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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Historias que eu guardo...esta escreví em 2.009.


                                     

                                     Disciplina e Adestramento

05out09

                                                                                                                      Wilalba F. Souza
Há alguns dias fui convocado pela UMMG (União dos Militares de Minas Gerais) para uma reunião de trabalho na nossa sede em Belo Horizonte. Infelizmente o presidente havia se demitido e o vice-presidente, coronel César Braz Ladeira, estaria sendo conduzido, legal e formalmente, àquele cargo que exige muita dedicação e suor. E eu tenho certeza que isto nunca seria, ou será, problema para ele,, eis que o nosso colega sempre demonstrou força de trabalho e entusiasmo ímpares.

Conheço o coronel César desde os idos de 1.963, quando, adolescentes,      frequentamos o Colégio Estadual de Barbacena.  Concluindo o antigo ginasial, de  lá  saímos, juntos com o o Oswaldo Olímpio Emídio e o Orlando Antônio de Freitas, hoje coronéis da reserva,  para o Curso de Formação de Oficiais no Departamento de Instrução, em 1.966.  Depois de declarados aspirantes, nossa convivência deu uma guinada, pois meu companheiro foi para o 9º BPM e eu, virado de cabeça para baixo, me vi classificado no 6º BPM, de Governador Valadares.

Apesar da distância, sempre recebia notícias dos colegas, de suas dificuldades, sucessos,casamentos, nascimento de filhos, evolução cultural, promoções, etc. Sei que o César se formou em história. Foi professor do Colégio Tiradentes de Barbacena e de cursinhos, mas sempre focado na sua carreira de oficial.  Reconhecidamente foi um dos pioneiros na implantação efetiva de um  policiamento mais moderno na   sede da unidade. Como capitão trabalhou, por muitos anos, em Ouro Preto, à época desprezada pelos oficiais pois, além do seu caráter especialíssimo, de cidade turística e centro estudantil universitário, a antiga capital não ofertava boas condições de moradia e trabalho.  Posso dizer que ele foi um dos comandantes mais laboriosos da região. E tem mais, estudioso e pesquisador, o considero uma autoridade no que concerne ao nosso patrimônio histórico.

Lá por 1.990  servimos  em  Belo Horizonte    por   unidades e serviços diversos. Às vezes nos encontrávamos no Clube dos Oficiais para trocar umas ideias e relembrar os “antiga-mentes”. Entre os relatos sobre sucessos e decepções, o saldo sempre era positivo, como, aliás, continua sendo até hoje. Terminado nosso “tempo”, fui morar  em  Barbacena e ele ficou na capital, onde trabalhou  como executivo, na atividade privada, ligada ao ramo de segurança, inclusive em uma empresa que esteve instalada no Edifício Paraíba, de proprie-dade do IPSM (Instituto de Previdência dos Servidores Militares) quando, lá, eu  ainda colaborava na chefia de uma de suas divisões.

Há uns cinco anos o coronel César me procurou em Barbacena. O presidente, coronel Zéder, se candidatava à reeleição na UMMG e estava precisando de um diretor regional para substituir o tenente José Moreira Gomes, “o Cassiquinha”. Realmente uma missão difícil, tendo em vista o carisma do saudoso companheiro, já em idade avançada e um pouco adoentado. Depois de muita conversa, e após as eleições, acabei aceitando a missão. E nela continuo,  até hoje, ombreado ao  velho amigo e outros dedicados diretores por essas Minas Gerais.

Recentemente me contaram uma “historinha”  a respeito do presidente que eu realmente não conhecia. Ele, quando tenente, na década de 70, foi acionado, estando de Oficial de Dia/Comandante do Policiamento, para debelar um distúrbio, com brigas generalizadas, entre alunos da Escola Preparatória de Cadetes do Ar e  estudantes  do 2º grau de outros estabelecimentos. Nos fins de semana os “cadetes” da EPCAr saiam, muito bem fardados, diga-se de passagem, em hordas, pelo pequeno centro, e ocupavam tudo, inclusive a atenção das moças.  Isto provocava ciúmes e gerava confrontos.  Estas ocorrências já eram comuns e muito desagradáveis. Assim, nosso tenente, já no local dos incidentes, tendo sob seu comando um diminuto efetivo – o motorista e um patrulheiro - e constatando que os grupos opositores, em bom número, continuavam se agredindo verbalmente e a fim de mais brigas, fez seu plano mental e o executou de forma inusitada, surpreendente ! Interpondo-se entre os contendores e, utilizando-se apenas de sua voz de comando, bradou para os militares:
-       Atenção Corpo de Alunos, em forma ! Meia dúzia deles se aproximou e obedeceu.
-       Corpo de Alunos, sentido ! Coooobrir ! Grande
                                                    parte se juntou àquela meia dúzia.
-       Corpo de Alunos, firme ! Tava todo mundo “do-
                                                    minado”, digo, enquadrado.
-       Corpo de Alunos, orrrrrrdinário, marche ! E lá se foi a tropa da Aeronáutica, composta  por uns cem
 alunos,  desfilando,  coberta e alinhada, pelas ruas da cidade, até a sua escola, sob o comando do criativo tenente da PM.

Coincidentemente, já no portão da EPCAr, não se sabe se  aguardando, ou por mera coincidência, estava o oficial de dia, tenente Aer Milton Resende de Souza, nosso antigo colega do Colégio Estadual, amigão do César até hoje, que bastante  surpreso, perguntou: 
-       Mas o que houve, “Cezinha” ?
-       Oi, Milton ! Apenas um pequeno desentendimento com estudantes no centro, que poderia ter se agravado e eu achei melhor tirá-los de lá.
-       Muito obrigado César, como é que está sua família ?
-       Tudo bem. passa por lá qualquer hora dessas, respondeu  nosso oficial, antes de se despedir, arrematando : - Ah ! Ô Milton, parabéns ! Que tropa  disciplinada e, acima de tudo, adestrada à perfeição ...


Ao amigo coronel César muitas felicidades na nova missão.



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