Pesquisar este blog

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

WatssApp

                                         
Wilalba F. Souza                                                                           22/12/15


Antigamente coisas ruins no Brasil costumavam acontecer em agosto. E isto começou a partir do suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Hoje em dia, não! A toda hora acontecem verdadeiras desgraças. Enfiado numa crise político-econômica sem precedentes, assistimos nosso país se atolar na lama da Samarco – em Sabará – e na corrupção investigada pela Polícia Federal. O desastre que matou o Rio Doce é administrado como se tudo fosse uma responsabilidade apenas da empresa que o provocou e, na realidade, o Estado e seu governo, também culpados, estão tirando o peso de seus ombros, eles que mandam e desmandam por todos os lados.

O tal mosquitinho Aedes Egiptis está arrebentando com a população. Se antes ele deixava nas suas vítimas só a dengue, hoje se armou com um vírus hiper-perigoso que vitima fetos em formação, causando-lhe sérias deformações cerebrais. O que tinha de ser feito antes, vai ter que ser feito agora, enquanto doença vitima famílias e famílias. Pra agravar surge a comprovação que o inseto transmite a chicungunha, capaz de causar no homem a síndrome de Guilhen Barré, séria doença que paralisa os músculos da vítima, podendo causar a morte, pois os músculos da caixa toráxica  podem ser afetados incapacitando a respiração. Coisa muito séria num país rico, mas sem dinheiro, jogado fora em aventuras de quem manda e nada sabe sobre economia. Gente incompetente para pilotar barco a remo  que se aventurou a navegar num transatlântico que está indo a pique! E seus capitães insistem em deixá-lo fazer água.

Atônitos, estamos assistindo embates entre executivo e legislativo, situação e oposição, onde seus protagonistas estão enfiados, até o pescoço, em ações de corrupção, ligadas à roubalheira na Petrobras. Enquanto isto medidas importantes para salvar a economia são esquecidas. A presidente, que iludiu os eleitores com falsas notícias alvissareiras, mantém a pose e está mais perdida que “cego em tiroteio”. Não consegue aprovar os tais ajustes fiscais: dizem que é igual dar milho a bode, ela gasta mal e desperdiçou milhões com medidas eleitoreiras e quer continuar faze-lo! As notas das agências internacionais de avaliação de risco, a respeito do desempenho econômico brasileiro, estão abaixo da crítica. O ministro da economia já pediu o boné, o vice Temer quer ser presidente e anda às turras com o presidente do senado, também envolvido em falcatruas. O ex-presidente Lula foi inquirido pela Polícia Federal sobre medidas provisórias “vendidas, ou compradas” em seu governo. Enfim, virou uma bagunça só, enquanto dizem que está tudo bem, pois as instituições democráticas continuam funcionando, mas as coisas não são bem assim.

Dias atrás mais notícia ruim: juiz de cidade do interior paulista suspendeu, por quarenta e oito horas, todas comunicações via Watsapp, um aplicativo que permite troca gratuita de imagens, mensagens escritas e de voz,  ferramenta já assimilada por milhões de brasileiros.  Como pode um juiz de instancia inferior fazer isto com os duzentos milhões de cidadãos com a facilidade de quem toma um copo d`água, sem ao menos imaginar os  desdobramentos desse seu impensado ato? Até entendo: há muito tempo escuto dizer que de urna eleitoral, bunda de nenê e cabeça de juiz ninguém pode prever o que pode sair!!!



o, causando-lhe s vitima fetos em formaçs lados.
sido administrado como se fosse uma responsabilidade apenas da empresa


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O jumento selado e o árabe puro sangue



   Wilalba F. Souza                                                         14/12/15


O deputado Rodrigues, alcunhado politicamente sargento, o que ele, definitivamente, não é mais, teria declarado, em um de seus pronunciamentos na Assembleia Mineira, que coronel não manda mais na PM (será que ele se acha?). Aliás, ele tem enorme prazer em requerer explicações de comandantes, na certeza para aparecer bem perante praças, base importante de seu eleitorado. Entende-se: basófias têm caracterizado o procedimento de grande parte dos políticos brasileiros. Coronel nunca mandou em nada. A carreira militar dá acesso a postos e graduações, e o de maior graduação, ou  posto, comanda. Comandar não é ato solitário. É, sim, solidário. Mais que isto, é integrar, coordenar, organizar e realizar. Está assim, na lei! Mas como grosserias na política viraram rotina, desrespeito e descalabro, o melhor é deixar isto pra lá! Entretanto, ainda que de longe, acompanho, meio de soslaio, a carreira política desse deputado que, aproveitando um jumento selado que lhe apareceu, em 1.997, por ocasião da crise institucional dentro da Corporação, por culpa exclusiva dos comandantes e coronéis daquela época, se elegeu, juntamente com seu desafeto, o não cabo, também deputado, Júlio. Realmente os coronéis comandantes naquele ano se deram mal em assuntos ligados à reivindicação de reajustes de vencimentos, ao aceitarem, numa atitude egoísta, impensada, insensível e anti-profissional,  aumento diferenciado para oficiais, em detrimento das praças e deu no que deu! Deixaram, os incidentes e desencontros no governo Azeredo, uma das maiores manchas na nossa história recente, com a morte de um companheiro e outros desdobramentos.

Passados dezoito anos, já é total a renovação dos nossos quadros, tanto de oficiais como praças. E no mesmo período, sob influência, também, do deputado Rodrigues, assistimos modificações impensáveis no nosso ordenamento institucional, incluídos o Estatuto do Pessoal e o Regulamento Disciplinar, hoje também código de ética. No afã de manter seu eleitorado, esses políticos citados, oriundos dos quadros da PM e que se auto-intitulam representantes da classe, prepararam armadilhas para os mais incautos, como, por exemplo, o tal bônus de produtividade, em 2.008, para o pessoal da ativa, já extinto, quebrando a paridade de vencimentos entre ativos e reservistas, uma conquista suada de mais de meio século atrás, embora os mais ajuizados tenham implorado para que não isto fosse feito. Era a chaga aberta para entrada de outras doenças.

Esse mesmo deputado, ex-sargento, dizem, ajudado por um coronel de alta função, mas de miolo mole, conseguiu convencer seus colegas, e o governador Anastasia, que seria muito bom para a Polícia Militar diluir a carreira militar, somando a ela, para todos os efeitos, em benefício de seu integrante, tempo de trabalho, de qualquer espécie, contado na previdência geral. Ora, sabe-se perfeitamente que a carreira de trinta anos, para a PM e Bombeiros era uma forma de premiar seus integrantes tendo em vista, inclusive, a possibilidade de convocá-los, mormente em situações emergenciais, por comprometimento efetivo com o tempo integral de dedicação. Pois é, acabaram com isto e liberaram geral. Pode-se contar qualquer tempo fora da PM para transferência para a reserva, com todos os direitos. Uma excrescência, em tempos de hoje, um absurdo autorizado pela lei complementar eleitoreira 109, agravado pela mudança no sistema de concessão de férias anuais. De trinta dias corridos passaram para vinte e cinco dias úteis, isto pra não citar outros desdobramentos, como banalização das reconvocações “arremendantes” e desníveis salariais entre militares de mesmo nível, ou de subordinado para superior! Resultado? Evasão galopante de gente nova para a reserva e aumento de indisponibilidade. Recompensados, no caso, foram os candidatos a parlamentares, recebedores dos votos, o governador, re-eleito e os policiais militares beneficiados desproporcionalmente às nossas realidades.  A prestação de serviços ao “povão” caiu vertiginosamente, bastando ver  as reclamações e as estatísticas criminais!

É importante que sempre lembremos a todos dessa história, porque o tempo passa e esses políticos continuam a preparar as suas, sem se preocupar com o que virá pela frente. Assim, modestamente, mas com firmeza, rogamos aos companheiros, principalmente os da ativa, que fiquem atentos a essas armadilhas. O Estado, financeiramente, pode muito, mas não pode tudo! Assim penso! Mais importante que penduricalhos ilusórios e melosos, são as condições de manutenção das qualidades da Corporação. E essas suas características seculares estão sendo desmontadas. A nova discussão é o que fazer para reverter o quadro de penúria das nossas possibilidades operacionais. Ainda bem que pesquisadores do assunto se debruçam sobre o tema, entendendo que a reversão deste estado de coisas só será possível, a médio/longo prazo, reformulando-se a questão do tempo de serviço na Polícia Militar, talvez readotando a norma anterior de trinta anos de serviço ativo puro, em condições parecidas com as das forças Armadas, permanecendo, após a trintenária, quem quiser. É uma das formas de se acabar com “essa festa”, instalada no seio da instituição militar e que poderá resultar, também, anotem, em sério prejuízo para o pessoal que, um dia, irá para a reserva. Virá daí o desagradável pesadelo, pela incapacidade dos cofres públicos garantirem as despesas com inativos e pensionistas, que andam a galope. Não de jumento selado, mas de cavalo árabe puro sangue!!!



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Wilalba F. Souza

                                                             04/12/15


O colega pergunta:- tem crônica esta semana, não? E respondo: - vou ver o cardápio! E não é que nos sentimos igual ao companheiro feminto que chega ao restaurante “self service” e acaba enchendo prato tentando usufruir todas as ofertas do bufet! Como, acima de mililiano de Tiradentes, sou cidadão, começo pelas conversas de que, na Assembléia Legislativa de Minas, se discutia um novo direcionamento de condução dos trabalhos do Estado em relação à fiscalização e outras “pendências” sobre ações no meio ambiente. Enfim, estavam tramando retirar a Polícia Militar da fiscalização, lá na ponta da linha. Motivo: confesso que  não sei e, também, que isto não é necessário pra se iniciar uma discussão, ainda mais pra mimque vi nascer a “Polícia Florestal”, em meados do século passado.

Não importando, em um primeiro momento, de quem foi a iniciativa de se criar, dentro da PM, um segmento com autoridade pra fiscalizar e multar, obedecendo as regras do jogo, os infratores que “arrebentam” com a natureza, me vejo diante de uma situação também dúbia. O Estado que dê condições de sua PM executar seu trabalho, e não, com fins politiqueiros, crie uma outra polícia improvisada para assumir o pequeno efetivo da nossa milícia mineira que faz o que pode com os minguados recursos, ou, de maneira responsável, aproveita uma estrutura estadual já existente e experiente para investir em quem conhece do assunto, há décadas. Não se pode destruir algo que vem, mesmo a trancos e barrancos, cumprindo seu papel, com parcos meios, para engendrar uma situação política favorável a aventureiros que buscam espaços na estrutura estadual.

Aliás, os próprios administradores, políticos e comandantes deviam se agarrar às possibilidades e necessidades da PMMG expandir, não só o policiamento florestal, mas também o rodoviário, como grande objetivo contemporâneo, crucial ao controle de  mazelas que nos afligem, como o contrabando, o livre trânsito de traficantes e ladrões de veículos, assaltantes de estradas, hoje muito em voga, e outras pragas mais, muito comuns. É imprescindível que, até por uma questão de economia e controle, os municípios cuidem de sua parte na segurança pública. Aliás, há um crescimento visível de guardas municipais pelo Brasil. São lacunas naturais a serem ocupadas, tendo em vista a nossa organização federativa. Não somos um Estado Unitário, a exemplo de Chile, França e outras nações de menor território físico, onde a centralização ainda prevalece e funciona.

Esses temas, em dias atuais, não têm a visibilidade necessária! O momento político e a situação econômica nacional estão decadentes, ladeira abaixo e com os freios defeituosos. Impeachmen é o tema da hora. Lideranças de “aloprados” discutem quem vai governar o país, já que D. Dilma deve ser levada a julgamento pelo congresso. O PMDB, arqui-aliado do PT, é quem ditará se a presidente continua, ou não. Logo, amigos, preparem-se porque
Michel Temer está mais escorregadio que peixe ensaboado. Vislumbrando a presidência caindo em seu imaculado (?) colo, parece ter orquestrado ministros importantes de seu partido a pedirem o boné. Acho que os apelos de Lula para que o vice -presidente os apóie vai dar em nada. O cavalo de Temer e do PMDB está passando arriado. O PSDB quer carona e já articula participar do novo governo, ele que representa, hoje, a mais forte oposição a Dilma e ao PT.

Assim, amigos, por mais que outros temas, como a segurança, a saúde e a mobilidade urbana, por exemplo, sejam cruciais, os assuntos da hora são a destruição irresponsável do Rio Doce e os movimentos políticos, com a paralização, por mais um ano, na nossa Pátria Amada. Três anos de imobilização!!! Fazer o quê?





quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Arautos das Ilusões

      

Wilalba F. Souza                                                                                26/11/15

Terminando este ano de 2.015 e seguindo a mesma linha dos políticos que denominaram, ou apelidaram, de agenda, um programa ou uma pauta de ações governamentais que mantenha o país nos trilhos do desenvolvimento, nos ocorre fazer algumas considerações. Sobre os desastres e desandos ambientais e políticos basta qualquer um ligar o rádio, TV ou ler um jornal que as coisas se escacaram à sua frente. Há dois anos estamos parados, inertes e engatados na marcha-ré,  enfrentando dificuldades financeiras e macro-problemas econômicos. Se nada literalmente anda, o comércio não se desenvolve, a população não tem renda para consumir, a produção cai, o Estado também fica sem condições de investir e “lubrificar” a máquina. Assim, vemos, está tudo emperrando.

Certamente que esta corrida pelo poder político não tem sido nada saudável na “terra brasilis”. Quase que sem exceção o político brasileiro aprendeu e executa a fórmula mais fácil para conseguir votos: vende ilusões e foge da realidade, levando os eleitores a embustes inomináveis. Depois de eleitos, todos temos que aturá-los, sem saída, em nome da democracia, que em nossa terrinha, já disse, está meio cambeta. A maioria das promessas feitas pelo governo que aí está comprova que  vivemos de engodo e nos acostumamos com essa prática.

Ontem o senador, líder o governo naquela câmara alta foi preso. Ao que tudo indica envolvido, ele e seu partido, até o pescoço, naquela história de desvio inominável de dinheiro da Petrobras. Poucos dias antes um ex-presidente “condecorou”, numa reunião político-partidária, como heróis, líderes de seu partido condenados e presos por crimes ligados ao tal “mensalão”, central de propina e desvio de dinheiro do povo, plantada, há poucos anos, ao lado do gabinete presidencial. É como se os porcos de seu chiqueiro atravessassem a sala de visitas e não deixassem um pingo, um pinguinho só, de lama. É isto mesmo: porcos atravessam os gabinete super limpos e atapetados de Brasília e não deixam rastros. Um  fenômeno.

E, via gabinetes similares do Estado, também nossas mais conservadoras e tradicionais instituições têm sido contaminadas. No caso de Minas, especificamente a nossa Polícia Militar teve deturpada e deteriorada sua capacidade operacional a partir do momento em que os perfumados donos dos gabinetes decisórios, por onde porcos também não deixam rastros, ofereceram o céu para policiais militares, cujos estatutos foram deturpados, com ajuda monumental do ex-governador Anastasia que, na êxtase de busca a votos,“abriu as pernas”. E conseguiu se reeleger, deixando uma herança maldita para o Estado, para a PM e para o povo: não existe efetivo suficiente para fazer policiamento e, por todos os cantos, e não só por isto, lógico, aumenta a criminalidade, mais a vontade para agir.

E esses arautos da ilusão não se incomodam ou comparecem para oferecer solução ao problemão que deixaram! Não para si, mas para a corporação, principalmente, como a transferência prematura de grande leva de homens e mulheres para a inatividade, pois há incapacidade estatal de se suprir o gargalo aberto. E pior: como a sobrevida do brasileiro aumentou, quem deve ser mais “espremida” é a previdência e os cofres do erário hoje bem minguados. Não sei se darão conta!Assim, essa discussão não pode ficar “no ar”. Quem acha que só o “venha a nós” vale a pena, pode pagar, com pessoas e servidores inocentes, mas não tão inocentes assim, por essa “teimosia” e gana do “quanto mais melhor”. Esses políticos sem história ignoraram as coisas construídas com zelo, desde há mais de duzentos anos, e, por inconsequentes que são, deturparam, diluíram e desorganizaram a carreira militar estadual, deixando para aqueles que sempre buscaram o equilíbrio entre as necessidades dos militares, da instituição e do povo, razão precípuas de nossa existência, o trabalho de reencontrar o caminho mais justo, razoável e cidadão para resgate do que foi jogado, literalmente, ao lixo.  

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Pesadelo



Wilalba F. Souza                                                                                     17nov2.015

Nos anos 50, morador da jovem Governador Valadares, ainda me lembro, pendurado nos ombros de meu pai, retomando de visita à casa de amigos, com um capote de feltro a proteger os dois da chuva que caia forte, transformando a rua Afonso Pena, ainda sem pavimentação, num pequeno córrego bem raso. O velho Alceu, com as calças arregaçadas, seguia firme até nossa casa, ali perto, ainda se divertindo com a situação , naquela via mal iluminada. A uns mil metros, com as margens bem protegidas pela ainda vasta vegetação, corria, majestoso, o Rio Doce, de tão doces lembranças, verdadeiro protetor da vida por aquelas plagas. Ele que, mais tarde, fiquei sabendo, nascia em Ressaquinha, região das vertentes, a partir do Rio Piranga, pequeno mas importante curso d`água aqui pertinho de Barbacena.

No Mercado Municipal era grande a oferta de peixes nobres, como o Dourado e mesmo o Surubim, reis absolutos daquelas águas quase virgens, celeiro dos ribeirinhos, de vida bem simples e ingênua, que ficavam, prá lá e prá cá em seus compridos caíques, herança da cultura indígena, feitos em peça de madeira única e de muita fartura na Mata Atlântica ainda preservada. Infelizmente nós sempre desdenhamos o fato de que as correntes de água são mais que vida para todos.  Só que cada um quer pegar o que julga ser seu e o resto... o resto é resto. E a desídia em relação às mudanças climáticas, agravadas pelo descaso de todos nós, cobra, sempre, um preço bem alto, impagável. Nós somos da natureza e ela viverá sem humanos, se for o caso!

Minas e São Paulo, principalmente, têm sentido a escassez de água por todos os lados. Os rios São Francisco, Doce, Mucuri e Jequitinhonha estão na pindaíba há tempos. Dizem que é tudo culpa do tal de "El Niño". Só que nos últimos 60, 70 anos, destruímos a Mata Atlântica. E nem foi só para explorar madeira! O gado precisou de espaço e uma incomensurável área por todo o Brasil foi simplesmente queimada, junto com o cerrado, mais ao norte do estado. A exploração agrícola descontrolada e os grandes fornos das usinas colaboraram. Eu vi nossas florestas evaporando lá no leste mineiro. Eu vi, estática e insensivelmente, desaparecerem muitas espécies da flora e da fauna. Nunca fomos educados para conviver a questão ambiental.

Eu assisti o Rio Doce (e a maioria dos rios brasileiros) ser transformado em um grande sumidouro de esgoto e rejeitos industriais. Eu senti o mal cheiroso odor da fábrica de papel Cenibra (nipo-brasileira) a 50, 60 quilômetros de distância de Valadares. Eu me vi, por isto mesmo, proibido de usar o rio como lazer. E, há anos, a vida do doce rio vem desaparecendo. Assoreamento constante, inexistência de mata ciliar, destruição dos pequenos e médios afluentes de uma das maiores bacias hidrográficas brasileiras. E eu também não fiz nada. Deixei correr. Mesmo porque, e além de tudo, este gigante adormecido não trata seus cocôs. E, pra tomar água, cada vez mais teremos que separar as imundícies que todos, sem exceção, jogam lá!

Assim, e assistindo o povo e o mundo injuriado com a Samarco, empresa que processa minério em Mariana e que represa os rejeitos excluídos do processo produtivo, e com a Vale (ex-Vale do Rio Doce), não posso me calar sobre a permissividade dos políticos e da população local enquanto tudo vai bem. Emprego, impostos, comércio, progresso, até que, após o acidente, nomeiam a "Geni". O resto é "inocente". Eu, o presidente, o governador, o prefeito, o dono da loja, do restaurante, da pousada, o morador, o agricultor, o dono do supermercado, da venda, do motel, do boteco, somos só "pobres vítimas", juntamente com os funcionários públicos, os policiais, agentes do Ibama e da Funai...todos pobres e ingênuos inocentes!!!

Assim, há alguns dias, tive um pesadelo: O "Velho Chico", da transposição, vejam só, secara. O orgulho brasileiro fôra pras cucuias. O Jequitinhonha, das lavadeiras cantadeiras de Araçuaí, Almenara e Itaobim perdera vitalidade e o Rio Doce, da Vale, dona da ferrovia construída por Percival Farqhuar em 1800/1900, a antiga Vitória/Minas, já não poderia ofertar, e graciosamente, uma das mais belas paisagens desse Brasil Varonil, por culpa de todos nós. Despejamos nele, de uma "vezada" só, uma montanha de barro poluído que matou gente, animais e a vegetação. Algo indescritível. Como  empresas não têm vontade própria e nós somos quem as dirige, para o bem... e para o mal, a culpa é nossa! E nada de escapismo tolo dessa cultura pendenga, cambeta! E, não só para minha tristeza, mas para a de todos brasileiros, tão cedo não acordaremos desse insano pesadelo!
                               

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Robin Hood e a over dose

Robin Hood e a over dose

Wilalba F. Souza                                                                             03/11/15


Um dos primeiros filmes que assisti, ainda bem criança, foi sobre os tempos das cruzadas, dos reis, dos ministros e da nobreza. Havia reis bons, outros cruéis, sempre cercados pela família real, criada “nos luxos”, cercada pelos nobres, lacaios e pelos seus poderosos exércitos. Muito usada nos enredos, a história do Robin Hood, um ladrão que tirava dos ricos para distribuir aos pobres, lá nos tempos de Ricardo Coração de Leão. Seu abrigo, e de seu bando, era a Floresta de Sherwood, ao lado de seus amigos mais próximos, João Pequeno e Frei Tuck, um franciscano divertidíssimo.

Na realidade Robin era filho de um nobre que, em excursão fora da Inglaterra,  com o Rei Ricardo, depois de ter sido capturado pelos inimigos, foge e retorna para sua terra. O príncipe John, segundo na linha de sucessão, assassinara o pai de Robin e assumira a coroa. Com seu grupo passa a combater o novo rei, com a finalidade de reconstruir sua situação de nobre, não sem antes recuperar para o povo tudo aquilo que o tirano dele retirara. É uma história muito bonita, onde o mal sucumbe às vontades dos homens de bem. Robin retoma sua dignidade, se casa com a princesa  sob as bênçãos do Rei Ricardo Coração de Leão que retornara pra seu país.

Assim, com o passar dos anos, fomos muito ao cinema. E que não se lembra dos “Três Mosqueteiros” e sua luta pelo bem, do Rei Arthur e dos “Cavaleiros da Távola Redonda”. Na mesma linha, e às vezes com o mesmo ator, Errol Flynn, dos filmes de capa e espada, onde bandidos viravam heróis, bravos guerreiros em favor do povo oprimido. Em suma, houve uma época que o cinema era, de fato, uma casa de sonhos, de entretenimento puro, onde o bem obrigatoriamente tinha que prosperar, sob pena dos assistentes saírem insatisfeitos, reclamando e lamentando pelo final infeliz.

O que se percebe é que nós humanos sempre nos apegamos a líderes, heróis e super-heróis que mexam com nossa imaginação. Nos Estados Unidos do início do século passado, exatamente em razão do “crash” nas bolsas e das guerras que eclociam, surgiram outros “Robin Hood” mais tungados. Super Homem, Capitão Marvel, do Billy Batson que gritava “shazam” e se transformava num outro homem, de aço e com poderem extraordinários, a exemplo de mais alguns que se seguiram, como o “homem aranha”, um personagem que faz sucesso até hoje.

E a história nos revelou muitos heróis, de conduta ilibada, como Winston Churchill, na Inglaterra, Charles de Gaule, na França, Douglas MacArthur, Harry S. Truman nos Estados Unidos. Homens que conduziram seus países quando a efervecência econômica e social eram perturbadas, ainda, pelas desavenças doutrinárias entre as maiores nações  num mundo de Lênin, Stalin, Hitler, Mussolini, Ho-chi-minh, todos revolucionários e estadistas, por incrível que pareça, considerados pela história líderes do mal que foram!

O nosso Brasil sempre exerceu um papel secundário nos eventos globais. País com população rural insipiente e sedento de progresso até que, lá pelos anos cinquenta, depois da era Getúlio, principalmente por obra e graça de Juscelino Kubitschek, iniciou-se uma era de industrialização portentosa, acompanhada da instalação de hidrelétricas de porte para manter o crescimento de uma nova nação,  de futuro promissor. Mais tarde, no governo militar,  assistimos um fantástico impulso do agro-negócio, hoje o ponta de lança do comércio exterior.

De qualquer maneira, a exemplo de outros países, nós também temos nossos “Robin Hood”. Embora em outros tempos, como povo mais humilde, mais simples no seu sentido de viver, tenhamos cultuado heróis e baluartes. Entretanto, nossa safra de bons dirigentes fracassou. O último “Hobin Hood”, que prometeu mundos e fundos para os mais pobres, se perdeu entre seus ideais de homem de origem pobre e sua sede de riqueza e poder. Lamentáveis os rumos que as coisas estão tomando, de total descontrole, insensibilidade. Assuntos de interesse de nossa população estão sendo relegados a segundo plano, enquanto todos nós rogamos por um ou mais “Robin Hood” de verdade, cujo cérebro, ou cérebros, funcionem um pouco melhor do que os dessas lideranças que estão perdidas por aí, debruçadas sobre montes de dinheiro que eles mesmos juram, de joelhos, não saber de onde veio. Parafraseando a letra da canção de Cazuza, podemos afirmar que “nossos Robin Hood” tupiniquins morrerão de over dose”!!!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Adeus Paulistinhas



Wilalba F. Souza                                                                      23/outubro/2.015


Dia destes o Aeroclube de Lavras, via ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), transferiu de Barbacena, para aquela cidade vizinha, duas aeronaves históricas que, por muitos anos, serviram na formação de muitos pilotos “paisanos” da região. Há quem diga que esse avião foi um dos melhores treinadores brasileiros, utilizado inclusive pela Força Aérea Brasileira nas décadas de 50, 60 e 70. Teve grande número de unidades fabricadas a partir de 1941, pela (CAP) Companhia de aviação Paulista, que, transferiu mais tarde, a concessão para a NEIVA, outra fabricante, que continuou a produzi-lo. Quando criança não me cansava de admirá-los no aeroporto poeirento de Governador Valadares. Um aparelho de asa alta com armação de aço, coberto por uma tela especial, parecendo uma lona encerada. Vazio pesa pouco mais de 400 quilos, tendo um lugar na frente, outro atrás.

Nada demais não fossem os dois aviões de grande representação histórica para a cidade, que, ao longo dos tempos, assiste o desmoronamento daquilo que foi construído pelos nossos antepassados. Me contaram que quando estava no aeroporto de terra, denominado “Campo de Aviação”, e em tempos bem mais difíceis, o Aeroclube era mais considerado. Dividiam, seus pilotos, a pista desconfortável, com os militares da FAB. Construído na periferia, o novo aeródromo, de piso asfáltico, autorizaram os pilotos civis a transferirem para lá seu hangar. O velho deu lugar ao Parque de Exposições. Ocorre que esta mudança, feita apenas com a “garantia de fio de bigode”, deu com os burros n`água, eis que a Federação, quase certo que acionada pela Aeronáutica, requereu, na Justiça, reintegração de posse, impedindo, assim, por muitos anos, investimentos, tendo em vista a insegurança jurídica provocada por aqueles que se consideram donos absolutos do “campo de aviação” novo. Mesmo assim, a batalha ainda estaria sendo desencadeada! Ocorre que...

Conheci Henrique mais de perto há poucos anos, quando ia ao aeroporto ver em ação os aeromodelistas. Moço simpático, brincalhão, sempre foi amigo de todos e comigo não foi diferente, desde o dia em que, mancando com uma bengala a escorá-lo, confessou ter problema com crises de gotas. Dei-lhe umas dicas para amenizar seu sofrimento e indiquei-lhe meu médico. Nunca mais o vi mancando. Mas, em papos num barzinho que lá funcionava, suas reclamações contra as autoridades aeronáuticas locais eram constantes e permanentes. Armaram um cerco, segundo ele, para defenestrar o Aeroclube de Barbacena, instituição que foi criada por aqui bem antes da chegada desse setor militar. Por falta de condições para expandir o hangar, vários empresários interessados em adquirir aeronaves desistiram. Como proteger tais investimentos? Assim, por falta de espaço, os dois Paulistinhas CAP foram dependurados no teto, dando lugar, embaixo, para três ou quatro aeros pequenos.

O Comando Aeronáutico local conseguiu, disse-me ele, interditar o curso de paraquedismo que era ministrado por instrutor credenciado, alegando que o seu Regente, pequeno avião adaptado para isto, não integrava condições para tal atividade. E sabemos como é: contra tal força tem que opor muita resistência. Em seguida o comandante da EPCar proibiu, definitivamente, o uso de pequena parte da pista por aeromodelistas em horários mortos. Sua alegação, para isto, e eu assisti pessoalmente, era que “aquela dona”,  disse, apontando para o retrato da presidente da República na parede de sua sala, estava planejando fazer investimentos no aeródromo para desenvolver a aviação civil regional, algo, segundo soube depois, em torno de 60 milhões de reais. Claro que nada disso aconteceu pois, segundo se propala, o prefeito se desinteressou pelo assunto. Muitos outros municípios de beneficiaram. O nosso, NÃO! -Porquê? Certamente ele, o prefeito, sempre saberá dar uma resposta, embora não sejamos obrigados a”engolir” tão “fortes” argumentos. Me parece que, para os militares, isto, os investimentos federais, seria nada interessante, sabe-se lá o motivo!

Há alguns meses, numa fatalidade, o nosso piloto Henrique – presidente lutador do Aeroclube - faleceu num acidente aéreo em pouso forçado, perto do aeroporto de Conselheiro Lafaiete, quando a aeronave pilonou e sofreu pouquíssimos danos. Num procedimento que me disseram correto, ele retirou o cinto de segurança antes de tocar ao chão. Saiu pelo para-brisa e foi esmagado, lamentavelmente. Acabou a luta pelo Aeroclube. Ninguém se animou a assumir aquela luta difícil, quase perdida, ou totalmente perdida, pela falta de interesse político daqueles que foram eleitos para defender nossas coisas. Assim, fica o excelente aeroporto exclusivamente para os poderosos militares, que tomarão conta de uma obra cara e definitivamente ociosa, coisa mais que parecida com a vasta área do município que eles ocuparam, ao longo dos anos, no centro da cidade e que nos “atravanca” o futuro. São práticas de Barbacena que, por falta de cuidados com seu passado e suas coisas, está cada vez mais pobre! E lá se vão os nossos Paulistinhas para Lavras. Estão sendo recebidos com festas. Vão ser recuperados e voltarão a cumprir seu destino: Voar, voar e voar, para depois serem expostos como verdadeiras relíquias que são, por alguém que ainda sabe preservar sua cultura!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Açougue Cruzeiro



Wilalba F. Souza                                                         13/out/15


Meu pai, Alceu de Souza, teve dois irmãos. O mais velho, José Cesário, nascido bem no início do século passado, sempre foi agricultor. Homem  rude, sério e de sorriso difícil, praticamente criou os mais novos, na ausência de seus pais, dos quais nunca tivemos muitas notícias. Cesário trabalhou de empregado em culturas de hortaliças, comuns no local  ocupado hoje pelo Aeroporto da Pampulha, de onde se abastecia o antigo Mercado Municipal de Belo Horizonte. A produção vinha até a jovem capital no lombo de burros. Com muito sacrifício, tempos depois, conseguiu comprar um pequeno sítio em Vespasiano, na beira da estrada, continuando a calejar suas mãos para sobreviver. De vida exemplar, sempre o admirei pela sinceridade e honestidade, predicados hoje em dia meio difíceis de encontrar nas pessoas.

Quando me mudei para Belo Horizonte, em mil novecentos e sessenta e seis, para fazer o Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar, ia com frequência à sua casa e, não poucas vezes, o ajudava a separar verduras, amarrá-las para, em seguida, colocá-las em caixas engradadas que um caminhão pegava, ainda cedo. Vespasiano ainda guardava um aspecto bucólico, tranqüilo, e dava muito prazer em ficar por lá por um ou dois dias. Nos fins de semana, ao sábado, Cesário ia para a ”cidade”, a pé. Eu às vezes o acompanhava. Primeiro ia à barbearia “desfazer a barba” e, após, comprar carne de boi. Na volta passava, só para cumprimentar, alguns sobrinhos “adotados” e um ou outro amigo bem antigo. Hoje Vespasiano não tem mais graça. É um lugar como outro qualquer. Não poucas vezes, e anos adiante, como tenente, ia visitá-lo e à minha madrinha Ilda. Não tiveram filhos, mas ajudaram muitas crianças a crescer. Costumava levá-los, no meu Karmann Ghia, para comprar pão em Belo Horizonte. Pessoas simples, adoravam fazer aquela “viagem”. Os dois faleceram em paz, lá mesmo em Vespasiano. Foram felizes. E como!!!

Alceu, meu pai, o admirava muito. Meio perdidão em Belo Horizonte, depois de passar por alguns serviços, em tempos do governo Getúlio, resolveu, por sugestão de um conhecido membro da Força Pública de Minas, ingressar na “gloriosa”, como a chamamos. Isto foi lá pelos anos de mil, novecentos e trinta e sete. Depois de servir no Batalhão de Guardas peregrinou por uns Distritos Policiais até ser destacado no interior. Esteve em Conselheiro Pena, Itanhomi e outras localidades do Vale do Rio Doce, até ser promovido a sargento e, após o curso em Belo Horizonte, retornou ao Vale, não sem antes comandar o Destacamento em Antônio Dias. Governador Valadares foi seu destino, no final da década de quarenta, com a mulher e três filhos. Fez, na “Princesa do Vale”, uma bela carreira de praça, até mil, novecentos e sessenta, quando foi convocado para cursar o oficialato. Transferido para a reserva em sessenta e sete, após cumpridos quatro anos no 9º BPM de Barbacena, retornou para Valadares, no posto de capitão, onde morou até o final de seus dias.

Em plena Segunda Guerra Romeu, o mais novo, foi servir o Exército no 10º RI, da Capital, isto anos depois dos embates em que a Milícia Estadual sitiou e derrotou as tropas federais, na década de trinta. Terminado seu tempo, meu tio também entrou para a Polícia Militar. Ainda garoto, lembro bem, ele chegou com sua família, acho que já tinha umas quatro das sete filhas que conheci. Foi morar em frente de nossa casa, na rua Belo Horizonte, da calorenta Valadares. Ele e sua mulher, tia “Totonha”, e as filhas eram diversão pura. Ela bem mais alta que ele, dava as ordens. É o que diziam. O Cabo Romeu, por um bom tempo, foi encarregado do trânsito na cidade e muitíssimo competente naquilo que fazia. Anos depois o comando o transferiu para Ipatinga, onde, sargento, foi organizar o setor municipal de trânsito, sob o comando do major Klinger Sobreira, primeiro comandante do 14º Batalhão da progressista cidade industrial.  Terminou seus dias por lá mesmo, depois de criar suas sete filhas e seu único filho, Romeuzinho.

Romeu, atleticano daqueles mais conhecidos na cidade do aço, era muito assediado por amigos e conhecidos em razão de sua preferência clubística. Diferente do meu pai, também atleticano, ele fazia  muito “barulho” após os jogos. Um de meus irmãos, Valuce, morou com ele quando empregado na Usiminas. Dele guarda muitos e inesquecíveis momentos da família que o ajudou na vida. Minha irmã Déia nos contou que Romeu, ainda bem novo, e antes de ir para o Exército, trabalhava em um açougue no bairro Barro Preto, onde também existia a tal Casa de Correição, um presídio estadual e o Campo do Palestra Itália. Em tempos de guerra, tendo em vista que a Itália de Mussolini se aliara à Alemanha, portanto sendo considerada inimiga, houve quem caçasse italianos, como nos EUA fizeram com japoneses. Numa bela manhã, chegando ao seu trabalho, Romeu viu a que a placa indicativa do comércio sumira. Uma placa grande, por sinal. O Açougue Cruzeiro ficara sem nome. E não é que os dirigentes italianos do Palestra Itália tinham “roubado” a placa! Com pressa, cortaram a palavra açougue e substituíram a antiga, de seu clube, apenas com a palavra “Cruzeiro”!!! Olha aí!!! E a “cruzeirada” nada sabe ou fala a respeito!!!


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Guerrilha Urbana

Wilalba F. Souza                                                                                  30/09/15

Vêm sendo muito divulgadas as imagens de três PMs do Rio de Janeiro que, após ferirem de morte um rapaz – noticiam que é menor de idade – prepararam o local do crime para forjar aquilo que seria, para eles, um reforço de suas defesas. Aqueles policiais devem ter assistido a muitos filmes do gênero “polícia caça bandido” e acabaram se dando muito mal. Vai ser muito difícil para as autoridades desvendar as ações que acabaram por vitimar mais uma pessoa nessa “guerrilha” urbana em que estamos metidos. Coisa muito parecida com as guerras convencionais, onde as regras nem sempre são seguidas.

É evidente que, por mais que se expliquem, os envolvidos no lamentável incidente dificilmente escaparão de serem apenados pela Justiça. Não sei se isto aconteceria se a “manobra” deles não fosse demolida por um curioso morador que registrou tudo por um telefone celular. E o assunto toma dimensões incomensuráveis, com as televisões repetindo as cenas à toda hora. Normal, pois esta é uma característica dos nossos telejornais. Espremem esse limão enquanto dá caldo, digo, audiência, ainda mais que muita gente gosta de ver “o sangue correr”!

Um aspecto a ser considerado é o desgaste que isto trás para a família policial militar de todo o Brasil. Outros são a incapacidade do poder público em atender as demandas sociais da população mais carente e uso do jogo de empurra, querendo que polícia repressiva neutralize as ações da marginalidade crescente pra todo lado. É uma bola de neve em alta velocidade e permanente crescimento. Dezesseis mil mortes por homicídio por ano no país é um índice mais que assustador, e não tem envergonhado, parece, ninguém.

Há pouco tempo, ainda na Cidade Maravilhosa, marginais que devem ter assistido muitos faroestes descobriram que a pessoa que assaltavam era da PM e simplesmente o torturam até a morte, arrastando-o com o uso de um cavalo, pelas ruas da favela. É guerra sim. E não adianta preparar um policial, mesmo de nível curso superior, com todo o cuidado, incutindo-lhe técnicas profissionais das mais modernas, e mandá-lo para o inferno. A bandidagem está cada vez mais atrevida e nem os presídios conseguem dominá-la. E, nessa batalha, inocentes estão sujeitos a receber estilhaços.

Considerando a crise por que passa nosso país, há de se temer pelo pior. O Ministro da Saúde alertou, há dias, sobre o perigo do sistema de atendimento entrar em colapso. Se as coisas já não andavam bem, imaginemos se isto realmente acontecer. A educação anda cambaleando e a segurança publica, infelizmente, tem dado suas rateadas. É importante, nesses momentos de extrema dificuldade, que o cidadão passe a valorizar o que cada setor tem de melhor. A prestação de serviços das polícias militares nos trás muito mais benefícios que prejuízos e isto, além de relevante,  serve de incentivo aos bons profissionais.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Coisas de Paraty e do Turismo brasileiro



Wilalba F. Souza                                                                                  22set2.015


Tenho um amigo de classe média que, periodicamente, paga aqueles pacotes turísticos internacionais durante 12 meses. Viaja pra Europa, preferencialmente, mas já se aventurou até no Japão. Retornando, lança elogios à receptividade pelos países por onde passou. Não sei porque, sempre preferi ficar por aqui mesmo, pois nosso território é bastante extenso e pode nos proporcionar belezas ímpares. Gosto muito do estado do Espírito Santos e cultivo uma certa simpatia pelos capixabas que se parecem conosco, mineiros, pela proximidade territorial. Aliás, anualmente, e há uma década, juntamos uma turminha boa e vamos lá.

De certo tempo pra cá temos nos arriscado, também, passeios anuais a Paraty, com seu antigo porto de distribuição do ouro mineiro transportado pela “Estrada Real”. Além de guardar tesouros da antiguidade, a pousada (Lua Clara), na qual ficamos, nos recebe com muito carinho em nossas idas e vindas. Há o magnifico passeio de escuna, depois ficam à nossa disposição belas e sortidas casas de bebidas e restaurantes. Mas não me esqueço da primeira vez que lá estivemos, quando um fiscal, me parece, aliás muito mal vestido, abordou o motorista do nosso ônibus e passou, em um tom estranho, a traçar rotas para o veículo, tentando, inclusive, nos impedir de chegar até um restaurante, pois, além de cansados, a fome “apertava”. Assumi a responsabilidade e, deixando aquela autoridade falando sozinha, fomos almoçar, lá pelas 17 horas e não descumprimos nenhuma norma de trânsito.

Já é rotina do nosso grupo ir, sempre aos domingos, até Ubatuba, cidadezinha agradável já no Estado de São Paulo, onde passamos o dia passeando, indo à praia e realmente gastando naquele comércio. Aliás há restaurantes maravilhosos por lá. Só que tudo vai bem até aparecer um fiscal para multar. Não tem conversa... o problema é arrecadar, e muito. Na realidade essas cidades turísticas estabelecem normas para a entrada de ônibus em seus domínios. Se por um lado a gente reconheça que há de haver um controle, por outro eles inviabilizam e provocam empresas a não aceitarem a viagem pra lá. É proibitiva uma taxa de trânsito que corresponde a uns trinta por cento do valor do frete. É isso. Numa viagem de R$3.300,00 eles cobram R$1.000,00... um absurdo! Mas a “coisa” fica mais feia quando eles abordam o ônibus. O fiscal, que apenas cumpre determinação, avisa que vai expedir a notificação! É inacreditável... R$4.000,00. Nem tentam cobrar a taxa abusiva destacada. É multa mesmo. 

Diante desse quadro negro, entendo eu, que os senhores administradores e prefeitos pintam seu turismo, principalmente em cima da gana arrecadadora e de quem gosta ou gostaria de conhecer nossa terra, tomamos uma decisão: chega de Ubatuba e de outros centros turísticos com preços abusivos. Vamos continuar indo pra Paraty e outras localidades mais receptivas aos turistas que querem dar seu passeio. Ah... e quanto é a taxa de trânsito na antiga e agradabilíssima cidade?  R$300,00 !!!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

GOVERNO DE MINAS ACABA COM O BÔNUS DE PRODUTIVIDADE



Wilalba F. Souza                                                                                 04/09/2015

A maioria dos brasileiros não gosta de ler e tem memória curta. Por falta de dinheiro, está todo mundo vendo a esparrela na qual se meteu o Brasil, via atos de políticos que fazem qualquer coisa para alcançar e continuar no poder. Há um desequilíbrio latente entre aquilo que funcionários públicos precisam, merecem e reivindicam, e a realidade dos fatos. Infelizmente, em tempos de eleições, existentes de dois em dois anos – não dá nem pra “respirar – os candidatos se armam de promessas e compromissos que nem sabem se vão cumprir, ou se seus substitutos o farão. E é isto que vem acontecendo: em tempos de Aécio Neves e Anastasia, “sua” Assembléia Legislativa aprovou o tal bônus de produtividade, ou de resultados, acenando com mais algum dinheiro para o funcionalismo público, mediante atingimento de metas, etc, etc, impossíveis de serem medidas.

Os tais “pajés”, ou “feiticeiros”, sempre agasalhados por governantes ou  deputados, acendem suas fogueiras, queimam pólvora, fumam seus cachimbos ou charutos de cheiro forte, e apresentam suas fórmulas aos seus chefes, crédulos e ansiosos para ganharem votos e... votos. Então esses assessores de plantão copiaram de empresas privadas o tal bônus, que lá funciona,  porque suas características operacionais são diferentes. E não é que Aécio Neves, Anastasia e sua trupe estabeleceram os tais bônus e, a “muque”, injetaram-nos, também, na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros. Isto foi em 2008. Aliás, sempre fomos contra isto em instituições militares, cujos estatutos devem ser mais conservadores, tendo em vista estar sua existência em justiça e disciplina, previstas em rígidos códigos militares e disciplinares, balizas mestras de sua atuação.

“Batemos o pé” contra tais medidas, mas não teve jeito. Avisamos que essas matrifuzias seriam como chagas, feridas e se espalhariam pelo “nosso corpo”. E não deu outra! Pouco tempo depois, ainda por razões eleitorais e outros inconfessáveis, alteraram nossos estatutos, permitindo que a carreira militar fosse diluída em seu tempo, pois poderia qualquer um contar como nela o trabalho fora dela; como se dela fizesse parte. Certamente um  absurdo, autorizado por tantos companheiros de farda que, estando em comando, sabiam disto e das consequências futuras desse desvirtuamento, numa legislação consagrada. Esta chaga foi a lei 109, que ainda proporcionou a reconvocação ou permanência de quem, instado a ir para a reserva muito novo, pode retornar, mediante o aceno de 33 porcento a mais nos salários. Literalmente, bagunçaram nosso regime salarial. Agora estão querendo aumentar o tal bônus de permanência, e o de reconvocação também, para 50 porcento dos vencimentos. - O imposto de renda está “comendo” esse ganho, ainda reclamam, pois muda a faixa salarial, etc, etc! Logo, querem mais! Enfim, estão preferindo, dizem que por por motivos econômicos, retornar com o pessoal mais velho que recrutar gente nova. Os resultados não têm sido vistos e preocupam a União dos Militares, por motivos óbvios! Um deles é que não há soldados e criam-se distorções salariais entre colegas do mesmo posto/graduação e até mesmo entre um subordinado e seu superior. 

Considerando que na previdência geral as regras impostas obrigam o trabalhador a contribuir e, efetivamente, só se aposentar lá pelos sessenta, sessenta e poucos anos de idade, em situação normal e de acordo com sua contribuição mensal, o que estão construindo para funcionários públicos e para os militares em Minas não pode está alinhado com a realidade do mundo de hoje. E isto pode dar “bode”! Mas, considerando o que estamos assistindo na PMMG e nos Bombeiros Militares, seria importante lembrar o que era nossa carreira antes dessas “machadadas” que encetaram nas duas corporações: o militar ingressava, em qualquer uma das duas mediante concurso. O tempo de serviço era de 30 anos, com plano de carreira, de soldado a coronel. Basicamente, dentro das instituições, havia como ascender profissionalmente, mediante cursos nas unidades ou nas escolas respectivas em Belo Horizonte. Os critérios para promoção eram por antiguidade ou merecimento, de forma simples, com avaliação por comissão e período no posto ou graduação. Hoje existe um sistema tão confuso que desagrada muita gente.

O PM/BM ralava, literalmente, de trabalhar, por necessidade do serviço, para atender às demandas do policiamento, em diligências e ocasiões especiais,  pois “dobrava de escala” e se sacrificava em suas tarefas, às vezes com prejuízos à família, ao seu lazer, férias e outras datas importantes. Mas, lá na frente, ele tinha certeza que seria recompensado, até de forma diferenciada do cidadão dito comum(?!!). Aos trinta anos de serviços, na PM, contados dia a dia, ele era transferido para a “inatividade” com promoção ao posto imediato, ou seja, com aumento de vencimentos. E se o militar tivesse trabalhado em empresas civis anteriormente? Nesse caso ele poderia se “aposentar” mas não receberia a premiação: se fosse capitão, sairia capitão, se 3º sargento, a mesma graduação. Pois é! Aí os caciques e pajés procuraram um a maneira de agradar o eleitorado e aceitaram o tempo de serviço na previdência geral para todos os efeitos, inclusive outros direitos e promoções. Logo o que o poderíamos esperar veio: esvaziamento no efetivo, maior despesas para o erário, prejuízo para o policiamento, para o cidadão que hoje se vê às voltas com  marginalidade.

Assim é que nós, permanentes defensores de alterações mínimas nos nossos regulamentos e  contrários a penduricalhos, atualmente estamos assustados com esses improvisos que, diuturnamente, incomodam. Não podemos, na condição de força de segurança e de policiamento, cair nessa de involução e adoção de medidas – ou remendos  - que nada mais são que verdadeiros improvisos ou tentativas de minimizar os erros cometidos pela insensibilidade, e mais que isto, pela coragem de dirigentes que criaram esses problemas todos e nem estão aí para seus resultados nefastos. Assim, sempre é necessário que alguém dê “a grita” antes que a coisa desande... enquanto isto, debaixo de cobranças e revoltas, estão acabando com algo que nem devia ter  vigorado. 


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Rabo correndo atrás do cachorro



Wilalba F. Souza                                                                                26/ago/2.015

Na edição de hoje, do jornal “O Tempo”, saiu reportagem sobre os números dos efetivos das Polícias Civil e Militar mineiras. Mais que preocupante, os dados nos remetem, como cidadãos, a uma certa insegurança criada pela falta do Estado no ir e vir das pessoas. O universo das ações públicas é por demais diversificado e o tal “cobertor” sempre é insuficiente para “aquecer” todo mundo. Alguém fica no frio. O ambiente muito carregado pelas manchetes a fazerem chamamento para os atos de grave corrupção oficial e os absurdos advindos da criminalidade violenta. 

Ontem fiquei a assistir a sabatina – interrogatório? - do procurador Janot pelo Senado da República. Ele que tem indiciado altas autoridades políticas, inclusive, no caso dos desvios de dinheiro da Petrobras. Dentre os senadores, muitos deles investigados pela PGU, deveriam ter sido impugnados, mas não foram, assim, fizeram parte da comissão. O ex-presidente Collor se destacou na missão de “desancar” o candidato a recondução à Procuradoria Geral da União. Ele (Collor) envolvido diretamente na questão da sangria da empresa estatal. Insistindo em chamá-lo de Janó, o senador tentou, mas não conseguiu seu intento de barrar a comentada recondução. Assim, o homem fica e rege a “orquestra” contra o crime da cúpula política, também!

Como se observa, a discussão sobre segurança pública sempre fica prejudicada. E, com ela, outras de importância fundamental, como a educação, relegada a um plano bem abaixo daquele que deveria estar, agora sempre indo para as páginas policiais. Aliás, tal espectro, isto mesmo, espectro, mete tanto medo que há estados  entregando a gestão de algumas escolas à Polícia Militar. Debaixo de pesadas críticas, os secretários de educação que recomendaram isto sempre superam seus “contrários” com algo bem simples e  muito importante: resultados. Além de melhor comportamento, o desempenho dos alunos nos “torneios” (sabatinas) culturais é animador. Triste mesmo é assistir, com autoridades inertes, embates corporais,  seguidos de agressões mútuas, entre alunos e professores nas nossas escolas. 

O que mais aflora, dentre nossas necessidades de cidadãos, pois exige ação imediata, é segurança pública, e presença de policiamento, cujos tentáculos não têm conseguido alcançar a marginalidade latente nos centros urbanos. Ninguém está a salvo de menores (e maiores também) agressivos em busca de celulares, tênis e dinheiro; e de outros marginais oportunistas que se aglomeram perto das agências bancárias em dia de movimento. Enfim, não existe efetivo, ao menos um mínimo suficiente, para fazer prevenção. A tendência, pela impotência estatal de executar essas ações públicas, é o agravamento da situação. Na Polícia Militar há um claro de uns 9.000 homens. Na Polícia Civil, que tem delegados em apenas 60% dos municípios, a coisa vai muito mal. Mal mesmo!

Enquanto isto, vai se fazendo o que é possível. Por falta de dinheiro não se promove recrutamento necessário para cobrir claros. Tecnologia e outros meios bem atuais, nem ver, pelo mesmo motivo, ainda mais com o país em crise. No caso da PM de Minas, hoje encurralada por medidas que ela mesma aceitou fossem adotadas há dois, três anos, facilitando a transferência de gente ainda jovem para a reserva, de quando em vez aparecem químicos, mais parecidos com feiticeiros ou pajés, tentando minimizar erros do passado recente com medidas paliativas, improvisadas e inconsistentes, como reconvocações remuneradas, daqueles mesmos militares que eles incentivaram “pedir o boné”, aposentar, ir para a reserva, com todos os benefícios.

Dizem que a medida é mais econômica, pois pessoal novo fica muito caro. Entretanto  os reservistas reconvocados não se prestam mais ao “serviço de rua” – têm mais de vinte anos de serviço – e são todos – vejam bem, todos – sargentos ou subtenentes, salvo raríssimas exceções. Precisamos de pedreiros, não de mestres de obra! E mais, esquecem que desníveis salariais entre mesmos postos, graduações e funções suscitam insatisfação. Pode um subtenente ganhar mais que um tenente? Um tenente coronel mais que um  coronel? Na PM pode e está “virando moda”!!! Há pouco mais de um ano contrataram civis para atividades internas, planejando levar o efetivo administrativo para a atividade fim. Fizeram um estardalhaço, como se esta fosse uma saída para embalar, de vez o “operacional”. Houve algum resultado? Pra mim, se ocorreu, foi inexpressivo, tanto assim que mais nada se falou sobre isto!!!

Assim, com essas dificuldades todas empanando as suas missões, resta à Polícia Militar, e também à Polícia Civil, ir tocando o barco meio adernado! E, não tem jeito: alguém vai cair n` água e se afogar. Um assalto aqui, um chacina ali, um caixa explodido acolá, alguma comoção causada pelo noticiário no dia seguinte e… “bola pra frente” na mesma toada. É ou não é o rabo correndo atrás do cachorro?

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

 Rabo correndo atrás do cachorro

Wilalba F. Souza                                                                                24/ago/2.015

Na edição de hoje, do jornal “O Tempo”, saiu reportagem sobre os números dos efetivos das Polícias Civil e Militar mineiras. Mais que preocupante, os dados nos remetem, como cidadãos, a uma certa insegurança criada pela falta do Estado no ir ir vir das pessoas. O universo das ações públicas é por demais diversificado e o tal “cobertor” sempre é insuficiente para “aquecer” todo mundo. Alguém fica no frio. E o ambiente fica muito carregado com as manchetes a fazerem chamamento para os atos de grave corrupção e os absurdos advindos da criminalidade violenta. 

Ontem fiquei a assistir a sabatina do procurador Janot pelo Senado da República. Ele que tem indiciado altas autoridades políticas, inclusive, no caso dos desvios de dinheiro da Petrobras. Dentre os senadores, muitos deles investigados pela PGU, deveriam ter sido impugnados, mas não foram, assim, fizeram parte da comissão. O ex-presidente Collor se destacou na missão de “desancar” o candidato a recondução à Procuradoria Geral da União, ele (Collor) envolvido diretamente na questão da sangria da empresa estatal. Insistindo em chamá-lo de Janó, o senador tentou, mas não conseguiu seu intento de barrar a tal recondução. O homem fica e rege a “orquestra” contra a corrupção!

Assim, a discussão sobre segurança pública fica prejudicada. E, com ela, outras de importância fundamental, como a educação, sempre relegada a um plano bem abaixo daquele que deveria estar. Aliás, tal espectro, isto mesmo,  espectro, mete tanto medo que há estados onde estão entregando a gestão de algumas escolas à Polícia Militar. Debaixo de pesadas críticas, os secretários de educação que recomendaram isto sempre superam seus “contrários” com algo bem simples e  muito importante: resultados. O desempenho dos alunos desempenho nos “torneios” culturais é animador. Triste mesmo é assistir, com autoridades inertes, ocorrências  de agressões mútuas entre alunos e professores nas nossas escolas. 

O que mais aflora, dentre nossas necessidades de cidadãos, por exigir ação imediata, são ações de policiamento, cujos tentáculos não têm conseguido alcançar a marginalidade latente pelos centros urbanos. Ninguém está a salvo de menores agressivos em busca de celulares, tênis e dinheiro;|ou de outros oportunistas que se aglomeram perto das agências bancárias em dia de movimento. Enfim, não existe efetivo suficiente para fazer prevenção e a tendência, pela impotência estatal de executar as ações públicas, é o agravamento da situação. Na Polícia Militar há um claro de uns 9.000 homens. Na Polícia Civil, que tem delegados em apenas 60% dos municípios, a coisa vai muito mal. Mal mesmo!

Enquanto isto, vai se fazendo o que é possível. Por falta de dinheiro não vão promover recrutamento necessário de gente nova. Tecnologia e outros meios bem atuais, nem ver, pelo mesmo motivo! No caso da PM de Minas, hoje encurralada por medidas que ela aceitou fazer, há dois, três anos, facilitando a transferência de gente jovem para a reserva, de quando em vez aparecem químicos, mais parecidos com feiticeiros ou pajés, tentando minimizar erros do passados com reconvocações remuneradas, daqueles mesmos militares que eles incentivaram sair. Dizem que a medida é mais econômica, pois pessoal novo fica muito cara. Entretanto  os reservisstas “reconvocados” não se prestam mais ao “serviço de rua” – têm mais de vinte anos de serviço – e são todos – vejam bem, todos – sargentos ou subtenentes, salvo raríssimas exceções. E mais, esquecem que desníveis salariais entre mesmos postos, graduações e funções suscitam insatisfação. Pode um subtenente ganhar mais que um tenente? Um tenente coronel mais que um  coronel? Na PM pode!!! Há pouco mais de um ano contrataram civis para atividades interna, planejando levar o efetivo interno para a atividade fim. Houve algum resultado? Nada se fala sobre isto!!!

Assim, com essas dificuldades todas empanando as suas missões, resta à Polícia Militar, e também à Polícia Civil, ir tocando o barco meio adernado! E, não tem jeito: Alguém vai cair n` água e se afogar. Um assalto aqui, um chacina ali, um caixa explodido acolá, alguma comoção causada pelo noticiário no dia seguinte e… “bola pra frente”. É ou não é o rabo correndo atrás do cachorro?



terça-feira, 18 de agosto de 2015

O andar de baixo, tal qual o andar de cima



Wilalba F. Souza                                                                      16 de agosto 2015

Ontem foi mais um daqueles dias em que assistimos manifestações populares por todo o Brasil. A motivação desses encontros tem sido uma pálida reação contra o governo instalado – literalmente instalado – no Brasil, de direcionamento conflitante, cercado de políticos envolvidos em falcatruas e desvio de dinheiro, de acordo com processos divulgados pela mídia denominados “mensalão”, “petrolão”, dentre outros, tudo no aumentativo, eis que tratam de investida irregular  numa dinheirama incontável que parece até não caber nos bolsos desse pessoal que nos manda e desmanda.

O ex-presidente Lula representa, em todos os sentidos, a média da cultura do nosso povo. E como ele exagera! Ao se intitular, há alguns anos, um exemplo de metamorfose ambulante, acertou em cheio  num dos aspectos da nossa cultura, visivelmente mutante através dos tempos. Como daquele  nordestino que, sem eira, nem beira, veio pra São Paulo tentar a sorte e... bamburrou. Literalmente, bamburrou. Este um termo usado por garimpeiros que, num lance de sorte, encontra um filão de pedras preciosas e consegue sua independência. Muitos deles, por pura inexperiência, acabam perdendo tudo em farras e desperdício.

Lula, não! Bamburrou, mediante uma capacidade incomum de convencimento, chegou a presidente, sendo “dono” de um  partido que ajudou a fundar e, de certa forma, a afundar. Se por um lado está se perdendo politicamente  com  sua ganância pelo poder, por outro parece ter se resguardado na questão financeira. Só que seu patrimônio maior teria que ser o de presidente renovador, inovador, preocupado com o social, com a população mais humilde. Infelizmente, embora alguém possa discordar, até onde pôde, “usou” magistralmente os mais pobres, de origem igual à sua, e desavisados para se locupletar. É! Mas parece que, lentamente, suas falcatruas estão estão aflorando. Será um iceberg?

E, infelizmente, nos resta assistir,“diuturna e noturnamente”, como disse a presidente, a derrocada da vida política nacional. E presencio, também, o esfacelamento dos nossos componentes sociais, por todas suas camadas. Cada um quer tirar suas vantagens, mesmo sendo elas moralmente inaceitáveis. E, pegos com a mão na massa, todo mundo reage até com violência. Ou não é que assim fazem os partidos do governo quando “apertados contra a parede”? Todos os dias, pela mídia, o governo e seus partidos, a respeito de suas irregularidades, respondem com a mesma ladainha. Uma delas, do PT, retumba pelos ouvidos: “Nossas campanhas só receberam doações legalizadas com  prestação de contas ao TRE...”; “O que nós fizemos e fazemos, FH também fez”. Aliás, um dirigente de sindicato falou até em usar armas para defender o governo...

Cá pelo andar debaixo a carruagem anda, guardadas as devidas proporções, na mesma toada: flagrada numa infração de trânsito, uma senhora foi deseducada com o fiscal, sugerindo que ele fosse combater os crimes que assolam a população! Quer dizer, norma de trânsito não precisa ser cumprida, e com elas, outras que melhorariam a convivência social. Sábado passado, passando em frente a uma agência do Banco do Brasil, parei meu carro para que um caminhão manobrasse e desocupasse a vaga onde se encontrava, destinada a motoristas com necessidades especiais. Coisa mais sem propósito, pensei eu, a respeito do motorista, quando, em seu lugar, estacionou uma caminhonete e, assisti quando desceu, todo serelepe,  um  tenente reformado da PMMG, de quem, certamente, esperaríamos uma conduta mais apropriada de quem, profissionalmente, deve ter trabalhado pela ordem pública e social!

O professor de ginástica de minha mulher, que atende uma turma de pessoas com mais idade, e dá aulas em uma escola pública, contou a história dos pais de um aluno seu que, suspenso das aulas de judô por atitudes insistentemente violentas, instou seus pais a irem até a escola – pela primeira vez – para reclamar de sua atitude. E o fizeram de maneira descontrolada e deseducada, só não partindo para agressão pela interferência de outros professores. E assim as coisas vão funcionando, de mal a pior. A base mais crucial da formação de cidadãos está ficando viciada e deturpando a idéia de honestidade, correção e mérito. Todo mundo tem ânsias de cabular normas e tirar vantagens, por menores que sejam. E, infelizmente é um exemplo que vem de cima: Fernando Collor teve apreendidos vários automóveis de luxo em sua casa, coisa adquirida de maneira irregular. Pelo menos os jornais assim divulgaram. E nossa presidente, dona Dilma, fez dívida, em nome do Brasil, para transporte de taxi, nos Estados Unidos, e não pagou... por falta de recursos orçamentários!!!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Oportunismo Sádico!



Wilalba F. Souza                                                                                   06ago2015

Nós que, por anos a fio, convivemos com as ações marginais e de marginais, aprendemos que há vários “modus operandi” que gatunos utilizam para surrupiar do cidadão um bem, ou bens que custaram trabalho e sacrifício. Há uns dois dias, aproveitando a ausência de um amigo meu, médico, que saiu à noite para atender a uma emergência, ladrões adentraram à sua casa e levaram suas coisas e mesmo dinheiro lá encontrados. Conclusão: se você sai de casa e a deixa sem proteção, aparecem ratos oportunistas e se refastelam. Para esses larápios esse negocio de ética, perfil da vítima, se é rico ou pobre, velho, mulher, doente ou idoso pouco importa. Desejam de apossar daquilo que não construíram, adquiriram ou trabalharam para si e nada os segura!

Estava vendo, dia desses, uma reportagem feita na rua 25 de março em São Paulo. Lá se concentram vendedores de todos os naipes – e compradores também. Comercializa-se de tudo, de roupas a eletrodomésticos, de origem legal ou não, haja vista as incursões pontuais do fisco e da polícia, em busca de produtos contrabandeados e de origem duvidosa. É uma correria doida, de gatos pingados contra bando de ratazanas. E, não bastando tais ocorrências, há aqueles ladrões que, durante maior movimentação de pessoas, em datas marcantes e, em equipe, agridem, enfiam as mãos em bolsas, na maior cara dura e saqueiam as vítimas indefesas. Selvageria, mesmo, incontrolável, dentro de uma comunidade que luta pela sobrevivência, ao descontrole do Estado. Quem ganhou, ganhou e... quem perdeu, só tem a chorar o prejuízo!

Coisa parecida com que que se vê em nosso Congresso, em tempos de muita confusão e crise pelo país. A desgovernança é total. Os petistas, me parece que com uma falsa auto-suficiência, acharam que dariam conta de conduzir nosso Brasil a bom termo e isto não aconteceu. Seus melhores quadros foram expulsos ou desertaram e quem ficou se dá mal. É só relacionar os aliados de Lula que, bem ou mal, estão presos ou sendo levados a responderem por seus crimes enquanto “governo”. Zé Dirceu, Genoino, João Vaccari e outros muito próximos do poder ajudaram a saquear empresas estatais para garantir recursos para campanhas eleitorais e para seus próprios bolsos. Os governistas, agora, estão com as barbas de molho, porque a tal de “delação premiada” deve desnudar muita gente “encapotada” por aí. Tentaram mas, até agora, não conseguiram “calar” os encarregados das apurações. É muita sujeira para poucos faxineiros.

Preocupa, e muito, o andar dessa carruagem. Noite passada a Câmara dos Deputados, numa grande festa, aprovou a organização da carreira – e salários – dos integrantes da AGU – Advocacia Geral de União, levando, no rastro, delegados da Polícia Federal, Civil e mesmo advogados dos Estados. Quer dizer, medidas que provocarão despesas em cadeia, a serem cobertas pela União, Estado e Municípios, em tempos de vacas magras. E coloca vacas magras nisto. Coisa muito parecida com o oportunismo daqueles gatunos da 25 de março que aproveitam o movimento descontrolado das pessoas pela rua famosa para promover seus saques. Esses gatunos (da 25 de março, gente!)estão se lixando para a vida das pessoas honestas pelo resto do país. Elas que vão ter pagar a conta e trabalhar (?) muito pelas suas recuperações. Reajustes fiscais, retomada da economia, dos empregos daqueles mais necessitados, dos investimentos e da credibilidade é problema da Dilma, diriam eles!

A despeito dos erros desse governo, dos delírios de Lula e seus admiradores, dos desvios promovidos pelos “gatunos” colocados em vários cargos, não vislumbro como esse Congresso cambeta vá se juntar para definir medidas sérias que minorem os problemas e coloquem esse comboio nos trilhos. Virou tudo uma torre de Babel. Pior, está todo mundo ensandecido. Parece até que chamaram o corneteiro e mandaram tocar um “dane-se geral, cada um por si e Deus pra todos”. E não venham com essa de querer chamar o pessoal do botão amarelo (militares) como já propalou o “Ratinho” em seu programa no SBT. É pouco, quando analistas já começam a nos comparar com a Grécia e seus graves problemas. Fiquemos atentos às manifestações públicas convocadas ainda para este mês. Será um termômetro para avaliar nossa doença!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Abaixo o Retrocesso


Wilalba F, Souza                                                                            03/07/2015

O deputado federal Bonifácio Andrada, decano da famosa família de Barbacena, segundo me chegou ao conhecimento, gosta de escrever. Interessado em um de seus livros, meu amigo e colega coronel César Braz Ladeira, encarregou-me de conseguir um exemplar em seu escritório local, lá na rua senador Antônio Carlos, antepassado e destacado político da mesma estirpe. Ao entregar-me a obra, o auxiliar do deputado, em tom  de brincadeira, pediu desculpas porque nos escritos de seu chefe não havia bibliografia, numa alusão ao fato do escritor relatar passagens por ele vividas ao longo de sua existência e finalizou, com um  largo sorriso: - a bibliografia é ele mesmo!

Eu também sempre gostei de registrar fatos que, sob minha ótica, considero    interessantes. E parece que já falei, a despeito de todos os males que os   militares possam ter feito à nação, eles nunca serão piores do que os que   praticam esses dirigentes hoje. Comecei a trabalhar em mil novecenos e sessenta e seis, num tempo que ninguém sabia o que era imposto de renda. Daí  a poucos anos seria organizado o sistema tributário – ainda no governo militar. E, é claro, a arrecadação melhorou, de maneira que, é o que se conclui, o planejamento e execução dos orçamentos foram melhor viabilizados. E  ninguém precisa ser economista para deduzir isto.

Voltando um pouco no tempo, me lembro que meu pai, sargento da PM, lá pela década de cinquenta, sempre estava às voltas com  atrasos nos pagamentos de seus soldos e dificuldades para criar a família numerosa. As  antigas coletorias  (de impostos) dos municípios eram autorizadas a “adiantar” o dinheiro aos comandantes de destacamentos. E nem sempre havia recursos suficientes. Aos coletores – figuras importantes d`antanho – os “milicos” apresentavam o rol de policiais militares, com a discriminação de seus ganhos. 

 Era uma vidinha difícil pra danar pros “meganhas”, suas famílias, e pro povão também. Os pagamentos eram quitados em dinheiro. Ninguém tinha conta bancária. Com muita dificuldade, na década de setenta, esse “problemão” acabou e,em poucos anos, inclusive com a ajuda da informatização e expansão da rede  bancária, ultrapassamos essa fase de atraso e sofrimento, somente em casos excepcionais. Claro que nossos colegas de hoje nem têm idéia disto. Há muitos  anos nossos vencimentos são depositados no quinto dia útil de cada mês. Só  que nós, mais velhos e antigos e que provamos desse “veneno” e de outros já superados, sempre estamos com um pé atrás, receosos dessas crises provocadas pela crença de que o Estado tudo pode. Que é cornucópia de produção infinita.  E está mais que provado que não é!!!

E não é que o diabo aparece! Vem, do Rio Grande do Sul, uma potência de Estado da Federação: o governador Ivo Sartori resolveu pagar parceladamente, a PM do Estado, de três vezes, os vencimentos de julho. Digo a PM, mas a Polícia Civil também está no “bolo”. Isto vai dar problema. É retrocesso puro e se a moda pega vai ser um horror. Temos que lamentar, mais uma vez. Isto não deixa de ser reflexo das ações do governo brasileiro atual que vem derrapando desde que Lula se descobriu ser, não o “cara”, mas o melhor, o maior dos “caras” do planeta para ser presidente. E ainda vem o Obama – deve ter se arrependido disso – refutá-lo com o mesmo título da música do Roberto Carlos. Pois é, Lula e Dilma têm que “baixar” suas bolas porque as coisas estão muito feias. Depois da gastança irresponsável, chegam as contas. Estados e municípios estão às minguas pois os repasses não são feitos pela gana centralizadora desse presidencialismo tupiniquim que, conforme foi anunciado, vai distribuir emendas orçamentárias e milionárias e cargos para o congresso votar suas maldades...

Por fim, esse negócio de greve e paralisação de polícia são por demais nefastos à vida da população. Pelo que eu me lembre, nenhuma delas deixou boas lembranças. E não posso me esquecer de 1.997, no governo de Eduardo Azeredo, quando a praça da Liberdade quase virou um campo de batalha, ocorrendo a morte de um companheiro que fazia parte do ato em desagravo. O povo sofreu, a família policial militar sofreu e esperamos que algum aprendizado tenha advindo disto. Aí, temos de perguntar onde se emcontra o senhor todo poderoso Azeredo, ex-governador de um dos maiores Estados do Brasil: processado por crime eleitoral, com a carreira encerrada, procurando emprego onde? No Estado, viu, senhor Sartori! 

terça-feira, 28 de julho de 2015

Cuide da sua empresa

 Cuide da sua empresa

Wilalba F. Souza                                                                            27/jul/2.015

Sei que, de maneira geral, o trabalhador brasileiro nem se lixa pela empresa onde trabalha. E também que há uma rotatividade muito grande por diversos setores. Em tempos de vacas gordas, então, ocorrem os abusos de maus funcionários que forçam dispensas médicas e acumulam faltas. Os cofres do seguro desemprego “pagam o pato” nos casos de dispensas médicas e indisponibilidade por motivos vários. Nas crises econômicas, como a que enfrentamos hoje, há uma certa inversão, pois o desemprego assola a massa de dependentes do trabalho remunerado e o trabalhador se cuida um pouco mais, mas o tal de FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) é mais exigido com tanta gente inativa.

Se fossem tempos de crise nos governos que não o do PT, de certo as greves assolariam o país, mais em razão da sede dos seus partidários em assumir o poder. Em suma, haveria paralisações/movimentos políticos. Dessa forma, e com muitas apelações de cunho social e cheias de radicalismo, Lula foi eleito presidente. Depois de aparelhar as estruturas públicas e as estatais, e por mais de doze anos, os petistas dão as cartas e, mesmo assim, suas derrotas administrativas são visíveis, com sérios prejuízos à estrutura econômica brasileira e ao povo em geral. Mas não se vêm greves. Dominados, via sindicatos “chapa-oficial”, empregados de grandes empresas aceitam a redução salarial, numa tentativa de minimizar as dispensas. Se certo ou errado, não sei, mas claro que são dois pesos e duas medidas, facetas da atuação medíocre de mandatários despreparados para “remar” este barco, e que, agora, apelam para ajuda das oposições, antes por eles “desancadas”.

Sobre “cuidar de sua empresa” chamou-se atenção a entrevista de um delegado de polícia do Detran-MG que, preocupado com a falta de fiscalização de motoristas beberrões com o tal “bafômetro”, estava disposto a colocar “seu pessoal” na rua para fazer as tais “blitzens”. Não me parece ser, essa atividade, da alçada da nossa Polícia Civil, mas... seria interessante um esforço maior daquela Corporação em mobiliar as delegacias do interior, até de cidades importantes, para apuração dos milhares de crimes pendentes sem solução. Aliás, o pessoal da Polícia Militar, encarregado do policiamento ostensivo perde muito tempo na lavratura de ocorrências, exatamente pela precariedade de funcionamento das delegacias de polícia. 

Enquanto isto, jornais de São Paulo noticiam que o Governo daquele estado está pleiteando assumir as rodovias ditas federais, usando sua Polícia Militar, tendo em vista o aumento da criminalidade pelas cidades por onde essa vias passam. Evidentemente que tais medidas vão exigir maior esforço e investimento naquela Corporação, pois há de se dispor de efetivo e viaturas e outros equipamentos destinados e necessários ao cumprimento da missão. Enfim, não sei se isto vai acontecer, mesmo porque há um jogo de interesses do estadual versus federal nisto tudo, se não estou enganado. Aliás, entendo ser importantíssimo, a médio/longo prazo, as Polícias Militares investirem pesado no policiamento de trânsito rodoviário e meio ambiente, já que, me parece justo, terem as prefeituras maior responsabilidade política e operacional com policiamento ostensivo e bombeiros. Elas que se preparem!

E, no mais, cada um tomar conta de “sua” empresa, é uma das maneiras de ajudar o Brasil a se superar e melhorar seu pífio desempenho. Aliás, é nas crises que aprendemos a avançar e transpor obstáculos, não se esquecendo que ficar em “zona de conforto” só traz retrocesso. E ainda que, na condição de  funcionários públicos, civis ou militares, nossas responsabilidades aumentam, ainda mais que todos seremos atingidos, mais cedo ou mais tarde, pelos descaminhos e desencontros desse gigante ainda promissor!





quinta-feira, 16 de julho de 2015

Contingenciamento...

 
Wilalba F. Souza                                                                                   16/07/2015

E cortes nas despesas significam tudo a mesma coisa. Em se tratando de ações de governo para execução de orçamento, nada tem mudado ao longo dos anos. Em tempos passados, mas não tão passados assim, além do aumento das demandas da população, havia uma inflação galopante. Muito parecida com a que assola hoje a Venezuela, na base de dois dígitos, ou muito mais, ao mês. E os Venezuelanos que se cuidem, com a queda vertiginosa dos preços do petróleo – o Irã vai poder exportar também, depois do acordo sobre seu arsenal e pesquisa atômicos. Lá as coisas vão piorar e, certamente, os ânimos políticos restarão aquecidos!.

Mas não dá pra entender como nosso governo, em todos os níveis, parece não ter aprendido com exemplos do passado e, no mínimo, ter feito uma política econômica mais conservadora depois de controlada a desgraça da inflação. Infelizmente constatamos que esse pessoal que manda e desmanda não passa de amadores arriscando manobras pouco confiáveis com o dinheiro alheio. No meu tempo de criança eu diria que jogaram notas de cem “de grila”. Quem as pegou fez festa e hoje está todo mundo de ressaca e sem anti-ácido para tomar... principalmente as camadas mais pobres e que dependem dos baixos salários e aposentadorias para sobreviver. 

E neste nosso país – dito abençoado por Deus, e deve sê-lo mesmo – vemos de tudo. Deu no jornal hoje, além de outros “furos”, que a nossa Polícia Militar vai fazer economia de munição nos treinamentos. Recomendação do governo. Considerando que a manutenção dos nossos quartéis deixa a desejar e que grande número de viaturas estão baixadas, salve-se quem puder. E lembrar que um companheiro da PM recomendou à população, a propósito da soltura de pipas com linhas de cerol, que quem visse deveria ligar para 190, ou 193!!! Brincadeira, só pode! Nossos céus estão, neste mês de férias, “qualhados” de pipas. Maioria com linhas cortantes. Marmanjões, crianças e até mulheres se juntam a essa prática que faz vítimas constantemente. Sei, sim, que ninguém vai preso por isto, embora seja crime... É problema de cultura, educação e formação familiar.

Aliás, mudando o foco, mas dentro do tema, esta semana me ligou um amigo “injuriado” com a insistência de motoristas estacionarem seus veículos em locais proibidos e sinalizados fora do centro da cidade de Barbacena. Eu o aconselhei a fazer a sua parte porque, há muito, esse tal de contingenciamento encerrou as atividades de fiscalização mais efetiva do trânsito urbano na nossa terrinha. E é simples: não existe efetivo. Sabe como é, o governo dito neoliberal do senhor Anastasia liberou geral e permitiu, com novas regras de aposentadoria no serviço público, que gente muito jovem, em plenas condições de trabalho, fosse pra casa, isto mesmo, se “aposentasse”. Pois é, perderam a eleição pra governador, mas o “benfeitor” hoje é senador da República!

Para esse meu amigo, que demonstrava irritação com motoristas, contei que, na rua onde moro, é comum o pessoal “guardar” carros no passeio, colado às casas e ainda depositar material de construção no mesmo espaço público, levando os pedestres a se deslocarem pela rua, competindo com automóveis. Como a polícia não coibe e a fiscalização da prefeitura inexiste, fica assim mesmo. Seria bem mais fácil que cada cidadão obedecesse os preceitos da boa educação e convivência comuns. Mas isto não acontece...

Voltando ao problema cerol, ou linha chilena – esta mais perigosa ainda – dia destes, outro amigo, motociclista, pelo Whats App, desancou a falta de ação do poder público contra quem solta pipa, contra o cerol, contra os pais, contra esses adultos que sobem nas lajes, colorem o céu, e às vezes com sangue, inocentes transeuntes, ciclistas e motociclistas. E ele tem toda a razão. Há uma omissão geral e irrestrita de todo mundo. E esses crimes vão continuar. Só que, em conversa com motociclistas que fazem parte de grupo desse meu amigo, fiquei sabendo que, em seus passeios na região, ele e os demais membros chegam a desenvolver 180/200 quilômetros por hora em suas possantes máquinas... impunemente!  Dá pra entender?



terça-feira, 7 de julho de 2015

Coloquem o Cinto de Segurança

Coloquem o Cinto de Segurança

Wilalba F. Souza                                                                                 05jul2.015

Neste final de semana fui, com alguns colegas, até o “Espaço Gorine”, uma antiga fazenda, hoje uma casa de eventos de alto nível, localizada perto do antigo trevo de Barbacena, na rodovia 040, gerenciada pelo nosso amigo Pedro, herdeiro da família do mesmo nome, rapaz empreendedor e que labuta para manter aquela obra deixada pelos seus pais. É constituído, o conjunto existente, por antigas e renovadas instalações, apropriadas para receber casamentos, aniversários e outras promoções inerentes, com muito conforto, bom gosto e segurança. Bem, o Pedro Gorine é uma pessoa de índole afável e de fácil acesso, incorporado de toda a matreirice mineira vinda de sua criação interiorana. Dessa forma, permitiu que nós, componentes de um grupo de aeromodelistas barbacenenses, usássemos uma pista improvisada, em terra batina, situada no seu terreno e que ele mesmo manda patrolar, melhorando as condições para a prática do nosso hobby. E isto acontece desde que o comando da EPCar (Escola Preparatória de Cadetes do Ar), por motivo mais que fútil, nos fechou a pista do aeroporto de Barbacena, reconhecidamente sub utilizado, há uns dois anos.

Sábado cedo ventava muito, inviabilizando uma tomada de imagens, através de drones, naquele sítio, por nós programada anteriormente e que seriam presenteadas ao seu proprietário. Assim, adiamos o “trabalho” e fomos “voar” com outros aeromodelos mais apropriados para aquelas condições de tempo, como um aero-planador, uma “asa de combate” e um Cessninha elétrico. Diversão pura, durante pouco mais de uma hora e meia. Aliás, aeromodelismo exige muita consciência e obediência a uma série de critérios de segurança, pois podem ocorrer avarias, razão pela qual a escolha do local deva ser acompanhada de cuidados extremos, como áreas de escape e definição de uma caixa de voo. Enfim, sua prática exige treinamento, desde a montagem do “brinquedo” até sua utilização, nas mais variadas fases. E dessa forma temos procedido, embora ainda sejam comuns pequenos acidentes, como cortes nas mãos por hélices, depois de algum descuido qualquer.

Ao encerrarmos nossas atividades, naquela manhã, vinda não sabemos de onde, caiu uma pipa nas imediações. A primeira constatação foi que o “empinador” tinha as linhas preparadas com cerol, cuja finalidade é cortar as dos “adversários” nos duelos, ou “combates aéreos”. Entretanto aquela navalha tem feito vítimas aos montes pelo Brasil, e as autoridades não conseguem coibir  essa prática que chega a ser criminosa. Dia destes, me parece que em São Paulo, essa armadilha mortal ceifou a vida de um senhor de sessenta e dois anos que regressava, de motocicleta, do trabalho para casa. Foi degolado! Não tinha a antena protetora na sua moto!!! E ainda houve quem o criticasse por isto???!!! Uma inversão de valores quase imoral.
E todos os anos acontecem inúmeros casos idênticos, não havendo como identificar o(s) “assassino(s)”. Há milhares de pipas sendo empinadas todos os dias. Minha constatação é que, por incrível que pareça, soltá-las com cerol não é coisa só de criança. Há adultos, em profusão, “aperfeiçoando” e difundindo essa forma perigosa e irresponsável de diversão. De difícil imputação criminal, resta, nesta nossa cultura do aceitamento e do conformismo, chorar, enterrar as vítimas e torcer para que isto não aconteça conosco, com nossos amigos ou com nossos filhos, enfim!

Nos últimos dias acompanhamos o noticiário sobre a morte, por acidente de carro, do cantor Cristiano Araújo, jovem que começava a despontar no cenário artístico nacional. Seu veículo em alta velocidade, dirigido pelo motorista particular, saiu da pista quando ia do interior do estado de Goiás para a capital, vitimando fatalmente os dois passageiros do banco traseiro: o artista e sua noiva. Estavam sem o equipamento exigido: os cintos de segurança, enquanto o motorista e o passageiro do banco da frente que os colocaram, saíram praticamente ilesos. Assim, reforçamos a idéia de que equipamentos de segurança foram feitos para serem usados. Na semana passada ainda perdemos nosso piloto de aviação civil mais admirado em Barbacena e na região. O veterano Henrique tinha duas aeronaves experimentais e verdadeira paixão pela aeronáutica. Presidente do Aero-clube local, estava lutando para não ser despejado do aeroporto da cidade pela Força Aérea Brasileira que se incomodava, e ainda se incomoda, com os civis e seu clube por aqui. Sobre essa injustiça já escrevemos anteriormente.

Bem, o Henrique decolou, na companhia de um amigo, de Barbacena, há uns dez dias, para ir, me parece, até João Monlevade, ou Governador Valadares. Pilotava um ultra-leve experimental quase novo e com poucas horas de voo. Certo é que perto de Ouro Preto, sabe-se lá porquê, o motor apagou de vez. Henrique, experiente, teria feito uma curva e, planando, tentou levar a aeronave até o aeroporto de Conselheiro Lafaiette. Não o conseguiu por míseros mil metros. Desceu em um pasto em aclive, até em baixa velocidade e pilonou ( a bequilha se prendeu na vegetação e o avião deu um giro sobre sí mesmo, virando de dorso ). Henrique, com a brusca freada, foi arremessado pelo para-brisas e caiu debaixo do motor e da asa, ficando prensado. Deve ter tido uma morte instantânea. O colega de aeronave, passageiro, ficou dependurado pelo cinto de segurança até ser resgatado pelos bombeiros. O Henrique morreu porque, antes de chegar ao solo, teria retirado o cinto, com  medo de fogo, estando preso, vejam só... Uma perda para todos nós que o admirávamos e curtíamos sua alegria. O passageiro acidentado nem ao hospital foi. Pegou uma carona e foi embora pra casa. Por isto, em caso acidente, o uso dos equipamentos afins, como o cinto de segurança,  pode fazer uma enorme diferença!