13out2.014
Sempre foi assim. Os portugueses
aportaram no Brasil no ano 1.500, em busca de riquezas a explorar. E durante
anos, pelas capitanias, seus preceptores administraram a retirada, da nova
terra, de minerais, ouro e madeira, principalmente. E não foram eles que quase
exterminaram o tal“pau brasil”? Pelo menos é o que contam nos livros de
história e como se iniciou, nestas plagas, pelo desmando dos aventureiros, a
cultura da corrupção deslavada. E esses mesmos portugueses da corte, que se
consideravam donos da “Terra de Santa Cruz”, levavam, permanentemente, “bolas
nas costas”.
Nos início dos anos 1.800, quando a
corte portuguesa, fugindo da invasão pela França de Napoleão Bonaparte, aqui
aportou, é que se conseguiu dar uma certa ordem administrativa à colônia. O rei
organizou as forças militares, a administração e as representações políticas,
nos termos da cultura pós-medieval. A independência veio, com o ”fico”, em
1.822 e, só em 1.889 proclamou-se a república. Dizem por aí que quem provocou
esses movimentos foram as elites, política e intelectual. O povão até que
gostava de seu rei. Não havia, ainda, as tais passeatas e nem aparato midiático
para convocá-las. Mesmo assim, o imperador brasileiro, Pedro II, achou prudente
pegar sua coroa, digo, seu chapéu, e voar, digo, navegar para a Europa. Não
falam de revolução, guerra, embates, como o acontecido, muitos anos depois, com
Carlos Prestes e, mais tarde, com João Goulart.
O pau brasil, digo, o pau quebrou, de
fato, foi depois que os políticos e os intelectuais resolveram “nomear”, para o
primeiro governo republicano, dois militares: os Generais Deodoro da Fonseca e
Floriano Peixoto, este vice. Em nome da unidade nacional morreu muita gente,
principalmente no sul, onde pipocaram movimentos separatistas, visando a
criação de um país independente, vejam só! E pelo século XX a democratização brasileira
se arrastou. Em 1.930, Júlio Prestes ganhou, mas não levou. Liderados por
políticos sulistas e mineiros, apoiados por militares, entregaram o poder a
Getúlio Vargas. E lá ele ficou, amado pelo povo, até 1.945, quando deixou o
governo, “cumprindo” promessa vinda lá de trás. E, lógico, pressionado pelos
políticos adversários.
Getúlio, independentemente de sua
condição de ditador, fez muito pelo país. A legislação trabalhista e o salário
mínimo marcaram sua administração, bem como a criação da, à época desacreditada,
Petrobras, hoje tão maltratada pelos malucos que a administram. Em 1.951, na
base do voto, Getúlio voltou para o “Catete”, palácio presidencial, no Rio de
Janeiro. Em 1.954, massacrado moralmente pela “turba” política, e sendo acusado
de acobertar a corrupção em seu governo, além de ver seu guarda costas
envolvido no homicídio de um militar, acometeu suicídio. Já pensaram se a moda
pega nos dias de hoje?
Ao final da década de 50, chegou
Juscelino, outro presidente de grande prestígio. Criador da moderna industria
nacional automobilística, o desbravador do planalto central, que construiu
Brasília, a nova capital. Homem corajoso, reinventou este país com grandes
indústrias e importantes hidrelétricas, ajudado, em Minas, por Bias Fortes.
Também foi muito atacado e acusado de corrupção pelos adversários. Em 1.962
passou a faixa para o paulista Jânio Quadros, cuja vassourinha prometia limpar
o Brasil. Um Collor de bigodes, caçador de marajás do passado, que também se
deu mal e foi mandado às favas pelas “forças ocultas”...
Assumindo o vice, Jango Goular, já em
tempos de Guerra Fria, os políticos, apoiados por forças conservadoras, maioria
no congresso e nos governos estaduais, com receio do comunismo – Jango seria
simpatizante – após tentativas de contornar a situação, promoveram o golpe
militar/civil ou civil/militar que durou 18 anos, com generais presidentes “eleitos”
pelos votos dos congressistas, um tal de “colégio eleitoral”. Uma repetição de
Getúlio. O que era para ser transitório e rápido, ficou mais tempo que o
necessário. É o que dizem! Bom ou ruim, eles – os militares - fizeram o que era possível nesses anos, ditos
de chumbo. Nenhum deles, Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazu, Geisel, ou
Figueiredo, ficou rico. Suas viúvas herdaram seus soldos, um apartamento aqui,
outra propriedade ali e só! Muito diferente do que vemos hoje em dia, não é
mesmo?
Depois disto vieram Sarney, Collor,
Itamar Franco, Fernando Henrique, Lula e, finalmente, Dilma Rousseff. As
denúncias de corrupção e desvios de dinheiro público que começaram no governo
do petista Lula foram herdadas por sua “eleita” e substituta, cujo mandato está
que é um lodo só. Gente que, eleita para mudar a face de um país, dando-lhe um
viés mais honesto e direcionado aos pobres e que, pelo que se vê, se esbaldou.
Meus avós já diziam: quem nunca provou mel, quando come se lambuza. Tudo à custa
de mensalões, petrodólares, obras superfaturadas e outras lambanças relatadas
pela mídia. Esse destempero de mandatário dizer que não sabe, não sabia e nunca
soube de nada funciona como requintado libelo acusatório.
Enfim, corrupção no Brasil parece uma
doença incurável. Não surgiu ontem. Está nas raízes culturais da nossa terra.
Felizmente esses erros e os crimes financeiros têm sido mostrados à população.
Os nomes dos delinqüentes e de seus mantenedores ganham as manchetes, deixando
estarrecido o povo que “rala” para conseguir viver. Em tempos de eleições,
mesmo que não consigamos curar, definitivamente, essa doença grave, a
oportunidade é ímpar para que removamos, dos nossos organismos, boa parte
desses micróbios, desses sanguessugas e dessas pragas oportunistas que nos
perseguem. É difícil, toma muito tempo, mas é a única forma de construirmos um
Brasil melhor e menos perverso!!!
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