Wilalba F. Souza
30jun04
Dia 28 de junho, sábado passado, fui a Belo
Horizonte a fim de visitar meu filho, Rafael,
que lá trabalha. Estava dando uma festinha de aniversário. Coisa discreta, poucos
convidados, apenas familiares e dois amigos, além da namorada. O time do Brasil,
a duras penas, se classificou para a fase seguinte da Copa, em jogo apertado,
contra o Chile, na parte da tarde. Sair
de Barbacena para ir à capital tem sido, nos últimos anos, de enorme
sacrifício. Certos trechos são perfeitas armadilhas, com asfalto esburacado,
sinalização deficiente, muitas lombadas eletrônicas, quebra-molas e outras imperfeições
que nos fazem percorrer um verdadeiro Rally.
Considerando que essa parte da Br 040 é uma das mais
importantes vias de Minas, pois liga BH ao Rio de Janeiro, passando por algumas
cidades de porte médio e de relativa significação, não há como disfarçar nossa
indignação. Primeiro com os governos que gastam milhões de dinheiros com “propaganda”
para mostrar seus (não) feitos e nos fazerem enfrentar essas agruras para
deslocar por esses ínfimos cento e setenta quilômetros de decepção. Além de
tudo temos que “encarar” motoristas de caminhão e mesmo de carros menores em
velocidade altíssima. Nunca existe fiscalização e o que vemos é uma disputa do
tipo “cada um por si e Deus por todos”, numa “terra de ninguém”.
Se não há estradas, temos que nos concentrar em suas
deficiências e re-dobrar o cuidado. Mas imprudência é uma constante nesses
condutores e agravam a situação. Se imprimirmos uma velocidade de mais ou menos
cem quilômetros por hora, certamente a maioria dos automóveis nos ultrapassará.
Até aí nada de mal! Só que, em seguida, vêm os caminhões, peso pesados. Aqueles
denominados bitrens. Dependendo da situação eles jogam seus possantes e
truculentos veículos em quem transita na frente. desconhecendo que, na maior
parte do percurso, a máxima para eles é de oitenta quilômetros por hora.
Assim, sem necessidade, por duas horas e meia, a gente
viaja tenso. Não vê um policial nos postos e dá graças a Deus quando chega
ileso. Recolhe as bagagens, toma um
banho e um lanche, imaginando dar uma descansada, esticado na cama, vendo um
programa de televisão qualquer. Que nada! As sete horas da noite um barulhão nos
invade a casa. Um mal educado locutor, lógico que acobertado pelo pároco da
Igreja de São Pedro, liga a parafernália e “destampa” a falar “abobrinha”, num
volume extremamente alto. Essa igreja católica está a uns
dois mil metros de onde moro. E sabe incomodar, inclusive com músicas de
péssimo gosto, encerradas lá pelas 23 h. quando consegui “pegar no sono”.
Aliás, estradas péssimas, barulheira e desmandos em
áreas urbanas é coisa recorrente, mais ainda “nas Barbacenas”. Como ninguém
reclama, os que lucram com isso “tocam o bonde”. O resto é
resto. Ano passado consultei a MRS (transportadora de minério pela ferrovia que
passa por dentro da cidade) sobre o aumento do barulho de suas composições e
eles disseram que era, o zunido maior que o de uma frota de caminhões,provocado pelas composições após darem um polimento
nos trilhos. O que sei é que as populações que moram nas proximidades sofrem
com isto e não sabem o que fazer. Neste país onde fazem passeatas e movimentos
pela ecologia, pelo bem estar dos animais, pela limpeza dos rios, onde jogamos
os esgotos, não querem cuidar do “bem viver” do ser humano.
Temos muitos problemas a serem solucionados, mas, como
o da educação, não existe. Nosso povo desenvolveu a cultura do “vou resolver
minhas questões e cada um que cuide da sua!”. Com isto a coisa vai se
agravando. Sujeira, poluição sonora, ruas, passeios e estradas intransitáveis,
prevalência do interesse particular sobre o público; do econômico sobre todos
os outros e, dia a dia, vamos perdendo espaço, conforto e qualidade de vida.
Por isto os condomínios luxuosos, longe do “povão”, da classe média e outras, moradia
dos abastados...sem igrejas, sem ruas esburacadas, sem linhas e trens da MRS...
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