Wilalba F. Souza
25jul14
Reconheço! Sou um saudosista juramentado. Não desses
que andam por aí e, resfolegando, se desmancham a falar dos tempos de antanho
sonhando, até, em poder regredir no tempo, não para reviver, mas para viver o
mesmo período de maneira diferente, usando da experiência adquirida para
excluir os equívocos e erros eventualmente cometidos. Na realidade isto, além
de ser impossível, seria injusto para os demais filhos de Deus.A bem da verdade os nossos filhos e os que nos sucedem
é que devem analisar nossos desvios e procurar evita-los.
Por força de missão que me foi dada, e eu a aceitei, frequento e convivo bastante com nossos companheiros da Polícia Militar, de
soldado a coronel e tenho, por isto mesmo, percebido suas dificuldades. A nossa
capacidade operacional está numa queda
vertiginosa, não se podendo exigir mais do efetivo que nos sobrou. Já disse antes
que o governo e seus deputados liberaram geral e facilitaram transferência
homens e mulheres jovens para a reserva. Um desfalque considerável, sem
possibilidades de reposição de um dia para o outro. Assim, o negócio é
ir “tocando o barco” do jeito que der. E nós que já estivemos, e de certa
maneira ainda estamos, nessa canoa, sempre fazemos análises dessas coisas. Afinal andamos pelas
ruas!
Este cidadão vai, todos os sábados cedinho, a uma
feira lá na rua do Colégio Imaculada. Na barraca do Luiz Paulo sempre
encontramos um queijo de excelente qualidade. Há tempos não vemos policiamento
no local. Era comum encontrarmos uma dupla fazendo sua ronda. O estacionamento, depois
que retiraram a polícia, passou a ser controlado por flanelinhas. E alguns
motoristas, até de veículos grandes, se apossam da rua como querem. E é assim mesmo: onde não há
fiscalização, a desordem começa a corroer devagarzinho até tomar conta.
Aliás, falando em trânsito, esse setor que há anos
sempre teve a maior atenção dos comandantes deve ter sido extinto. Tenho
saudades daquele importante serviço, sim! Daquele “guarda” de boné branco que
impunha respeito nas vias e nos locais mais movimentados, sendo conhecido dos
comerciantes, transeuntes, adultos ou crianças que viam nele um anteparo, sua
segurança. Foi um tempo em que era normal soldados serem homenageados pelas
câmaras municipais, tendo em vista o importante papel que representavam junto à
comunidade. Hoje o jeito é eu perguntar: pessoal, onde anda o guarda de
trânsito, o “Cosme e Damião”, o Guarda Belo, personagens mais que importantes
na nossa cultura? Por onde andam as
Patrans e as patrulhas escolares que faziam um belo trabalho às saídas das
escolas? Os postos policiais nas periferias, referências das populações mais
simples? Sim! Onde os PMs socorriam pessoas, evitavam brigas e até parto
faziam?
Esses questionamentos nós poderíamos fazer aos
comandantes. Só que eles estão entupidos de cobranças. Seus efetivos são
diminutos, enquanto as demandas aumentam dia a dia. E o mais interessante é
que, com muita veemência, são cobrados a reduzir os índices criminais. A alcançar
umas tais de metas inventadas pelos teóricos engravatados dos gabinetes. Assim,como cidadão, prefiro fazer cobranças ao governo e aos
deputados que, num estalar dos dedos, reduziram a capacidade de
trabalho de uma corporação que sempre se sobressaiu naquilo que é a sua
finalidade: fazer policiamento. E não se faz policiamento sem efetivo. Por
culpa deles que não harmonizaram as necessidades do homem, da instituição
e do povo,usuário na ponta dessa estrutura prestadora pública de
serviços.
Aliás sobre estas questões já escrevi e dei minhas
humildes opiniões. O que espero – e sei lá se isto é possível – é que essas
autoridades se reúnam e promovam um debate sobre o assunto. Vamos colocar em
pratos limpos essa questão. Qual a razão dessa queda vertiginosa de nossa
capacidade operacional. Onde está o “guarda de trânsito? O policiamento
preventivo nos locais mais movimentados, nas áreas sensíveis, nas
estradas e no meio ambiente? Cadê o PM legal?
Nenhum comentário:
Postar um comentário