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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A Indignação do Boechat




Wilalba F. Souza                                                                           22 dez2.012


Ricardo Boechat é um jornalista que apareceu na Rede Globo há muitos anos. Sua maneira de abordar os assuntos é especial, pelo menos na minha maneira de pensar. Tempos depois ele saiu da empresa mencionada, por desentendimentos que não mais me ocorrem, mas estou quase certo que se deveram à sua gana por independência intelectual e de expressão, possivelmente invadidas pelos seus empregadores. Seus comentários não poupam ações de políticos, pessoas físicas ou jurídicas que contribuem, maldosamente, para alterar, de maneira sórdida e ilegal, o rumos das coisas neste país, onde a ética e a honestidade passam por séria crise. Hoje, como importante âncora da Rede Bandeirantes, ele recriminou o Supremo Tribunal Federal por ter anulado condenação de uma quadrilha responsável por lavagem de dinheiro, autuados pela Polícia Federal, há mais de dez anos, tendo em vista que os agentes da lei teriam estendido o mandando de busca e apreensão, com autorização do juiz, de uma sala para a outra, onde foram encontradas fortes provas de  cometimento do crime, juntadas aos autos.

Os advogados dos condenados convenceram o citado tribunal que, embora pegos com a “mão na massa”, tudo estava anulado, sob alegação de que a busca não poderia ter sido executada, mesmo com aquiescência do magistrado, etc, etc. Concordo com o Boechat: o tribunal referência jogou tudo no lixo, e eu acrescento, inclusive o povo, presenteando marginais em troca não sabemos de quê, somente com base em uma “firula legal”. Também, depois daquele julgamento do “mensalão”, onde reformaram as penas aplicadas por eles mesmos, após da saída do Ministro Joaquim Barbosa, que pediu “as contas” antes do tempo, para se livrar, penso eu, dos inconvenientes políticos da casa maior da justiça brasileira. E o TSE –Tribunal Superior Eleitoral? Deu vexame muitíssimo parecido: limpou a ficha de Maluf. É! Limpou a ficha do Maluf! Debochado, vai assumir sua vaga na Câmara Legislativa Federal, depois de desviar milhões da prefeitura de São Paulo para o exterior. Ele que é aliado de Lula e dos petistas, mesmo após as brigas entre suas legendas, há muitos anos. Que me desculpe o ministro Tóffoli: não há como deixar de lembrar seu histórico e o que motivou sua nomeação!

Antes de fechar suas portas, num “merecido” recesso, nossos parlamentaram se deram um presentinho: aumentaram seus ganhos. Vão processar Bossonaro por falta de decoro, após suas ofensas a uma deputada que fizera o mesmo com ele anteriormente! Coisa para “inglês” ver. O ano acabou e, quem sabe, no ano que vem isto aconteça! Tudo muito discutível, aliás coisas do “parlamento”. E continuo: depois de assistir o deputado Marcos Maia, relator da CPI da Petrobras, amaciar suas conclusões isentando, por omissão, todo mundo envolvido para, em seguida, na maior “cara de pau”, à vista das repercussões e, certamente, alertas de outras vertentes, mudar o tom, indiciando doleiros, empresários e funcionários da estatal, omitindo seus colegas políticos. Uma coisa eu afirmo: Marcos Maia é coerente com suas convicções partidárias, pois deve ter seguido à risca as recomendações para enterrar aquele rumoroso processo!

Dilma tá falando que o porto construído pelo Brasil, hoje muito perto do limbo  (o Brasil, lógico), sob todos os ângulos, foi um excelente investimento, pois, assim entendi, ela já sabia que os entendimentos entre Cuba e EUA estavam adiantados para que fossem reatadas as relações entre os dois países, conforme tem sido amplamente divulgado. Pois é, sobre as confusas negociatas de estatais brasileiras, ocorridas, literalmente, sob suas barbas (???), ela nunca soube nada. Mesmo assim bate o pé e mantém a diretoria, chefiada pela D. Graça Foster. Se tudo isto me dá arrepios, imagina no Boechat, ainda mais que as pesquisas de opinião dão seguidas altas notas para a nossa governança, tendo à frente D. Dilma. Vá lá entender isto! Fazer o quê? Enquanto isto ela fala em pacto para combater a corrupção, ajuda dos generais para levar suas ações de governo adiante, evidentes sofismas muito explorados por mandantes que nunca se explicaram. Mas volto ao Boechat que sugeriu, em rede de TV, que, ao invés disso, nossa chefe arrumasse uns cacetes bem grandes e desse na cabeça desses marginais. Eu preferiria que sua promessa fosse para usar sua autoridade e colocar essa corja na cadeia, pois ela (a corja, pessoal!) está solta por aí, compondo quadros do governo, dos partidos políticos e até condenados gozando de privilégios com dinheiro desonesto, em suas luxuosíssimas mansões.

Pra completar, escutei, ou vi, ontem, uma chamada com a seguinte afirmação, de um setor do judiciário, que espero apurar melhor: “Justiça culpa da PM e Polícia Civil pela demora em se julgar crimes!”. Só pode ser brincadeira. Vou me informar melhor, mas, de plano, acho tudo uma maldade. Nossa justiça é lenta em todas suas áreas de atuação, sejam elas quais forem! Mais que um jaboti de três pernas, e fica de recesso por três meses no ano. Assim deveria procurar desculpas menos falseadas para justificar suas deficiências.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

PROVOCAÇÃO



Wilalba F. Souza                                                                             16dez2.14
 As informações em qualquer tipo de mídia têm me provocado bastante  e me obrigam a refletir sobre diversos temas, embora isto adiante pouco. Aliás, quem se preocupa em se inteirar dos acontecimentos de hoje sofre bastante. Às vezes me nego a acreditar que estou em um Brasil real. A começar pelas embrulhadas do governo em relação ao tal mensalão. Os desvios de dinheiro público foram comprovados, entretanto continuamos sem saber onde foi investido, embora sabedores que as altas quantias financiaram parlamentares e partidos apoiadores da situação.

Muita gente condenada continua presa, principalmente agentes financeiros ligados a bancos privados. Os políticos líderes do esquema estão por aí cumprindo pena em liberdade vigiada, se é que podemos dizer assim. E, nos jornais, leio que Lula foi, dia desses, depor na Polícia Federal sobre esse mesmo assunto. Pra mim isto não passa de provocação. O que o ex-presidente vai poder dizer sobre essas mazelas? Ele que nunca soube, e nem deve saber, de nada. Estou convicto que ele sabe de tudo! Aí, minha indignação leva junto ares de irritação. Exercer o direito da “delação premiada” é que ele não vai fazer! Aí pergunto: chamar Lula lá...pra quê?

Este tipo de ocorrência vem se banalizando. Não mexe mais com a atenção da maioria do povo. Uma chatice mesmo, “resmungam” alguns, embora vários comentaristas políticos e econômicos acreditem que, com essa derrocada da Petrobras, as coisas caminhem para mudanças, porque organismos internacionais, ligados a investimentos, além de desaconselhar colocação de dinheiro no Brasil, ainda tentam, via judicial, recuperar perdas dos investidores que teriam sido lesados pelos seus diretores corruptos. Lula e Dilma sempre disseram que a maior companhia brasileira era limpa, séria e bem administrada. A segunda, como ministra, conselheira e presidente repetiu o “mantra” e deu no que deu!

Enquanto isto, após ter participado, há dias, de uma confraternização, oficiais e comandantes da PM ouvi reclamações sobre o sufoco que é para dar segurança à população. O Estado precisa, urgentemente, recompor os efetivos. É impossível, com o que temos, atender a demanda. O “cobertor” está curtíssimo. O povo reclama e não há como dar uma resposta ao menos razoável. Enquanto isto...

Domingo passado fui ao aeroporto de Barbacena visitar amigos do aeroclube Barbacenense e do aeromodelismo. O pátio estava lotado de aviões oficiais, para uma festa, parece que importante, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar que começara às 6.30 da “madrugada”. Um ou dois jatos fizeram rasantes em cima da escola que se localiza no centro da cidade. Pra mim é desrespeito com o povo, com velhos, doentes, em hospitais ou não, e crianças. Pros comandantes e grande gama de bajuladores, inclusive políticos, uma tradição. Uma falta de educação, sim, abuso de autoridade e... desprezo pela lei. Uma rotina da qual poucos reclamam. Talvez tenhamos que voltar aos tempos em que diziam: “os incomodados que se retirem,”.  Só pode ser.

A respeito do evento no aeroporto, comentou um amigo que chegara antes, apontando para uma imponente aeronave: “- pois é sô, mais cedo chegou aqui aquele “Legacy” (modelo daquele que derrubou, acidentalmente, um avião de passageiros da TAM há poucos anos) e de dentro desceram três pessoas: um oficial e duas mulheres”. E concluiu: “- é muito desperdício de dinheiro público! Deve ser importante comandante recebendo “agrados” de quem nos governa!!!” Mais tarde aqueles aviões todos alçaram seus vôos, com seus importantes passageiros e se foram.  Às vezes, considerando a exiguidade de meios, humanos e materiais, que as PM, e outras entidades do meio, têm para fazer policiamento, fico com inveja, muita, de ver o enorme efetivo da EPCar imobilizado na nossa quase bucólica Barbacena. Não sei qual o efetivo. Mas é gente “pra danar”!


De repente alguém poderá me perguntar o que tem a ver os desmandos da Petrobras com as festas imponentes da aeronáutica. E eu respondo: no caso da Petrobras o desvio é ilegal e criminoso.  Representa desperdício, meios jogados fora; no caso da nossa aeronáutica é tudo legal, mas   oneroso e representa desperdício também: baita desperdício!!! E como existe esta prática neste nosso país, por todos os poderes!!! É uma provocação ou não é ???

Escrevi esta humilde crônica ontem. É coincidência demais, mas li, hoje, no jornal “O Tempo”, de BH, as impressões de um oficial reformado da nossa Força Aérea, sobre acontecimentos observados e sentidos por ele, em seu meio de vivência e convivência. Leiam, abaixo, “A Democracia em Perigo”, de J G Clark, oficial aviador reformado da FAB.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Comissão da Verdade...

Comissão da Verdade...

Wilalba F. Souza                                                                         11dez2.014


Li no UOL: “Ponte Rio-Niteroi e Polícias militares, heranças da ditadura” e “Comissão da Verdade pede o fim das Polícias Militares”. Como quem está no poder hoje se diz democrata e isento para escrever conclusões como se tudo verdade fosse, demos uma refletida e nos defendemos.  O país, cheio de marginais e escroques por todos os cantos onde o braço do poder oficial pode nomear, arrumando quem “garimpe” acontecimentos lá dos tempos em que lideranças políticas e forças civis convocaram os militares, federais e estaduais, além das policias federal e civil, para entrarem em ação, ou seja, combater subversivos e comunistas de todas as linhagens, eles que queriam se apossar do poder a qualquer custo. Assim, de plano, há no tal relatório, fortes indícios de que os resquícios e o desejo de retaliação estão vivos. E como! “Batem” pesado e recomendam todo o tipo de punição, até para quem já morreu.

Esse pessoal da relatoria, escolhido adredemente por quem antes também cometeu atos de terrorismo, sequestros, assaltos, homicídios e roubos a bancos, tinha obrigação de esclarecer tudo, lógico. E não o fizeram. Concluiram sua missão de maneira tíbia, porque em qualquer luta há malfeitos de ambos os lados. Dentre propaladas recomendações desse grupo inquisidor há duas que me chamaram atenção e das quais discordo, até sem levar em conta a tal Lei de Anistia que eles também querem desmoralizar. Aliás, isto é um perigo, pois recentemente o Congresso Nacional, em troca de dinheiro, detonou a Lei de Diretrizes Orçamentárias para isentar crime cometido pela presidente da República. Ela comprou, com dinheiro dos impostos, sua “anistia”! Assim, passados tantos anos, esses “defensores da legalidade” querem obrigar as Forças Armadas a “ficar de joelhos” e reconhecer os “crimes” praticados por elas. O que nossos militares, verdadeira reserva moral deste país, precisam é de apoio para cumprir seu papel, nestes tempos bicudos, e investimentos que lhes dêem um mínimo de condições materiais para o exercício de suas missões constitucionais. Estas ações, desses mandatários de hoje, contribuem para atiçar desavenças que deveriam ser enterradas.

Outra recomendação desses “especialistas” em história do Brasil, possivelmente bem versados em militarismo, segurança pública,  legislação civil, penal, etc, etc, é para que acabem com as Polícias Militares, segundo eles herança da ditadura, junto com a Ponte Rio Niterói (o nome oficial é Castelo Branco), que eles querem cassar. Vão ter que mudar a história todinha. A Polícia Militar de Minas Gerais tem 239 anos. Sua maior tarefa sempre foi dar segurança à população, mesmo em tempos de problemas intestinos vindos depois da novíssima República. Minha família está na Corporação desde 1.937. Meu pai, por exemplo,nunca caçou, perseguiu ou prendeu comunista, subversivo, ou inimigo qualquer do regime governamental. A maior parte de seu tempo na ativa foi combater a pistolagem no Vale do Rio Doce. Esse pessoal da Comissão da Verdade nada sabe sobre isto.

Ingressei na PM no ano de 1.966, servi por trinta anos e, também, nunca prendi “inimigos da Revolução”, embora tivesse notícias, via Sistema de Informações, de ações para neutralizar militantes alinhados a comunistas que queriam tomar posse do País. Importante dizer que nossos esforços sempre foram em torno do policiamento ostensivo, cuja doutrina hoje utilizada foi construída de 1.970 pra frente, com apoio do Exército, sensível às necessidades do Brasil ter uma polícia moderna. Quem não vai aos quartéis, não conhece nossa história, nossos comandantes, nossa formação e nossas academias nada pode opinar sobre a Corporação. Nosso combate  à criminalidade é insano. A Justiça é lenta, a legislação leniente e nosso Torrão Natal está um caos. E esses “investigadores” que aí estão se “empapurrando¨  no poder querem imputar suas fraquezas ao passado, sem fazer o que realmente precisa ser feito. E com urgência!

Este assunto é interessante. Essa Comissão da Verdade, cujo relatório fez a presidente chorar !!!, afirmou que os presidentes militares sabiam de tudo sobre torturas e mortes quando dirigiram o Brasil. E eu, como simples brasileiro e assistindo todas as mazelas promovidas por, e neste governo de longos anos, imploro para a Comissão continuar seu profíquo (?) trabalho. Quem sabe ela explica, de vez, a morte de Celso Daniel, enterrado, há anos, no lodo do poder de Lula e seus companheiros. O ex-presidente nunca soube de nada. Mesmo sobre o mensalão que ocorreu nos fundos de seu quintal e atravessou seu gabinete diariamente. Sei que ele é aposentado por ter perdido um dedo mindinho! Em razão de cegueira ou surdez, definitivamente é que não foi! E também sobre a destruição da Petrobras, promovida pelos governantes e seus apoiadores, por onde vazaram rios de dinheiro, inclusive quando a D. Dilma era Ministra e conselheira regiamente remunerada. Ela herdou a presidência de Lula e assimilou, com perfeição, os ensinamentos de seu tutor/inventor: sabe nada, não viu nada e...caluda! Idem em relação à Eletrobrás, os Correios, o IBGE, o Fórum de São Paulo, a censura da imprensa...

Pois é! Me vejo, como brasileiro, no direito de recomendar à nossa presidente que ela chore também pelos malfeitos dessa sua (des) governança pífia, criminosa, que coloca nossa Pátria em um patamar de extrema falta de credibilidade, pobreza mesmo, com o propósito de manter-se no poder, junto com companheiros desclassificados (vide José Dirceu, Jenuíno e Cia) humilhando seu povo, cujas estradas, hospitais e escolas estão às moscas, pois preferiram fazer estádios caros e com sobrepreços: não faça o mesmo com nossas Forças Armadas e  com as Polícias Militares. Resguarde pelo menos esses patrimônios da Nação!



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Chororô!

Wilalba F. Souza                                                                  07dez2.014


Em 1.937 meu pai, o velho Alceu, ingressou na Polícia Militar, naquele tempo Força Pública do Estado de Minas Gerais. Dez anos depois eu nasci no Hospital da PM. Após breve passagem pela ainda pequenina Antônio Dias fomos para Governador Valadares, onde, já sargento, prestou serviços no “Contingente” e depois no recém instalado 6º BPM, vindo de Belo Horizonte. Em 1.960, na graduação de 1º sargento,“empurrado” pelo famoso coronel Pedro Ferreira, com quem tinha trabalhado, foi cursar o CFOA (Curso para Oficiais da Administração), em BH, levando sua numerosa família. Num  verdadeiro  ato de heroísmo, os vencimentos eram parcos, foi declarado aspirante, sendo classificado em Barbacena, no 9º BPM, onde encerrou sua carreira no posto de capitão, em 1.967. Todo sacrifício valeu a pena. Velhinho, ele faleceu em Governador Valadares no ano de 2.010, aos noventa e três anos de idade.

Alceu trabalhou, desde criança, pelas imediações de Campanhã, região de Belo Horizonte. Ajudou a transportar, em lombo de burros, produtos horti-fruti-granjeiros para o mercado municipal da capital que se formava no início do século passado. Onde hoje é o aeroporto havia muita atividade agrícola, dizia ele. Também foi empregado em açougue até que, inspirado em um soldado amigo e aconselhado por um sargento, seguiu em frente, mesmo porque naqueles anos não era muito fácil conseguir trabalho digno. Por mais que a vida na caserna tenha sido difícil e espinhosa, ele nunca reclamou, preferindo “tocar a vida”.

Ele, meu pai, ainda estava na ativa, quando fui para o Curso de Formação de Oficiais, em 1.966. Peguei minhas coisas, pus numa mala humilde, tendo ele dito, com certo embargo na voz: “-você não vai agüentar! E ele que conhecia o Departamento de Instrução (Hoje Academia de Polícia Militar) tinha razão. Quase desisti, não fosse pelos meus colegas de Barbacena e de Colégio Tiradentes da capital, com quem eu frequentara algumas séries do 2º grau. – Se eles vão em frente, porque eu também não poderia ir? Se como PM da ativa fiquei, por apenas um ano com meu pai ao meu lado, nós dois, na reserva, convivemos por muitos anos, ele que tinha grande consideração ao seu filho colega de profissão.

E não é que, para minha surpresa, eu que nunca influenciei filhos para escolher seus caminhos, evidentemente feliz da vida, vi meu filho Rafael Meneghin de Souza ser convocado, após duro concurso, para o mesmo desafio experimentado por mim e por seu avô. Eu que o vi sofrer até se adaptar ao ritmo pesado das exigências acadêmicas e militares, igualzinho ao que acontecera comigo. Assim que se apresentou para matrícula, me telefonou e perguntou pelo meu sabre. – Sabre? Eu não tenho sabre, tenho a espada da minha formatura e que me acompanhou por todos os cantos como oficial! – É isso mesmo pai! Depois eu a apanho, encerrou.

Bem, dia 26 de novembro eu e minha família fomos à sua formatura e eu tive a honra de colocar sua  platina (ou passadeira) com a estrela solitária do aspirantado e, mais que isto, entregar-lhe, oficialmente, aquele sabre, digo, aquela espada que ainda vai ficar na ativa por muitos anos, se Deus quiser, honrando uma história que começou lá em 1.937. Cá pra nós: é muito chororó!!!


            

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Superávit Primário

                                      Superávit Primário

Wilalba F. Souza                                                                           01dez2014

Esse negócio de economia na administração pública sempre me soou um tanto complicado, mesmo tendo atuado em atividades inerentes pelas unidades da PM. Lembro-me bem que era exigido o cumprimento do orçamento, a fim de exaurirem-se os recursos, o máximo possível, evitando sobras nos créditos e repasses recebidos. Naquele tempo usavam-se contas correntes que podiam ser acessadas pelos gestores, via cheques, assinados também pelos comandantes. Isto faz parte do passado, eis que tudo foi centralizado por sistema eletrônico. A figura do tesoureiro, é, havia isto antigamente, desapareceu. Nas repartições tínhamos cofres, onde se guardava dinheiro em espécie, pois executavam-se, também, atividades que proporcionavam renda ao erário, se assim podemos dizer.

Ainda garoto, me recordo, de uma olaria mantida pelo batalhão em Barbacena. Vendia tijolos para quem, da unidade, queria construir sua casa, via desconto em folha, e outras como cantina, rancho e até uma subsistência (armazém reembolsável). Era maneira de atender o pessoal e arrecadar recursos para manutenção de alguma obra, etc. Mais tarde, como oficial, me vi envolvido nessa administração. Existia o CAE (Conselho Administrativo e Econômico) formado pelo comandante e outros gestores, através do qual as decisões e prestações de contas eram discutidas. Coisa séria, mas, de quando em vez, aconteciam alguns desvios, dolosos ou não e que eram reprimidos com severidade. Não poucas vezes alguns fornecedores ficavam sem receber, e isto prejudicava nossa imagem como instituição. Tudo falta de controle em tempos de vacas muito magras.

A partir da década de oitenta, acompanhando a evolução tecnológica do país, a nossa Polícia Militar, de maneira pioneira em Minas, começou a se informatizar, a partir do controle do pessoal. Logo após, de maneira bem efetiva, na execução orçamentária. O Estado organizou a arrecadação via sistema fazendário, a ponto de encerrar, de vez, a atividade econômica pelos batalhões. Já havia dinheiro, ou recurso, para a folha de vencimentos e manutenção dos meios materiais, encerrando-se a fase arcaica do tal CAE. Polícia foi feita para fazer policiamento e isto equivaleu a um avanço espetacular. Quem não se lembra de contas bancárias controladas por anotações de depósitos e saques dos correntistas em fichas de cartolina de anotações a mão?A gente ia ao caixa e falava: - Vê meu saldo aí, colega! O funcionário pegava, em um arquivo nossa ficha, anotava em um papel qualquer o saldo e nos entregava. Obrigado, respondíamos, e...bola pra frente.

A bem da verdade o mundo evolui sem que percebamos. Minhas movimentações bancárias eu as faço pelo “leptop”,”note book” e até pelo telefone celular. Que coisa boa! Ajuda a controlar os gastos! Quem sabe até sobra algum? O que posso afiançar é que essas modernidades nos ajudaram muito, na PM e na vidinha particular. E na nossa admistração é sempre assim, tem, usa, não tem..., não tem. Aprendi, a vida toda, a economizar uns trocados, daqui, dali, pra não passar apertos. O mesmo, não acontecia com meu saudoso pai, o velho Alceu, até há uns quinze anos atrás, sabedor que ele não ligava muito para “reservas”, comentei-lhe que era bom ter umas reservas para emergências. Depois disso era comum ele me lembrar: - filho, nunca me esqueço daquela nossa conversa! Daí a alguns anos ele morreu, velhinho e superavitário, deixando um dinheirinho para os filhos.

Essas lembranças nos ocorrem em meio às gastanças da nossa presidente, a D. Dilma. Duvido que suas contas pessoais estejam no vermelho, igual as do país. Por mais que a situação exigisse, ela tinha que cuidar desse torrão com mais denodo. No ano eleitoral o” rombo” ultrapassou o razoável. Desfaçatez no intuito de vencer eleições, a todo custo, obedecendo a Lula que disse não saberem, seus adversários, do que eles – os petistas e seus aliados – eram capazes para vencer as eleições! E, claro, também escondendo da população a realidade dos números da economia. Mas, pra ela que desconsiderou a Lei de Responsabilidade Fiscal, reguladora dos gastos da administração pública, é fácil: rasga o “manual” e pronto. Isto não é razoável! Quais serão os desdobramentos? Os estados e municípios terão farta munição para exigir isonomia. Voltaremos aos tempos de CAE,
dos “empenhos” de despesas sem cobertura financeira, do descontrole da economia e da perda da credibilidade. Pelo que se comenta, tudo isto ocorreu pela intromissão da nossa presidente nos ministérios. Agora, depois de ter sido eleita e festejado a justa (?) vitória, descumpre promessas de campanha e resolve apertar os cintos – do povão – e isto teria que ser feito de qualquer maneira, trocando peças chaves da equipe econômica por nomes aprovados pelos políticos e economistas. Mas já avisaram: se ela der ”pitacos” equivocados a situação vai piorar. Isto não queremos, nem precisamos. E o superávit primário, previsto na Lei de Diretrizes Fiscais – que vai ser enterrada - que se lasque! A não ser que a oposição consiga virar o jogo! Vai ter show na TV Senado!



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A Aeronáutica em Barbacena – dois pesos, duas medidas


Wilalba F. Souza                                            19nov2014 - Dia da Bandeira


Pois é! O povo brasileiro e porque não o de Barbacena, de modo geral é muito mal informado. O Governo Federal planejou, ano passado, liberar recursos, mediante projetos a serem apresentados pelos municípios, para aplicação na melhoria de aeroportos em um bom número de cidades de médio porte, incluída aí a nossa, visando o desenvolvimento da aviação civil/comercial, por este Brasil afora. Publicado, ou divulgado, o projeto governamental, a primeira providência do comando da EPCar foi proibir, de plano, o uso da pista do aeroporto, em horários “mortos”, pelo grupo local de aeromodelistas , enquanto não se decidisse (não se sabe o quê) sobre as obras projetadas. Até aí nada demais, aeromodelista é “coisa pequena”! Fez a mesma coisa com o grupo de paraquedistas, pois, anexo ao Aeroclube, funcionava um curso ministrado por instrutor credenciado. Certo é que, pelo que nos é dado conhecer, nenhuma obra até hoje foi feita e, como sempre, tudo ficará como está e... ponto final.

Como a memória de muitos políticos, sejam eles de qual partido forem, é obscura e oportunista, talvez seja bom lembrar, a quem possa interessar, que, há anos, existia um aeroporto municipal onde hoje se localiza a Exposição Agropecuária. Contam que lá conviveram o nosso Aeroclube de Barbacena, instituição humilde, mas que considero um patrimônio de interesse público, e a Aeronáutica que chegou depois dos nossos pilotos civis.  Bem, atendendo necessidade de uma pista melhor, o novo aeroporto municipal (?) foi construído há mais 50/60 anos, onde hoje se encontra, em terreno da prefeitura doado à União, evidentemente que com inspiração na unidade da aeronáutica aqui sediada. Uma obra moderna, em condições de melhor atender aviões oficiais e civis. Aproveitando “a leva”, e certamente na base só de conversa, transferiram o Aeroclube, suas coisas e seus aviões para nova área, fincada no aeroporto público cujo nome homenageia um ascendente da família Doorgal. O velho “campo de aviação” daria, como deu, lugar ao “Parque de Exposições”!

Instalações mais condizentes, com pista asfaltada de uns 1.700 metros, tudo que os pilotos militares e civis querem e precisam!  Assim o Aeroclube montou por lá seu hangar, certamente em entendimento com as autoridades municipais e federais. O tempo passou e, anos depois, os militares resolveram que o Aeroclube não podia mais ficar lá. Decretaram seu fim! Assim promoveram, claro que via Procuradoria Federal, uma ação de reintegração de posse contra a entidade. E muitas devem ter sido as motivações, a maioria certamente de conteúdo legítimo, entretanto sem uma justificativa pelo menos moral, eis que eles, os militares, foram bem recebidos na cidade pelos antigos aeronautas civis em seu modesto aeródromo de terra batida. Certo é que, recentemente, foi proferida uma sentença, ainda que em primeira instância, pela Justiça Federal em São João Del Rei, em desfavor do Aeroclube. Uma sentença bem instruída, mas “injusta”, mais que um castigo, promovida em cima dos atos informais e outros “imblóglios” inocentes e insustentáveis, de uma permuta feita há anos, sem suporte legal, prejudiciais aos precursores do Aeroclube e da aviação “paisana” nesta terra. Enfim, estão militarizando uma instalação pública, que quer dizer, do povo!!!

Tem-se a certeza que, acima de tudo, não há interesse dos políticos regionais, ou de Barbacena, em solucionar o problema, senão isto já teria sido feito. O nosso Aeroclube, tendo em vista essas pendengas, está, há anos, sem condições de investir em crescimento ou melhorias, devido a insegurança jurídica herdada. Muitos empresários que gostariam de adquirir seus aviões não o fazem. As aeronaves têm que ser protegidas contra intempéries, sofrer manutenção e possuir base para abastecimento mas, definitivamente, tudo é obstruído nesse  excelente aeroporto, repito, público, sub-utilizado.  E o “galpão hangar” maltratado, utilizado pelos pilotos civis resistentes que sobraram por aqui, não comporta mais que uns três “aeros” de pequeno porte. Assim há, em anteparo a esta história, uma certa névoa impenetrável! Afinal o aeroporto construído em terreno cedido pelo município é federal, ou é municipal? Tem gente que afirma ser ele municipal, mas que as nossas autoridades não se interessam por assumi-lo. Geraria custos. Logo os militares arcam com sua administração e se sentem no direito de ditar as normas de acordo com seus interesses, embora somente tenham por aqui uma ou duas aeronaves administrativas, além de um “Tucano” barulhento e velho ainda em atividade”. Dessa forma, por inanição das autoridades municipais, dos vereadores e de seus antecessores, nem podemos sonhar em termos voos comerciais por esta terra de políticos dominadores, cujos ascendentes já foram mais comprometidos com nossa cidade, e muito menos a chance de vermos o desenvolvimento da aviação em BQ (Barbacena querida), termo cunhado pelos próprios alunos da EPCar, há anos. Não queremos acreditar que isto tenha sido um blague, uma desconsideração ou um bullying em cima da nossa simplicidade, naqueles tempos em que se comemorou a vinda da EPCar como uma dádiva para a população.

E pensar que a Escola Preparatória de Cadetes do Ar é “especialista” em ocupar áreas municipais, de forma legal, deve ser, mas sempre prejudicando a comunidade, desde sua vinda para cá. Recebeu como sede o antigo “Ginásio Mineiro” e “expandiu”, enormemente, seu território, desnecessariamente. Costumam dizer que ficamos sitiados, devido à vastidão territorial, no centro da cidade, por ela ocupada. A bem da verdade ela ”expulsa” o povo do que é seu. Tem o costume de fechar ruas utilizando de toda sua autoridade vinda lá dos tempos de antanho, apoiada pela omissão da municipalidade. No prosseguimento da rua Olegário Maciel montaram, há tempos, um posto de guarda, com cancela. Virou quartel! Era o acesso para a Praça de Esportes Municipal, construída para o povo, por Juscelino Kubitschek, na década de cinqüenta, cuja área, com pista de atletismo, piscina, campo de futebol e o resto foi encampada até para fazer residências funcionais. É o que dizem e é o que lá ainda existe!

Será que a Câmara Municipal sempre aprovou tudo isto?  Há pouco tempo deram – os militares – um “golpe” de ilusão na ex-prefeita Danuza Bias Fortes e em quem sonha com melhorias urbanas, quando teriam prometido devolver os espaços necessários ao desafogo do sistema viário até o Pontilhão, exatamente no trecho acima citado. Devolveram nada! ficou o dito pelo não dito! Só sabemos que esses administradores da aeronáutica em Barbacena são muito bons para avançar sobre as nossas coisas e emperrar nosso progresso. Nada contra, muito pelo contrário, os nossos efetivos que lá servem, cidadãos, em boa parte, barbacenenses. Mas está claro que seus comandantes, há anos, usam de dois pesos e duas medidas, sob nossas vistas, quando se trata de abrir a mão de qualquer coisa que achem ser de uso exclusivo da força, caso do aeroporto. E isto é fácil! Já acostumamos a nos calar perante a arrogância dos poderosos, aliada à subserviência e omissão daqueles que elegemos. Destruir e dizimar nosso Aeroclube, como o estão fazendo, é um absurdo. Com a palavra as nossas representações políticas municipais. Será que não é hora dessas coisas serem esclarecidas e colocadas publicamente?


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Cabeça de Negro


                                     

Wilalba F. Souza                                                                          07nov2014

Saindo de casa dia desses, como sempre faço, ligo o rádio no noticiário de uma das emissoras de Barbacena e escuto que quatro alunos e uma professora teriam sido feridos, dentro de um grupo escolar, pela explosão de uma bomba “cabeça de negro” jogada por alguém pelo lado de fora. As crianças teriam sido prejudicadas temporariamente em sua audição e a mestra atingida por estilhaços de uma vidraça que se quebrara por ação do artefato. E o locutor relatou o ocorrido com tanta naturalidade  banalizando um incidente de tamanha gravidade, junto a outros, do mesmo “calibre” que se registram por aí. Ao fim, arrematou: - a polícia civil suspeita que a bomba tenha sido jogada por algum estudante que tenha sido proibido de freqüentar as aulas!

Como cidadão, fico estarrecido com a evolução desses fatos. Primeiro como a violência tem se desenvolvido entre os brasileiros que já não reagem aos absurdos do cotidiano, até que algum membro de sua família seja atingido. Mais preocupante ainda são as respostas das autoridades, entregues à indisposição de combater esses desvios. Ao invés de dizer que “deve ter sido algum aluno insatisfeito”, melhor dissessem que vão apontar responsabilidades. E é por causa desse conformismo que o Brasil tem o maior número de homicídios e mortes violentas do mundo. Ainda mais que, essa legislação penal e nosso sistema prisional, com protegem a quem comete pequenos (?) delitos – neles incluídos os menores transgressores- e as nossas polícias perdem boa parte do seu tempo enxugando gelo. Quem não ouviu os lamentos de alguns PM esta semana, reclamando que já não agüentam mais prender bandidinhos, numa alusão à perda de tempo com os mesmos larápios, normalmente desocupados, viciados e menores abandonados?

Pouca gente sabe como é difícil trancafiar esses malandros. Registrar ocorrências e flagrantes em delegacias uma é uma “suga física e mental”. Aguardar perícias em locais de crimes outro impasse e base pesada de desmobilização. E a coisa se complica mais ainda pois as ações da polícia de rua (Polícias Militares) obrigatoriamente se encerram nas nossas maltratadas sedes da polícia civil. No interior, então, é de estarrecer. Nem dá pra acreditar. Para finalizar um BO (Boletim de Ocorrência) de um simples furto de galinhas, às vezes uma viatura tem que andar até 300 quilômetros, no caso de Minas Gerais.  Por isto mesmo é que estão – as Polícias Militares – tentando resolver isto modificando, via Congresso, a lei, de forma que seus agentes possam desenvolver, elas mesmas, todas as etapas policiais necessárias ao encaminhamento dos casos atendidos. É o ciclo completo do trabalho de polícia até a Justiça.

Isso evitando criar melindres, de maneira a favorecer melhor desempenho operacional das forças policiais, fatos como os acima citadas não fazem sentido e provocam, além de desmotivação, a omissão, por absoluta falta de meios, das autoridades. E claro que quem “paga o pato” é o povo desprotegido e que não entende o que se passa, embora, muitas das vezes, deixe de apoiar as ações de polícia quando procurado. Pergunte para qualquer policial como é difícil conseguir testemunhas quando do registro de BO. A maioria” sai fora” e mesmo as pessoas envolvidas se escondem, dando mais força para a marginalidade. E, em relação às bombas “cabeça de negro”, duvido muito que haja alguém que não saiba qual foi, ou quais foram os autores desse crime! É preciso que esses avestruzes tirem suas cabeças de dentro do buraco!




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Hipocrisia. Por Wilalba F Souza

                                        

                                                                 04nov2.014


Sempre dou uma folheada num jornal qualquer, antes de sair pra rua. Numa das chamadas, esta semana, li afirmativa de alguém que  o homem não conseguiria viver sem a mentira. Se for verdade acho que a tal hipocrisia anda pertinho dela, razão pela qual sua prática é uma constante. E, nestes dias de pós eleição, se desnudam os subterfúgios usados pelos políticos vencedores, ou não, mas principalmente por eles que – não tenho certeza se o conseguirão – têm que enfrentar os sérios problemas brasileiros agravados, segundo penso, pelo pífio desempenho do PT e aliados nestes últimos anos. Quando Aécio Neves adiantou que Armínio Fraga seria seu ministro a dirigir a economia, “tacaram-lhe pau”. O PT fez um escarcéu e, agora, d. Dilma vai trocar seu “gerente” econômico, aumentar juros, cortar despesas, para tentar debelar a inflação, ou seja, vai fazer tudo que poderia constar do projeto do futuro “ministro” tucano.

A economia que, pela “propaganda” governista, andava sobre controle e apenas passava por turbulências decorrentes da crise mundial, padece muito mais do que isto. O que seria um resfriado, antes das eleições, hoje sabemos ser uma pneumonia. O tratamento será dolorido. A dívida pública está altíssima, também decorrente da gastança de Dilma e equipe. Quem vai pagar a maior parte da conta, não se sabe como, é a metade do povo que votou no tucano. Em programa econômico do Canal Rural analistas trocavam impressões sobre a crise brasileira, muito dependente das comodities, reguladoras dos preços de produtos primários mundiais – agrícolas e minérais - . Sobre estes, informaram que suas cotações caíram 40 por cento no mercado externo e que a China reduziu as importações. Um baque e tanto. Some-se a isto a crise da Petrobras, surrupiada nesses anos todos para financiar políticos da situação e outros menos votados. Os americanos, caso a estatal brasileira não esclareça e desnude essa bandalheira toda, já avisaram: não aceitarão a comercialização de seus papéis na bolsa de Nova Iorque. Logo, não se sabe quem investirá na “cornucópia” esgotada, ainda mais que o preço do petróleo mundial está em queda e o petrossal passa a ser anti-econômico.

Como as falácias costumam agradar os mais desinformados e os oportunistas sugadores do que é público, vale a pena lembrar que Lula falou – aliás, como é próprio de sua personalidade –  nunca ter pedido votos, durante as eleições, ao mercado financeiro. Então é hora dele, como mentor disso que assistimos por aí, procurar os caminhos que nos devolvam o rumos da honestidade e da prosperidade porque a coisa está ficando, ou já se apresenta, muito feia. E a tal de hipocrisia está tão em alta que floresce por todos os cantos. Quando Fernando Henrique era reeleito presidente, no segundo mandato, o PT colocou sua “tropa” na rua com suas faixas e os dizeres “Fora Fernando Henrique”, etc, etc. Na época evento considerado uma manifestação democrática! No final de semana um contingente de inconformados com os resultados eleitorais saiu às ruas para se manifestar contra Dilma e foi um horror. Era gente pedindo cassação e a volta dos militares, coisa impensável, e foi considerada coisa de golpistas. Nisto eles têm razão: o Brasil está cheio de golpistas travestidos de democratas. E usam a democracia somente quando lhes interessa, caso contrário não teríamos por aqui o tal “Foro de São Paulo”, recheado de dirigentes pseudo-democráticos da América Latina, liderados por Venezuela, Argentina, Bolívia, Paraguai, Cuba, e outras republiquetas, às quais se junta o Brasil, sem anuência dos brasileiros.

Neste clima, começam a aparece,r e com destaque, extremistas por todos os lados. O deputado reeleito, Bolsonaro, oficial do Exército, carioca de expressiva votação, virou candidato à presidência em 2.018. Certamente não votarei nele, mas respeito sua propositura. Dia desses me perguntaram, pelo watzzapp:  - porquê os militares não prendem a Dilma? Levei na brincadeira e respondi: - é porque eles não receberam esta ordem, como em 64! Mas, sinceramente, acho que esse tipo de coisa não cabe mais no Brasil, assim como também não se admite escárnio em cima de uma democracia que está se remontando! E lembrei-me de Brizola, o gaúcho que governou o Rio de Janeiro, que disse ser todo militar adestrado para cumprir ordens! E não é que ele tinha razão!




terça-feira, 28 de outubro de 2014

A República dos Ladrões



                          

Wilalba F. Souza                                                                       27out2014


Ontem tivemos o segundo turno das eleições. Em alguns estados, para escolha do governador, e no Brasil para definição do presidente, ou presidenta, como gostam de dizer os petistas e seus aliados. A contagem de votos, com diferença relativamente pequena, reelegeu a dona Dilma, em cujo discurso de vencedora anunciou a necessidade de mudanças de rumo na condução da política econômica, busca de diálogo com todos os setores políticos e vigoroso combate à corrupção. Sendo declaradamente contra permanência “ad eternum” de governantes à frente do país, vejo tudo isto com muita desconfiança. Quem nunca gostou de conversa agora “desanda” a “papear”!

Aécio, que teve expressiva votação, recebeu aceno positivo de mais de 50 milhões de brasileiros. Sua maioria insatisfeita com o andamento dessa nossa carruagem cujos cocheiros são do PT. É, assim, o líder da renovada oposição. Pena que, em seu estado, ele tenha sido derrotado. Há vários setores que lhe negam votos tendo em vista os baixos salários do funcionalismo. Professores, por exemplo, formadores de opinião, não têm porque lhe fazer afagos. Isto lhe custou caro, ainda mais que Anastasia manteve o torniquete apertado, seguindo a mesma linha de conduta, aliás articulada pelo fiel auxiliar, depois vice governador e governador. Mas, considerando que o PSDB ficou no Palácio da Liberdade por doze anos, já era de trocar esses cocheiros, também.

A sinalização de Aécio é convergente à de Dilma. Reunir esforços em torno dos projetos nacionais. Só que, a esta altura, discursos não revelam as entranhas dos projetos eleitorais de ambas as partes. O alvo já são as eleições de 2.018. Não se iludam, a campanha já começou e os marqueteiros já trocaram suas pranchetas. Lula está muito feliz. E, mesmo em caso de derrota de sua eleita, nada mudaria em sua cabeça. Se sua saúde permitir ele deve ser candidato, para contrapor a Aécio, o mais forte político da oposição na atualidade. Então, amigos, a coisa funciona mais ou menos como fazem aqueles jogadores de futebol antes da partida. Afagos e troca de flâmulas na frente do árbitro e, depois, a “butina” come solta. Como dizem os comentaristas em campo: “pra cada enxadada, uma minhoca! As coisas não vão ser fáceis para a situação, mesmo considerando que ela mantém maioria no congresso.

Há quem diga que nosso país é uma “república de ladrões”, exatamente em razão dos fatos amplamente divulgados pela imprensa, envolvendo desvio de dinheiro público e políticos ligados ao governo. Esse mesmo governo que sempre diz não saber de nada e que tem um punhado de “companheiros” condenados por crimes financeiros, mas que já estão cumprindo suas punições em casa, omitindo, entretanto, o  ressarcimento do dinheiro aos cofres fazendários, pelo menos é que sabemos, sem nenhum questionamento do judiciário. Mas estes são aspectos da lei aos quais o povo não tem acesso. Também não sei se esses assuntos entrarão nas pautas midiáticas futuramente. Ver pra crer. Mas bem que poderiam, esses escroques dos cofres públicos, pagar pelos seus gravíssimos delitos, bem fechados, em uma penitenciária que estampasse à sua entrada, com letras garrafais, em “néon”, ou “led”: República dos Ladrões. Nosso Brasil, por mais que suas mazelas nos ofendam, não merece essa pecha! 


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Reeleição e ...desperdício

                                

Wilalba F. Souza                                                                       25out2014

Pois é! Considero este ano o ano do desperdício. Época de eleições, que os políticos e jornalistas batizaram de “festa da democracia”. Índices econômicos em queda, produção industrial pífia, dólar em sobe e desce, seca na região considerada a mais desenvolvida do Brasil e inflação ascendente que preocupa a população. E quando isto acontece os reflexos são percebidos na capacidade decadente de consumo e, pior ainda, afetando diretamente a arrecadação do ICMS, importante fonte de renda dos municípios. Os mesmos cujos prefeitos vivem de pires nas mãos junto aos governos estadual e federal em busca de dinheiro. O governo centraliza a arrecadação e “arrebenta” conosco que vivemos nas cidades. Coisa antiga, própria da cultura de domínio dos poderosos, de cima para baixo.

Mas, porquê do ano desperdiçado, perdido? Exatamente em razão das eleições. Com pouquíssimas exceções, por causa delas, para-se tudo. As campanhas para reeleição em estados e na federação “obrigam” seus chefes de executivo a abandonar a administração. O “barco” está à deriva e, sejam os resultados do pleito quais forem, seus “pilotos” somente tentarão dominá-lo em meio à tormenta. E se o “piloto” em comando perder a contenda? Sim, porque isto que vemos aí não é disputa eleitoral, é briga mesmo! Estes são exemplo das indagações que fazemos a nós mesmos.

Mas, voltando ao abandono, pelos governantes, de suas obrigações para correrem atrás dos votos, e os resultados negativos proporcionados por esta prática, poderão retrucar: -Ah, a administração substitui, temporariamente, um presidente ou governador! E eu digo, se tudo funciona bem nessas condições, pra quê essas autoridades, culturalmente formadas com um instinto centralizador? Concluo que realmente o instituto da reeleição precisa ser repensado. No caso da escassez – na realidade, falta mesmo – de água na região leste, fico abismado de ver o pífio tratamento desses candidatos à grave ocorrência. Fato seríssimo, inusitado mesmo, no Brasil, tem sido tratado como problema do outro, quando deviam se juntar para encontrar saídas, pois não estamos nos referindo apenas a recursos hídricos para a população, mas os reflexos de sua falta no sistema produtivo da região mais desenvolvida do país!

Infelizmente temos que conviver com esses verdadeiros desmandos, repletos de insensibilidade e irresponsabilidade: o “pau quebrando” com cheias no sul e falta d`água por aqui e esse pessoal omitindo providências de sua competência. Somando-se a isto as outras demandas com “fuga” dos chefes do executivo, o “caldo” fica mais grosso ainda: problema nos transportes dos grandes centros, queima de ônibus pelas capitais, com maior incidência em Santa Catarina, falência dos presídios, falta de vagas e médicos em hospitais, ameaça de greve na Polícia Federal, índices criminais estratosféricos, sem número de obras paradas, caudaloso registro de notícias sobre corrupção e... vamos esperar as eleições pra ver o que ainda poderá ser feito! Não estranhamente, as invasões por sem terras, sem teto e outros movimentos estão suspensas!!!  E assim, para a maioria da população brasileira, e para o Brasil, ano já está perdido mesmo!!!



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Alternância no Poder Wilalba F. Souza


                                    Alternância no Poder

Wilalba F. Souza                                                                         17out2.

Confesso que nunca gostei de ir à feira. Nos idos de 1.974, recém casado, em Governador Valadares, que tem um mercado municipal bem sortido, era comum a gente pedir tudo em casa, de um dos donos de barraca que, por muitos anos, servira meus pais. Aliás, esses mercados são muito comuns nas cidades do norte/nordeste e do leste mineiro. O de Montes Claros é excelente. Mais para os lados de cá, Zona da Mata e Vertentes, as feiras de final de semana têm maior aceitação. Não existem, por aqui, pelo que sei, os estabelecimentos municipais correspondentes.

No início da década de oitenta, mudando para Belo Horizonte, percebi que lá havia de tudo: o tradicional mercado central, os distritais e as feiras.  Testemunhei a proliferação dos “sacolões”, onde se achava e se acha de tudo, geralmente a preços abaixo dos outros fornecedores. Com pouco dinheiro, me lembro, se comprava muita coisa, como frutas, verduras, legumes, quase sempre em tabela única, e até carnes, para toda a semana.

Fazendo comparações de preços, em Belo Horizonte, por exemplo, sabemos que o Mercado Municipal, criado como entreposto, há anos passados, tinha setores populares e passou, posteriormente, a ser um local mais sofisticado, embora mantendo uma aparência sóbria. Hoje se destaca, ainda, pela qualidade dos produtos, sendo que seus produtos mais caros. Entretanto compensa, eventualmente, ir lá em busca de algum alguma coisa diferente e experimentar, nos seus botecos, os tira gostos, a cachacinha e a  cerveja gelada. Transformou-se em ”point” de grande frequência. Existem grupos de amigos, entre eles políticos e empresários, que alugam boxes, onde promovem seus encontros semanais, em confraternização bastante saudável.

Tudo isto é indicativo de como nosso país oferece fartura à sua população! E de como a concorrência propicia aos consumidores escolherem onde comprar e quanto se dispõe pagar. Os supermercados, por exemplo, já oferecem de tudo: de banana a produtos eletrônicos e até veículos. É a pujança de um país com amplas possibilidades e que, de anos para cá, vem se descobrindo, principalmente em razão de ter muita gente talentosa a impulsionar sua economia. O pessoal do agro-negócio, por exemplo, pequeno ou grande, vem fazendo “bombar” a economia com destacada participação, possibilitando enchermos nossas bolsas nas feiras livres, nos sacolões, nos mercados municipais e supermercados.

Com esta fartura toda sempre há desperdício. Relatam que, do produtor até às nossas casas, perdem-se até quarenta por cento dos alimentos. É um absurdo, considerando que há carência alimentar pelo nosso Brasil. Nossos produtores se ressentem de estradas vicinais “honestas”. Lá no campo se iniciam as perdas. Aliás, a falta de infra-estrutura tem comprometido melhor desempenho do nosso setor produtivo, em todos os níveis. Estradas, ferrovias, aeroportos, portos, hidrovias e outras obras afins deixam a desejar. A propósito, no caso das feiras – e eu freqüento uma aqui em Barbacena – eventualmente costumo encher a sacola e ela ficar mais pesada que o normal. Quando cai, prejuízo certo: ovos quebrados, tomates amassados e outros desagrados mais.

E é o que acontece pelo nosso gigantesco Brasil, potência considerada entre as dez maiores economias do mundo. O governo do PT administrou muita fartura, muito dinheiro e, errando mais que acertando, desperdiçou e desperdiça milhões de dinheiros em projetos equivocados, senão faraônicos (transposição do “velho Chico”, por exemplo). Desleixado, ainda explora politicamente a Petrobras, a Eletrobrás, os Correios e outros setores da federação, conforme denúncias divulgadas pela imprensa. É muita “mutreta” envolvendo recursos valiosos, onde bilhões de reais são tratados com desdém e desviados sabe-se lá pra onde. Quem deveria dar conta de tudo informa ao povo que nada sabe e “abana” os condenados por crimes graves, até escabrosos, no exercício de funções públicas importantes. “Companheiros” que são liberados e não cumprem suas penas.

Mal comparando, volto aos tempos em que, devido a presença de meus filhos, hoje já “criados”, pela nossa casa, eu sempre enchia a bolsa demais na feira livre e ela, muito pesada, fazia doer muito, e pra valer, meus braços. A solução era ir revezando o peso de um lado para outro e assim chegar com a carga até o destino. Desta maneira eu vejo a democracia. O governo que aí está tem pesado muito. Doze anos é quase o mesmo tempo que ficaram mandando os militares e por isto pagam uma conta “salgada” até hoje.  Como o revezamento que eu fazia, e eventualmente ainda faço, entre meus braços, ao carregar muito peso, percebo que a democracia também exige isto, se quisermos chegar a algum lugar. Mesmo contrariando o discurso de políticos que propalam ter lutado por ela – que envolve a alternância do poder – mas que  “rosnam” igualzinho cães famintos em defesa do osso quando “ameaçados” de perdê-lo. Enfim, o que eu acho é que passamos da hora de trocarmos a bolsa da  feira de lado! 






segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Histórias do Brasil, por Wilalba F. Souza


                                                     13out2.014

Sempre foi assim. Os portugueses aportaram no Brasil no ano 1.500, em busca de riquezas a explorar. E durante anos, pelas capitanias, seus preceptores administraram a retirada, da nova terra, de minerais, ouro e madeira, principalmente. E não foram eles que quase exterminaram o tal“pau brasil”? Pelo menos é o que contam nos livros de história e como se iniciou, nestas plagas, pelo desmando dos aventureiros, a cultura da corrupção deslavada. E esses mesmos portugueses da corte, que se consideravam donos da “Terra de Santa Cruz”, levavam, permanentemente, “bolas nas costas”.

Nos início dos anos 1.800, quando a corte portuguesa, fugindo da invasão pela França de Napoleão Bonaparte, aqui aportou, é que se conseguiu dar uma certa ordem administrativa à colônia. O rei organizou as forças militares, a administração e as representações políticas, nos termos da cultura pós-medieval. A independência veio, com o ”fico”, em 1.822 e, só em 1.889 proclamou-se a república. Dizem por aí que quem provocou esses movimentos foram as elites, política e intelectual. O povão até que gostava de seu rei. Não havia, ainda, as tais passeatas e nem aparato midiático para convocá-las. Mesmo assim, o imperador brasileiro, Pedro II, achou prudente pegar sua coroa, digo, seu chapéu, e voar, digo, navegar para a Europa. Não falam de revolução, guerra, embates, como o acontecido, muitos anos depois, com Carlos Prestes e, mais tarde, com João Goulart.

O pau brasil, digo, o pau quebrou, de fato, foi depois que os políticos e os intelectuais resolveram “nomear”, para o primeiro governo republicano, dois militares: os Generais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, este vice. Em nome da unidade nacional morreu muita gente, principalmente no sul, onde pipocaram movimentos separatistas, visando a criação de um país independente, vejam só! E pelo século XX a democratização brasileira se arrastou. Em 1.930, Júlio Prestes ganhou, mas não levou. Liderados por políticos sulistas e mineiros, apoiados por militares, entregaram o poder a Getúlio Vargas. E lá ele ficou, amado pelo povo, até 1.945, quando deixou o governo, “cumprindo” promessa vinda lá de trás. E, lógico, pressionado pelos políticos adversários.

Getúlio, independentemente de sua condição de ditador, fez muito pelo  país. A legislação trabalhista e o salário mínimo marcaram sua administração, bem como a criação da, à época desacreditada, Petrobras, hoje tão maltratada pelos malucos que a administram. Em 1.951, na base do voto, Getúlio voltou para o “Catete”, palácio presidencial, no Rio de Janeiro. Em 1.954, massacrado moralmente pela “turba” política, e sendo acusado de acobertar a corrupção em seu governo, além de ver seu guarda costas envolvido no homicídio de um militar, acometeu suicídio. Já pensaram se a moda pega nos dias de hoje?

Ao final da década de 50, chegou Juscelino, outro presidente de grande prestígio. Criador da moderna industria nacional automobilística, o desbravador do planalto central, que construiu Brasília, a nova capital. Homem corajoso, reinventou este país com grandes indústrias e importantes hidrelétricas, ajudado, em Minas, por Bias Fortes. Também foi muito atacado e acusado de corrupção pelos adversários. Em 1.962 passou a faixa para o paulista Jânio Quadros, cuja vassourinha prometia limpar o Brasil. Um Collor de bigodes, caçador de marajás do passado, que também se deu mal e foi mandado às favas pelas “forças ocultas”...

Assumindo o vice, Jango Goular, já em tempos de Guerra Fria, os políticos, apoiados por forças conservadoras, maioria no congresso e nos governos estaduais, com receio do comunismo – Jango seria simpatizante – após tentativas de contornar a situação, promoveram o golpe militar/civil ou civil/militar que durou 18 anos, com generais presidentes “eleitos” pelos votos dos congressistas, um tal de “colégio eleitoral”. Uma repetição de Getúlio. O que era para ser transitório e rápido, ficou mais tempo que o necessário. É o que dizem! Bom ou ruim, eles – os militares -  fizeram o que era possível nesses anos, ditos de chumbo. Nenhum deles, Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazu, Geisel, ou Figueiredo, ficou rico. Suas viúvas herdaram seus soldos, um apartamento aqui, outra propriedade ali e só! Muito diferente do que vemos hoje em dia, não é mesmo?

Depois disto vieram Sarney, Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique, Lula e, finalmente, Dilma Rousseff. As denúncias de corrupção e desvios de dinheiro público que começaram no governo do petista Lula foram herdadas por sua “eleita” e substituta, cujo mandato está que é um lodo só. Gente que, eleita para mudar a face de um país, dando-lhe um viés mais honesto e direcionado aos pobres e que, pelo que se vê, se esbaldou. Meus avós já diziam: quem nunca provou mel, quando come se lambuza. Tudo à custa de mensalões, petrodólares, obras superfaturadas e outras lambanças relatadas pela mídia. Esse destempero de mandatário dizer que não sabe, não sabia e nunca soube de nada funciona como requintado libelo acusatório.

Enfim, corrupção no Brasil parece uma doença incurável. Não surgiu ontem. Está nas raízes culturais da nossa terra. Felizmente esses erros e os crimes financeiros têm sido mostrados à população. Os nomes dos delinqüentes e de seus mantenedores ganham as manchetes, deixando estarrecido o povo que “rala” para conseguir viver. Em tempos de eleições, mesmo que não consigamos curar, definitivamente, essa doença grave, a oportunidade é ímpar para que removamos, dos nossos organismos, boa parte desses micróbios, desses sanguessugas e dessas pragas oportunistas que nos perseguem. É difícil, toma muito tempo, mas é a única forma de construirmos um Brasil melhor e menos perverso!!!



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Polícia Militar no Contexto da Segurança Pública e as metas de campanha do novo governador mineiro

              
Wilalba F. Souza                                                                          08out2.014


As Polícias Militares brasileiras, a despeito de sua importância no cenário nacional, mormente depois que o governo dos militares estabeleceu constitucionalmente as finalidades de sua existência, sempre tiveram vencimentos ou soldos quase que aviltantes. Em muitas delas o cenário continua o mesmo. Quando fui para o Departamento de Instrução (hoje Academia de Polícia Militar), muitos oficiais moravam em barracões pelas imediações daquela escola, no Prado ou em bairros próximos. O dinheiro não dava para fazer mais que isto. Mais tarde, servindo no 16º BPM, em Santa Tereza, BH, constatei que muitos de nossos soldados, e mesmo graduados, só conseguiam alugar imóveis pelas favelas e bairros periféricos pouco assistidos.

A situação iria melhorar a partir do governo Itamar Franco, depois das crises provocadas por seu antecessor, o hoje deputado Eduardo Azeredo, que acatou assessorias esdrúxulas de comandantes da cúpula. Haveria aumento só para oficiais, coisa que nunca tinha acontecido na nossa história. Deu na confusão hoje registrada nos livros de história, manchando o nome da Corporação de Tiradentes. Itamar teve que fazer acordos e reajustou os vencimentos de todo mundo. A melhoria foi considerável e separaram o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar.

A partir dessa época, com a ação das instituições representativas dos PM/BM, apoiadas por deputados saídos da PM e eleitos depois da crise de 1.997, pelos próprios integrantes da instituição, foram estabelecidos critérios e datas anuais de reajustes dos militares. Na realidade é perceptível que nesses anos todos as corporações militares mineiras têm sido melhor aquinhoadas em seus ganhos. Entretanto, com o esvaziamento do efetivo – facilitaram a transferência de homens e mulheres muitos novos para a reserva, com todos os direitos –  a capacidade operacional, não só das duas corporações militares, mas também da Polícia Civil, despencou. Não se faz “polícia” sem pessoal numa atividade que tem de estar atuante durante vinte e quatro horas por dia.

Antes de Fernando Pimentel ser eleito, ainda na fase de campanha, respondendo a pergunta de um repórter sobre tal evasão, e com boatos de que ele, caso eleito, iria rever o tempo de serviço nessas instituições – coisa que ainda preocupa os militares, principalmente – disse, peremptoriamente, que isto não iria acontecer em seu governo. De certa forma deu uma acalmada no “eleitorado” e... vida que segue. Entretanto, no caso da nossa Polícia Militar, mais do que foi prometido tem que ser feito. O novo governador planeja recrutar 12.000 homens para reforçar, também Bombeiros e Polícia Civil. E não sabemos em que proporção. O que posso afiançar é que esse esforço tem que ser redobrado. E sobre isto temos comentado permanentemente.

Não se trata apenas de “contratar” homens. Existe um período de recrutamento, formação e adaptação. Para se ter uma idéia, desde o início deste ano estão preparando 1.800 homens em Belo Horizonte para integrá-los ao policiamento. Não é tarefa fácil, considerando que para isto tem que se contar com o apoio de instrutores, monitores, aporte material e administrativo. E por mais que usem professores civis, não há como dispensar a presença de quem conhece os meandros da nossa atividade fim. Os 1.800 novos policiais militares vão ser pulverizados no policiamento da capital, principalmente, e pelo interior. E como revela um velho amigo meu, dos tempos em que dávamos conta do recado: “-Estamos mais carentes de soldados que os paulistas de água”. E completou: “- Nos próximos quatro anos os paulistas vão continuar com sede!!!”.

Considerando os números que nos apresentam sobre o crescimento dos índices criminais, algo mais que tudo isto tem que ser feito. Pelo que se tem observado o melhor do esforço operacional tem sido dirigido a atender ocorrências de alta complexidade, como homicídios, assaltos e similares. E, pelo menos em nossa região, é pequena, ou nula, a presença de policiamento ostensivo em pequenas cidades e logradouros que, anteriormente, dispunham de uma atenção permanente. Confessou-me um PM da Companhia de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário há pouco tempo: “- Semana passada fomos acionados para atender três ocorrências em estradas de nossa área. Era uma viatura só, no turno. Optamos pela que nos parecia ser a mais grave”. Nem me atrevi a perguntar como ficaram os outros acidentes...





segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Ah! Entenda-se o Eleitor Brasileiro!

  Por Wilalba F.
Contrariando, ou pelo menos diminuindo a credibilidade das tais pesquisas, mesmo as de boca de urna, Aécio Neves, do PSDB, ultrapassou
a votação recebida por Marina da Silva no primeiro turno das eleições deste ano para presidente da república. Ele ficou uns oito pontos atrás da D.Dilma e uns doze à frente de Marina. Em São Paulo Aécio teve mais votos que Dilma. Em Minas, Dilma mais que Aécio, Estado que, em tese, o senador candidato teria amplas chances de “bamburrar”, mesmo com o candidato petista a governador desbancando o PSDB. Não foi o que aconteceu.

E, olhem só, os eleitores que votaram no Fernando Pimentel (PT), dando a entender insatisfação com o governo anterior, cujo titular era Antônio Anastasia, o elegeu, com ampla margem de votos sobre Josué Alencar, apoiado pelo PT, filho de José Alencar, falecido ex-presidente de Lula. Não dá, mesmo, pra entender! É preciso que os especialistas façam um trabalho de pesquisa científica muito grande e, mesmo assim, sei lá se eles chegarão a alguma conclusão plausível.

Curiosos, como eu, preferem acreditar que o brasileiro vota pela simpatia pessoal que nutre pelo candidato, independente de seu atributo cultural. É o caso do humorista, do ex-jogador de futebol e mesmo daquele cantor sertanejo. Confesso, e não venham me dizer que discrimino pessoas pela aparência. Mas, nessa cultura tupiniquim pela beleza e até mesmo pelo exótico, as imagem de Dilma e de Marina não são um primor e isto faz diferença. E quando me refiro a imagem não me refiro apenas ao rosto, ao tipo físico, etc, mas também aos movimentos, aos deslocamentos, as posturas e ao tom de conversa. Nesses itens Aécio leva vantagem, inclusive pela experiência adquirida nas tribunas como deputado, presidente da Câmara Federal e senador. É um forte fator, não obrigatoriamente o fundamental!

Somando a isto as notícias sobre a administração petista, as mazelas da Petrobras, ao mensalão, aos rombo via administração do sistema elétrico e dos correios, bem como o mau desempenho de Dilma nos debates da TV, os mais esclarecidos teriam que reagir, como reagiram. No caso de Marina, o próprio espaço de tempo entre a morte de Eduardo e as eleições se encarregaram de encolher o número de seus simpatizantes. Por mais que a gente se esforce, Marina não entusiasma. Meio enigmática, embora passe a imagem de uma mulher forte e honesta, seu brilho é muito pequeno para iluminar o Brasil. É pouco! Dilma ainda tem ao seu lado uma fonte de luz que anda meio apagada, de pilha meio fraca: o Lula, que deve estar maquinando “os diabos” para reverter este quadro de crescimento de Aécio e  a queda de sua protegida.

E brasileiro vota também pelo “bolsa família”, pelos empregos em recrutamento amplo”, pelos postos em estatais, pelas emendas legislativas,
em troca de favores e outros achegos políticos. Nos estados em tese mais desenvolvidos, mais para o sul, o PT andou derrapando. Em compensação no nordeste, o mesmo partido deu de “lavada”. Lá onde os políticos ainda dominam via aporte financeiro, principalmente. Onde a população é mais conservadora e, ainda, mais carente. Olhem só,“nas Alagoas”: Collor venceu disparado pra senador e o filho de Renan Calheiros se elegeu, no primeiro turno, para governador. Como as exceções existem, no Maranhão o candidato dos Sarney – o senador está se aposentando – perdeu. Lá mesmo, onde o tal presídio de Pedrinhas chama mais atenção que todo o resto daquele pedacinho do Brasil.

Então vamos ver: na apuração dos votos Dilma teve uns 8 pontos a mais que Aécio, que se distanciou incríveis 12 pontos de Marina. No segundo turno esses votos vão ser disputados no “tapa”. Boa parte deve ir para Aécio, pois o candidato vencedor em Pernambuco, Paulo Cândido, está alinhado com o peessedebista e o candidato a vice de Marina já declarou apoio ao senador candidato.  Vão ocorrer baixarias e acusações de ambas as partes. É o que dizem os especialistas no assunto, com base no que aconteceu no primeiro turno. Entretanto, duvido que alguém se atreva a fazer um prognóstico sobre o vencedor: ninguém estende o eleitor brasileiro! Perguntem aos institutos de pesquisa!



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Cabos eleitorais, militância e juízes - Wilalba F. Souza


  


                                                                   04/10/14

Amanhã vamos votar, outra vez, obrigados. Mais por imposição da lei que por convicção. Política partidária neste país, pra quem tem sentimento de ética e de honestidade, é algo difícil de acompanhar. É só dar umas lidas no noticiário, e, vez por outra, em temas de cronistas do porte de Tony Bellotto, Alexandre Garcia, Ferreira Gullar e  Lia Luft. Seus comentários fazem arrepiar até os calvos. Mas, infelizmente, o brasileiro não tem a cultura da informação. Sabe mais sobre novelas televisivas, futebol e amenidades do que sobre aquilo que move uma nação. O senador Cristovam Buarque, coitado, é um verdadeiro maratonista em busca da melhoria educacional e cultural no Brasil. A maioria do povo deve trocar de canal ao vê-lo, insistentemente, rogar por investimento em educação, invejando países como Coréia do Sul e Japão e outros menos votados, cujo principal foco, depois de destroçados pela guerra, foi nessa área.

Nessa disputa pelos cargos públicos os golpes baixos são predominantes.
Pior que os do MMA! Os cabos eleitorais surgem de todos os cantos. Profissionalmente, ou não! Começa pelo Juiz Presidente do TSE – Tribunal Superior Eleitoral – jovem advogado petista nomeado pelo governo (a presidente é a chefe). Li que o PSDB está entrando com uma ação de impugnação da candidatura Dilma tendo em vista que os “correios”, órgão da administração federal, estão distribuindo “santinhos”, graciosamente, da candidata chapa branca. A pena, confirmada a prática, anula a candidatura. Dias Tóffoli, do TSE, será suficientemente independente para julgar a pendenga? Outras queixas da oposição – adversária nas eleições – têm surgido, como o uso dos palácios para encontros políticos da situação. – É a minha casa! Uso como quero , diz a candidata, confundindo (?) o público com o privado.

O presidente dos “correios”, Wagner Pinheiro de Oliveira, usando sempre da mesma “tática” dos petistas – ele que também está lá nomeado pelos nossos mandatários – ameniza o que foi constatado por um popular e postado nas redes sociais, como que transformando um acontecimento grave em simples decisão de cada carteiro de fazer isto, nas horas de folga (!), por vontade própria, sendo que seu pessoal aparece uniformizado. Coisa de menor importância, segundo se depreende de suas declarações. Óleo de peroba na cara dele e me engana que eu gosto! A bem da verdade, e isto também é cultural, o uso da máquina pública por quem está mandando virou mania. A justiça não tem como combater essas práticas, a não ser em casos isolados, até o nível de prefeituras. Mesmo assim é um processo doloroso e nem sempre chega ao fim dentro de um mandato.

Assim, a militância oficial, que quer manter seus empregos conseguidos  via recrutamento amplo - e é gente “pra bedéu”-  é bem administrada por seus chefes e praticamente obrigada a ir à luta. Coisa própria de paisinhos de terceiros mundo, dos quais fazemos parte e de onde não conseguimos sair por causa dessas mazelas e da falta de vontade própria do povo. Exemplo do que se passa na outra Coréia, a do Norte, dominada por um baixinho estranho, cujo exército enorme, somado à sua máquina administrativa oficial, propicia o domínio do povo: pelo atraso e ...pela força!





quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Cornucópias Vazias - Por Wilalba F. Souza



  
                                  

                                                                             03out14

São de arrepiar as informações que nos passa a mídia sobre os candidatos aos diversos cargos políticos para essas eleições do próximo dia 5 de outubro. Claro que sobre a D. Dilma recai a maioria dos comentários. Ainda mais que os números da economia estão despencando, sem que respostas adequadas sejam dadas. Aliás, como gasta o governo do PT! Desde a saída de Fernando Henrique, que com o presidente Itamar conseguiu “dominar” a inflação, o PT gasta mal e propicia o desvio de recursos, em todo os sentidos. Temos a impressão que essa turma, com o PMDB e outros partidos que sustentam o governo, além de não entender nada do “riscado”, ainda acha que têm nas mãos muitas  cornucópias! Uma delas, a Petrobrás, está esgotada. E nossos governantes nunca sabem de nada. Aprenderam isto com Lula que, nos fundos de seu gabinete presidencial não viu (?) as articulações “financeiras” de José Dirceu, à época poderoso chefe de gabinete e liderança fortíssima da “coordenação política” a dar governabilidade ao seu chefe. A qualquer preço!

Dá tristeza, sim! Ver escoar pelos ralos do desperdício rios de dinheiros que poderiam ajudar o Brasil a melhorar a qualidade de vida dos seus filhos. Obras superfaturadas são uma constante nesse serviço público. Olha quantos anos já duram as obras da transposição do Rio São Francisco. Era pra ter sido terminada nos tempos do Lula que passou! Quem sabe no próximo governo seu – pós Dilma -? Pelo menos é assim que pensam os petistas de acordo com seu projeto de poder a qualquer custo. Mas o castigo é muito forte para esse pessoal que trabalha com  cornucópias: o “Velho Chico”, um dos mais importantes cursos d`água brasileiros, está sofrendo. E muito. Mal tem água para dar de beber às suas populações ribeirinhas. Seu lastimável estado é, também, resultado da falta de políticas desse governo que aí está há doze anos. Claro que essa turma do “manda, desmanda” vai colocar a culpa no Fernando Henrique, nas condições climáticas, na crise no exterior, na...

Recentemente deram “uma grita geral” porque funcionários dos Correios estavam distribuindo, graciosa e ilegalmente, propaganda da presidente Dilma. Uso da máquina já é “institucionalizado” nesta terra descoberta por Cabral. Só que essa empresa, outra cornucópia, antes de excelência, já está contaminada. Não tem, há algum tempo, a mesma credibilidade, como estatal bem gerida. Quem não se  lembra de um tal Valdomiro pegando uma propina na maior “cara dura”no exercício de função... lá?  Dos escandalosos contratos irregulares com “aéreas” de transporte de volume? Da ingerência no IBGE, no Sistema Elétrico nacional e nas tarifas de combustíveis da Petrobras, uma empresa de capital misto, cujos preços das ações estão abaixo da crítica. Estamos “copiando” a outra presidente, a da Argentina, que está levando seu país à “bancarrota”, ou o seu colega da Venezuela que usa controle informatizado para liberação de cotas em compras ao supermercado da população. É uma coisa de louco. Ficaram, lá, até sem papel higiênico...

Tenho visto o ex-presidente Lula nas propagandas eleitorais de Dilma. Ele diz as coisas com tamanha firmeza que muita gente acaba acreditando. Que o governo de sua protegida está uma maravilha, a saúde pública uma beleza, a inflação sobre controle, o combate à corrupção “bombando”, a segurança pública afinada, que o próximo governo de Dilma será ainda melhor, blá, blá, bla... A bem da verdade quem é um pouquinho esclarecido sabe que qualquer país pode passar por dificuldades financeiras, fiscais, institucionais, etc, etc.  Só que, pelo que temos visto por aí, o nosso problema passa mais por uma péssima gestão que mistura, há tempos, alhos com bugalhos, o público com o privado e ninguém dá jeito! Nem o congresso e a Justiça que está na “algibeira”! Por isto vou votar... As nossas cornucópias estão vazias. É preciso que gente séria as recarregue! É difícil, sim. Mas vou tentar! Dá licença!