O cinquentenário da Revolução... e o
politicamente correto.
Coronel PM Wilalba F. Souza
Meu colega, coronel
César Braz Ladeira, presidente da
União dos Militares de Minas Gerais, em depoimento no livro “Verdade, Somente
Verdade”, do coronel Ellos Pires de Carvalho, rememorou passagem do dia 31 de
março de 1.964 e e de outros que se seguiram quando, sentados numa rampa
gramada do Colégio Estadual, em Barbacena, eu, ele e outros adolescentes assistimos,
de longe, o movimento de tro pas do 9º BPM pela rua Pereira Teixeira, principal
acesso à unidade.
Apesar de, no nosso meio estudantil e familiar,
percebermos um clima diferente, nada da nossa rotina foi
alterada, seguindo todos na mesma vidinha interiorana de jovens já preocupados com o
futuro. O que fa-zer, que profissão
seguir, depois de terminar o segundo grau? Nas salas de aulas os professores não mudaram
rotinas ou deram opiniões sobre aquelas mudanças no governo. Funcionou a
matreirice mineira: “Passarinho na muda não canta”.
Afinal, ainda lembramos, eram tempos da
propalada “guerra fria” disputa de poder entre blocos de países, resultado do
pós-guerra, com a divisão no mundo povos com doutrinas opostas. Uma formada por
nações democráticas – lideradas pelos Estados Unidos, principal-mente
- e outra pelos países “vermelhos”, comunistas, dominada pela assustadora União
Soviética, de Lenine e Stalin, conduzida com mão de ferro, embora Gorbachov,
mandatário da época, fosse “mais macio”. Tempos
da “Ditadura do Proletariado”, vinda desde o início do século
XX, a manobrar classes trabalhadoras – camponeses e operários – novas dominadoras
do cenário naquelas plagas. Viraram, por lá, a tal pirâmide social de “ponta cabeça”. E, dizem, terem os americanos,convencido líderes opositores
brasileiros a “derrubarem” João Goulart – simpatizante dos comunistas (?)-, ele
vice-presidente, substituto direto e legal de Jânio Quadros que renunciara. Para
evitar confronto e possível derramamento de sangue, dizem isto, “Jango” largou tudo e foi pro exílio no Uruguai.
O resto da história a maioria de nossa geração
conhece. Certamente
sobre ela muitos continuarão falando, dando
versões diversas e opi-
niões conflitantes. Faz parte da
natureza humana. De nossa parte
preferimos discorrer sobre o que vivenciamos. Como integrante da PM nunca prendi um comunista ou mesmo
diligenciei com esse pro-pósito. Quem o fez não deve ter vergonha
de fazê-lo. Trabalhei e muito, pela segurança pública. Esse sempre foi o principal
papel da PM, desde sua criação. Neste nosso Brasil o radicalismo, de direita ou
de esquer-da, fizeram e continuam fazendo história. Infelizmente é o que
assisti-mos a toda hora. São exceções e perceptíveis. E nesses grupos ninguém é santo. De um lado e de outro. E neles houve quem
cometesse e comete muitos pecados em nome de seus objetivos. Então, não
generalizemos.
Churchil disse ser a democracia o “menos
ruim” dos sistemas de governo, até que apareça outro melhor. Viradas de mesa, penso eu, e revoluções pela força, são coisas do passado.
Não são criação dos militares e sim dos “notáveis”, do poder econômico, dos
intelectuais e dos políticos influentes. Vejam a história a partir da
proclamação da república. Getúlio Vargas, ditador endeusado até hoje, mandou por
muitos anos era civil. E mais, na atualidade, para externar o que pensa todo
cidadão esbarra no tal de “politicamente correto”, nem sempre tão correto assim.
Tem gente que costuma, mas com muito cuidado, que “com os militares a
vida era melhor. Havia mais segurança, as escolas funcionavam. Presidentes e governadores nunca ficaram ricos
da noite pro dia”. E isto não quer dizer
que todo mundo deseja mudança via outra revolução, retorno dos militares ou
coisa parecida. Sonha apenas com mais honestidade no trato da coisa pública, segurança, ensino e
melhoria em suas condições de vida, dentre outras coisas.
O jornal “O Globo”, dia 23 de março14, publicou, no “Segundo
Cader-no”, reportagem sobre o assunto. Li e aconselho a quem puder, fazê-lo. Delfim
Neto, super-ministro civil “dos militares, foi entrevistado. Hoje próximo de Lula, segundo
ele por iniciativa do ex-presidente, dá depoi-mento meio contido. Vale a pena
ler. No mais, há entrevistas de inte-lectuais
e artistas, todos “muito bem situados” , a desfilar suas faça-nhas naqueles
dias, em tempos de censura, que não é coisa nova ou privilégio dos regimes
chamados de “exceção”. Atenção aos marcos regulatórios “pipocando” por aí ...
A propósito, e para encerrar, grupos diminutos de
radicais de direita e de esquerda,
encetaram manifestações públicas em São Paulo e aca-baram em
enfrentamento corporal. Como dizem aqui em Barbacena: - Uai,..só pode ser coisa
de doido !!!
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