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terça-feira, 1 de julho de 2014

Abandono, imprudência, falta de educação ...



Wilalba F. Souza                                                                            30jun04

Dia 28 de junho, sábado passado, fui a Belo Horizonte  a fim de visitar meu filho, Rafael, que lá trabalha. Estava dando uma festinha de  aniversário. Coisa discreta, poucos convidados, apenas familiares e dois amigos, além da namorada. O time do Brasil, a duras penas, se classificou para a fase seguinte da Copa, em jogo apertado, contra o Chile, na parte da tarde.  Sair de Barbacena para ir à capital tem sido, nos últimos anos, de enorme sacrifício. Certos trechos são perfeitas armadilhas, com asfalto esburacado, sinalização deficiente, muitas lombadas eletrônicas, quebra-molas e outras imperfeições que nos fazem percorrer um verdadeiro Rally.

Considerando que essa parte da Br 040 é uma das mais importantes vias de Minas, pois liga BH ao Rio de Janeiro, passando por algumas cidades de porte médio e de relativa significação, não há como disfarçar nossa indignação. Primeiro com os governos que gastam milhões de dinheiros com “propaganda” para mostrar seus (não) feitos e nos fazerem enfrentar essas agruras para deslocar por esses ínfimos cento e setenta quilômetros de decepção. Além de tudo temos que “encarar” motoristas de caminhão e mesmo de carros menores em velocidade altíssima. Nunca existe fiscalização e o que vemos é uma disputa do tipo “cada um por si e Deus por todos”, numa “terra de ninguém”.

Se não há  estradas, temos que nos concentrar em suas deficiências e re-dobrar o cuidado. Mas imprudência é uma constante nesses condutores e agravam a situação. Se imprimirmos uma velocidade de mais ou menos cem quilômetros por hora, certamente a maioria dos automóveis nos ultrapassará. Até aí nada de mal! Só que, em seguida, vêm os caminhões, peso pesados. Aqueles denominados bitrens. Dependendo da situação eles jogam seus possantes e truculentos veículos em quem transita na frente. desconhecendo que, na maior parte do percurso, a máxima para eles é de oitenta quilômetros  por hora.

Assim, sem necessidade, por duas horas e meia, a gente viaja tenso. Não vê um policial nos postos e dá graças a Deus quando chega ileso. Recolhe  as bagagens, toma um banho e um lanche, imaginando dar uma descansada, esticado na cama, vendo um programa de televisão qualquer. Que nada! As sete horas da noite um barulhão nos invade a casa. Um mal educado locutor, lógico que acobertado pelo pároco da Igreja de São Pedro, liga a parafernália e “destampa” a falar “abobrinha”, num volume extremamente alto. Essa igreja católica está a uns dois mil metros de onde moro. E sabe incomodar, inclusive com músicas de péssimo gosto, encerradas lá pelas 23 h. quando consegui “pegar no sono”.

Aliás, estradas péssimas, barulheira e desmandos em áreas urbanas é coisa recorrente, mais ainda “nas Barbacenas”. Como ninguém reclama, os que lucram com isso “tocam o bonde”. O resto é resto. Ano passado consultei a MRS (transportadora de minério pela ferrovia que passa por dentro da cidade) sobre o aumento do barulho de suas composições e eles disseram que era, o zunido maior que o de uma frota de caminhões,provocado pelas composições após darem um polimento nos trilhos. O que sei é que as populações que moram nas proximidades sofrem com isto e não sabem o que fazer. Neste país onde fazem passeatas e movimentos pela ecologia, pelo bem estar dos animais, pela limpeza dos rios, onde jogamos os esgotos, não querem cuidar do “bem viver” do ser humano.

Temos muitos problemas a serem solucionados, mas, como o da educação, não existe. Nosso povo desenvolveu a cultura do “vou resolver minhas questões e cada um que cuide da sua!”. Com isto a coisa vai se agravando. Sujeira, poluição sonora, ruas, passeios e estradas intransitáveis, prevalência do interesse particular sobre o público; do econômico sobre todos os outros e, dia a dia, vamos perdendo espaço, conforto e qualidade de vida. Por isto os condomínios luxuosos, longe do “povão”, da classe média e outras, moradia dos abastados...sem igrejas, sem ruas esburacadas, sem linhas e trens da MRS...




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