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sexta-feira, 11 de abril de 2014

HISTORINHAS SÃO HISTORINHAS

Historinhas são historinhas...

Lá pela década de sessenta o 9º BPM tinha, a chefiar seu serviço médico, o doutor Júlio Rosas. É comum, na Polícia Militar, dar-se, aos seus dentistas e médicos, os dois tratamentos. O do posto ou   da função. Dr Júlio sempre foi “doutor”, jamais tenente, capitão, ou outro posto. Homem ameno, era daqueles que atendiam clientes em casa. Simplório,  com seu característico bigodinho fino, tinha um jeito o todo próprio de se comunicar com oficiais e  praças.

Certa vez, ainda naquelas priscas eras, o comando organizou uma excursão do corpo de oficiais da unidade até Ouro Preto, quando o governo iniciava um trabalho  de divulgação das coisas mineiras. Os museus e as edificações da antiga capital viravam atração no cenário brasileiro e mesmo internacional. E o doutor Júlio Rosas foi integrando a comitiva, composta pelo comandante e mais uns vinte oficiais.

Deixaram a última visita para o Museu da Inconfidência. Embora pouco afetos às peças antigas, verdadeiros tesouros da história mineira, que muitos chamavam de coisas velhas, alguns, os mais integrados à nossa cultura histórica, ficaram maravilhados. O mais brincalhão, brilhante e saudoso tenente Cançado, chamou o doutor Júlio e, apontando para uma daquelas camas antigas e suntuosas, vindas dos tempos do ciclo do ouro e, como que dando uma aula, disse-lhe:- doutor, tá vendo aquela cama? Foi nela que Tiradentes morreu!Demonstrando profunda admiração, nosso médico apenas balbuciou: - é mesmo sô? De forma contida, os risos se sucederam no grupo, quando escutaram do doutor Júlio uma reprimenda: pssssiu!.

Dias depois o mesmo doutor Júlio passou pela sala do tenente aprovisionador, aliás muito seu amigo, para reclamar que sua cota de gasolina para visita aos doentes estava pequena, insuficiente mesmo. – Cê sabe né Alceu ( otenente chefe da seção) esse meu Chevrolet bebe pra danar! -Tudo bem, doutor, vou conversar com o senhor comandante. - Muito obrigado Alceu, agradeceu ele, se despedindo, mas emendando umas das suas pérolas: - Ô nego, quê que cê tem aí que seja bom pra dor de cabeça? A minha está estourando!

Mas nós mineiros somos assim mesmo. Entramos nos nossos museus circunspectros, com profundo respeito. Como nas nossas igreja, podemos dizer assim. Há uns três, ou quatro anos, a União dos Militares, núcleo de Barbacena, organizou uma excursão a Petrópolis. Lá existe uma feira de roupas muito procurada e, depois das compras, fomos conhecer a cidade, muito bonita por sinal. Passamos, no fim daquele dia, pelo Museu Imperial. Realmente pudemos ver maravilhas de nossa história, com acervos muito bem cuidados. Visitamos, também, a   Capela Imperial, onde estão os túmulos da Princesa Isabel e de D. Pedro II. No último, e à sua frente, muito respeitosamente e concentrado, o sargento Fernando Lopes Martins, o “Mala”, católico fervoroso, companheiro muito conhecido em Barbacena, ajoelhou,  se benzeu e fez suas orações, até alguém bateu-lhe nos ombros e, sorrindo lhe disse: - ô “Mala”, vamos embora que o ônibus está esperando. Outra coisa, D. Pedro nunca foi santo, viu?

Qualquer dia contaremos mais...









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