O Banco do Comandante
Lá pelo longínquo ano de
1.960, eu aluno do Colégio Tiradentes de Belo Horizonte, fui escolhido pelo seu
fundador diretor, o saudoso, à época, capitão Argentino Madeira, para compor
uma comitiva que compareceu à inauguração do quartel novo deste osso 9º BPM.
Qualquer dia desses conto esta passagem com detalhes. Coincidentemente, daí a
três anos minha família viria de BH para cá, acompanhando meu pai, recém
formado oficial.
Anos depois, por dois
períodos, servi em Barbacena e fixei residência na “terrinha”, sendo que, em
2.004, fui designado Diretor Regional da União dos Militares local. Assim, sou
“figurinha” fácil no quartel que, há cin-quenta e quatro anos,
“ajudei” a inaugurar.
Assim, freqüentando as
instalações da “nossa” praça de esportes, observei dois bancos de madeira se
deteriorando pela ação do tempo. Eram peças reaproveitadas que, conforme procurei
saber, não faziam parte do patri-mônio material da unidade. Para consertá-las
certamente seria necessário dispêndio bem acima de seu valor real. Logo, seu
destino seria, facilmente, o descarte, pura e simples.
Conversando com o, à época,
Major Newton Cruz que, na função de subcomandante, respondia, excepcionalmente,
pelo comando, autorizou-me a reformá-los, desde que ficassem à vista e na sede
do núcleo, única forma de prolongar sua utilização coletiva. E assim foi feito.
Tempos depois, com recursos próprios recuperamos aquelas peças. E elas estão
exatamente onde se determinou fazê-lo.
Há uns dois meses, como
sempre faz, o soldado Alípio Domiciano, veterano que ajudou, na condição de
pedreiro, a construir nosso quartel, nos fez uma visita. Conversa vai, conversa
vem, apontei-lhe um dos ban-cos perguntando se ele os conhecia e fiquei
surpreso com sua resposta:
“ -Sr coronel, esses bancos,
retirados de antigas composições férreas, foram aproveitados na ante-sala dos
comandantes na “sede velha” da rua XV. O comandante Thompson Scafuto
os trouxe para cá. Devem ter ficado joga- dos por aí, porque não foram aproveitados na nova e
moderna sede.”
Hoje convidei nosso sub-diretor da UMMG-Barbacena, o tenente coronel Newton Santos da Cruz e o soldado Alípio Domiciano de Assis, associado dos mais antigos, a posarem em um dos bancos da nossa recepção. Fazem parte, a partir deste dia 25 de abril de 2.014, formalmente, da nossa história.


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