Desvio de foco e...
Wilalba F. Souza
Nossa percepção, com base nos muitos
fatos noticiados hoje é que a mídia,
como que resultado de um grande ensaio,
está investindo pesado, este ano, no cinqüentenário da revolução de 64. Jornais
editam cadernos especiais e as TVs apresentam programas direcionados a, simplesmente, demonizar os 20, ou 25
anos de governo militar. Parecem, querer dizer :” - Olha, cuidado,
não vamos deixar que isto aconteça novamente!”
E todos têm lá suas razões. Mas não há espaç, acredito, e não precisam
exagerar.
Os militares cometeram, sim, seus erros,
houve abusos e decisões acima do que seria razoável, crimes mal
explicados –dos ativistas políticos de todas as matizes, também – até que
voltaram as eleições diretas em todos os níveis com os “civis” no controle da Nação Brasileira.
Certo ou erra-do, o movimento revolucionário teve um papel. Desconhecer os
avanços e a estrutura criada para
desenvolvimento da indústria e da agricultura -chega a ser uma insanidade. E
também não se muda a história por decreto. Retirar os nomes de obras
importantes dadas por aqueles que as fizeram para batizá-las com outros nomes
é, no mínimo, fixação deletéria e vingativa.
Depois que Juscelino saiu o Brasil transformou-se num caldeirão
de efervecência político-partidária e, de
norte a sul, chegavam notícias de graves desentendimentos, crimes e
manobras que colocavam em risco governabilidade
e estabilidade constitucional. A tal “guerra fria” levou os Estados
Unidos a apoiarem o movimento civil militar brasileiro. Para os americanos a hegemonia de comunistas
(tempos da guerra fria) num país das dimensões brasileiras, na
América do Sul, representava perigo eminente pra seu território. Muitos se
lembram do bloqueio a Cuba, potencial base militar soviética.
Assim, esse movimento midiático deixa em segundo plano, pelo menos momentaneamente, em “banho Maria”, os problemas
da Petrobrás, do sistema energético, dos gastos da Copa do Mundo, da
criminalidade, das enchentes no norte e a seca do lado de cá, etc, etc. Aliás,
teve um militar do exército – só militar
do Exército fala. As demais armas se calam. – que declarou, em alto e bom tom
que o esforço maior devia e podia ser despendido no combate às muitas carências
do povo.
Enquanto isto, ainda nos noticiários,
convocação do povo para recadas-tramento biométrico dos eleitores de um estado
lá do nordeste. Último dia, diz o locutor. Numa grande fila, lógico que em
frente do cartório da Justiça Eleitoral, o “povão” se aglomera,
muitos com filhos pequenos a rodear. Só gente humilde, parecendo carente,
“doidinha” pra votar e não perder a oportunidade de escolher suas melhores
representações para deputados, senadores e presidente.
O sistema eleitoral brasileiro é um dos
mais avançados do planeta.Investe-se mundos de dinheiro nesse
aperfeiçoamento. Afinal para os mandatários, a coisa mais importante
que existe é a política. Em seguida vem a política, e daí por diante.
O voto, democrático, lógico, é obrigatório e...... de dois em dois
anos....Meu Deus!

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