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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Meio ambiente - Wilalba F. Souza


                                      Meio ambiente

                                                                       30set2.014

Lá pelo final da década de cinqüenta, crescendo da infância para a adolescência, a molecada de pés no chão e calções largos saía, normalmente à tarde, sob o sol escaldante da jovem Governador Valadares e ia tomar banho no Córrego da Figueirinha, perto da rua onde morávamos, a uns dois quilômetros. Água límpida, embora sempre nos dessem alertas para fugir dos perigos da “xistosa” - era como tratavam a esquistossomose -, muito comum à época. Essas incursões eram feitas à revelia dos nossos pais. Parei com a prática quando papai  flagrou-me, e a meu irmão Milani, em  plena atividade de lazer. Nós dois tivemos que fazer os dois mil metros à frente da sua bicicleta “Phillips”. Mesmo cansados levamos umas merecidas chineladas.

Voltei ao local anos depois. Devido à ocupação desordenada e cruel por novos moradores, coisa de explosão populacional, e falta de políticas públicas sérias, meu córrego não passava de uma rede de esgotos. Ele que, antes, além de muitos peixes, se mostrava caudaloso, passando por debaixo de um pontilhão da “Vitória-Minas”.  Tudo muito lamentável, inclusive porque ele deságua, hoje muito mais poluído, no Rio Doce, outra pérola natural de corta o Vale que leva seu nome e que de doce não tem mais nada. Cada vez mais “machucado”, assoreado e degradado, também está minguado pela falta de chuvas no nosso Estado.

E por estas Minas Gerais muitos “córregos da Figueirinha e rios Doces” estão sendo destruídos pela insensibilidade humana. Por quem fica rico desmatando. Pelos criadores de gado e por outras culturas que terminam em escoamento de veneno agrícola para seus leitos. Na região de Barbacena o Rio das Mortes,  maior fonte de abastecimento da cidade, começa a “abrir o bico”.  Do Norte de Minas nos chegam notícias desagradáveis sobre nosso “Chico”. Aliás, há uns quarenta anos ele era orgulho da região. Fui “repreendido” por um “oriundi” quando comentei, em voz alta, de cima de uma balsa, ao atravessa-lo, que o rio parecia estar meio sujo: - Pode em encher uma caneca e beber sem susto, disse um velho senhor meio irritado! – É o rio mais limpo do Brasil!

E assim é a vida. Falam muito sobre o meio ambiente, da necessidade de conscientização das pessoas, mas cada um joga a responsabilidade para o outro. Coisa de brasileiro. Cuidar do meio ambiente é cuidar da natureza, dos animais e do equilíbrio ecológico. É cuidar de nós mesmos. Não há a mínima estrutura para fiscalização. A tal de MRS, empresa concessionária da via férrea que passa por dentro da área urbana de Barbacena, prejudica, com o barulho ensurdecedor de suas composições, o sono de milhares de pessoas e ninguém reclama. O tal apelo financeiro e o poder econômico passam por cima de tudo. E nem sempre foi assim: inventaram, por medida de economia deles, um tal de polimento de trilhos que triplica a sua poluição sonora. Isso pra falar o mínimo sobre o barulho liberado pelas ruas sob forma de altos sons automotivos e de aeronaves. As nossas autoridades aeronáuticas ficam exultantes vendo seus jatos soltando trovões sobre hospitais, escolas, abrigos, sem limites. Não obedecem as leis os que têm a obrigação de fazê-las serem cumpridas!

Há alguns anos assisti, em frente a uma farmácia, no bairro Pontilhão, quando o à época presidente da câmara municipal desembrulhou um objeto, parece que medicamento, amassou o papel, lançando-o ao meio da rua. Depois entrou, com toda a naturalidade, em seu automóvel e foi embora. Fiquei indignado! Isto me  faz lembrar que os lixões, pelo Brasil se tornaram um problema insolúvel. Proporcionam que o “chorume” – resultado da decomposição de lixos de diversas origens – penetre na terra e a contamine, bem como o lençol freático, que ajuda a “alimentar” os rios. Como a população não sabe disso – muita falta de informação – produz cada vez mais lixo e poluição ambiental.

Ou entramos num acordo para minimizar os resultados dessa alienação, ou teremos que conviver como animais irracionais em gaiolas, pocilgas ou currais cujos donos não fazem limpeza, manutenção e profilaxia.








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