A maioria da população mineira não conhece a Polícia
Militar de Minas Gerais, muito pouco sabe de suas tradições, de sua trajetória
e, mais ainda, que se trata de uma instituição com mais de dois séculos e meio
de existência. Às vezes, quando dizemos que a história PM de Minas se confunde
com a própria história do nosso Estado, muitos julgam isto um exagero, coisa de
quem gosta “contar vantagens”, de ufanismo ou de quem sempre procura trazer “a
sardinha para sua lata”. Mesmo que isto ocorresse, tenho certeza, poucas pessoas
dariam a isto a atenção devida.
O Alferes Tiradentes foi da PM. Fui aprender essa
parte no Colégio Tiradentes (da PM),
pois nos compêndios e em outras escolas isto
não era considerado. Naquele tempo a Companhia de Dragões de Minas (Capitania) era
apenas um contingente para cuidar e escoltar o ouro das “Minas Gerais” para os
portos do Rio de Janeiro, de seguia embarcado até a corte em Portugal. E a PM é extensão
e prosseguimento vitorioso dessas unidades que, dentre outras missões, se
obrigava a dar segurança à população.
Quase todos, senão todos os Estados Brasileiros, constituíram
suas “Forças Públicas”, com denominações diversas que se alteraram com o tempo,
até terem uniformizada a denominação atual, vinda da década de 1.940. O Rio
Grande do Sul optou por permanecer com
sua denominação anterior: Brigada Militar, respeitadíssima instituição daquele
Estado. Considerados pequenos exércitos estaduais pelos líderes e comandantes
das Forças Armadas na Revolução de 1.964, trataram eles de exercer maior
controle sobre esses efetivos. Criaram a IGPM (Inspetoria Geral das Polícias
das Polícias Militares) e uniformizaram as doutrinas de sua atuação,
reforçando, institucionalmente, as suas finalidades como encarregadas exclusivas
do policiamento ostensivo. Nomearam oficiais do exército para comandá-las.
Exceção: Polícia Militar de Minas Gerais!!!
O incrível é que mesmo o pessoal da Polícia Militar,
que nela serve ou já serviu, desconhece, por simples desinteresse ou ignorância
mesmo, as suas coisas. Senão vejamos uma pitada delas:
- O nosso Instituto de Previdência (IPSM), criado no
início do século passado (1.908), é o primeiro, o precursor, o carro chefe, de
todos os outros similares em todo o Brasil, em qualquer nível, estadual,
municipal e federal. Aliás, é um dos primeiros institutos de previdência do
mundo. Sua finalidade? Atender com exclusividade as viúvas dos militares
mineiros que, falecido o marido, não tinham como se manter.
- A União dos Militares de Minas Gerais de Minas
Gerais foi fundada em 1.948 para defender e apoiar os reformados. Naqueles
tempos não havia paridade salarial. Reajustes e aumentos dos soldos só para o
pessoal da ativa. Os reformados, em sua enorme maioria dependente de proventos,
e suas famílias, morriam a mingua. Muitos iam para a Praça Sete de Setembro – a
mesma do pirulito – em
Belo Horizonte , pedir esmolas. E só podiam fazer isto com
autorização formal do Comandante Geral: o papel
assinado tinha que estar na “algibeira” do mendigo
policial militar.
- José Francisco Bias Fortes, Governador Mineiro e
sucessor de Juscelino, coronel médico da Corporação, assinou o ato que
equiparou os ganhos de ativos e reservistas. Resultado da luta corporativista
iniciada pela, também precursora, União dos Militares, fundada em 1.948. O Secretário
da Fazenda, Tancredo Neves e seu assessor, Aécio Ferreira da Cunha – avô e pai
de Aécio Neves - colheram a assinatura de Bias no ato que fez justiça aos
reformados da PM em
sua Fazenda , ainda hoje existente. A sentinela da hora,
testemunha viva do ocorrido numa noite de setembro de 1.958, era o sargento José
Júlio que está por aí até hoje.
Muitos de nossos companheiros concordam com o governo
atual de que as mudanças perpetradas desde 2.008, com a criação do tal
bônus de produtividade, ou acordo de resultados, pelo governador Aécio, não significaram
quebra de paridade. O fato é que isto aconteceu. Depois disto e da revoada do
efetivo,”facilitada” pela mudança do Estatuto, a necessidade de homens ao
atendimento à demanda por policiamento, vieram as reconvocações e os bônus de
permanência que desmancharam e jogaram por terra um sistema de remuneração
consolidado ao longo de mais de meio século. Em atividade, hoje, é comum tenente
coronel ganhar mais que coronel em função de comando e praças da mesma
graduação ou subordinadas, terem remuneração maior que seus superiores. Isto
implica dizer que Aécio Neves “jogou no chão”, e só pode ser por motivações
políticas equivocadas, aquilo que seu avô e seu pai ajudaram Bias Fortes
conceder à sua polícia, em tempos bem mais difíceis. Há dúvida de que a tal
paridade foi “para o espaço” e que nós temos que estar atentos?

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