Efervescência Eleitoral
Wilalba F. Souza 21abr14
Até
há pouco tempo a grande maioria dos efetivos das Polícias Militares não podia
votar. Oficial sim, mas boa parte justificava sua ausência. Esta situação foi
revogada e hoje muito poucos se lembram disso. A nossa exclusão do processo eleitoral tinha lá
suas razões, embora, mesmo assim, existam notícias de companheiros eleitos para
diversos cargos, desde o início do século passado.
Hoje
é mais comum vermos colegas de farda ocupando, até em bom número, funções
políticas por todos os lados, como vereadores, prefeitos deputados, assessores,
etc. Com a eleição de candidatos que
eram, ou se diziam ser, líderes das manifestações ocorridas em 1.997, tive o
sentimento imediato de que a cisão entre
praças e oficiais estava selada. E não tenho dúvidas de isto ocorreu por
insensibilidade e incompetência dos oficiais dirigentes da PM naqueles dias.
Posteriormente
tudo ficou comprovado com as declarações fora do tom, e e em plenário, daqueles
que se proclamaram representantes da Corporação, tudo fazendo para angariar a
simpatia das “praças” em discur-sos críticos aos comandantes e oficiais,
sucessores dos que serviram na-quele período, que o coronel Saint`Clair nos
aconselhou não esquecer.Pode nossa classe ser representada em seus setores, ou
ciclos, sem que ocorram prejuízos generalizados?
Para
nos representar, assim entendo, o candidato PM pode e deve ser praça ou oficial
de comprovada honestidade e cônscio de sua importância, na condição de político
compromissado com a família militar mineira e a
estabilidade institucional da Corporação que tem sérias obrigações com a
comunidade. Desacertos internos são como uma doença a corroer a vontade de
qualquer organização similar a nossa. É tudo o que não queremos ou precisamos.
Ocorre
que, tanto lá como cá, o debate nesse sentido é muito difícil. Surgem os
interesses pessoais, as ligações de amizade, as antipatias surgidas na vida de
caserna, conceituações ultrapassadas de que praçanão vota em oficial, e vice
versa. Cada uma das nossas instituições representativas tem seus candidato,
normalmente ligados às diretorias e, ao fim, assistimos divisão de forças que
poderiam ser melhor aproveitadas.
No
final da década de 1.990 eu servia na CEDEC (Gabinete Militar) como Diretor de
Operações e, numa tarde, recebi a visita do prefeito de Barbacena, saudoso
Vicente Araújo, chefe do executivo diversas vezes.. Nosso governador recomendara
atenção a alguns de seus pedidos e, enquanto se expedia uma guia de autorização
para entrega, a ele, de determinados materiais, me diverti com algumas de suas
lembranças de campanha. E numa delas ele disse:
- Major, há alguns anos eu estava em um
palanque, em campanha, presentes vários candidatos, quando um deles, de
nome/apelido “Joaquim Cocô”, isto mesmo, todo mundo o chama assim, se apossou
do microfone, deu seu recado e, ao fim, me dando total apoio, engrossou avoz e declarou:
“- Meus eleitores, votem em
Vicente Araújo para prefeito de Barbacena! Em mandatos
anteriores foi o que menos roubou!” Todo mundo bateu palmas e eu fui reeleito
dias depois!!! É brincadeira, não??
Outro
entendimento nosso é o de que, se os nossos representantes não se alinharem com
o comando, perdem-se as oportunidades de um diálogo que direcione esforços para
o bem maior, o coletivo. Desmerecer a autoridade dos comandantes é reduzir a
qualidade e o poder de atuação da Polícia Militar.
Aí
me perguntam sobre a questão da honestidade. E digo que isto é básico,
fundamental. Nós brasileiros, de modo geral, fechamos os olhos aos desvios e
matrifuzias se acharmos que, em algum
momento, seremos beneficiados pelo
candidato eleito. Não podemos cair nessa “vala comum”. Não somos melhores nem
piores que ninguém, mas a retidão comportamental nos persegue desde que
aportamos nessa carreira. Senão ancoraremos nossos barcos nos mesmos portos
habitados por piratas e renegados. Nestes tempos de efervescência eleitoral é
importante que nos
debrucemos sobre nossas opções. Voto
equivocado não tem volta!!
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