grupos de risco, evidenciando os profissionais da saúde... enquanto isto, na terra de Cabral, estamos à deriva...

Enfim, este insignificante e humilhado brasileiro teve, mesmo que rapidamente, uma insofismável visão do paraíso, num sistema de governo totalitário, onde tudo funciona à perfeição (é o que a sino-brasileira mostra), o povo é felicíssimo, não há contestação, enquanto sofre horrores, neste fim de mundo, a maioria da nossa população, que foi às eleições, dia desses, com desemprego, doença e governantes "batendo cabeças". A miséria se apresenta escancarada, agravada pela insegurança do futuro, desemprego, pobreza, tendo moradores de rua e pedintes, por todos os lados, com seus eleitos mantendo, a muque, milhares de grandes e pequenas empresas, escolas, universidades e comércio, lacrados.

Claro que, em estando disponíveis, "passeamos" pelo nosso noticiário, nada promissor, cujos maiores destaques, recentes, foram:

- Dória viaja de férias para Miami, mas retorna porque seu vice contrai covid19;

-Bolsonaro faz gol em partida beneficente de futebol, na cidade de Santos;

-Nenhum dos laboratórios registra vacina na Anvisa;

-Prefeitos das cidades praianas de São Paulo desobedecem a decreto do governador e liberam praia;

-População de Búzios se rebela contra lockdown;

-Câmara Paulista dá aumento de 40% para Covas. A inflação anual foi de 4%;

-Neymar vai promover festa de fim de ano para 150 pessoas, em uma mansão, no Rio de Janeiro, e

-Brasil volta a bater recorde, com mais de mil mortes diárias, por Covid...

 

Feliz 2021, para todos nós. E que Deus continue brasileiro!


sábado, 19 de dezembro de 2020

Cinquenta e cinco dias em Pequim, ou "A revolta dos Boxers"

 Wilalba F. Souza           20/Dez/2020 

Um filme com esse título foi lançado em 1963. Mao Tsé-Tung estava no auge de seu governo revolucionário, ele que unira, pela força, a China, em um regime comunista. Claro que a influência inglesa direta derretera, exceção feita a Hong Kong, o que duraria por mais algum tempo, naquela, reconhecidamente cidade-estado, ocidentalizada, com de histórico extremamente complexo, universalmente assediada por motivos econômicos. Vale a pena dar uma estudada nesses aspectos. Na segunda guerra os aliados expulsaram os japoneses de lá! Mao estava chegando.

Mas, no filme, que não deixa de ter um conteúdo documentário, se vê, perfeitamente, como o mundo ocidental, capitalista se debruçou sobre aquele gigante, esgarçado por dinastias, grupos de poder e étnicos, cada um tentando unir tudo em torno de um mando, uma só autoridade, um só governo.

Os denominados "Boxers” formavam uma tribo engajada por lutadores marciais violentos, que se rebelaram contra a forte presença estrangeira - ingleses, franceses, alemães e até americanos. E estes tiveram que mandar tropas para resgatar seus cidadãos, integrantes de missões diplomáticas. Morreu muita gente. Mas essa saga prosseguiu, e continua, como já foi dito, principalmente em relação a Hong Kong.

Observando o cenário mundial de hoje, onde se destacam o tal vírus, Covid-19, e o local onde ele teria se originado, a China, sutilmente se percebe a inversão dos papéis, considerado o enredo do filme estrelado por Charleston Heston e David Niven. Atualmente os tentáculos chineses alcançam todo nosso mundo de Deus. A começar pelos Estados Unidos, onde têm investimentos inimagináveis. Na indústria automobilística isto se mostra escancarado. As grandes marcas que o digam, pelas parcerias e sociedades solidificadas.

Os americanos entregaram, e isto vem de muitos anos passados, e é o que se vê, seu mercado de manufaturados (mão de obra na China é barata) aos orientais e, devagar, pacientemente, sempre avançaram muito além disso. Constroem de "um tudo", como se diz no nordeste brasileiro. Das bonecas de pano aos aviões e foguetes. Avançam célere e tecnologicamente por todas as áreas de conhecimento. E olhem que não falamos de flores, digo, de insumos, máscaras e vacinas... isto é coisa pequena!!!

 

"Deixem a China dormir, pois quando ela acordar o mundo irá tremer!

(Napoleão Bonaparte)

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Entre Lenines e Mussolines!

 Wilalba F. Souza    15/Dez/2020 

No ano de 1960, aos treze anos, fui matriculado no primeiro ano ginasial, do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Meu pai, primeiro sargento vindo do 6° BPM, de Governador Valadares, estava matriculado no Curso de Formação de Oficiais Administrativos, no Departamento de Instrução, do Prado. Era uma gurizada interessante, vinda com seus pais, do interior mineiro, se juntando aos meninos "capitalistas". Pra mim, especialmente, surgia um mundo novo.

De repente me vi investido numa "fardinha" cor caqui, integrada até por um quepe. E, duas vezes por semana, participava da prática de ordem unida. Sentido, descansar, cobrir, ordinário, marche! Tudo de maneira suave, com similaridade ao escotismo, frequentado por mim, no ano anterior, na Princesa do Vale. Parte da preparação para o "Sete de Setembro"!!!

Um dos primeiros colegas, menino educadíssimo, era compridão, residente na Concórdia. Seu irmão era oficial. Eli logo me apresentou outros garotos, dentre eles Eustáquio e Lenine. O primeiro, morava na rua Platina. Tinha uma irmã linda: Maria Flor de Maio, de sorriso apaixonante. Eram tempos lúdicos, de escola feita pra ensinar português, matemática, moral e cívica, etc.

Lenine, apesar do nome estranho, era excelente pessoa. Pra nós, bastava. Só mais tarde aprendemos sobre o líder bolchevista soviético. E, apesar de ter um nome "mal visto", lá no Colégio nunca assisti, ou tive notícia, de discriminação contra ele. Nem comentário de que poderia ter sido uma péssima escolha do pai, ou o que o motivara, ao batizar o bebê. Depois que saí do Tiradentes, nunca mais vi Lenine. Sei que ele, com um filho, é advogado em Belo Horizonte.

Muitos dos estudantes do Colégio Tiradentes, inclusive eu, nos encontramos no primeiro ano do Curso de Formação de Oficiais, em 1966, aprovados em concorrido concurso público Era muito comum esse encaminhamento.

Em 1969, declarado aspirante a oficial, fui classificado, com mais sete colegas, no 6°BPM, de Valadares, unidade de efetivo enorme, responsável pelo policiamento dos Vales do Rio Doce, Mucuri e Baixo Jequitinhonha. Os militares federais tinham assumido o governo, em 1964, e fortaleceram as PMs, criando uma Inspetoria Geral, unificando suas doutrinas, direcionando-as ao policiamento ostensivo. Especializando-as, enfim!

No Batalhão do Pagode Chinês conheci o Cabo Mussolini. Nome pomposo, em pessoa simplória. Com toda a certeza, aquele rapaz nascera anos antes da eclosão do Segundo Conflito Mundial (1939/1945). Seu "nome de guerra” se originara do sobrenome famoso. Mas, a esta altura, já sabíamos quem fora Mussolini, ditador da Itália, membro dos países do eixo, inimigos dos aliados, do famoso "fasci di Combattimento" (fascismo). Coisas de um Mussolini que, certamente, nada tinha de parentesco com nosso bravo cabo, que exerceu as funções de estafeta do comandante (levava e trazia documentos).

Na década de setenta, terminado seu tempo de serviço, Mussolini foi transferido para reserva, guindado à graduação de sargento. Não me esqueço: no corredor do comando, apertei sua mão, desejando-lhe felicidades na nova vida. Daí a mais ou menos um mês, para minha surpresa, estava eu me deslocando, a pé, pela rua Sete de Setembro; no Bairro de Lourdes, quando vi um 3° sargento, vestindo um uniforme novinho, impecável, dito de trânsito, com túnica e tudo, passando imponente, de bicicleta (transporte comum, em Valadares), tendo, na "garupa", uma mulher! Sim, era o sargento Benito... Benito Mussolini!!!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Um Negócio da China

Wilalba F. Souza              10/Dez/2020 

Covid 19, um negócio da China. Se isto é uma assertiva, não sei. Mas estamos assistindo esse micro-monstro-pandêmico-chinês balançar o mundo. Os ingleses - aventureiros conquistadores, por natureza - já foram seus "donos"... "donos", da China, pessoal! Parece mentira! Uma formiga dominar um elefante, mas aconteceu. Hong Kong que o diga! Exploraram, os bretões, o misterioso e gigantesco país, por anos a fio, ele integrado por grupos étnicos, dinastias e crendices orientais, próprias de sua cultura milenar. Era e é (?) um grande dragão, de entranhas desconhecidas.

As coisas, percebemos, mudaram, um tanto, por lá. O grande e poderoso líder, Mao Tsé-Tung, entre 1949 e 1975, uniu o gigante e estabeleceu lá o comunismo, um socialismo monopartidário (Partido Comunista Chinês). Exceções, o Tibet (berço dos monges), que se rebela, mas é subjugado, e Hong Kong, megametrópole super moderna, ex-colônia britânica, devolvida pelos ingleses. Se julgou livre, independente, mas isto não ocorre. Mao teria, enquanto presidente, segundo registros históricos, feito expurgo de adversários e oponentes, na ordem de 40/50 milhões de compatriotas... mortos!!!

O comunismo chinês é único, radical. Mais que ditatorial. Um primeiro-ministro, "boçal e soberano”, rege a estrutura estatal de controles absolutos, incrivelmente integrada por iniciativas com caráter capitalista especial, em relação ao comércio globalizado.  É uma super economia. Tudo é centralizado a mão de ferro. Poucos decidem, o autoritarismo impera, muitos empreendem, ficam ricos, mas definitivamente atrelados e fiéis à máquina estatal, dona de tudo, quiçá, de todos.

Mais de um bilhão de chineses mantêm sua força de trabalho. Milhões e milhões são mão de obra das atividades produtivas, nas indústrias, fábricas e na agricultura. As relações trabalhistas em nada se parecem com as da maioria do mundo ocidental. Aliás muito pouco se propala, sobre isto.  Há muito progresso material, científico e econômico, sim, e poucas liberdades individuais. Estranhamente não vemos debates sobre essa proposta comunista e seus resultados.

Negar o poderio tecnológico e econômico chinês é desconhecer um mínimo de tudo que eles irradiam pelo e para o mundo, mormente o ocidental. Do alfinete, roupas e manufaturados, à tecnologia de ponta: vide a briga com os EUA pelo domínio da telefonia 5 G.  É enorme o percentual de países que dependem mais, ou menos, da China. Exemplo: os próprios Estados Unidos! E sem essa de que há clima para cortarem suas relações comerciais. É um casamento sem desquite...  sem divórcio!

O nosso modesto Brasil entra nessa roda, também. Mas, se perguntarem, alguns curiosos: e o vírus? Para os chineses um excelente negócio. Sem crises, discordâncias políticas, histeria coletiva e pandemia, mantêm todos produzindo. Inclusive vacina! E estão "bamburrando".

Vão se empanturrar...

 

Obs.  Bamburrar: para os garimpeiros, é encontrar grande veio de metal, ou pedras preciosas - regionalismo do leste mineiro.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Valeu a Boca no Trombone

Wilalba F. Souza          07/Dez/2020 

A velha história de imprevisão do que pode vir da cabeça de juiz se manteve ontem. Depois de cinco votos sequenciais favoráveis à "inconstitucionalidade" da Constituição Cidadã de 1988, mas certamente resultante da "grita geral" por redes sociais e membros do Congresso - que acionaram seus "trombones" - os demais ministros, claro que a partir do quinto voto - se negaram permitir mais um achaque à Carta Magna. Então fica definido: a não ser que se vote, nas casas legislativas, um projeto de Emenda Constitucional, a tal reeleição de Alcolumbre e Maia está vedada.

Depois que o ministro Lewandowski, que presidiu, no Congresso, o julgamento da cassação da ex-presidente Dilma, descumpriu, na maior "cara dura", o texto constitucional, mantendo-a com seus direitos políticos, a coisa toda vem se degringolando.  Dia desses votaram favoravelmente à soltura de Luís Inácio Lula, mesmo condenado em segunda instância. Claro que liberaram geral para outros apenados, entupindo e travando os nada lépidos tribunais com enxurradas de recursos.

Aliás, basta recorrermos aos noticiários deste ano para constatarmos o auto-empoderamento do STF que julga de tudo e a todos. Uma estrutura monstruosa abraçando o mundo. Primeiro, via seu ex-presidente Tóffoli, que tirou a autoridade do presidente da República para coordenar o combate à pandemia, repassando-a aos governadores e prefeitos.  Posteriormente transformou aquele tribunal em uma delegacia de polícia, instaurando inquérito, determinando apreensões e prisões, para combater os ditos delitos das tais "fake News". A esse respeito, sabe-se de indiciados existem, ainda imobilizados com tornozeleiras eletrônicas. São inquéritos sem prazo e inconclusivos. Pior: não há instância onde se recorrer! Esse é o Supremo Tribunal Federal...


domingo, 6 de dezembro de 2020

Ano de Eleições e Votações

 Wilalba F. Souza      06/Dez/2020 

Na criação da "Boina" nos propusemos a escrever e opinar sobre nosso cotidiano. E assim temos procedido, neste humilde blog, há alguns anos. Vez por outra o espaço temporal entre as crônicas se estende. E por motivos os mais diversos. Não por falta de assunto, mas, até mesmo, por excesso deles.

Tivemos recentemente as eleições municipais, quando olvidaram geral e irrestritamente, a pandemia, pois político não vive sem elas. Assim, com toda sua autoridade, deram um recesso ao vírus, até contarem os votos, válidos, nulos e abstenções (estas, moralmente, ganharam o pleito).

Surpresas? Em cidades menores, como a minha Barbacena, com pouco mais de 12.000 votos, venceu Carlos Du, do MDB (quase concorreu pelo PSOL ???). As velhas lideranças dos Bias e Andradas, "sobraram". Nem sei quem é (o novo prefeito), assim como muitos dos milhares de eleitores que votaram nele. E Kalil, de Belo Horizonte brilhou. Este senhor, mais grosso que porta de igreja, levou o troféu sem dificuldades. E reiniciou suas ações tranca-ruas.

Mas, nós brasileiros, nunca devemos nos surpreender com nada. Paes, do Rio de Janeiro, carinha de bom moço, destronou o pastor Crivéla, chegado a um arrocho. Mas carioca não gosta de aperto - diferente do mineiro: então, providenciariam uma “distensão”. Voltaram com um mais "maneiro", mesmo que com alguns processos em andamento.

Em São Paulo, o Sr. Boulos, um extremista conhecido por liderar invasões de propriedades públicas e particulares, ensaiou uma pressão, pra mim aproveitando a péssima memória do povo. Mas o neto do velho Covas permaneceu. Foi reeleito. Este moço é de muita raça: mesmo doente, e depois de ultrapassar uma Covid, venceu. É, mas seu governador, J. Dória, como sempre, assumiu, a si, a vitória...

Enfim, as coisas continuam na mesma balada, neste ano pandêmico. Nosso presidente manda pouco, fala muito, e recebe, diária e "noturnamente", fortes pancadas da grande mídia. Mas, a despeito disso, não vislumbramos, ainda, quem possa se contrapor a ele em eleição presidencial futura.

O mesmo raciocínio funciona em relação aos presidentes das casas legislativas, Alcolumbre e Rodrigo Maia Já estão se garantindo, num conluio com o STF- a Constituição veda, peremptoriamente - recondução sequencial aos dois cargos. Mas acima dessa Constituição, dita cidadã, está o Supremo Tribunal Federal (muita gente diz que não, mas na prática é assim). Esse pessoal está reunido, pra desmoralizar, mais ainda, a Carta Magna. Placar, até agora: cinco a zero pra dupla.  Inclusive o ministro indicado por Bolsonaro já votou. Então... Nem adianta coçar a cabeça!!!