Meio ambiente
30set2.014
Lá pelo final da década de cinqüenta,
crescendo da infância para a adolescência, a molecada de pés no chão e calções
largos saía, normalmente à tarde, sob o sol escaldante da jovem Governador
Valadares e ia tomar banho no Córrego da Figueirinha, perto da rua onde
morávamos, a uns dois quilômetros. Água límpida, embora sempre nos dessem alertas
para fugir dos perigos da “xistosa” - era como tratavam a esquistossomose -,
muito comum à época. Essas incursões eram feitas à revelia dos nossos pais. Parei
com a prática quando papai flagrou-me, e
a meu irmão Milani, em plena atividade
de lazer. Nós dois tivemos que fazer os dois mil metros à frente da sua
bicicleta “Phillips”. Mesmo cansados levamos umas merecidas chineladas.
Voltei ao local anos depois. Devido à
ocupação desordenada e cruel por novos moradores, coisa de explosão
populacional, e falta de políticas públicas sérias, meu córrego não passava de
uma rede de esgotos. Ele que, antes, além de muitos peixes, se mostrava
caudaloso, passando por debaixo de um pontilhão da “Vitória-Minas”. Tudo muito lamentável, inclusive porque ele
deságua, hoje muito mais poluído, no Rio Doce, outra pérola natural de corta o
Vale que leva seu nome e que de doce não tem mais nada. Cada vez mais “machucado”,
assoreado e degradado, também está minguado pela falta de chuvas no nosso
Estado.
E por estas Minas Gerais muitos
“córregos da Figueirinha e rios Doces” estão sendo destruídos pela
insensibilidade humana. Por quem fica rico desmatando. Pelos criadores de gado
e por outras culturas que terminam em escoamento de veneno agrícola para seus
leitos. Na região de Barbacena o Rio das Mortes, maior fonte de abastecimento da cidade,
começa a “abrir o bico”. Do Norte de
Minas nos chegam notícias desagradáveis sobre nosso “Chico”. Aliás, há uns
quarenta anos ele era orgulho da região. Fui “repreendido” por um “oriundi” quando
comentei, em voz alta, de cima de uma balsa, ao atravessa-lo, que o rio parecia
estar meio sujo: - Pode em encher uma caneca e beber sem susto, disse um velho
senhor meio irritado! – É o rio mais limpo do Brasil!
E assim é a vida. Falam muito sobre o
meio ambiente, da necessidade de conscientização das pessoas, mas cada um joga
a responsabilidade para o outro. Coisa de brasileiro. Cuidar do meio ambiente é
cuidar da natureza, dos animais e do equilíbrio ecológico. É cuidar de nós
mesmos. Não há a mínima estrutura para fiscalização. A tal de MRS, empresa
concessionária da via férrea que passa por dentro da área urbana de Barbacena,
prejudica, com o barulho ensurdecedor de suas composições, o sono de milhares
de pessoas e ninguém reclama. O tal apelo financeiro e o poder econômico passam
por cima de tudo. E nem sempre foi assim: inventaram, por medida de economia
deles, um tal de polimento de trilhos que triplica a sua poluição sonora. Isso
pra falar o mínimo sobre o barulho liberado pelas ruas sob forma de altos sons
automotivos e de aeronaves. As nossas autoridades aeronáuticas ficam exultantes
vendo seus jatos soltando trovões sobre hospitais, escolas, abrigos, sem
limites. Não obedecem as leis os que têm a obrigação de fazê-las serem
cumpridas!
Há alguns anos assisti, em frente a uma
farmácia, no bairro Pontilhão, quando o à época presidente da câmara municipal
desembrulhou um objeto, parece que medicamento, amassou o papel, lançando-o ao
meio da rua. Depois entrou, com toda a naturalidade, em seu automóvel e foi
embora. Fiquei indignado! Isto me faz
lembrar que os lixões, pelo Brasil se tornaram um problema insolúvel. Proporcionam
que o “chorume” – resultado da decomposição de lixos de diversas origens –
penetre na terra e a contamine, bem como o lençol freático, que ajuda a
“alimentar” os rios. Como a população não sabe disso – muita falta de
informação – produz cada vez mais lixo e poluição ambiental.
Ou entramos num acordo para minimizar os
resultados dessa alienação, ou teremos que conviver como animais irracionais em
gaiolas, pocilgas ou currais cujos donos não fazem limpeza, manutenção e
profilaxia.
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