Wilalba
F. Souza
16jun14
Pois é pessoal, não tem jeito. Como eu
já estou bem rodado, e isto não é novidade, às vezes tenho que recorrer a
alguma lembrança que ainda me ocorre. E assisto, vamos dizer assim, de
camarote, coisas do “arco da velha” – e nem
sei quem inventou isto! Na mídia trataram a greve da PM de Pernambuco como algo
normal. É proibido, mas, de tanto acontecer, todo mundo se acostuma. Ocorreu no
Pará, na Bahia, não sei se em Sergipe ou na Paraíba. É a banalização de algo
muito sério e nós não temos estrutura para agüentar essa barra.
Um conhecido analista
político/comentarista foi muito feliz ao concluir o absurdo que é, não a greve, mas o fato
de, devido à circunstância, “brotarem” arrombadores e saqueadores por todos os
lados. O que assistimos numa cidade pernambucana sem policiamento chega a
estarrecer. Não só um descontrole, mas a constatação de que nosso
“tecido social” –termo muito usado pelo coronel Klinger Sobreira –
está podre, puído e dando sinais de que não tem conserto. E os saqueadores,
muitas vezes, levam o produto do crime para seus carros. Quer dizer, não é obra
de necessitados, de contemplados com o “bolsa família”.
Rotineira é a ação de oportunistas que
“carregam” mercadorias de caminhões acidentados, ou de “ratazanas” de trecho
que surrupiam cargas nas subidas íngremes das nossas rodovias. Conclusão:
estamos nos transformando em uma nação corroída
por abutres, em todos os níveis.
E não há polícia ou justiça que dê
jeito. No vértice superior da pirâmide os poderosos, flagrados com a mão “na
massa” e
defendidos pelos colegas poderosos.Colocam toda a culpa
no jogo político. O Juiz, que eles nomeiam, não podem condenar os parceiros.
Segundo eles, os condenados, pessoas honestas, humildes e idosas, não podem
cumprir a pena em regime fechado, etc, etc.
Na parte inferior da mesma pirâmide
estão os menores e a camada “menos favorecida”, as minorias raciais, os “sem
terra”, “sem teto”, “discriminados pelo sistema, pelo
capitalismo” e que invadem, destroem,mas são cheios de advogados do
sindicato, dos direitos humanos, pessoal da reforma agrária e da OAB.
Resultado: ninguém corre o risco de ir para a cadeia. Em Pernambuco destruíram
bancos, carros de uma revendedora, patrimônio público e outras coisas mais.
Amanhã ou depois veremos se alguém vai ser responsabilizado. Tenho certeza que
não. Ao serem liberados, ilesos, ainda saem rindo “aos montes”.
Nas páginas de um jornal diário a foto
do governador de Pernambuco, confortavelmente instalado em seu jatinho,
sorrindo e ao lado da família, indo para São Paulo, enquanto o “pau
quebrava” em seu quintal. Nas ruas viaturas do exército cheias de soldados
com armamento pesado, ladeados por, certamente, pequeno efetivo da “Guarda
Nacional” – formada por PM e policiais civis cedidos pelos
estados brasileiros, e que, certamente, não possui condições numéricas,
técnicas ou operacionais para suprir a demanda surgida após deflagração da
greve.
Esses “desandos” confirmam nossas
preocupações contidas em “A PEC 51 e a extinção das PM brasileiras”. A luta dos
PM pernambucanos é, basicamente, por um salário justo, um plano de carreira,
organização de sua previdência, me parece, e outras melhorias na Corporação que
darão às suas famílias segurança e à população
melhor qualidade de serviços.Mas o duro é ouvir do ministro da
justiça a mesma “lenga, lenga”: - precisamos repensar a PM e a questão das
greves. E eu digo que precisamos ver sim: tudo aquilo que de melhor puder feito
para estimular o seu desempenho, antes que a insatisfação e o desânimo
prejudique, ainda mais, a população e fique tudo igual “a casa de mãe Joana”.
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