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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Evolução, Formação e Disciplina nas Organizações Militares Mineiras

                    

Wilalba F. Souza                                                                  28jun2.014

Todo relacionamento social precisa ter suas regras. Por isto mesmo a busca de organização. E, nela, hierarquia e a disciplina estão presentes, mesmo sem algo escrito sobre o assunto..  Nos primórdios o mais forte ditava as regras. Evoluindo, o ser humano, outras variáveis foram sendo integradas, através dos tempos, à personalidade e, de forma cabal, a questão da força bruta perdeu importância dentro da convivência entre nós. A inteligência, a formação, o discernimento e outros talentos pessoais estão mais valorizados. Desta forma, ou de certa maneira, a força física, por si só, deixou de prevalecer e passou mais a servir nos aspectos em que ela é necessária e sob controle, ainda mais após o advento de armas e assessórios afins, cada vez mais eficazes.

Assim, o merecimento intelectual, o nível de ensino superior, o conhecimento, apoiado por condições físicas básicas, necessárias à execução de tarefas, estão em alta. Basta observar os processos de seleção por todos os segmentos, públicos ou privados. Fui educado em um regime disciplinar mais exigente, sem radicalismo, e tenho acompanhado algumas alterações nos regulamentos da PM e no BM, através dos anos. Num passado mais ou menos recente, o nosso homem era mais abrutalhado, inclusive dentre os oficiais. Para recrutamento de praças as exigências intelectuais eram básicas. Tivesse o candidato boas condições de saúde, primeiro grau e fizesse um mínimo de pontos num exame de escolaridade, estava “incluído”. Não se exigia, do soldado, grandes arroubos intelectuais, ainda mais que muitos jovens se esquivavam da farda caqui, ou amarela. A “procura” era pequena.

Os regulamentos eram muito severos. A autoridade de sargentos e oficiais inquestionável. Afinal, para lidar com homens de formação social e familiar menos refinada, pra não dizer deficitária em todos os sentidos, cada unidade tinha, no mínimo, um xadrez. Era comum determinar-se recolhimento, a ele, de policial militar que cometesse  falta disciplinar com  maior gravidade. E, muitas vezes, era feito mediante força. Isto fora as ordens e punições com detenções, quando o Oficial de Dia, ou seu preceptor, tinha que conferir o cumprimento das penas uma ou duas vezes por dia. Era a forma de ter a tropa sob controle, disponível e “motivada” pelo rigor e poder das regras.

Com o correr dos anos e a evolução, mesmo, de nossa sociedade, progredimos todos, juntos. O antigo RDPM (Regulamento Disciplinar da Polícia Militar) evoluiu para o atual Regulamento de Ética e Disciplina da PM/BM. Em relação às normas do passado, as mudanças foram quase radicais. As penas disciplinares restritivas de liberdade, de todo eliminadas. Nada de xadrez disciplinar. Prisão só mediante as prescrições contidas no Código Penal Militar ou em razão de enquadramento, pelas leis civis, por delitos assim concebidos. Certamente que comandar exige mais hoje de quem ocupa cargos de chefia. O código atual é extremamente recursal e dificulta penalizar o faltoso com a oportunidade que uma organização militar exige. E isto permite que desvios comportamentais fiquem sem apenação, por motivos vários e, me parece, principalmente pelo excesso de papel e burocracia. E, a nosso ver, aí reside a principal deficiência nas mudanças encetadas no ordenamento disciplinar em foco.

Passados alguns anos de sua edição, vemos necessidade de se fazer uma atualização nesses aspectos, eis que, a prática deve induzir e motivar alguns aperfeiçoamentos, em prol da melhor execução dos trabalhos de Polícia e Bombeiro Militares. Um de meus antigos comandantes sempre destacou, em suas palestras, que nenhuma instituição, sem embasamento disciplinar e hierárquico sólidos, consegue executar as missões para a qual foi criada. E eu deduzo que o equilíbrio entre as conquistas sociais, incluindo os salários, e a melhoria na prestação de serviços deve ser perseguido, sob pena de se investir muito e receber contrapartida de  pouca produtividade. E isto vale para todas as empresas, em especial as organizações militares.





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