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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Saudosismo e o PM legal




Wilalba F. Souza                                                                     25jul14


Reconheço! Sou um saudosista juramentado. Não desses que andam por aí e, resfolegando, se desmancham a falar dos tempos de antanho sonhando, até, em poder regredir no tempo, não para reviver, mas para viver o mesmo período de maneira diferente, usando da experiência adquirida para excluir os equívocos e erros eventualmente cometidos. Na realidade isto, além de ser impossível, seria injusto para os demais filhos de Deus.A bem da verdade os nossos filhos e os que nos sucedem é que devem analisar nossos desvios e procurar evita-los.

Por força de missão que me foi dada, e eu a aceitei, frequento e convivo bastante com nossos companheiros da Polícia Militar, de soldado a coronel e tenho, por isto mesmo, percebido suas dificuldades. A nossa capacidade operacional  está numa queda vertiginosa, não se podendo exigir mais do efetivo que nos sobrou. Já disse antes que o governo e seus deputados liberaram geral e facilitaram transferência homens e mulheres jovens para a reserva. Um desfalque considerável, sem possibilidades de reposição de um dia para o outro. Assim, o negócio é ir “tocando o barco” do jeito que der. E nós que já estivemos, e de certa maneira ainda estamos, nessa canoa, sempre fazemos  análises dessas coisas. Afinal andamos pelas ruas!

Este cidadão vai, todos os sábados cedinho, a uma feira lá na rua do Colégio Imaculada. Na barraca do Luiz Paulo sempre encontramos um queijo de excelente qualidade. Há tempos não vemos policiamento no local. Era comum encontrarmos uma dupla  fazendo sua ronda. O estacionamento, depois que retiraram a polícia, passou a ser controlado por flanelinhas. E alguns motoristas, até de veículos grandes, se apossam da rua como querem. E é assim mesmo: onde não há fiscalização, a desordem começa a corroer devagarzinho até tomar conta.

Aliás, falando em trânsito, esse setor que há anos sempre teve a maior atenção dos comandantes deve ter sido extinto. Tenho saudades daquele importante serviço, sim! Daquele “guarda” de boné branco que impunha respeito nas vias e nos locais mais movimentados, sendo conhecido dos comerciantes, transeuntes, adultos ou crianças que viam nele um anteparo, sua segurança. Foi um tempo em que era normal soldados serem homenageados pelas câmaras municipais, tendo em vista o importante papel que representavam junto à comunidade. Hoje o jeito é eu perguntar: pessoal, onde anda o guarda de trânsito, o “Cosme e Damião”, o Guarda Belo, personagens mais que importantes na nossa cultura?  Por onde andam as Patrans e as patrulhas escolares que faziam um belo trabalho às saídas das escolas? Os postos policiais nas periferias, referências das populações mais simples? Sim! Onde os PMs socorriam pessoas, evitavam brigas e até parto faziam?

Esses questionamentos nós poderíamos fazer aos comandantes. Só que eles estão entupidos de cobranças. Seus efetivos são diminutos, enquanto as demandas aumentam dia a dia. E o mais interessante é que, com muita veemência, são cobrados a reduzir os índices criminais. A alcançar umas tais de metas inventadas pelos teóricos engravatados dos gabinetes. Assim,como cidadão, prefiro fazer cobranças ao governo e aos deputados que, num estalar dos dedos, reduziram a capacidade de trabalho de uma corporação que sempre se sobressaiu naquilo que é a sua finalidade: fazer policiamento. E não se faz policiamento sem efetivo. Por culpa deles que não harmonizaram as necessidades do homem, da instituição e do povo,usuário na ponta dessa estrutura prestadora pública de serviços.

Aliás sobre estas questões já escrevi e dei minhas humildes opiniões. O que espero – e sei lá se isto é possível – é que essas autoridades se reúnam e promovam um debate sobre o assunto. Vamos colocar em pratos limpos essa questão. Qual a razão dessa queda vertiginosa de nossa capacidade operacional. Onde está o “guarda de trânsito? O policiamento preventivo nos locais mais movimentados, nas áreas sensíveis, nas estradas e no meio ambiente? Cadê o PM legal?



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