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segunda-feira, 28 de abril de 2014

ENFERVESCÊNCIA ELEITORAL



Efervescência Eleitoral

Wilalba F. Souza                                                                          21abr14

Até há pouco tempo a grande maioria dos efetivos das Polícias Militares não podia votar. Oficial sim, mas boa parte justificava sua ausência. Esta situação foi revogada e hoje muito poucos se lembram disso. A  nossa exclusão do processo eleitoral tinha lá suas razões, embora, mesmo assim, existam notícias de companheiros eleitos para diversos cargos, desde o início do século passado.

Hoje é mais comum vermos colegas de farda ocupando, até em bom número, funções políticas por todos os lados, como vereadores, prefeitos deputados, assessores, etc. Com  a eleição de candidatos que eram, ou se diziam ser, líderes das manifestações ocorridas em 1.997, tive o sentimento  imediato de que a cisão entre praças e oficiais estava selada. E não tenho dúvidas de isto ocorreu por insensibilidade e incompetência dos oficiais dirigentes da PM naqueles dias.

Posteriormente tudo ficou comprovado com as declarações fora do tom, e e em plenário, daqueles que se proclamaram representantes da Corporação, tudo fazendo para angariar a simpatia das “praças” em discur-sos críticos aos comandantes e oficiais, sucessores dos que serviram na-quele período, que o coronel Saint`Clair nos aconselhou não esquecer.Pode nossa classe ser representada em seus setores, ou ciclos, sem que ocorram prejuízos generalizados?

Para nos representar, assim entendo, o candidato PM pode e deve ser praça ou oficial de comprovada honestidade e cônscio de sua importância, na condição de político compromissado com a família militar mineira  e  a estabilidade institucional da Corporação que tem sérias obrigações com a comunidade. Desacertos internos são como uma doença a corroer a vontade de qualquer organização similar a nossa. É tudo o que não queremos ou precisamos.

Ocorre que, tanto lá como cá, o debate nesse sentido é muito difícil. Surgem os interesses pessoais, as ligações de amizade, as antipatias surgidas na vida de caserna, conceituações ultrapassadas de que praçanão vota em oficial, e vice versa. Cada uma das nossas instituições representativas tem seus candidato, normalmente ligados às diretorias e, ao fim, assistimos divisão de forças que poderiam ser melhor aproveitadas.

No final da década de 1.990 eu servia na CEDEC (Gabinete Militar) como Diretor de Operações e, numa tarde, recebi a visita do prefeito de Barbacena, saudoso Vicente Araújo, chefe do executivo diversas vezes.. Nosso governador recomendara atenção a alguns de seus pedidos e, enquanto se expedia uma guia de autorização para entrega, a ele, de determinados materiais, me diverti com algumas de suas lembranças de campanha. E numa delas ele disse:
      - Major, há alguns anos eu estava em um palanque, em campanha, presentes vários candidatos, quando um deles, de nome/apelido “Joaquim Cocô”, isto mesmo, todo mundo o chama assim, se apossou do microfone, deu seu recado e, ao fim, me dando total apoio, engrossou avoz e declarou: “- Meus eleitores, votem em Vicente Araújo para prefeito de Barbacena! Em mandatos anteriores foi o que menos roubou!” Todo mundo bateu palmas e eu fui reeleito dias depois!!! É brincadeira, não??

Outro entendimento nosso é o de que, se os nossos representantes não se alinharem com o comando, perdem-se as oportunidades de um diálogo que direcione esforços para o bem maior, o coletivo. Desmerecer a autoridade dos comandantes é reduzir a qualidade e o poder de atuação da Polícia Militar.

Aí me perguntam sobre a questão da honestidade. E digo que isto é básico, fundamental. Nós brasileiros, de modo geral, fechamos os olhos aos desvios e matrifuzias  se acharmos que, em algum momento, seremos beneficiados  pelo candidato eleito. Não podemos cair nessa “vala comum”. Não somos melhores nem piores que ninguém, mas a retidão comportamental nos persegue desde que aportamos nessa carreira. Senão ancoraremos nossos barcos nos mesmos portos habitados por piratas e renegados. Nestes tempos de efervescência eleitoral é importante que nos
debrucemos sobre nossas opções. Voto equivocado não tem volta!!





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